No dia 26 de Janeiro de 2007, Michel Platini derrotou Lennart Johansson na corrida à Presidência da UEFA por uma margem mínima (27 vs 23), facto que muito se deveu ao apoio dos países com menor peso no seio das competições da UEFA (especialmente os países de leste). Platini prometera revolucionar a Liga dos Campeões, permitindo mais vagas para os campeões nacionais, em detrimento de 3ªs ou 4ªs equipas dos principais candidatos. A nova fase de qualificação para a Liga dos Campeões foi posta em prática na temporada 2009/2010 e passadas duas temporadas e meia, o Visão de Mercado faz um pequeno balanço sobre esta medida de Platini.No 1º ano, Debrecen, APOEL, Zurique, Maccabi Haifa e Olympiacos conquistaram um lugar na fase de grupos da Liga dos Campeões, em detrimento, por exemplo, de Sporting, Anderlecht, Panathinaikos, Celtic, Shakhtar Donetsk ou Twente. Os resultados foram os esperados: Maccabi Haifa (0 pts e 0-8 em golos), Zurique (4 pts e 5-14), APOEL (3 pts e 4-7) e Debrecen (0 pts e 5-19) ficaram no último lugar dos seus grupos, enquanto que o Olympiacos apurou-se para os oitavos-de-final.
Na temporada seguinte FC Copenhaga, Hapoel Tel Aviv, Basieia, Zilina e Partizan foram os apurados pela fase de qualificação dos campeões, enquanto que Sevilha, Sampdoria, Zenit, Dínamo Kiev, Celtic e Fenerbahçe ficaram pelo caminho. Os resultados também não foram os melhores: Hapoel Tel Aviv (5 pts e 7-10), Basileia (6 pts e 8-11), Zilina (0 pts e 3-19) e Partizan (0 pts e 2-13) ficaram pelo caminho (apenas o Basileia ficou na 3ª posição), enquanto que apenas o FC Copenhaga teve sucesso.
Esta temporada, APOEL, Genk, Dínamo Zagreb, Viktoria Plzen e BATE Borisov saíram vitoriosos da fase de qualificação, enquanto que Twente, Udinese, Rubin Kazan, Dínamo Kiev e Panathinaikos ficaram de fora. Os resultados voltaram a ser muito fracos: Genk (3 pts e 2-16), Din. Zagreb (0 pts e 3-22), Plzen (5 pts e 4-11) e BATE (2 pts 2-14). Plzen e BATE foram sorteados para o mesmo grupo, enquanto que apenas o APOEL escapou com distinção. Em três temporadas, apenas uma equipa por ano conseguiu o apuramento para a 2ª fase da Liga dos Campeões (Olympiacos, FC Copenhaga e APOEL), enquanto que a maioria saiu vergada a um humilhante último lugar, com goleadas à mistura (Zilina 0-7 Ol. Marselha; Valencia 7-0 Genk; Chelsea 5-0 Genk; BATE 0-5 Barcelona; Real Madrid 6-2 Din. Zagreb; Ol. Marselha 6-1 Zurique; Din. Zagreb 1-7 Ol. Lyon).
Com isto, chegamos mesmo ao ponto do Barcelona B (com muitos jogadores nascidos depois de 1991) chegar para humilhar o campeão da Bielorrússia, o BATE Borisov. Os jovens catalães dominaram a partida da última terça-feira com uma grande facilidade e saíram com uma goleada por 4-0. Não está em causa a qualidade dos jovens intervenientes (o Barcelona B até terminou a II Liga Espanhola na 3ª posição), mas sim a fragilidade de certos campeões de países com ligas pouco competitivas. Ou tudo isto é normal por estarmos perante mais uma fornada de enorme qualidade fabricada na La Masia (principalmente os irmãos Alcantára, Montoya e Deulofeu), e por Guardiola ser um dos melhores treinadores da história (é notável a qualidade exibicional deste Barça, mesmo com uma constante rotatividade de elementos, inclusive com os jogadores da equipa B)? Adiante…
Estará certa esta democratização da Liga dos Campeões? Ou seria melhor voltar aos antigos moldes e até, porque não, modificar o nome para Liga Milionária (já que teria muito menos campeões)?
PS – Otelul Galati, Bursaspor, CFR Cluj e Besiktas também tiveram prestações bastante fracas nos últimos 3 anos na Liga dos Campeões, contudo, conquistaram o apuramento pela via dos campeonatos romeno e turco colocarem os seus campeões directamente na fase de grupos.

