O final de Janeiro marca também o fecho do mercado de Inverno e este último, foi um dos mais agitados dos últimos anos. Regra geral, este é um período de pequenos retoques nas equipas ou em contratações que visam em prevenir eventuais acidentes nos plantéis. Contudo, 2011 foi um ano diferente e assistimos a grandes negócios.
O grande destaque vai direitinho para Inglaterra já que parece que a crise não chegou ainda a terras de Sua Majestade, tal foi o investimento realizado não só por clubes de topo, mas também por clubes de meio da tabela. Os clubes da Premier League gastaram 253 milhões de € (!) em novos jogadores. O balanço é bem negativo já que a soma de vendas ficou-se “apenas” pelos 155,7 milhões. O poderio económico dos clubes ingleses é tão claro que supera por mais de metade os valores gastos na Serie A italiana: 120 milhões de € foram movimentados em Itália sendo que o valor das vendas ficou-se pelos 83 milhões. Surpreendentemente a liga do país vizinho foi uma das mais inactivas no que a transferências diz respeito. La Liga teve um balanço positivo de 200 mil € revela que foi mais o dinheiro recebido (27,9 milhões) do que aquele que foi gasto (27,7). Na Alemanha e em França as movimentações registadas foram sobretudo em vendas de jogadores. Com um balanço positivo de 18,4 e 16,4 milhões de €, respectivamente, os lucros obtidos em vendas são de louvar embora ambas as ligas tenham dito um balanço menor do que aquele obtido em Portugal. O negócio de David Luiz catapultou a Liga Zon-Sagres para um dos poucos campeonatos com saldo positivo entre vendas e compras, juntando ainda o facto de os gastos terem sido quase nulos: 6,4 milhões foi o valor despendido pelos clubes portugueses.
O futebol mundial é claro e está divido em 3 grandes grupos. Estas quantias astronómicas gastas pelos clubes ingleses no reforço dos seus plantéis poderão ser explicadas pelo facto de muitos investidores apostarem no campeonato britânico, como o russo Roman Abrahamovic ou o Sheik Mansour. Espanha e Itália são os outros dois “tubarões”, cavando ainda um largo fosso para Alemanha e França. O nosso país, como é hábito nos últimos anos, confirma-se como um campeonato vendedor e um mero destino de passagem e de rampa de lançamento para futuras estrelas no futebol internacional.
Terá algum campeonato num futuro próximo, capacidade para rivalizar com Inglaterra? A que se deve este domínio inglês? Portugal está condenado a ser um país vendedor?
A.Mesquita


