9 épocas, 292 jogos, 311 golos e dois títulos de campeão depois, Cristiano Ronaldo disse adeus à La Liga. A chegada do português, no galáctico defeso de 2009, foi um terramoto para uma competição que, durante quase uma década, viveu alimentada por um duelo entre as duas individualidades mais cintilantes do seu tempo. Em Espanha a disputa Real Madrid-Barcelona sempre esteve presente, mas com Ronaldo a alinhar na capital a contenda colectiva ganhou, mais do que nunca, contornos individuais, com o madeirense a digladiar com Lionel Messi não só a cada “El Clásico” mas a cada jornada da prova. Assim, a saída de CR7 de Madrid tem de marcar um antes e um depois na La Liga, tal foi o impacto desportivo (mais tentos apontados que encontros realizados e 3 vezes “Pichichi”) e mediático (nenhum futebolista move tantas multidões, abarca tanto espaço nos meios de comunicação ou redes sociais) do jogador. Na aurora de um novo período da liga espanhola, convém olhar para dados que mostram que, no passado recente, têm estado aqui os expoentes máximos – individuais e colectivos – do desporto-rei: nas últimas 19 edições de Champions, Liga Europa, Supertaça Europeia e Mundial de Clubes, os emblemas espanhóis venceram 18; os derradeiros 9 vencedores da Bola de Ouro actuavam na La Liga, bem como os vencedores da Bota de Ouro nas últimas 10 temporadas (sendo que em 2013-2014 o prémio foi dividido por Ronaldo e Luis Suárez, então no Liverpool). Quer isto dizer que aqui têm estado as melhores equipas e os melhores jogadores, mas não só. Esta é uma competição com um nível médio de jogo elevadíssimo, onde as formações mais modestas apresentam argumentos técnico-tácticos fortíssimos, com treinadores altamente preparados e uma diversidade e riqueza ao nível de futebol praticado fascinantes. A La Liga, o torneio dos “Olés” na Andaluzia a cada finta de Joaquín sob um sol abrasador e dos “Uiiii” no País Basco sempre que Aduriz cabeceia uma bola em plena tempestade, da magia de Aspas junto ao mar de Vigo ou da canhota teleguiada de Álex Granell na Catalunha, da majestuosidade de Camp Nou e do Santiago Bernabéu mesclada com o aroma de outros tempos de Ipurua e Vallecas, está de volta.
Tal como aconteceu em 7 das derradeiras 10 temporadas, o Barcelona sagrou-se campeão espanhol em 2017-2018. A época de estreia de Valverde no comando técnico dos catalães começou com grandes doses de cepticismo devido à conjugação do momento fulgurante do Real Madrid (os merengues acabavam de ganhar campeonato e Champions, tendo dado um “banho de bola “ aos culés na Supertaça de Agosto) com a saída de Neymar, tudo apimentado por uma sensação de “fim de ciclo”, de conclusão da supremacia catalã com origem numa concreta filosofia de jogo. Pouco a pouco, o conjunto de Valverde foi dando provas de solidez e consistência, demonstrando ser uma formação que, não enchendo o olho, era muito capaz de ir levando a bom porto os compromissos do dia-a-dia da La Liga. Tudo isto, claro, facilitado por um Lionel Messi que, como poucas vezes se recorda, carregou a equipa às costas, sendo absolutamente decisivo para um triunfo que, no final de contas, pareceu fácil. Para a nova campanha o objectivo do Barça é, obviamente, a revalidação do título. Há quem defenda uma espécie de “teoria dos vasos comunicantes” para ilustrar a relação entre os blaugrana e o Real Madrid, como se o que acontecesse de um lado tivesse repercussões a 600 quilómetros de distância. Ora, se no Santiago Bernabéu 2018-2019 é a temporada do pós-Cristiano, em Camp Nou é a temporada do pós-Iniesta. O mago espanhol decidiu colocar um ponto final na sua umbilical ligação ao Barcelona, rumando ao Japão e obrigando o clube a reagir à saída de um dos seus melhores jogadores de sempre. Assim, a ausência do capitão (a braçadeira passou agora para Messi) é a grande novidade dos campeões para a nova época, sendo que, entre as unidades mais utilizadas, também Paulinho fez as malas rumo à Ásia, este apenas um ano depois de ter feito o caminho inverso (Digne, André Gomes, Yerry Mina, Paco Alcácer ou Aleix Vidal foram outros elementos que sairam do clube neste defeso). Como caras novas Valverde conta com Lenglet, Arthur, Arturo Vidal e Malcom. A aquisição mais sonante é, claramente, a de Arturo Vidal. O chileno, campeão no seu país, em Itália e na Alemanha, chega proveniente do Bayern Munique com um percurso recheado de êxitos e títulos. Na sequência da saída de Iniesta, e tendo Busquets e Rakitic (que vem de uma temporada fantástica) como indiscutíveis, há muita curiosidade para saber como irá o técnico dos culés dispor a equipa do meio-campo para a frente. Sabendo que haverá bastantes alterações e rotatividade, o mais “natural” poderia ser colocar Busquets como pivô, Rakitic e Vidal como interiores e Coutinho, Messi e Suárez na frente. Mas na temporada passada Valverde utilizou com muito mais frequência uma estrutra na qual Busquets e Rakitic ocupavam o centro do terreno, com dois homens nas alas (que poderiam ser Coutinho e Paulinho, mas também André Gomes ou Dembélé) e Messi livre atrás de Suárez, estrutura essa que poderia dificultar a entrada de Vidal. O que é certo é que, com Arturo, o Barcelona ganha uma importante injecção de personalidade, competitividade e agressividade, mesmo sendo um perfil de centrocampista que, à partida, “choca” com o mais canónico para o “ADN Barça”. Quem aparenta ter essas características que tanto agradam pela Catalunha é Arthur. O requintado médio brasileiro era há muito um dos principais jogadores da América do Sul, e são depositadas bastantes expectativas em torno do rendimento que pode vir a dar. Já Lenglet, central canhoto muito forte na saída de bola, deverá ser a alternativa a Umtiti, e ao entusiasmante Malcom, brasileiro com margem de progressão, também deve ser conferido um papel secundário, agitando partidas vindo do banco ou participando na rotação enquanto vai evoluindo. Com uma espinha-dorsal de alto nível formada por Ter Stegen (a seguir a Messi, foi talvez o melhor jogador da equipa em 2017-2018), Piqué, Busquets, Rakitic e Messi, o Barça quer dar sequência à “ditadura” que o pequeno astro argentino tem imposto na La Liga, visto que desde que Guardiola lhe deu a liderança da equipa só por 3 vezes o ceptro não foi parar a Camp Nou. Em Barcelona há alguns sinais de alarme pelo envelhecimento das principais peças (muitos dos habituais titulares têm mais de 29 anos) e pela perda de pujança física de Suárez, que ao longo dos últimos 12 meses foi evidenciando já não estar na plenitude das suas faculdades – continua a ser um goleador e continuará a marcar golos, mas já não consegue fazer a diferença com a mesma frequência do passado -, mas não restam dúvidas de que aqui está um fortíssimo candidato ao título.
Também candidato ao título é o Atlético de Madrid, vice-campeão na época transacta. Diego Pablo Simeone tem elevado os colchoneros para um patamar impensável ao momento da sua chegada, em Dezembro de 2011, mas esta temporada começa com uma sensação diferente no ar. Nas últimas campanhas, o treinador argentino salientava sempre que o objectivo principal era o 3.º lugar, que os rivais eram o Sevilla ou o Valencia, e os próprios adeptos, ainda que ambiciosos e sonhadores, assumiam com naturalidade uma espécie de segundo plano de favoritismo no qual a equipa vivia. Mas, para 2018-2019, as coisas parecem um pouco distintas. A direcção liderada por Cerezo fez um claro esforço para construir um elenco fortíssimo – para muitos o mais poderoso da história do clube -, o qual é evidente não só pela categoria dos reforços contratados mas também pela manutenção das principais estrelas (e da maior de todas, Simeone). A “novela” em torno da continuidade de Antoine Griezmann acaba por resumir bem esta sensação, dado que o campeão do mundo acabou por ficar no Metropolitano (estádio que também veio dar outro “glamour” aos rojiblancos) por estar convencido de que o Atlético já não é uma formação que vive à sombra dos colossos mas sim um conjunto de primeira linha de pleno direito, um legítimo aspirante a vencer todas as competições em que se insere. Esta temporada, definitivamente, os colchoneros não correm por fora, inspirando temor nos rivais e esperança nos adeptos. O espírito combativo, agressivo, competitivo e guerreiro que Simeone impões continuará, bem como as principais forças tácticas da equipa (fortíssima reacção à perda da bola e comportamentos em defesa posicional sabidos “de memória”), mas o defeso deu ao argentino algumas armas para elevar o nível do conjunto. Desde logo, Thomas Lemar, outro campeão do mundo, acrescenta energia, mobilidade, técnica e variabilidade ao futebol do Atlético, tornando-o mais capaz de ferir em posse, tal como Rodri Hernández, pivô-defensivo muito elegante e capaz no passe. Santiago Arias chega para competir com Juanfran (que vai acusando a idade) e cobrir a saída de Vrsaljko, Gelson Martins (que não terá vida fácil com a concorrência de Lemar, Correa ou Vitolo) confere velocidade, drible e força nas transições, podendo ser muito útil a Simeone a certos contextos, Adán vem para ser uma competente alternativa a Oblak e Kalinic, dianteiro de boa técnica, confere poder de fogo a um ataque que perdeu Gameiro e Torres. El Niño não foi o único símbolo do clube a sair nos últimos meses, dado que Gabi, o grande capitão, fez as malas para assinar o contrato de uma vida no Qatar. Assim, teremos um Atlético com as armas do costume dos últimos anos: muita solidez, competitividade em cada partida e uma identidade clara cimentada pelas figuras de Godín, Koke, Saúl ou Diego Costa. Mas para esta temporada, mais do que nunca, é preciso contar com a dose extra de qualidade que Oblak, Lemar, Griezmann e companhia são capazes de fornecer a um conjunto que não esconde a pretensão de erguer o título pela segunda vez no consulado de “El Cholo”.
Ainda na capital mora outro feroz candidato ao título. O Real Madrid só venceu a competição por duas vezes nas derradeiras 10 edições, um número escasso para o emblema recordista de triunfos na prova. 2018-2019 é, sem dúvida, o começo de um novo ciclo nos blancos. Cristiano Ronaldo, o melhor marcador da história dos merengues, fez as malas em direcção a Turim num dos negócios mais bombásticos de sempre. “Orfão” da grande estrela dos últimos anos, Florentino Pérez optou por não contratar um galáctico para substituir o português, preferindo acreditar que, sem CR7, Isco, Asensio, Bale ou Benzema darão um passo em frente no que toca ao rendimento. Mas não foi só Ronaldo a sair, dado que também Zinedine Zidane, o técnico francês que geriu o balneário como poucos e venceu 3 Champions (e uma liga), surpreendeu tudo e todos ao decidir colocar um ponto final como timoneiro dos madridistas. Sem Zizou, Florentino escolheu Julen Lopetegui um técnico com hábito em trabalhar com jovens, algo importante tendo em conta a política desportiva do Real, que passa por contratar os melhores sub-21 do planeta. Neste defeso, chegaram mais nomes altamente promissores ao Bernabéu, tais como o guarda-redes ucraniano Lunin, o lateral Odriozola ou o irreverente brasileiro Vinícius. Lopetegui foi também o homem que, no comando da selecção espanhola, potenciou Isco e os responsáveis merengues acreditarão que o ex-FC Porto poderá ajudar várias figuras a dar o passo em frente que, na ausência de Ronaldo, terá de suceder. Face a Zidane, o basco é um treinador mais de detalhe, mais preocupado com a evolução diária e permanente da equipa, enquanto o francês era alguém menos preocupado com o pormenor, concentrando-se em deixar as enormes doses de talento à sua disposição fluir e pesar nos momentos decisivos das temporadas. Assim, o objectivo de Lopetegui passará por dar consistência e regularidade exibicional desde Agosto a Junho a um conjunto que, nas últimas temporadas, se habituou a ser infalível a partir de Março mas a desperdiçar muitos pontos no quotidiano da La Liga, o que levou aos poucos títulos nacionais erguidos. Para além dos jovens mencionados, chegou ao Bernabéu o guardião Courtois e o avançado Mariano Díaz. O belga tentará roubar o lugar que tem sido de Keylor Navas. O antigo jogador do Chelsea tem mais potencial e é mais completo que o costa-riquenho, mas tirar da equipa titular alguém que em 3 épocas como n.º1 venceu 3 Champions (e correspondeu nos momentos decisivos) nunca será uma decisão fácil ou consensual. Já o ex-Lyon regressa à capital depois de um ano de crescimento em França, no qual apontou 21 golos e mostrou ser capaz de render durante toda uma temporada num nível de exigência alto. Mariano parece ter o perfil de dianteiro que faltava a este elenco, pois não só é capaz de agitar vindo do banco (é muito agressivo, transmite muita energia e, por exemplo, cabeceia muito bem, sabendo-se como essa é uma arma que os merengues gostam de usar no último lustro) como, não vindo com o rótulo de estrela, poderá aceitar a prevalência de Benzema na hierarquia, juntando-se a isto a vantagem de estar plenamente identificado com o clube. Em suma, o Real Madrid perdeu Cristiano Ronaldo, o que é igual a dizer que perdeu 60 golos por temporada, e perdeu Zidane, o que significa perder uma garantia de estabilidade num balneário que por diversas vezes foi um barril de pólvora. No entanto, esta nova Era amanhece no Bernabéu com muitos dos condimentos do passado. O elenco continua a ser ultra-talentoso e recheado de soluções, e quem junta Ramos, Varane, Marcelo, Kroos, Modric, Isco, Bale ou Benzema estará sempre perto de vencer, e por isso o Real, clube orgulhoso e com um ADN competitivo muito próprio, quererá provar que consegue ganhar sem o astro mais cintilante do passado recente. Caberá a Lopetegui saber levar a nau blanca a bom porto, à medida que dá o seu toque pessoal sem prejudicar as boas componentes da herança de Zizou.
Atrás dos 3 grandes candidatos ao título vem um conjunto de equipas que lutará por entrar nos lugares europeus. Ora, o mais apetecível desses postos a seguir ao pódio é, obviamente, o 4.º lugar, o qual dá qualificação directa para a Champions League. Na temporada passada esse lugar foi ocupado pelo Valencia, e o objectivo da formação de Marcelino García Toral passa por repetir a prestação. Os che vinham de tempos muito conturbados, com péssimas campanhas e muitíssima contestação, mas esperam que 2017-2018 tenha sido um momento de viragem e de reencontro com o nível desportivo a que o fervoroso público do Mestalla foi habituado. Marcelino construiu uma equipa de identidade reconhecível, fiel àquilo que já se conhecia das suas ideias como treinador (sólida, compacta, capaz de trocar peças na equipa titular sem perder a matriz de jogo e com muitas soluções para sair em transições rápidas) e para esta temporada, a de regresso à principal competição europeia de clubes, espera-se consolidação e crescimento. Entre as unidades mais utilizadas por Marcelino, Montoya foi vendido ao Brighton e para o seu lugar foi contratado Piccini ao Sporting, que neste regresso à La Liga terá de mostrar que cresceu em Portugal. A maior parte da base da temporada passada mantém-se, continuando Marcelino a contar com um guardião seguro como Neto, centrais experientes como Garay e Gabriel, médios complementares como Parejo (o capitão e líder dentro de campo, tão amado como contestado pelo Mestalla), Coquelin, Soler ou Kondogbia (adquirido a título definitivo), o útil Santi Mina e dois atacantes de quem se espera muito: Gonçalo Guedes, comprado a título definitivo ao PSG, rendeu imenso em 2017-2018 no clube e todos esperam que faça ainda melhor, contribuindo com fintas, arrancadas, golos e assistências, e Rodrigo, um dos dianteiros mais completos e inteligentes do mundo, com uma cultura de movimentos brutal, sendo tão capaz de marcar golos como de activar toda uma frente de ataque. A juntar a isto, Marcelino recebeu “presentes” da qualidade de Diakhaby, Wass, Cheryshev Batshuayi ou Gameiro, num investimento que superou os 100 milhões de euros neste defeso. Diakhaby é um jovem central francês de grandes condições físicas que terá de ser trabalhado por Marcelino, enquanto Wass, dinamarquês contratado ao Celta, tem o perfil de jogador polivalente e de equipa que agrada ao técnico, dando soluções como médio ala ou como interior, sempre com muita competência. Chersyhev vem de um grande Mundial e, tal como Wass, acrescenta profundidade ao plantel (conhecendo já La Liga) ao passo que Batshuayi (que sabe o que é marcar golos na Bélgica, França, Inglaterra – mesmo jogando pouco – e Alemanha) e Gameiro (não rendeu como se esperava no Atlético – ainda que tenha apontado 27 golos em duas temporadas – mas, pela sua velocidade e ameaça na exploração da profundidade pode ser um caso muito sério com Marcelino) são dois avançados de “nível Champions”, que se juntam a uma dianteira de alto gabarito. Assim, o desafio para o Valencia é manter o rendimento da temporada transacta, evitando que esta seja um “oásis entre o caos” (tal como a época 2014-2015) mas sim a rampa de lançamento para uma (re)consolidação de um dos clubes com mais peso, tradição, história e adeptos do país.
A pouco mais de 60 quilómetros do Mestalla mora o 5.º classificado de 2017-2018, o Villarreal. Vindo “do nada” para se cimentar como uma das melhores equipas espanholas no século XXI, o submarino amarelo já nos habituou a uma política desportiva criteriosa e a equipas de qualidade. Javi Calleja pegou no Villarreal no final de Setembro de 2017, substituindo Fran Escribá, e o seu excelente começo (4 vitórias e um empate nos 5 encontros iniciais) valeu-lhe a continuidade no cargo, ele que orientava a equipa secundária do clube. Calleja foi capaz de endireitar a equipa depois do mau arranque com Escribá, colocando-a num meritória 5.º posto final. Para a nova campanha, sairam duas das “jóias da coroa” como Rodri e Samu Castillejo, mas chegaram caras novas de qualidade: Gerard Moreno brilhou no Espanyol (19 golos na época passada) e promete fazer ainda melhor no seu regresso ao clube 3 anos depois (e a troco de 20 milhões de euros, tornando-se na aquisição mais cara da história do emblema), Toko Ekambi foi eleito o melhor jogador africano da Ligue 1 e é, claramente, um dos “rookies” que pode impressionar Espanha, Funes Mori, se recuperar o nível anterior às lesões – quando era titular pela Argentina -, é um acrescento de qualidade para a defesa e Layún é uma peça de grande valia para qualquer plantel, dando polivalência (acrescenta a lateral direito, esquerdo, médio interior e médio ala), competitividade, experiência e qualidade nas bolas paradas, isto para além da compra a título definitivo de Carlos Bacca, autor de 18 golos em 2017-2018. A juntar a estes reforços, há um muito especial. Santi Cazorla, o pequeno grande génio espanhol, assinou pelo clube pelo qual brilhou entre 2007 e 2011. O bicampeão da Europa por Espanha atravessou um calvário de lesões e chegou ao Villarreal sem jogar desde Outubro de 2016, pelo que basta que esteja em condições de jogar para ser uma boa notícia para todos. Mesmo que não seja de esperar que se exiba como no passadad, umas doses da sua fantasia e criatividade iriam dar ainda mais qualidade a este submarino que, uma vez mais, quer andar perto dos melhores. Às ordens de Caleja continuam pilares como o guardião Asenjo (com um terrível passado cheio de lesões graves, as quais foram sendo superadas numa clara prova de resiliência), os defesas Álvaro González, Mario Gaspar e Jaume Costa, os médios Trigueros (pouco mediático mas de enorme qualidade) e Pablo Fornals (muito promissor), continuando o capitão Bruno Soriano, elemento de grande qualidade, a viver um calvário de lesões. Em Villarreal haverá algumas novidades, sobretudo na dianteira, mas o clube já nos habituou a saber-se renovar com critério e a manter-se competitivo, beneficiando também de um contexto social de menor pressão e loucura mediática que outros candidatos à Europa.
Pressão, tradição, história e adeptos de futebol é o que há de sobra em Sevilla, magnífica cidade que aloja o 6.º e 7.º classificados da última campanha, e aspirantes aos lugares europeus na que se avizinha. O Betis viveu em 2017-2018 uma espécie de “renascimento”. Os verdiblancos, emblema que move paixões como poucos, andavam adormecidos entre épocas no 2.º escalão e temporadas a fugir à despromoção. Mas há pouco mais de um ano a chegada de Quique Setién, conjugada com uma política desportiva bem vincada, mudou a dinâmica vigente no Benito Villamarín. Comandados pelo antigo timoneiro do Las Palmas, os andaluzes praticaram um futebol espectacular, querendo ter o domínio e a iniciativa das partidas, com uma posse recheada de soluções, criatividade e qualidade técnica, numa proposta de jogo que apaixonou muitos amantes do desporto-rei pelo mundo fora. O nível exibicional foi aumentando e consolidando-se, culminando num 6.º lugar que recolocou o Betis na Europa. Para 2018-2019 o objectivo passa por cimentar este crescimento e provar que este projecto é capaz de, a cada campanha, colocar o clube num lugar condizente com o seu estatuto social. Setién viu partir duas peças importantes como Adán, o n.º1, e Fabián Ruiz, o excelente médio que rumou a Nápoles deixando 30 milhões de euros nos cofres do clube (num exemplo da forma como o futebol do Betis pode valorizar ativos e contribuir para a sustentabilidade da instituição), para além de Durmisi e Camarasa, mas a criteriosa política de contratações trouxe elementos que, para além da sua qualidade, inserem-se na filosofia do colectivo. Desde logo, William Carvalho, a aquisição-estrela, é um médio com o conforto em posse de que o técnico gosta, muito forte a tirar a bola das zonas de pressão. Para além do português, também Lo Celso, cedido pelo PSG, confere perfume ao centro do campo, Takashi Inui oferece capacidade de associação no último terço e de drible, Canales é mais um criativo cheio de técnica e Sidnei um central habituado à La Liga. Já na baliza Pau López e Joel Robles chegaram para disputar o posto que era de Adán. Num grupo de atletas ao qual parece faltar um ponta-de-lança de outro gabarito (Morón, Sanabria e León têm qualidade mas estão uns furos abaixo do nível global), as caras novas juntam-se a Bartra (o Betis melhorou imenso a partir do momento em que o ex-Barça, muito bom na saída de bola, chegou em Janeiro), Mandi, Feddal, Tello, Júnior, Guerrero, Guardado (é um regalo ver o mexicano jogador), Boudebouz e, claro, a eterna referência da equipa e do clube: Joaquín, que aos 37 anos, para além de ter um sentido de humor apurado e de ser um dos reis das redes sociais, conserva (e às vezes parece que vai refinando) a técnica, o drible e a magia, fintando rivais com o sorriso de um eterno jovem andaluz que sai à rua para uma noite de dança.
Dança é o que tem havido no banco do grande rival do Betis, o Sevilla, desde que Unai Emery saiu do cargo. Nos últimos dois anos 5 treinadores dirigiram a equipa de Nervión, sucedendo agora Pablo Machín a Sampaoli, Berizzo, Montella e Caparrós, este como interino no epílogo da última época. Machín, que se notabilizou no Girona (liderou os catalães na subida à La Liga e, na primeira época no escalão principal, conseguiu um excelente 10.º lugar, lutando pela entrada na Europa até bem perto do final), terá como missão devolver a tranquilidade ao Ramón Sánchez-Pizjuán após uma campanha com 3 treinadores e muita instabilidade (recordemos que foi a primeira sem Monchi, o director desportivo que esteve na base do crescimento do clube nos últimos 15 anos). Para reaproximar os andaluzes do top-4, o técnico parece decido em apostar na linha de 3 centrais que já costumava apresentar em Girona, num 3-4-2-1 cada vez mais em voga. A nível de mercado, assistimos a, como é comum, um defeso agitado no Sevilla. Falando só dos elementos mais utilizados, Sergio Rico, Lenglet, Nzonzi, Joaquín Correa e Guido Pizarro rumaram a outras paragens, investindo o clube cerca de 77 milhões de euros em reforços. De França, mercado que já muitas alegrias deu a Sevilla (recorde-se Lenglet, Ben Yedder, Gameiro, Krychowiak, Kondogbia ou Seydou Keita), chegaram o jovem central Joris Gnagnon e o médio defensivo Ibrahim Amadou, que terão a missão de se adaptar à La Liga para justificar o investimento feito (cada um custou 15 milhões de euros). A formação de Nervión recrutou também o guardião checo Vaclik, o central ex-Celta de Vigo Sergi Gómez, promoveu o regresso de Aleix Vidal (que poderá encaixar que nem uma luva no papel de ala direito, ainda que tenha a forte concorrência de Jesus Navas) e comprou Roque Mesa, o talentoso médio que se destacou no Las Palmas pela sua capacidade no passe. Gonalons vem por empréstimo da Roma para conferir experiência ao meio-campo e o holandês Quincy Promes foi o reforço mais caro (21 milhões de euros), aterrando no Sul de Espanha depois de brilhar na Rússia, ao serviço do Spartak, e querendo agarrar um dos lugares atrás do avançado-centro e provar a sua valia numa liga de topo. Finalmente, o português André Silva chegou, por empréstimo, para um ataque que já contava com Ben Yedder ou Muriel. Depois de uma péssima temporada no AC Milan, o dianteiro quer mostrar as qualidades que o levaram a destacar-se no FC Porto e a assumir a titularidade da selecção campeão da Europa, sendo que a sua inteligência de movimentação e jogo de apoios pode assentar melhor na La Liga. Numa equipa que também tem Daniel Carriço (veremos se esta época consegue somar mais minutos), Machín espera contar com um bom rendimento de Escudero, Franco Vázquez ou Sarabia (um canhoto de muitíssima qualidade, capaz de oferecer bolas de golo como poucos), tendo a missão de tentar “ressuscitar” Nolito, com um fraco rendimento recente mas que, jogando com liberdade nas costas de um n.º9, pode voltar à forma que o notabilizou em Vigo. O elemento de maior talento do plantel continua a ser Banega, craque com alguns momentos sombrios na carreira mas com umas capacidades futebolísticas capazes de virar qualquer partida para o lado da sua equipa. Machín dispõe de talento, resta restabelecer a consistência e regularidade a uma instituição que tem vivido demasiadas mudanças.
O Getafe foi uma das sensações de 2017-2018. No ano do regresso à elite, a turma dos arredores de Madrid obteve um brilhante 8.º lugar, a apenas 3 pontos do Sevilla. O treinador Pepe Bordalás, que conduziu o Geta à subida em 2016-2017 e que nunca havia treinado no principal escalão, construiu um bloco muito sólido e difícil de bater, com uma identidade muito vincada e que se mostrou regular e competitivo ao longo de toda a prova (não fosse uma desagradável propensão para sofrer golos nos minutos finais e a campanha poderia ter sido ainda melhor). Olhando aos jogadores que mais em destaque estiveram, apenas o guardião Guaita e o marroquino Fayçal Fajr abandonaram o Coliseum Alfonso Pérez, pelo que a melhor notícia que o defeso trouxe a Bordalás é o facto de continuar a contar com elementos como o português Antunes, o central Djené (togolês que impressionou pela suas tremendas condições físicas), o excelente japonês Shibasaki ou os experientes Damián, Ángel Rodríguez e Jorge Molina. Os dois últimos formaram uma dupla de ataque de grande rendimento, sendo chaves para o 4-4-2 do Getafe quer na pressão sem bola, quer no jogo directo, quer a nível de finalização – o primeiro fez 13 golos e o segundo 7, contribuindo com 20 golos para uma equipa que só marcou 42 na competição, registo que, entre as equipas que obtiveram a manutenção, só foi piorado por 4 formações (dado que reforça a importância da capacidade defensiva do Getafe) -. No que toca a reforços, Nemanja Maksimovic foi contratado ao Valencia por 5 milhões de euros. O sérvio, campeão do mundo sub-20 em 2015, procurará ter mais espaço que no Mestalla e demonstrar o seu talento, podendo dar um toque extra de qualidade à medular da equipa. Mas, pelos arredores de Madrid, as grandes expectativas residem num goleador contratado à 2.ª divisão espanhola. Jaime Mata fez 35 golos na época passada no Valladolid, sendo o melhor marcador da “categoria de prata” e, aos 29 anos, quer provar que consegue fazer a diferença na La Liga, prova na qual se estreará. O jovem extremo Iván Alejo, adquirido ao Eibar, e o guardião David Soria, que em dado momento da época passada foi o titular do Sevilla, são outras aquisições de algum peso para uma formação que manteve a base e que deseja nova estação longe dos apuros dos últimos lugares.
Se o Getafe foi sensação na época passada, o Eibar é muito mais do que um fenómeno de uma época só. Sediado numa localidade de apenas 27 mil habitantes e com um estádio de 7 mil espectadores que remete para outros tempos, o clube basco é um exemplo de sucesso a nível europeu. Com recursos limitados (quer em termos financeiros quer no que toca à base social de apoio) o Eibar pratica uma gestão exemplar, sem dívidas nem loucuras que comprometam o futuro do clube, num percurso feito paulatinamente que vem dando frutos. Os armeros apostam na criação de um ambiente familiar em torno da equipa, procurando criar uma forte ligação entre os jogadores e a comunidade envolvente (patente, por exemplo, no pedido feito aos atletas para residirem em Eibar e não em cidades maiores como Bilbau ou San Sebastián), levando a uma cultura de clube que foge à mercantilização reinante. O conjunto de Ipurua estreou-se na La Liga em 2014-2015 e desde então não só se foi mantendo na prova como foi melhorando os resultados, culminando esse crescimento no 9.º posto da última época. O competentíssimo José Luis Mendilibar perdeu jogadores muito importantes como Inui, Dani García e Capa, sendo que a nível de entradas o clube voltou a optar pela qualidade ao invés da qualidade. Assim, Pedro Bigas, central que apresentou qualidade no Las Palmas, Marc Cardona e Cucurella – ambos cedidos pelo Barça -, e Sergio Álvarez, médio que chegou do Sporting Gijón por 4 milhões de euros (reforço mais caro da história da entidade), vieram para acrescentar qualidade a um conjunto que terá de continuar a fazer da força colectiva a sua principal arma se quiser ombrear contra rivais muito mais apetrechados individualmente. A permanência do guardião Dimitrovic, dos defesas Arbilla, Ramis e José Ángel, dos médios Joan Jordán e Escalante e dos avançado Kike e Enrich (sem esquecer o talentoso chileno Orellana, que estava cedido pelo Valencia e foi adquirido a título definitivo) garantem a manutenção de uma coluna de elementos identificados com o clube e que podem manter a solidez tida como essencial para o sucesso, isto num emblema que conta também com Paulo Oliveira (após uma época de estreia em que fez 26 partidas terá como desafio elevar a fasquia e, quem sabe, espreitar uma oportunidade num eixo defensivo da selecção nacional que terá de ser renovado).
A fechar os 10 primeiros da época transacta e o capítulo “sensações” temos o Girona. Em 2017-2018 os catalães estrearam-se na La Liga de maneira risonha, não sofrendo na luta pela manutenção e passando mesmo grande parte da campanha a olhar para aventuras europeias. O obreiro da subida de divisão e do percurso que culminou no 10.º lugar na última temporada, Pablo Machín, rumou a Sevilla, e para o seu cargo chegou Eusebio Sacristán, antigo técnico do Barça B e da Real Sociedad. Nos bascos, Eusebio liderou uma equipa que no outono de 2016 atingiu um nível futebolístico fantástico mas que depois foi perdendo fulgor. Ainda assim, é um nome competente para uma tarefa complicada, dado que Machín colocou a fasquia elevadíssima para a realidade do Girona e o mais normal é realizar uma época pior que a anterior (do assumir desta evidência por parte de adeptos e dirigentes, não caindo em expectativas irreais, poderá estar parte do êxito da época). Eusebio parece apostado em desfazer a linha de 3 centrais utilizada pelo seu antecessor e colocar em campo um 4-3-3 a que nos habitou ao longo da sua carreira, mas se o timoneiro e a disposição táctica mudaram, a verdade é que a espinha-dorsal da equipa permanece. Assim, o fantástico médio canhoto Granell – capaz de colocar a bola onde quer -, os médios de ataque Portu (autor de 11 golos e 6 assistências na última época) e Borja García, o agressivo dianteiro uruguaio Stuani (muito forte no jogo aéreo, fez 21 golos em 2017-2018), os defesas Juanpe, Mojica e Espinosa ou o médio Pere Pons transitam da última campanha e devem funcionar como elo de ligação numa transição que pode não ser fácil, tal o impacto que Machín teve nos catalães (se subir à La Liga já foi uma proeza, ficar em 10.º no ano de estreia foi totalmente inesperado). Num defeso pouco movimentado no que toca a entradas, o defesa Marc Muniesa foi contratado ao Stoke para dar mais uma alternativa no sector recuado – alinha a central e lateral esquerdo -, mas a grande curiosidade em Montilivi reside em Patrick Roberts, jovem de 21 anos que foi emprestado pelo Manchester City. O talentoso canhoto inglês alinhou nas últimas 3 temporadas no Celtic, sempre cedido pelos Citizens, apontando 18 golos e fazendo 26 assistências. Desde cedo apontando como uma grande esperança do futebol britânico, Roberts terá de provar o seu talento numa liga exigente, aterrando em Girona ao abrigo do protocolo assinado com o City e que trouxe, há um ano, Maffeo (que foi titular indiscutível) ou Douglas Luiz (de utilização intermitente). Também Seydou Doumbia, atacante costa-marfinense que se destacou na Suíça ou na Rússia mas que vem de desiludir em Portugal (como havia feito em Itália e Inglaterra), veio conferir mais poder de fogo aos catalães. Como referido, a chave do sucesso para o Girona poderá estar na gestão de expectativas, pois é irreal exigir mais e mesmo pedir que se repita a época transacta pode ser injusto e ter consequências nefastas para um clube em crescimento que não deve querer dar passos em falsos (olhar para o exemplo do Eibar seria positivo). O elenco oferece garantias e Eusebio já mostrou qualidade, pelo que parecem estar reunidas condições para uma campanha tranquila.
Campanhas tranquilas é o que o Espanyol tem feito. A equipa de Barcelona terminou sempre entre a 14.ª e a 8.ª posição nas derradeiras 12 épocas, isto é, tem vivido a meio da tabela. Emblema com um contexto social peculiar, dado que vive claramente ofuscado pela presença de um vizinho gigante que abarca todas as atenções, sendo por vezes ignorado ou até ridicularizado, a massa adepta do Espanyol gosta de se auto-intitular como uma “maravilhosa minoria”. Em 2016-2017, Quique Flores obteve um positivo 8.º lugar, mas na época transacta as coisas não correram bem, com exibições pobres e pedidos de demissão durante largos meses, os quais culminaram na saída do técnico na 33.ª jornada de uma campanha que terminou, novamente, com a equipa a rondar a 10.ª posição. Para 2018-2019 a direcção apostou em Rubi, o homem que trouxe o Huesca pela primeira vez para a La Liga, e o defeso não trouxe só esta novidade, dado que futebolistas destacados rumaram a outras paragens. Assim, a estrela Gerard Moreno foi vendida por 20 milhões de euros ao Villarreal, tendo também Aarón Martín, Marc Navarro, José Manuel Jurado, Pau López ou Carlos Sánchez abandonado o clube. Os reforços não foram muitos, sendo que dois deles até já se encontravam em Cornellà (Sergio Sánchez estava cedido pelo Rubin Kazan e assinou como jogador livre e Darder estava emprestado pelo Lyon e o Espanyol pagou 8 milhões de euros aos franceses para garantir o médio em definitivo). Desta forma, a grande expectativa reside no avançado Borja Iglesias, contratado por 10 milhões de euros ao Celta de Vigo (aquisição mais cara da história dos periquitos). O dianteiro esteve cedido pelos galegos ao Zaragoza na época transacta, tendo feito 23 golos no 2.º escalão, registo que deu fama a alguém que em 2016-2017 havia apontado 34 tentos na equipa secundária do Celta. Outra cara nova que promete é o venezuelano Roberto Rosales, cedido pelo Málaga, um lateral direito muito experiente e habituado à La Liga. Sem grandes nomes no elenco (além do já veterano Sergio García e da expectativa em torno a Iglesias, Leo Baptistão e Pablo Piatti são os nomes com mais argumentos para fazer a diferença), é de esperar um Espanyol na linha daquilo do que tem feito: uma equipa pouco espectacular, que vai garantindo os pontos necessários para viver tranquilamente, sem se aproximar da zona europeia mas também sem estar em real perigo de descida. Basicamente, estamos na presença da equipa “invisível” da La Liga, um conjunto que facilmente nos escapa à atenção. Veremos se 2018-2019 traz um prolongamento disto.
Talento é o que há na Real Sociedad. Os bascos tiveram uma época 2017-2018 altamente desapontante, terminando o campeonato num 12.º lugar que dista muito do potencial existente. Como foi referido, a Real atingiu um nível extraordinário com Eusebio Sacristán no Outono de 2016, sendo a equipa que melhor jogava em Espanha nesse período. Mas o rendimento foi caindo e essa queda culminou numa temporada de jogo muito irregular, que custou o cargo a Eusebio em Março. Para voltar a colocar a Real na disputa pela Europa foi contratado Asier Garitano, o homem que dirigiu o Leganés durante 5 temporadas e levou a equipa à subida à La Liga e à manutenção na mesma. De Anoeta sairam o histórico capitão Xabi Prieto – uma lenda que terminou a carreira, um craque com uma conduta exemplar que deixa a La Liga mais pobre -, o promissor Odriozola e o talentoso Canales, mas em contrapartida Garitano recebeu Theo Hernández (emprestado pelo Real Madrid), que competirá com o português Kevin Rodrigues por um lugar na esquerda da defesa (Theo tem imensa potência e velocidade mas em Chamartín revelou lacunas técnicas e de compreensão do jogo), e o médio Mikel Merino – adquirido por 12 milhões de euros ao Newcastle -, dois jovens com qualidade que tentarão encontrar no País Basco o contexto idóneo para apresentar o melhor futebol, bem como Sandro Ramírez, avançado cedido pelo Everton. Sandro, formado no Barcelona (fez ainda 32 jogos e 7 golos pela equipa principal), brilhou no Málaga em 2016-2017, marcando 16 golos e mostrando ser um atacante capaz de gerar perigo praticamente sozinho, mas na última época desiludiu na Premier League e no Sevilla. Sandro é mais um nome a juntar a uma Real que mantém um grande poder de fogo. Olhando só do meio-campo para a frente, deparamo-nos com um plantel de nível mais do que suficiente para aspirar ao top-6. Illarramendi é um dos melhores médios do campeonato – fortíssimo na gestão da posse -, Zurutuza é um centrocampista muito dinâmico, Oyarzabal e Januzaj são dois craques muitíssimo talentosos pelos quais vale a pena pagar um bilhete e Juanmi e Willian José (autores de, respectivamente, 25 e 34 tentos nas derradeiras duas épocas) são garantias de golo. A evidência que atesta de forma mais esclarecedora o poderio atacante da Real é que, mesmo numa temporada de futebol muito irregular, na La Liga 2017-2018 só Barcelona e Real Madrid fizeram mais golos do que o conjunto de San Sebastián (o Atlético ficou em 2.º tendo feito menos 8 golos). Neste sentido, cabe a Garitano fazer luzir o talento ofensivo à sua disposição e conferir-lhe melhor protecção defensiva, fornecendo consistência a uma equipa que se habitou à irregularidade e à passividade no sector recuado. Se o técnico conseguir tornar a Real num bloco com a solidez que o seu Leganés apresentava, teremos aqui forte candidato à Europa, isto numa temporada em que o estádio Anoeta irá estrear as mudanças que vinham sendo feitas, com a extinção da pista de atletismo e a aproximação das bancadas ao relvado.
Por falar em épocas insatisfatórias, também o Celta de Vigo ficou abaixo das ambições em 2017-2018. A sensação de desilusão não foi tão grande como em San Sebastián – nos Balaídos há menos talento e pressão social que no Anoeta -, mas ainda assim a campanha da equipa de Unzué ficou bem abaixo do que os galegos fizeram nas 3 épocas sob a orientação de Berizzo, quando alcançaram um 6.º e um 8.º lugar e chegaram às meias-finais da Liga Europa. Para tentar melhorar o 13.º posto da derradeira temporada, o Celta prescindiu de Unzué e contratou Antonio Mohamed, técnico argentino com um sólido percurso no futebol mexicano, no qual venceu dois campeonatos e uma taça, contando-se no seu palmarés também a Copa Sul-Americana em 2010, pelo Independiente. Para enfrentar o seu primeiro desafio na Europa, Mohamed tem à disposição um elenco que perdeu, entre os elementos mais utilizados, Jonny Castro, Wass, Sergi Gómez e Pablo Hernández, tendo recebido alguns nomes interessantes. Com efeito, do Rayo Vallecano e a troco de 8 milhões de euros chegou o muito promissor médio Fran Beltrán. Aos 19 anos, o espanhol conta já com mais de 70 jogos pela equipa principal do Rayo e será, sem dúvida, um dos jovens valores a seguir com mais atenção nesta edição da La Liga. Para além de Beltrán, o clube investiu no internacional mexicano Néstor Araujo, no médio turco Okay Yokuslu e no também médio dinamarquês Mathias Jensen, nomes em quem há expectativas dado que o Celta nos habitou a ser um dos clubes espanhóis com melhor visão de mercado, contratando em mercados “alternativos” (o nórdico tem sido especialmente bem explorado) com grande acerto e a preços acessíveis. Por empréstimo aterraram na Galiza dois elementos que deverão entrar directos na equipa titular e acrescentar qualidade, o lateral esquerdo Júnior Alonso e o criativo Sofiane Boufal. Este último é, também, um dos nomes que pode surpreender La Liga com a sua técnica acima da média. Num defeso agitado, estes reforços juntam-se a um plantel que tem como estrela maior e indiscutível Iago Aspas, um génio com um talento que, por vezes, parece de dimensão superior ao do clube mas que se tem tornado no “abono de família do Celta”. Aspas fez 22 golos no último campeonato (melhor marcador espanhol), formando uma temível dupla com o “tanque” uruguaio Maxi Gómez, autor de 17 tentos (os dois fizeram 39 dos 59 dolos da equipa). Estes dois seguem em Vigo, tal como pilares como o capitão Hugo Mallo, Roncaglia, Lobotka ou o irreverente Pione Sisto. Aliás, com Boufal, Aspas, Sisto e Maxi Gómez (e ainda há Emre Mor, que parece, pelo menos de momento, pouco comprometido com o clube), Mohamed não se pode queixar de falta de talento e poder de fogo. No passado recente, o Celta deu-se bem ao abrir as portas da La Liga a Luis Enrique e as do futebol europeu a Toto Berizzo. Agora, a turma dos Balaídos volta a ser porta de entrada para um técnico que chega ao Velho Continente, com Mohamed a engrossar o contigente de treinadores argentinos da prova. Veremos como correrá a temporada de uma equipa que quer viver na primeira metade da tabela.
O Alavés procura, claramente, a consolidação na La Liga. A entrar para a 3.ª época seguida no escalão principal, as duas temporadas anteriores dos bascos foram bem distintas entre si. Em 2016-2017, com Pellegrino no comando técnico, a equipa juntou a um muito positivo 9.º lugar a chegada à final da Taça do Rei. Já em 2017-2018 as coisas foram bem mais conturbadas. O começo com Zubeldía foi muito mau e o argentino foi despedido logo em Setembro, sucedendo-lhe Gianni de Biasi, que não melhorou muito a situação e abandonou o cargo no final de Novembro. Para o posto do italiano chegou Pitu Abelardo, um carismático treinador de personalidade forte, e os resultados foram imediatos, com o antigo timoneiro do Sporting Gijón a criar um bloco sólido e coeso que deu, num ápice, um grande salto na tabela, terminando uma campanha que durante o seu primeiro terço foi muito conturbada com uma folgada margem de 19 pontos para a zona de despromoção. Em 2018-2019 o objectivo passa por voltar a assegurar a manutenção, isto com um elenco que perdeu Munir – autor de 14 golos na época transacta -, Pedraza e Alexis entre os integrantes da formação inicial. Como reforços, e para além de Guidetti, que foi contratado a título definitivo depois de ter estado cedido pelo Celta, há a destacar os também avançados Borja Bastón, que chega emprestado pelo Swansea e que, apesar de nas últimas duas temporadas só ter feito dois tentos, tem um passado goleador atrás de si, destacando-se os 19 golos que fez pelo Eibar em 2014-2015, e Jonathan Calleri, argentino de 24 anos que prometeu muito no Boca Juniors e São Paulo (muito forte tecnicamente e elegante nas suas acções), mas que foi um flop no West Ham, tendo obtido um interessante registo de 12 golos em 2017-2018 ao serviço do despromovido Las Palmas. Mas a grande curiosidade no plantel dos bascos é Patrick Twumasi, extremo contratado ao Astana. O ganês vinha impressionando recentemente nas provas europeias pelo seu futebol irreverente e enérgico, e é mais uma novidade que valerá a pena manter no “radar”. O Alavés conserva uma base importante com Pacheco, Ely, Rubén Duarte, Tomás Pina, Manu García – o grande capitão – ou Ibai Gómez, mas a chave do sucesso passará pela manutenção do espírito competitivo e das soluções tácticas trazidas por Abelardo. O técnico soube esconder muito bem as carências de um elenco limitado e potenciar as suas virtudes, e é isso que se espera que volte a fazer, desejando os adeptos que o impacto tido o ano passado não tenha sido algo passageiro.
Passageiro é o que o Levante luta por não ser na La Liga. O emblema de Valencia esteve 6 temporadas seguidas no principal escalão – chegou mesmo à Liga Europa –até descer de divisão em 2015-2016, no entanto a “queda no inferno” durou somente uma temporada, dado que os granotes regressaram à La Liga somente uma campanha depois. Em 2017-2018, as 27 primeiras jornadas, sob as ordens de Muñiz, trouxeram sofrimento e apenas 3 vitórias, estando sempre o “pesadelo” da descida bem presente. Após estar 15 encontros sem vencer, a direcção decidiu mudar de técnico, entregando a equipa a Paco López, um homem sem experiência na principal divisão e uma carreira quase toda feita em conjuntos de escalões inferiores na Comunidade Valenciana. López saiu da equipa secundária do Levante e, nas derradeira 11 rondas, realizou um autêntico “milagre”: somou 8 vitórias, um empate e duas derrotas, o melhor final de campanha entre todos os participantes na competição e que permitiu lograr a manutenção sem grandes apuros. Neste defeso, a direcção conseguiu manter nomes como Cabaco, Róber Pier, Coke, Campaña, Bardhi, Roger, Morales ou Boateng (o ex-Moreirense), sendo estas permanências as melhores notícias possíveis para Paco López. Quanto a saídas, o Levante fez um “jackpot” com Lerma, vendido ao Bournemouth por 28 milhões de euros. No que toca a entradas, Nikola Vukcevic chegou do SC Braga e tornou-se no reforço mais caro da história do emblema, procurando fazer esquecer Lerma. Além do montenegrino, Raphael Dwamena e Moses Simon tentarão igualmente justificar o investimento, sendo elementos a ter em conta e que podem surpreender na La Liga. Destaque ainda para a chegada, por empréstimo do Real Madrid, de Borja Mayoral, promissor atacante espanhol que procurará ter continuidade para mostrar os seus dotes de finalizador. Num Levante que se continuará a apoiar na liderança de Coke (um capitão natural, que chegou ao clube em Janeiro e parece que já lá estava há anos), nas bolas paradas de Bardhi e na velocidade, explosividade, garra e desequilíbrios de Morales (a alma deste conjunto), saber se Boateng, que fechou a época passada com um hat trick ao Barça, dará um salto na sua evolução é uma das principais curiosidades. Certo é que, no Ciutat de Valencia, todos esperam que o “fenómeno Paco López” seja algo para manter.
Péssimo. Basicamente, poderíamos definir desta forma a temporada do Athletic Bilbau. Clube repleto de história, com 8 triunfos na La Liga e uma identidade e uma filosofia admiradas e respeitadas pelo mundo, os leões tiveram em 2017-2018 a segunda pior classificação da sua história, ainda que não tenham, em momento algum, visto ser seriamente colocada em risco a sua condição de formação presente em todas as edições da prova, marca que partilha com Barcelona e Real Madrid. Na sequência da saída de Valverde, a aposta passou por Ziganda, antigo timoneiro da equipa B, no entanto essa decisão não teve êxito, com o Athletic a apresentar um futebol irregular, pobre e a terminar num péssimo 16.º lugar, muito longe do objectivo de lutar pela Europa. A sensação em Bilbau, para além da má aposta para o comando técnico, foi a de um elenco algo acomodado, sem doses de ambição e energia necessárias para triunfar. Para mudar isto, a direcção liderada por Urrutia optou, pela segunda vez na história, por contratar um treinador argentino. Depois de Marcelo Bielsa, que liderou os leões numa época memorável em 2011-2012, Eduardo Berizzo – discípulo de Bielsa, já que foi seu jogador e depois seu adjunto – foi agora o homem escolhido para devolver os bascos ao rumo do êxito. Berizzo guiou o Celta a 3 temporadas de qualidade, mas vem de uma passagem curta por Sevilla, pelo que em San Mamés espera-se ver o melhor do jogo valente e agressivo que o argentino mostrou em Vigo, justamente para combater a apatia da última campanha. Igualmente no sentido de agitar, a direcção fez bastantes mais mexidas do que vinha sendo habitual. Com efeito, a saída mais relevante foi, sem dúvida, a de Kepa, que rumou ao Chelsea por 80 milhões de euros, valor recorde para um guarda-redes. No que toca a entradas, Yuri Berchiche veio do PSG por 20 milhões de euros e, juntamente com o também reforço Capa, proveniente do Eibar, devem dar nova vida às laterais da defesa. A juntar a estes dois, Dani García, chegado também de Eibar, traz experiência para o meio-campo, sendo Ganea, romeno com passado no País Basco, a “contratação exótica”. Estas novidades juntam-se a um bom plantel com vários elementos que têm de dar um passo em frente para corresponder às exigências de San Mamés. Desde logo, Iker Muniain tem de começar a ser, de maneira inequívoca e irregular, o líder da equipa. Ainda com 25 anos mas a entrar na sua 10.ª temporada de primeira equipa, o talentoso jogador tem sido massacrado por incómodas lesões. Se estas forem postas de parte, Muniain tem tudo para se assumir como aquilo para o qual está destinado: um elemento diferencial que carregue o Athletic às costas. Tal como Muniain, também Iñaki Williams soma épocas na equipa principal sem corresponder por completo às expectativas. Dianteiro velocíssimo, peca pela irregularidade e por alguma indefinição no seu jogo. Se Williams encaixa da melhor forma no futebol vertiginoso de Berizzo, o Athletic poderá ter nesta “pantera” o talento que sempre desejou. Para além destes, Íñigo Martínez (outro nome “roubado” à rival Real Sociedad) deve liderar a defesa e justificar o estatuto de jogador mais caro da história do clube e dois “velhos rockeiros” devem provar que ainda continuam a ser de grande utilidade: Raúl García (com o seu carácter, agressividade, liderança e veia goleadora) e Aduriz (o principal artilheiro dos últimos anos em Bilbau, é uma figura central do século XXI do clube – 5.º melhor marcador de sempre do Athletic, com 115 golos -) lideram a parte “veterana” deste plantel que mistura juventude e experiência, sempre com muita identidade local e elementos da formação do clube. Depois de uma temporada muito má, o Athletic quer voltar a rugir.
Se em Bilbao temos um conjunto cheio de história e tradição, em Leganés mora uma formação que só muito recentemente começou a acompanhar os melhores do país. Os pepineros subiram pela primeira vez ao escalão principal em 2016 e desde aí têm-se consolidado entre a elite. Um dos principais obreiros pelo “milagre” do Leganés foi Asier Garitano, técnico que assumiu o comando da equipa, em 2013, levou-a, em 3 temporadas, da 2.ª divisão B para a La Liga e a manteve no principal campeonato nas duas primeiras épocas da história do clube nessa divisão com um registo excelente: não esteve sequer uma jornada na zona de despromoção. Garitano rumou à Real Sociedad e, para além da saída de um dos homens mais importantes da história do Leganés, nomes importantes como Zaldua, Gabriel, Diego Rico, Beauvue, Amrabat, Guerrero ou Mantovani também abandonaram os arredores de Madrid, num plantel que é quase 50% novo. Para substituir Garitano, a aposta recaiu em Mauricio Pellegrino. O argentino vem de uma experiência pouco feliz no Southampton mas em Leganés esperam que repita o trabalho que fez no Alavés em 2016-2017, quando montou uma formação sólida que terminou La Liga em 9.º e chegou à final da Taça do Rei. Pellegrino revelou, no País Basco, muito interessantes soluções tácticas num contexto de escassez de recursos e é esse dedo de treinador que se espera que consiga imprimir em Leganés. O clube manteve homens importantes como Siovas, Bustinza, El Zhar ou Szymanowski e deu entrada a uma extensa lista de aquisições. Nesta, destaca-se a contratação de 4 atacantes: Guido Carrillo (cedido pelo Southampton, não tem tido na Europa os registos goleadores que apresentou na Argentina mas é fortíssimo no jogo aéreo e pode ser uma arma decisiva para Pellegrino, com quem teve um excelente rendimento no Estudiantes), Youssef En-Nesyri, contratação mais cara da história do clube (comprado por 6 milhões de euros ao Málaga) e jovem que quererá provar o seu talento, José Manuel Arnáiz, contratado ao Barcelona depois de, na última época, ter jogado e marcado na equipa principal dos culés, e Diego Rolan, uruguaio com histórico na sua selecção que tanto pode acrescentar poder de fogo no centro como capacidade de trabalho e versatilidade. Assim, notou-se o esforço da direcção em dar ferramentas a Pellegrino para que a transição não seja tão dolorosa como o sentimento de “orfandade” que a saída de Garitano gerou poderia deixar antever. Para além dos nomes referidos, Allam Nyom, Sabin Merino, Juanfran e Mikel Vesga trazem experiência de La Liga, ao passo que Omeruo traz na bagagem dois Mundiais como titular pela Nigéria. Numa autêntica “revolução”, chegaram também a Leganés Jonathan Silva, cedido pelo Sporting, e as jovens promessas do Real Madrid Óscar Rodríguez (médio-ofensivo de grande potencial) e o guardião ucraniano Lunin, de 19 anos e por quem os merengues pagaram 8,5 milhões de euros. São assim evidentes as grandes mudanças que este defeso trouxe a um clube que, para todos os efeitos, dá os primeiros passos numa competição que não deixa de ser de dimensão superior à realidade e peso social de um emblema modesto. Por Leganés o objectivo passa mesmo por sobreviver e sonhar por mais uma época, mas tantas alterações trazem incertezas a Butarque.
Chegamos agora aos promovidos à La Liga, os quais contemplam dois emblemas com tradição no principal escalão e um estreante. Assim, o campeão da La Liga 123 (pela primeira vez) foi o Rayo Vallecano, carismático clube do bairro de Vallecas, em Madrid. O Rayo está muito ligado à comunidade que o rodeia, marcadamente operária e reivindicativa, moldando um clube com personalidade e idiossincrasia muito próprias. Sem grande poder económico, é frequente que haja na Avenida de la Albufera dificuldades para formar elencos competitivos, sendo comuns os empréstimo e um clássico o regresso de antigos jogadores. O timoneiro da subida de divisão foi, justamente, um homem identificado com o sentimento da risca diagonal vermelha, Míchel. Depois de uma carreira quase toda dedicada ao Rayo, na qual jogou pelo clube em 3 escalões distintos, o espanhol formou parte da equipa de Paco Jémez na marcante passagem deste por Vallecas, tendo herdado o gosto por um futebol dinâmico, agressivo, com muita mobilidade e pressão em todo o campo. Míchel assumiu o Rayo durante a temporada 2016-2017, quando a equipa estava apenas um ponto acima da zona de descida à 2.ª divisão B, e foi capaz de obter a manutenção. Em 2017-2018, o “inferno” do 2.º escalão foi deixado para trás das costas e uma das formações mais carismáticas de Espanha conseguiu o regresso à elite. Entre as principais peças da promoção, a saída com mais peso foi a do jovem Fran Beltrán, que rumou a Vigo numa transferência que tocou fundo no coração das gentes de Vallecas, sendo que os outros titulares a sairem foram o ex-SC Braga Baiano e Unai López, cujo empréstimo do Athletic Bilbau terminou. Por falar em empréstimos, a melhor notícia do defeso do Rayo foi o prolongamento da cedência de Raúl de Tomás pelo Real Madrid. O avançado foi fundamental para a subida, apontando 24 golos no campeonato, e poderá agora demonstrar, num clube onde já foi feliz, que tem capacidade para fazer, também, a diferença no escalão principal. Para além do dianteiro, o Rayo conseguiu também garantir a continuidade de jogadores importantes na subida como o português Bebé, o central ex-SC Braga Velázquez e o guardião Alberto García, adquiridos a título definitivo a, respectivamente, Eibar, Atlético Madrid e Getafe (todos por valores inferiores ao milhão de euros). Os central Jordi Amat e Alejandro Gálvez e a eterna promessa Kakuta também regressam ao clube depois de passagens anteriores, consolidando a ideia de que Vallecas, sem o poderio financeiro de outras paragens, tem um poder de sedução muito próprio. Para fechar o capítulo das aquisições, e num defeso que ficou marcado pelo esforço da direcção desportiva (liderada por Cobeño, que tal como Míchel jogou durante muitos anos no clube) em dotar o plantel de melhores armas, é necessário realçar o investimento de 5 milhões de euros (o maior na história do clube) feito em Álvaro García, um extremo que se vinha destacando no Cádiz, a contratação do criativo de 22 anos Pozo, formado entre Real Madrid e Manchester City, e das chegadas por empréstimo do rapidíssimo peruano Advíncula, do talentoso médio Medrán e do possante médio ex-FC Porto Imbula. Dos jogadores que se mantiveram com contrato da passada campanha, Óscar Trejo merece natural destaque. O médio de ataque é outro dos nomes que figura na galeria dos “regressos”, dado que brilhou na subida de divisão em 2010-2011 e, depois de representar Sporting Gijón e Toulouse, voltou na última época a Vallecas para ser fundamental em nova subida, apontando 12 golos e fazendo 5 assistências. Álex Moreno ou o dinâmico Embarba (a caminho da 6.ª época no clube) são outros nomes que se mantêm e prometem fazer jus ao que Vallecas gosta: futebol agressivo, com nobreza e valores mas cheio de garra, espírito combativo e união para mascarar as fraquezas. Diz Óscar Trejo, ídolo dos adeptos mas em estreia pelo clube na La Liga, que “Uma pessoa procura sempre o seu lugar no mundo, e o meu está aqui”. Não deve ser caso único, tal é a capacidade do Rayo em fazer regressar jogadores. Apesar do romantismo associado ao clube, serão precisos meses a render no máximo das capacidades individuais e colectivas para não voltar a cair no “inferno”.
Uma das principais novidades desta edição da La Liga é a Sociedad Deportiva Huesca, modesto clube que se estreia na elite. Os aragoneses vinham traçando um caminho sólido no passado recente, e depois de já terem atingido os playoff conseguiram, na última época, a tão desejada subida, ficando em 2.º lugar na La Liga 123. O técnico que liderou a campanha da promoção, Rubi, rumou ao Espanyol e para a sua sucessão o Huesca optou por alguém sem qualquer experiência nos bancos a um nível alto mas com grande conhecimento da instituição: Leo Franco, antigo guardião que pendurou as luvas no clube e que, desde a sua retirada, manteve-se sempre ligado ao Huesca. Os dirigentes acreditam que a experiência do ex-internacional argentino, associado ao entendimento da forma de trabalhar da entidade e às capacidades de liderança que sempre evidenciou tornam-no o homem ideal para liderar este histórico desafio. Houve um claro esforço para manter o grosso do bloco que garantiu a subida, o que resulta num plantel que, tendo sido retocado, mantém os pilares de 2017-2018. Desde logo, o Huesca apresenta em “Cucho” Hernández um candidato a revelação da temporada. O avançado colombiano, de 19 anos, apontou 16 golos e fez 6 assistências na sua primeira época em Espanha e há grandes expectativas para saber se mostrará na elite a velocidade e “descaramento” que evidenciou na divisão de prata. Para além do jovem dianteiro, os defesas Pulido e Brezancic, os médios Aguilera (aos 32 anos estreia-se na principal divisão), Sastre e Melero (jovem de 24 anos com muita chegada à área rival, tendo feito 17 golos em 2017-2018) ou os alas Ferreiro e Gallar (em 3 anos passou da 2.ª B à La Liga e é outro candidato a “rookie” desta edição) dão a Leo Franco boa parte da espinha-dorsal de Rubi. Quanto a contratações, o Huesca tentou incorporar a experiência de primeira divisão que falta a vários destes elementos. Assim, e mantendo um apertado rigor orçamental (os nomes que se seguem foram empréstimos ou aquisições a curto zero), chegaram a Alcoraz o lateral esquerdo português Luisinho (mais de 100 partidas na La Liga pelo Deportivo) e os centrais Pablo Ínsua (mostrou qualidade no Deportivo e no Leganés mas não se impôs no Schalke 04), Etxeita (mais de 100 jogos pelo Athletic Bilbau) e o também português Rúben Semedo, que após mostrar potencial no Sporting teve uma passagem pelo Villarreal marcada por graves casos de polícia, os quais o levaram à prisão. Em Huesca, Semedo terá a missão de voltar a ser falado pelo futebol. Também o avançado italiano Samuele Longo teve passagens fugazes por La Liga, ao serviço de Espanyol e Rayo, tendo-se destacado nas últimas duas temporadas na La Liga 123 por Girona (14 golos em 2016-2017) e Tenerife (12 tentos em 2017-2018). A juntar a estes, há a destacar 3 nomes. O jovem guarda-redes argentino Axel Werner, de 22 anos, chegou por empréstimo do Atlético de Madrid e promete ser um nome a ter em conta. Desde cedo apontado como promessa das balizas, Werner chamou a atenção dos colchoneros quando ainda jogava no Atlético Rafaela, do seu país. O Atlético cedeu-o, primeiro, ao Boca Juniors, onde foi campeão argentino, e na temporada passada fez mesmo 3 encontros ao serviço de Simeone. Em 2018-2019 terá a chance de defender a baliza de um conjunto da La Liga, e o Huesca bem precisa de alguém que possa dar pontos. Também por empréstimo, mas do Tijuana, Damián Musto, médio argentino, acrescenta muita experiência e qualidade à medular. Forte no jogo aéreo e habituado a competir a bom nível na Argentina ou México, estreia-se na Europa mas espera-se que acrescente rodagem a uma formação que pode sofrer dos males da inexperiência. Finalmente, o turco Serdar Gurler é o reforço “exótico” deste conjunto. Os 2,5 milhões de euros pagos pelo seu passe são, de longe, o maior investimento do clube num jogador (o que mostra bem o quão modesto é o Huesca) e residem neste internacional de 26 anos grandes esperanças. Extremo, destacou-se recentemente na Superliga do seu país, tendo feito 17 golos e 6 assistências em 2016-2017 pelo Gençlerbirliği e 13 golos e 6 assistências em 2017-2018 pelo Osmanlispor. Face às credenciais com que Gurler chega da Turquia e ao esforço feito na sua contratação, é natural que Leo Franco acredite que pode estar aqui um elemento diferenciador na luta pela manutenção. Luta pela manutenção à qual o Huesca se promete agarrar com todas as suas forças, acreditando que o peso de múltiplas estreia (do clube na elite, do treinador a um nível elevado e de vários jogadores na La Liga) não se faça sentir e que o sonho de uma pequena cidade de pouco mais de 50 mil habitantes se mantenha em 2019-2020.
Sonhar com estar nesta edição da La Liga era algo que poucos adeptos do Valladolid fariam no final de Abril, dado que a 7 jornadas para o fim do campeonato o conjunto do José Zorrilla estava no 11.º lugar. No entanto, a saída de Luis César Sampedro e a entrada de Sergio González, antigo timoneiro do Espanyol, revelou-se um sucesso tremendo. Depois de perder o seu primeiro encontro no cargo, Sergio somou 5 vitórias, um empate e uma derrota nas derradeiras 7 rondas do 2.º escalão, resultados que permitiram subir do 11.º para o 5.º posto e chegar ao playoff de subida, numa clara demonstração de que, nesta divisão tão igualada, uma boa sequência de triunfos pode catapultar um conjunto do meio da tabela para a luta pela promoção. No playoff, os blanquivioletas mantiveram a grande forma desportiva, vencendo ambos os embates frente a Sporting e Numancia e chegando à La Liga com um registo notável: nos últimos 11 embates da temporada veneram 9, empataram um e perderam outro. Esta tremenda subida de forma deveu-se, em grande parte, à consistência defensiva que Sergio soube incutir na equipa, tornando-a num bloco sólido e firme, características que o técnico já disse querer ver mantidas na incursão na La Liga. O regresso à elite 4 temporadas depois (o Valladolid conta com umas impressionantes 43 épocas de divisão principal) fica marcado pela difícil situação financeira da entidade, a qual, a contas com uma milionária dívida, acaba de ser comprada por Ronaldo Nazário, que chegou com um discurso ambicioso. A falta de dinheiro leva a um magro orçamento (inferior ao de alguns clubes do 2.º escalão) e a um plantel com vários estreantes na La Liga e no qual apenas foram investidos 1,5 milhões de euros. Com efeito, o elenco é maioritariamente composto pelos elementos que obtiveram a subida, sendo apenas de realçar duas (importantes) baixas: Jaime Mata, o grande goleador da última campanha com 35 golos (melhor marcador da La Liga 123), rumou a Getafe e deixou um vazio preocupante no que toca à frente de ataque, e Pablo Hervías, extremo que fez 6 golos e 7 assistências e cuja cedência pelo Eibar terminou. Como referido, a grande aposta de Sergio passa por conseguir uma grande consistência defensiva que maquilhe a falta de poder de fogo e talento ofensivo. Os blanquivioletas conseguiram essa solidez na reta final da passada temporada, e a manutenção da estrutura defensiva que deu bons sinais nessa fase (composta por Masip, Moyano, Olivas, Calero e Nacho) pode levar o treinador a acreditar que será possível obter rendimento semelhante na elite, ainda que, destes 5 elementos, só Nacho entre para esta época com mais de 6 encontros realizados na La Liga. Esta inexperiência afecta outros sectores do plantel, com os médio Anuar, Luismi, Rubén Alcaraz e os criativo Toni Villa e Óscar Plano (todos, à excepção de Alcarez – proveniente do Almeria -, peças importantes na subida) a terem, juntos, o total de um jogo feito na carreira da divisão principal (realizado por Luismi, em 2014-2015, pelo Sevilla). A juntar a esta espinha-dorsal da última estação – uma mescla de jovens e veteranos sem passado sólido na elite – chegaram ao José Zorrilla alguns atletas cedidos (a única compra do defeso foi Rubén Alcaraz, que custou 1 milhão de euros), sobretudo atacantes com algum passado na La Liga, numa tentativa de conceder um toque extra de qualidade à equipa que obteve a subida. Assim, o avançado internacional croata Duje Cop (com uma fugaz passagem pelo Nacional da Madeira) foi emprestado pelo Standard Liège após uma frouxa época na Bélgica. Cop teve um rendimento interessante na La Liga em 2015-2016 (7 golos no Málaga) e em 2016-2017 (9 golos no Sporting) e em Valladolid acreditam que poderá somar alguns tentos na luta pela salvação. Também para o centro do ataque veio, cedido pelo Villarreal, o jovem Enes Unal. O turco marcou 19 golos pelo Twente em 2016-2017 e levou o submarino amarelo a pagar 14 milhões de euros pelo seu passe há um ano, mas em 2017-2018 não se afirmou nem no Villarreal nem no Levante. Agora, numa equipa que precisará dos seus golos, Unal poderá ter espaço para evoluir. Ainda na senda dos empréstimos de elementos com passado na La Liga, vieram os extremos Keko Gontán (cedido pelo Málaga, rendeu muito bem em Eibar mas desiludiu na Andaluzia) e Ivi López (cedido pelo Levante, onde fez 29 partidas na última edição da prova), sendo que a necessidade de recorrer a empréstimos de conjuntos da mesma dimensão (ou até da 2.ª liga, como o Málaga) mostra as dificuldades financeiras do Valladolid. Finalmente, de Itália veio Daniele Verde, extremo de 22 anos, internacional sub-19, sub-20 e sub-21 transalpino que fez 30 desafios na última Série A e chega emprestado pela Roma. O Valladolid não teve o mais entusiasmante dos defesos, mas confiará na manutenção da “embalagem” do final da última temporada, acreditando que a boa química criada entre treinador e jogadores, a juntar às (poucas) incorporações feitas e à solidez defensiva chegue para a manutenção, a qual significaria um título.
Apresentados os 20 conjuntos da competição, resta salientar que esta temporada ficará marcada pelo 90.º aniversário do arranque da liga espanhola de futebol, dado que o primeiro jogo da competição foi disputado no dia 10 de Fevereiro de 1929. La Liga está assim de parabéns numa campanha em que o VAR se estreará e na qual a direcção de Tebas procurará prosseguir a sua luta por dar maior visibilidade e protagonismo internacional ao torneio. Resta-nos desfrutar de meses de competição intensa, com grandes pontos de interesse em diversas zonas da tabela e qualidade individual e colectiva de sobra.
Este guia é publicado na antecâmara do primeiro fim-de-semana da La Liga com o mercado fechado (e quando já há 3 jornadas da prova realizadas) para estar o mais completo possível, tendo já todos os plantéis definidos e poder, assim, ser consultado ao longo do ano de maneira fidedigna.


18 Comentários
SenyorPuyol
Wow!!!
Mesmo antes de ler, muito obrigado Pedro!!
Guardarei com certeza o link deste guia, mesmo lendo apenas na diagonal (não há tempo para ler tudo agora) pareceu-me completíssimo, bem escrito e bem estudado.
Tenho de agradecer de novo! Fantástico trabalho, os merecidíssimos parabéns Pedro Barata!!
Mike The Kid
Cristo ainda lá está, no barcelona.
Ali no Sevilla disseste que o roque mesa reencontra o Setién, mas não, fica o reparo.
De resto bom artigo, a abordar todas as equipas de uma liga que parecendo que não, e ao contrário do que é a opinião pública, é uma liga muito competitiva
Pedro Barata
Mike, não sei que me deu mas tens toda a razão, erro meu, obrigado pelo reparo e atenção.
Manuel Teixeira
Parabéns Pedro! Fantástico trabalho!
Kostadinov
Muito bom artigo Pedro, bastante informativo e bem escrito. A única coisa que mudaria talvez fosse a introdução de um cunho mais ‘pessoal’ em termos de como tu achas que irão correr as campanhas dos clubes em termos de posições e objectivos, especialmente quando comparados com os argumentos da ‘concorrência’. Mas de resto está excelente.
Gosto muito deste tipo de artigos, não há muitos blogues a fazê-lo (imprensa escrita nem se fala) e gostaria de ver algo do género para as outras ligas.
Kacal
Damn… confesso que me assustei quando vi o tamanho deste post, eheh. Ainda não li tudo, apenas a introdução e a parte dos 3 candidatos ao título. Mas pelo que li nessas partes, pelo tamanho do post e por quem o escreveu, não tenho duvidas que estará super completo, estudado e bem escrito. Ficamos a aprender e prontos a ver a La Liga com tudo sabido. Muito Obrigado Pedro e Parabéns pelo post, excelente!!
Ze Maria
Barça vencedor,
Messi melhor marcador,
Messi melhor jogador
Estigarribia
Excelente post, Pedro. Tal como outros users também li na diagonal e quando tiver mais tempo irei lê-lo mais ao pormenor e guardar o link para saber de tudo sobre a La Liga desta época.
Tiago Silva
Excelente artigo Pedro Barata! Está tudo dito aqui!
Wonderkid
Mega artigo! Muito bom
Khal Drogo
Soberbo artigo! Muito obrigado, Pedro Barata. Percebe-se o trabalho – e o conhecimento – necessário para a elaboração deste texto. Parabéns!
JoaoMiguel96
Um post à Pedro. Brilhante, como sempre.
Turiacus
Um post muito bom, super completo e informativo e muito bem escrito. Foi bom ler esta publicação para me manter a par das contratações que houveram esta época em Espanha, muitas nem sabia que tinham acontecido sinceramente. Claro que estou sempre a par dos 3 grandes e dos clubes como o Sevilha, Valência e por aí adiante mas em relação às restantes foi bom para me manter informado e a par destas contratações (assim o FM já não me apanha de surpresa ahah).
Agradeço também algumas das curiosidades que acrescentas em relação a algumas equipas como por exemplo a do Eibar e a comunhão que há entre a terra e o próprio e não sabia que o Athletic é, juntamente com o Real e Barcelona, totalista na primeira liga espanhola. O clube de Bilbao é realmente um exemplo, um clube romântico, apaixonante e único na forma como é gerido.
Teria sido interessante saber os teus prognósticos para este campeonato, em relação ao campeão, ao top 6, despromoção, melhor marcador e por aí adiante.
Uma vez mais, fantástico trabalho obrigado!
Pedro Barata
Muito obrigado pelo excelente feedback, essencial para manter publicações como esta.
Leio muitos comentários a pedir prognósticos. Queria recordar que eu e a restante equipa do VM demos os nossos prognósticos, como costume antes das grandes competições, há algum tempo. Podem ler aqui
https://blogvisaodemercado.pt/2018/08/prognostico-la-liga-barcelona-campeao-atletico-a-frente-do-real/
Uma vez mais, obrigado e se tiverem questões sobre a La Liga, não hesitem!
Comentador
Texto incrível!
T. Pinto13
Excelente análise e bastante completa! Belo trabalho.
Consuela
Que artigo fabuloso, talvez o melhor que já li no VM.
Os meus parabéns.
David Gomes
Que artigo! Pus sporttv à poucas semanas mas infelizmente não há liga espanhola e não vou poder acompanhar como gostaria.