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Sp. Braga na Europa: até onde lutarão os Gverreiros?

HISTÓRICO! É assim que se pode apelidar o feito do Sporting de Braga esta temporada nas competições europeias. Pela primeira vez a equipa portuguesa consegue alcançar a fase de grupos da Liga dos Campeões e os quartos-de-final da Liga Europa, com um percurso cheio de dificuldades. Também inédito é o facto de uma cidade portuguesa sem ser Lisboa e Porto ser presenteada pela maior competição de clubes do mundo.

O toque brasileiro deste Braga é apenas um traço de um cocktail de talentos que, a cada jogo, se expressam com uma linguagem comum. À medida que a aventura começou, Domingos falou na construção do sonho. Este sonho de futebol tem, porém, bases reais, jogadores de “carne e osso” que em campo pensam todos a mesma coisa ao mesmo tempo. Simplesmente agora pode ser reforçado com os milhões da Champions. Mas António Salvador não é de loucuras. Domingos não tem um modelo com a qualidade táctica de Jesus, nem, tão pouco, a riqueza filosófica de Villas-Boas. Mas as suas equipas têm, para além de competência, uma grande força mental. Invulgar, mesmo. É isso que explica, e deverá continuar a explicar, o seu sucesso. Os braguistas não têm dúvidas. É este o treinador para as próximas épocas.

O Sp. Braga está na “moda” e encontra-se muito perto de atingir a barreira dos 25 000 sócios. Já não faz sentido designar a capital minhota de cidade benfiquista. Braga está em transformação e há uma geração a crescer por entre vitórias e feitos históricos só alcançáveis por uma equipa de verdadeiros “gverreiros”. Após o 2º lugar alcançado na temporada passada, lutando até ao último minuto pelo título contra o Benfica e ficando à frente do Porto e Sporting, Celtic foi o primeiro obstáculo ultrapassado, depois vieram os espanhóis, de longe os favoritos. Na 1ª mão, também disputada no Minho, um Sp. Braga muito forte carimbou uma vitória por uma bola a zero e a segunda mão tornava-se numa incógnita, tudo devido ao poderio do adversário. Ramón Sánchez Pizjuán quase cheio, dois mil portugueses no apoio em 90 minutos de pura magia. Sete golos, quatro deles para os arsenalistas. Primeira vitória portuguesa naquele terreno e o Sp. Braga estava na Liga dos Campeões. 

No dia em que o Braga se estreou na Fase de Grupos da Liga dos Campeões, em Londres, jogou de peito aberto frente a um Arsenal de outro campeonato, de outra carteira e, inegavelmente, de outra dimensão. O resultado foi uma pesada derrota por 6- 0 que alguns celebraram com regozijo em Portugal. A derrota foi de difícil digestão mas a lição foi bem aprendida e, logo no jogo seguinte, frente aos sensacionais ucranianos do Shakthar, o Braga perdeu por enganadores 3-0. Seguiram-se dois jogos com o Partizan e outras tantas indiscutíveis vitórias, a garantirem o acesso à Liga Europa e a manterem acesa a esperança do apuramento para a fase seguinte da Liga dos Campeões. E assim se chegou a 23 de Novembro com a sensação de que se poderia fazer história. Quem chegava ao Estádio Axa sentia um ambiente especial nas bancadas para o jogo mais aguardado da época. A primeira parte correu ligeira, com muita impaciência nas bancadas e no campo. No segundo tempo o Arsenal trouxe uma dinâmica diferente à partida, afirmando a valia individual dos seus jogadores. Mas o Braga não se acobardou, nem tão pouco se acomodou com o destino que todos lhe garantiam traçado. Domingos foi resistindo aos apelos dos adeptos, mexeu tarde, mas aos 83 minutos, Elton, acabado de entrar, faz um passe magistral e lança Matheus para uma corrida espectacular, inaugurando o marcador naquele que é o golo celebrado de forma mais entusiástica em toda a história recente do Sporting Clube de Braga. A festa nas bancadas era total, a personalidade em campo também. Matheus ainda voltaria a estar em destaque ao minuto 90+2 quando bisou na partida num golo muito bonito que levou os bracarenses ao delírio. Sp. Braga derrotava um colosso europeu no seu reduto e assumia-se como a equipa portuguesa com melhor estreia na Liga dos Campeões e a única que discutia a continuação na Liga dos Campeões à partida para a última jornada da Fase de Grupos. O que aconteceu na Ucrânia não foi nenhuma derrota. Foi o fim da crença num milagre maior, que esteve prestes a acontecer. Os minhotos estiveram às portas do paraíso, à beira de um feito absolutamente único na história do futebol português. A primeira experiência na Liga dos Campeões tinha terminado com o dever cumprido e com 4 nomeações para a “Dream Team” da semana. Moisés por duas vezes, Matheus e Rodríguez. Os “arsenalistas” confirmaram a qualidade e o potencial de uma organização muito própria e que assenta numa grande solidez defensiva e capacidade para transformar os seus ataques em veneno.
A “despromoção” do Braga à Liga Europa fez com que o clube se tivesse de reequilibrar financeiramente e partiu para os 16 avos-de-final completamente desfalcado pelas saídas no mercado de transferências de Janeiro. Para completar o banco de suplentes e iria que ter de recorrer sistematicamente a jogadores do satélite Vizela. O sorteio ditou Lech Poznan. Depois de uma derrota e uma vitória. O Braga estava nos oitavos-de-final pela terceira vez na sua história e o Liverpool era o colosso que se seguia. A tarefa era difícil mas os bracarenses entraram decididos a fazer história. Durante toda a primeira parte, o domínio bracarense foi impressionante. O golo chegou aos 17 minutos, de grande penalidade cometida sobre Mossoró. Alan marcou o centésimo golo dos bracarenses nas competições europeias. Não sendo um resultado maravilhoso, o 1-0 manteve-se até ao final e alimentava a esperança bracarense de seguir em frente. Foi um Braga com atitude e personalidade que entrou em Anfield Road, um dos míticos palcos europeus onde 44.000 ingleses e mais de 1.000 bracarenses apoiavam as suas equipas. A vitória de 1-0 na 1ª mão não garantia tranquilidade ao Braga, mas Domingos Paciência armou uma equipa que nunca se atemorizou diante de Golias e apesar da desvantagem, o Liverpool nunca conseguiu impor o seu futebol ou criar de forma continuada perigo junto às redes minhotas. Braga acabava de fazer história ao chegar, pela 1ª vez, aos quartos de final da Liga Europa derrotando uma das equipas mais fortes da presente edição. O sorteio ditou uma deslocação dos bracarenses à Ucrânia para defrontar o Dínamo de Kiev. A sorte foi outra vez madrasta e coloca os bracarenses perante uma das equipas mais fortes do torneio.

No Minho confirma-se a ameaça do Braga. É uma época notável em termos europeus e ainda pode ter maior brilhantismo se as estrelas estiverem alinhadas nas noites das próximas eliminatórias.

Não sei se está escrito nas estrelas, mas conseguirá o Sp. Braga continuar a escrever a letras de ouro mais uma página na sua história? Conseguirá ultrapassar o Dínamo Kiev? Sp. Braga tem estofo para ir mais além?  Será Dublin, o local de combate da última guerra da batalha europeia da legião dos Gverreiros do Minho?

Miguel Gonçalves (O post é o prémio por ter sido o Vencedor da II Fase do passatempo Jogador Mistério).

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