Visão de Mercado – Apesar de sermos critícos desta liderança de Madaíl, a verdade é que neste caso o presidente da FPF fez um bom julgamento deste processo. Em primeiro lugar Mourinho durante esses 15 dias que iria estar à frente da selecção, apenas irá ter 5 jogadores para treinar no Real (Adan, Dudek, Pedro Leon, Granero e Mateos), o que não comprometeria o seu trabalho no clube, pois quase todo o plantel irá estar ao serviço das suas selecções. E por outro lado, com eleições na FPF ao que tudo indica no próximo mês de Janeiro, seria algo precipitado por parte de Madaíl estar nesta fase a contratar um treinador com um contrato até 2012 que só irá orientar a equipa por 2 jogos, e depois das eleições, caso seja eleita uma nova direcção, a mesma não querer o seleccionador contratado e ter de partir para processos de rescisão que por norma acarretam elevados custos. Atendendo a estes dois prismas, Mourinho com a sua inegável qualidade seria claramente a pessoa indicada para orientar a selecção nesta fase, ainda para mais, quando conseguiria por parte do povo português e da comunicação social um consenso e uma onda positiva, que outro nome poderá não ter, o que nesta fase será determinante.
Caso Florentino dê uma nega a Madaíl, que outros treinadores poderão fazer este “jeitinho” à selecção por apenas dois jogos? Domingos? Paulo Sérgio? Jesus? Villas-Boas? Outro? Ou por outro lado, o presidente da FPF deverá contratar já um seleccionador até 2012, e qual? E terá Mourinho razão em afirmar que os jogadores deverão dar muito mais à selecção, do que apenas passear? Recordo que Ronaldo que por norma é o mais visado pelas critícas não actuou nos últimos dois jogos, como tal, a quem se referia o Special One?
José Mourinho abordou, esta sexta-feira, em Madrid o encontro de ontem com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol Gilberto Madaíl em que foi convidado para gerir a Selecção Nacional nos próximos dois encontros da fase de qualificação para o Campeonato da Europa. O treinador do Real Madrid garante que foi «incapaz de dizer que não», mas garante que «não disse que sim», entregou a decisão «à capacidade de persuasão da Federação perante a direcção do Real», contudo o português acredita que oa equipa de Madrid não o vai dispensar para orientar a Seleção Nacional nos próximos dois jogos.
O «Special One» explicou ainda que não cobraria nada à FPF pelos dois jogos: «Não teria nada a ganhar, só a perder. Felizmente não preciso de trabalho, estou sentado na cadeira em que 99,9 por cento do treinador gostariam de estar sentados. Não preciso de dinheiro. Informei que se fosse ia por zero euros, nem a gasolina queria me pagassem. Também não tenho necessidade de afirmação pessoal. Seguramente que não era eu que retiraria algo positivo desta chamada, apenas o sentimento de orgulho.» Aproveitando ainda para desmentir a possibilidade de ter sido convidado por Madail para ser o supervisor das selecções, cargo que segundo o próprio rejeitaria de imediato. Para terminar deixou um recado aos jogadores da selecção portuguesa. Sem estar a treinar a selecção, José Mourinho é incisivo ao afirmar que são os jogadores que têm de ajudar a selecção a ganhar jogos. “Não é um treinador que chegando a Portugal para treinar dois ou três dias antes do jogo que pode ajudar muito, quem tem de ajudar são os jogadores, que tem de ir para a selecção com um espirito de missão”.


