É já a deslizar sobre o tapete verde da antiga Arena de Amesterdão, numa fria tarde de Inverno, que um rapaz loiro de apenas 22 anos, nascido na pequena cidade de Arkel, decide o que irá fazer à bola que roubará ao avançado adversário nos segundos a seguir. Tocar para o amigo De Ligt, meter longo em Tadic ou sair a jogar? A dúvida é parte do passado porque De Jong já cavalga com o esférico em direcção à baliza contrária, a uma velocidade acompanhada apenas pelo bater do coração dos milhares de adeptos presentes no estádio, que se levantam lentamente das suas cadeiras, tentando imaginar aquilo que o jovem número 21 do Ajax vislumbrou segundos antes. “Vai Frenkie”, grita-se da bancada. Na sua passada a marca de quem vai marcar um golo, um clube, uma geração, um desporto. Futebol é arte e De Jong o seu artista mais promissor. “Vai Frenkie”, ouve-se novamente. Nem o mau tempo que se começa a sentir atrasa o galope deste lanceiro filho dos deuses, que fintando os pingos da chuva, segue cada vez mais rápido em direcção ao Olimpo. E é já no meio-campo adversário, sem qualquer aviso prévio, que a camisola que veste ganha riscas azuis e grenás, o algarismo 9 surge no dorso, e o cabelo, agora moreno, vai saltitando à medida que Johan Cruyff deixa adversários para trás. No banco, Rinus Michels, de gabardine vestida, sorri. Catorze dribles depois, Cruyff continua com os olhos postos na baliza e os espectadores no Camp Nou de pé em suspenso. Todos sabem que o holandês voador, vencedor de três Ligas de Campeões, tem hora marcada com o golo mas antes o passe, a recepção, a simulação – uma, duas, três – para agora, sim, com toda a cortesia que se lhe conhece, devolver a bola a onde ela pertence. A bancada explode de alegria. Cem mil gargantas gritam a uma só voz. O sol reaparece. E lá em baixo, sob um céu cor-de-laranja intenso, Johan Cruyff, perdão, Frenkie De Jong, exulta de contentamento pelo seu primeiro golo com a camisola do Barcelona.
Visão do Leitor: Lino


12 Comentários
Estigarribia
Excelente texto. Mas eu espero que não façam mais comparações entre Frenkie de Jong e Johan Cruijff, até porque não é nada bom para o jovem médio holandês. Tenho quase a certeza que depois de Leo Messi, De Jong marcará uma nova era em Camp Nou e eu, como adepto simpatizante do Barcelona, quero presenciar. Para já vai me dar um gosto enorme ver Leo Messi, o meu ídolo, jogar ao lado de Frenkie de Jong, a próxima grande figura da História do Barcelona.
Agora vamos ver se Ernesto Valverde, treinador do qual não sou grande admirador, tem mãozinhas para treinar um talento como Frenkie de Jong.
VISCA EL BARÇA
P.S.: O novo equipamento principal do Barcelona para a nova época, aquele ao xadrez, é um atentado à História Centenária do Barça. Horrível, horrível, horrível, horrível e horrível.
Antonio Clismo
O marketing fala mais alto. Já as riscas horizontais foram absurdas. Mas se não tiver algo de realmente diferente associado ao equipamento, as pessoas não compram.
Gasparinho
Eu nem costumo comentar, e primeiramente gostaria de agradecer por este espaço isento onde posso acompanhar o futebol de forma isenta, com desportivismo e (quase) sem clubismo, e nesse sentido o Estigarribia é um exemplo.
Isto para dizer que concordo a 100% com o último parágrafo.
Estigarribia
Gasparinho,
Antes de mais, quero agradecer pelos elogios, mas eu sou assim e esta é a minha essência. Jamais mudarei isso. Se todos nós, adeptos, nos respeitarmos com fair-play o ambiente no futebol português só pode melhorar.
Saudações Leoninas. E que o nosso Sporting seja campeão nacional já esta época que aí vem.
Gasparinho
Concordo totalmente, é a minha forma de ver as coisas também.
SL e que vejamos se é ja para o ano que é possível. Eu não tenho grandes espetativas que s2ja ja
Gasparinho
Concordo totalmente, também é a minha forma de ver as coisas.
Saudações Leoninas
e vejamos se e possiivel ja para o ano que vem, não tenho grandes expetativas mas há sempre esperança.
Gunnerz
O equipamento foge de facto da realidade actual do clube mas sendo uma “homenagem” à cidade, que é um dos pilares do urbanismo moderno, parece-me que é de valor mostrar esta união entre cidade e clube. Mas espero que seja claro coisa de uma época e voltem ao normal depois.
Joga_Bonito
De facto iam comentar isso. Eu não sou contra inovações, mas acho que nunca podem ir contra a história do clube. Aquele xadrez é ridículo. Pode ser muito bonito ( e nem é o caso) mas não me parece cair na alma culé e isso não pode acontecer.
Acho que hoje se pensa muito e mal, que se vendem mais camisolas por inovar ou por ser muito diferente. Isso é falso. Camisolas alusivas a temas dos clubes e antigos jogadores poderiam vender e muito, sem se ter de destruir a alma do clube.
O dinheiro não é tudo e há “valores mais altos que se alevantam” como dizia o Poeta.
Estigarribia
Nem mais, Joga_Bonito. Eu também não sou contra inovações, mas aquele xadrez, repito, é um ‘atentado’ à História Centenária do Barcelona. No que toca a equipamentos, eu até sou muito picuinhas e quando dava o MaisFutebol na TVI24 gostava muito de ver aquela rúbrica dos Equipamentos Míticos. Era brutal.
Por exemplo, o equipamento principal do Sporting, na época passada, era em homenagem a Peyroteo, um dos grandes goleadores do clube verde e branco. E aí faz sentido, claro, fazerem uma equipamento que homenageie uma determinada Lenda do Clube. Ainda, no Sporting, o equipamento que eu sempre gostei é o Equipamento Stromp, aquele que por norma é utilizado na Taça de Portugal, e é de uma classe e elegância EXCELENTE. E o Equipamento Stromp desta época faz lembrar um equipamento antigo mesmo do tempo do Lendário Francisco Stromp.
Saudações Leoninas
Joga_Bonito
Os equipamentos mais antigos eram muito bonitos porque apenas tinham preocupações com a tradição e a beleza. Hoje vê-se autênticos atentados que deviam dar cadeia a quem teve a ideia.
A minha época preferida foram os anos 90 no futebol. Contudo, aí havia a moda de colocar as camisolas dos GR com corzinhas e combinações de todo o tipo, resultando em autênticas aberrações ao bom gosto. Das poucas coisas que não terei saudades dos anos 90 no futebol serão as camisolas dos Gr. Nisso, até acho que hoje são melhores.
No resto, acho que o futebol está numa deriva excessivamente comercial. Os clubes têm a pressão dos contratos publicitários e da necessidade de receitas. Isto aliado ao discurso actual de que não deve haver padrões em nada.
O Benfica estabeleceu que jogava sempre de branco quando não podia usar o equipamento normal. Eu defendi sempre que o segundo alternativo deveria ser um todo preto, porque o preto é a terceira cor do clube.
Acho que nisto da tradição a inovação existe mas deve sempre ter em conta a história.
Um clube que perde a identidade caminha para o abismo.
Tsubasa
Espectacular texto… Só tenho pena que o De Jong vá ser treinador por um treinador fraquissimo como Valverde que levará que não evolua tanto como se fosse treinador por um treinador de topo
Tiago Silva
Um texto de um verdadeiro adepto de futebol, do que se faz no campo. Um exemplo de paixão, é inspirador e espero que faça coisas grandes no Barcelona, o Cruyff está orgulhoso dele certamente.