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Quem o viu e quem o vê

Nunca foi um nome consensual no Dragão e no futebol português, mas Sérgio Conceição e a temporada 2017-18 mudaram a vida de Héctor Herrera no FC Porto. O médio chegou a Portugal em 2013 e atravessou o maior hiato de títulos dos Dragões na era Pinto da Costa, sendo que as várias mudanças no comando técnico e, consequentemente, de sistema e modelo de jogo não favoreceram a sua afirmação. A espaços, o mexicano ia demonstrando qualidade e as valências que o tornaram numa referência no campeonato mexicano. Forte na pressão, inteligente na ocupação dos espaços, muito disponível fisicamente e com qualidade no remate, Herrera é o protótipo do box-to-box moderno, embora nunca tenha sido totalmente rentabilizado à época passada. A sua irregularidade era um mistério no universo portista, mas com Conceição a história mudou. O centrocampista até começou a época no banco, assistindo a um início entusiasmante do duo Danilo Pereira e Óliver Torres, mas à 6.ª jornada, em Vila do Conde, foi aposta do treinador no 11 inicial e nunca mais perdeu o lugar. Tido como um dos elementos mais respeitados e experientes do plantel, até pelos vários anos de casa que já possuía, e que lhe permitiu assumir o estatuto de capitão (algo que até motivou a surpresa de Conceição quando chegou), o mexicano caiu no goto do treinador e, finalmente, dos adeptos, que viram o meio-campo subir de produção e ganhar outra consistência, sobretudo porque os Dragões vinham de um derrota bastante amarga em casa perante o Besiktas, onde a turma de Conceição ficou sempre muito exposta às transições rápidas da formação turca. Por outro lado, a lesão de Danilo Pereira em Janeiro obrigou Herrera a assumir um papel de ainda maior destaque. Era agora a principal unidade do meio-campo e não desapontou. Caminhou para uma temporada de sucesso, que terminaria com chave de ouro, na medida em que Herrera marcou aquele que terá sido o golo do campeonato, gelando a Luz aos 90 minutos, na jornada 30 da I Liga. Foi o 5.º golo na época, mas, sem dúvida, o mais saboroso e decisivo. No final do ano desportivo, poucos recusaram colocar Herrera como uma das figuras do campeonato e o Mundial foi o atestado de competência que faltava para a Europa ficar de olho em si. Muito cobiçado no estrangeiro e numa situação contratual débil (termina contrato em 2019), acabou por permanecer no Dragão e por manter-se como o principal líder do balneário. Contudo, os primeiros meses da nova época mostram um Herrera diferente e não é apenas algo físico relacionado com a operação às orelhas e ao nariz. O mexicano tem estado ausente, apesar de ter sido titular e praticamente totalista nos 11 jogos já disputados pelo conjunto azul e branco esta época, e também por isso o rendimento colectivo não tem sido o melhor. Os Dragões têm dificuldade em controlar os jogos, de tal forma que já permitiram algumas recuperações aos adversários que eram pouco expectáveis na época passada (o 2-3 em casa com o Vitória SC será o caso mais flagrante),  em circular a bola pelo corredor central (o jogo interior é praticamente nulo) e a isso não é alheia a intermitência de Herrera, que está sem a mesma capacidade nesta fase. Também o regresso de Danilo motivou uma alteração no seu posicionamento e isso parece prejudicá-lo nesta fase da sua carreira, uma vez que Herrera habituou-se a ver o jogo mais de frente, tal como na selecção, alinhando ao lado de Sérgio Oliveira, e o regresso do médio defensivo motivou um adiantamento do mexicano no terreno, tendo agora outro tipo de funções (e menos tempo para pensar) a que já não estava habituado (na Luz até alinhou mais adiantado ainda). O seu estatuto não estará em questão, mas o facto de ser livre para assinar por outro clube daqui a três meses poderá estar também a mexer com a sua cabeça, correndo os Azul e Brancos o risco de juntar uma época desportiva fracassada à perda de um activo importante a custo zero, algo que já aconteceu este defeso com as saídas de Marcano e Reyes. Cabe a Herrera dar a volta ao texto.

Rodrigo Ferreira

15 Comentários

  • Tiago Silva
    Posted Outubro 9, 2018 at 9:33 pm

    100% de acordo. O SC tem que mexer no meio-campo, o Herrera tem que sair do XI pelo menos por uns tempos. Danilo, Sérgio Oliveira e Oliver seria o meio-campo em que eu apostaria.

    • RicardoFaria
      Posted Outubro 9, 2018 at 9:55 pm

      Também gostava de ver esse meio campo porque acho que iríamos ser capazes de dominar o jogo com bola e criar mais oportunidades de golo.

      Saudações DesPortistas!

  • RicardoFaria
    Posted Outubro 9, 2018 at 9:44 pm

    É verdade mas acho que marca 50 golos e faz 30 assistências por treino. Tem a sorte de ter um treinador que escolhe em função dos treinos e por isso continua a titular sem ter feito 1 bom jogo em 11 já disputados.
    Sempre disse que foi um erro manter o mexicano até porque há a possibilidade de o perder a custo 0.
    Ficamos com um jogador que pode sair a custo 0, não rende e mesmo que renove já vai estar desvalorizado.
    Espero que Herrera consiga dar a volta ao texto até porque não me parece que o SC vá metê-lo no banco porque tem algo a provar aos pseudo-adeptos.

    Saudações DesPortistas!

  • RafaMota97
    Posted Outubro 9, 2018 at 10:22 pm

    Saudades daquele Herrera da época passada..
    Com todo o respeito pelos jogadores mas acho que deram o seu máximo na época passada pelo que era previsível está queda dos jogadores assim como Marega

  • T. Pinto13
    Posted Outubro 9, 2018 at 10:30 pm

    Concordo plenamente a cirurgia plástica mudou mesmo o rapaz.

  • MiguelF
    Posted Outubro 9, 2018 at 10:36 pm

    Este Herrera está muito longe da sua forma do ano passado, parece que voltou à sua forma de anos anteriores. Sinceramente está a pedir banquinho mas não me parece que aconteça tão rápido.

    Se fosse o Sérgio Conceição apostava num meio campo com Danilo, Sérgio Oliveira e Oliver. Pelo menos a troca de bola seria muito mais fácil e ia beneficiar o futebol do FC Porto.

    Saudações Desportistas

  • Flavio Trindade
    Posted Outubro 9, 2018 at 11:31 pm

    Herrera está a ser mais uma vítima das circunstâncias do que propriamente alguém que esteja em baixo de forma.

    Se o futebol do Porto na época passada já era mau e o meio campo só aparecia nas segundas bolas e nas tarefas defensivas e de recuperação, esta época esta tendência acentuou-se.

    A dupla de centrocampistas centrais do Porto poderiam ser o Quim e o Zé que seria a mesma coisa do que com Danilo/Herrera ou Sérgio Oliveira…

    Ofensivamente, o meio campo do Porto não existe porque não é preciso.

    A bola passa sempre a sobrevoar o meio campo, sempre na procura da profundidade e os médios servem apenas para tarefas defensivas ou para apoios centrais para as subidas dos laterais.

    Esse é um problema para Herrera que é um jogador que ocupa várias áreas no campo.

    No México parte da posição 6 e aparece em terrenos de número 10, para além de fazer movimentos laterais. No Porto isso não é pedido.
    Logo Herrera joga em Portugal em 30% do campo que costuma jogar.

    O mesmo se aplica a Oliver, um jogador que jogaria num meio campo a 3 em qualquer outra equipa portuguesa, mas no Porto e no estilo de jogo de Sérgio Conceição fica exposto às suas fragilidades, já que é fraco e frágil nas tarefas de recuperação e de contenção e é igualmente péssimo nas segundas bolas já que (esse é mesmo o seu principal defeito) para um médio ofensivo, não tem golo e é péssimo num fundamento base, o remate.

    Poderia jogar descaído para um dos flancos para aproveitar as suas qualidades únicas ao nível da organização e passe, mas não empresta à equipa a rotatividade e intensidade de Otávio.

    Ou seja, para quê pedir A ou B ou para quê dizer que algum jogador do miolo do Porto jogam mal?

    Pura e simplesmente não jogam! A bola não passa por lá.

    • coach407
      Posted Outubro 10, 2018 at 9:27 am

      Oliver nem jogava no Benfica nem no Sporting já que tanto Pizzi como Bruno Fernandes não são melhores. São muito melhores.

      • Alvaromoreira
        Posted Outubro 10, 2018 at 11:27 am

        Para quem já disse que jogar com o Pizzi é batota, esta piada que o oliver é muito inferior ao Pizzi e ao Bruno Fernandes é brincadeira

        • coach407
          Posted Outubro 10, 2018 at 12:34 pm

          Descontextualizar as afirmações… disse que é batota no campeonato português já que, a seguir a Jonas, é o jogador com maior facilidade a desbloquear jogos do nada. Simplesmente está sempre em 99% das jogadas de perigo do Benfica. Ainda agora resolveu mais um jogo com uma assistência absolutamente perfeita (um pouco menos de precisão e a bola seria de Militão ou de Casillas). Mas pronto foi a bater nos mortos do FC Porto. FC Porto que leva 2 derrotas no campeonato. A outra foi contra o V. Guimarães. Que o Benfica venceu 3-2 com um hat trick do Pizzi. É fácil de perceber que quando não tens um jogador que se aproxime minimamente do volume de oportunidades criadas (que é a sua função) no campeonato se calhar pensas que realmente ter um jogador diferenciado a este nível é uma enorme vantagem para a equipa onde ele joga. Isso do Oliver, craque a passar para o lado e para trás e muito fraco no sentido objetivo do jogo, é um menino que se enquadra bem no FC Porto do Lopetegui e do NES. Jogo de posse de jogar para o lado e para trás e pouca concretização. Daqui que seja normal não jogar.

          Melhor jogador, marcador e assistente do primeiro classificado do campeonato demonstra a sua distância para o suplente do Otávio. Oliver no Benfica lutaria com Félix para ter o direito de se sentar no banco a ver o Pizzi a jogar. E quando voltar Krovinovic então é que vemos o Oliver por um canudo. E ainda há Zivkovic que mostrou muito mais a 10 de que o Oliver na sua carreira toda. Portanto, em condições normais, o Oliver teria uma tarefa duríssima para ser suplente do Benfica quanto mais querer compará-lo ao Pizzi, o absoluto titular.

          No Sporting talvez jogasse se optassem por conciliar Bruno Fernandes e Oliver. Talvez. Ou jogar na ala. Algo desse género mas colocar Bruno Fernandes e Oliver no mesmo patamar ou o espanhol num patamar superior é não perceber nada disto. E nem sou particular fã do Bruno Fernandes.

          Novamente convém contextualizar. Estamos a falar do campeonato português e dos grandes em que o objetivo é ganhar todos os jogos e em que defendem com muitos homens e com linhas muito recuadas. Oliver não tem essa capacidade no último terço em espaços curtos. É só overrated. Tem um toque de bola atraente, decide pauperrimamente, banco. É algo natural.

      • Fernando neves _36
        Posted Outubro 10, 2018 at 12:37 pm

        Oliver melhor que Pizzi, definitivamente já vi tudo da tua parte.
        Krovinovic e Oliver são 100000x melhores que o Pizzi.

        • coach407
          Posted Outubro 10, 2018 at 8:02 pm

          Não disse que o Oliver é melhor que Pizzi, por favor… é exatamente o oposto. E não só é melhor que o suplente do FC Porto como também é melhor que o Otávio, o titular. E também é melhor que um dos seus suplentes – o Krovi -, como é óbvio.

  • Prontauro
    Posted Outubro 10, 2018 at 9:21 am

    Penso que esta má fase do Herrera se deve mais ao seu posicionamento em campo e à forma da jogar da equipa (privilegiando ainda mais o jogo direto em detrimento da construção ou da condução) do que a uma questão física ou psicológica (apesar de achar que neste aspeto também se notam diferenças). Tenho até achado estranho o posicionamento em que o SC o tem colocado, tendo em conta a época que fez no ano passado a jogar numa posição mais recuada, como diz o Rodrigo no texto. Mas como o treinador escolhe os jogadores baseado nos treinos, é porque nos treinos o Herrera tem jogado melhor nessa posição.

  • RodolfoTrindade
    Posted Outubro 10, 2018 at 12:02 pm

    Acho é mais vitima da forma de jogar do Porto que outra coisa.

    Os médios quase que não tocam na bola, é só bolada na frente e a procura constante de Brahimi!

  • José S.
    Posted Outubro 10, 2018 at 1:36 pm

    De acordo.
    Herrera é mais vítima das circunstâncias do que propriamente de alguma mudança física. Cabe a ele continuar a dar o seu melhor, mas cabe mais ainda ao treinador mudar os paradigmas de algo que este ano não está a funcionar. Se o próprio sistema e estilo de jogo não está a funcionar é lógico que o melhor Herrera não aparecerá. Assim como quase todos os outros estão em sub rendimento. Marega, brahimi, telles… É certo que não há marcanno mas há militao e o único défice para mim é mesmo uma verdadeira substituição para Ricardo Pereira (era dalot e João Pedro não se vai afirmar esta época e sabe se lá se algum dia vai de vez…), maxi já não tem pernas para todos os jogos e mais uma vez o esquema já não ajuda.
    Já toda gente sabe como o Porto joga ou tende a jogar e quanto mais tarde SC demorar a mudar algo mais tarde vão aparecer jogos melhores em qualidade.
    Eu e na minha opinião e apesar de achar que talvez precise de algum banco, não retiraria herrera do 11 titular mas acrescentaria o Oliver no meio campo para acrescentar mais visão e passe sem perder a pressão habitual. Herrera pode jogar ao lado de Danilo ou mesmo mais à frente, com na mesma Octávio na direita (eu punha corona) ou marega e brahimi e Soares pois é o melhor ponta (e único) neste momento para uma táctica a 3 no meio campo. Mas pedir algo assim ao Sérgio mexer com o interior do mesmo e não estou a vê lo a fazer…
    Vamos mesmo ter de esperar para ver. Pode ser que nos surpreenda.
    Cumprimentos

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