Que tem Michel, do Paços de Ferreira, e Babá, do Marítimo, em comum? De culturas futebolísticas geograficamente em nada paralelas (o avançado do Paços é brasileiro, Babá senegalês), ambos se encontram de mãos dadas no topo das referências ao nível de avançados na I Liga. A época transacta o treinador madeirense debatia-se com a problemática de conciliar a presença de Kléber com a de Babá (foi o 5º melhor marcador da Liga e marcou mais 4 golos que o brasileiro), problema com que automaticamente esta temporada se deixou de debater com a saída do primeiro para o Porto e das amarras tácticas que a maior disciplina posicional Djalma incutia na equipa, pese todas as suas virtudes individuais. Mesmo com uma situação de alguma indefinição em relação ao seu futuro que lhe custou a subtracção de alguns minutos na Liga – esteve com um pé no Celtic, mas a transferência não se realizou, podendo em Janeiro rumar à Escócia – a verdade é que as qualidades do avançado de 23 anos e 1m85 ficaram bem patentes ao longo destas 5 jonadas: velocidade, potência e uma notória capacidade de leitura aérea que lhe permite ser a principal atracção deste Marítimo – peca por alguma displicência e falta de regularidade – e é mesmo um dos fortes candidatos ao título de melhor marcador do campeonato caso termine a época em Portugal. Por outro lado, Michel é um dianteiro que vem na mesma linha do senegalês, embora com um estilo de jogo diferente, pois é mais técnico, apresenta um pé esquerdo mais forte, sendo mesmo uma espécie de Hulk (embora muito mais lento e menos potente) ou Bojinov (mas mais técnico e nesta fase com outra intensidade em relação ao búlgaro). Muito já se discutiu sobre as verdadeiras razões para a estadia demasiado prolongada do brasileiro em terras penafidelenses, pelo que foi com alguma surpresa que o adepto comum o viu surgir tão tarde num plantel da Liga – neste caso, o Paços de Ferreira. Não foram precisos muitos minutos frente ao Sporting para adensar ainda mais um dos muitos mistérios que certamente se escondem nas catacumbas do futebol português: em Michel observa-se um avançado com uma facilidade imensa em dominar a bola e uma capacidade tremenda em dar o melhor seguimento a lances em que é requisitado. Pelo ar e pelo chão. Com um jogo de cintura fora do normal para um jogador que parece ser invulgarmente pesado, Michel e o seu pé esquerdo parecem capazes de desequilibrar qualquer adversário e fisicamente incomodar qualquer defesa.
A.Borges

