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Tour 2011: Uma corrida por eliminação, a pedir um “Doping” de espectáculo!

Coincidência ou não, parece que o espectáculo se foi com o doping. Após duas semanas de prova, e trepados os Pirinéus, a edição deste ano do Tour passou já em duas subidas míticas – Col d’Aubisuqe e Tourmalet -, mas os adeptos do ciclismo ainda suspiram por um dia de verdadeira emoção.

Não se pode falar desta Volta a França sem se falar das quedas e abandonos. É verdade que o número de desistências não será muito superior ao de outros anos, mas o número de chefes de fila afectados pelo azar é muito anormal. Veja-se por exemplo a equipa Radioshack, do português Sérgio Paulinho, que apresentou uma convocatória completamente talhada para a montanha, mas que neste momento se vê reduzida a 5 elementos (de um total de 9), depois das desistências de Brajkovic, Horner, Popovych e Kloden. Permanece Leipheimer, mas também já caiu. Wiggins abandonou. Vinokourov também já desistiu depois de uma fractura do fémur, e anunciou o fim da carreira. Van den Broeck foi forçado a abandonar, Gesink continua em prova mas mal tratado e sem objectivos, até Contador já esteve envolvido em duas quedas.

No que toca a chegadas compactas, menos mal. O novo sistema de pontos proporciona dois sprints por etapa, e a luta pela camisola verde está ao rubro. Confirma-se a supremacia total de Mark Cavendish, que será o principal candidato desta categoria. Já no que diz respeito à Montanha e Juventude, apenas a passagem pelos Alpes irá decidir as ainda renhidas “classes”. A grande desilusão da prova tem sido mesmo o comportamento dos favoritos na alta montanha. Contador perdeu quase 2 minutos na primeira etapa e não mostra capacidade de os recuperar. Evans e Andy Schleck limitam-se a controlar o espanhol, e o trio de favoritos tem-se mantido nesta toada monótona. F. Shleck tem aproveitado a liberdade para ganhar segundos preciosos, e começa a tornar-se perigoso, assim como Samuel Sanchez que foi o único a atacar de forma decidida nos Pirinéus, e ultrapassou Contador na geral. Basso tem estado igual a si próprio: é o que impõem o ritmo mais forte, mas falta-lhe explosão. Cunego sobe ao ritmo dos melhores, mas perderá muito tempo no contra-relógio, pelo que terá que tentar fazer diferenças nos Alpes.

Assim, este até ao momento é um Tour do herói improvável: Voeckler, 32 anos, francês da Europcar (equipa da “segunda divisão”), que ganhou muito tempo numa fuga, e tem aguentado a amarela dia após dia, chegando mesmo a liderar o grupo dos favoritos em alguns momentos. Trata-se de um contra-relogista bastante capaz, e muitos apontam-no já como candidato, dada a condição física e mental demonstrada. O povo francês suspira por um vencedor “da casa”, mais de 20 anos depois.

Que balanço faz destas duas semanas de Tour? Quais as expectativas para o que falta da Volta a França? Quais os ciclistas/equipas em destaque?  E as grandes desilusões até ao momento? Prognósticos para a vitória final nas diversas categorias?


A. Pinho

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