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Benfica: Combater a ausência do craque de 126 ME com um 2-2-4-2

Para quem segue atentamente o jogo, é praticamente unânime que João Félix mudou a história do Benfica na temporada passada. O avançado português havia sido utilizado a espaços com Rui Vitória, mas só com Bruno Lage se fixou no 11 inicial e, sobretudo, na posição onde mais rende. Entre golos, assistências e momentos de brilhantismo, Félix saltou para a ribalta, ao ponto de encantar a Europa do futebol com a sua técnica, criatividade, qualidade na decisão, no passe e na finalização. Esta é, sem dúvida, a característica mais fascinante do agora craque do Atlético Madrid, que não hesitou em avançar com 126 ME para o levar da Luz. Por cá ficou uma equipa com uma vaga em aberto, mas que manteve a restante base. Perder um jogador desta valia actual e potencial nunca é positivo em termos desportivos, mas a verdade é que Bruno Lage não entrou em lamúrias e procurou encontrar uma forma que mantivesse o Benfica dinâmico, imprevisível e muito forte em processo ofensivo. Para tal, o investimento em Raúl de Tomás, vulgo RDT, é fundamental, sendo que Chiquinho também poderá ter um papel importante após ter sido resgatado ao Moreirense. No entanto, mais do que olhar ao nome que substituiu Félix, o mais importante é olhar para o colectivo encarnado, que até ao momento ainda não permitiu aos adeptos chorarem a saída de Félix.

 Na verdade, findada a aquisição de RDT, muito se questionou sobre a capacidade do dianteiro espanhol desempenhar as mesmas funções e movimentos que Félix. Tido como um goleador, avançado de área com um instinto muito apurado e com a baliza sempre na mira, a capacidade do ex Real Madrid deambular por todo o terreno era para muitos desconhecida. No entanto, nem sempre num sistema com dois avançados é obrigatório que um dos avançados recue até zonas de construção ou de criação. Lage tem procurado desmistificar esse mito e, apesar da técnica apuradíssima de RDT, que lhe permite recuar no terreno e participar no processo ofensivo da equipa, o técnico das Águias pretende que o espanhol forme muitas vezes dupla lado a lado com Seferovic. Ambos têm liberdade para se movimentar, cair para os flancos ou recuar no terreno, mas para a dinâmica resultar é crucial que apareçam muitas vezes, em simultâneo, na grande área. Deste modo, surge a questão inevitável: quem responde pela criação e descoberta de espaços no bloco contrário? Para Lage esta questão nunca foi um problema. O técnico das Águias desde a pré-época que tem apostado em Pizzi e Rafa em terrenos mais interiores, o que, com a largura oferecida pelos laterais, oferece variantes muito interessantes ao sistema dos Encarnados, que se transforma rapidamente num 2-2-4-2. A adaptação de Nuno Tavares até poderia tornar a ideia “coxa”, mas o jovem lateral demonstrou na partida com o Paços Ferreira que é capaz de oferecer profundidade mesmo no flanco direito. Por outro lado, Pizzi, que já na temporada transacta ia efectuando este tipo de movimentos, tornou-se mais presente ainda em terrenos centrais, sendo o grande armador de jogo das Águias. A sua preponderância na equipa é tal que o seu valor de mercado é difícil de calcular, ainda que esteja à beira de completar 30 anos e, talvez por isso, não reúna os pretendentes que se poderia imaginar. Como referido, também Rafa é peça chave neste processo ofensivo, utilizando a sua velocidade e capacidade entre linhas para desequilibrar através do transporte e do drible. Quando chega o momento do ataque rápido o extremo, que é cada vez menos um extremo apenas, cresce de importância, ainda que esteja igualmente a crescer contra blocos mais fechados em organização ofensiva. Nesse sentido, assistimos na maioria das vezes a um Benfica sem extremos, um pouco ao estilo do Sporting de Jorge Jesus em 2015/16 (ainda que mais incisivo pela variante de soluções que Pizzi, Rafa e RDT oferecem em relação a João Mário, Bryan Ruiz e Teo), mas que continua a ter largura e que descobre espaços com facilidade no bloco contrário. É certo que a técnica e qualidade individual da maioria dos jogadores tem uma boa dose de culpa nisto, mas é impossível ficar indiferente à qualidade do colectivo “lageano”, que parece querer manter a veia goleadora da época passada (10 golos em 2 partidas) e cria em qualquer adversário a sensação de que pode ser goleado, sobretudo na Luz.

Importa, por fim, analisar também o papel dos laterais, responsáveis, maioritariamente, pela ocupação de todo o flanco, de modo a permitir à equipa ter sempre largura. Ainda assim, Grimaldo e Nuno Tavares não são apenas laterais de “ir à linha e cruza”. Grimaldo desde cedo demonstrou a sua técnica e qualidade em zonas interiores, funcionando inclusivamente, por vezes, como médio na construção das jogadas (Rafa abre mais nessas situações). Também Nuno Tavares tem revelado essa inteligência na procura dos espaços em zona interior, algo visível no 4.º golo diante o Paços Ferreira e noutra série de jogadas. Num futebol que é cada vez mais um jogo de procura e fecha espaços, a inteligência e versatilidade de um lateral é cada vez mais importante e uma vantagem em relação aos demais.

Deste modo, mesmo que os jogos não comecem da melhor maneira, o Benfica sabe ser paciente (o jogo não dura 20 minutos, mas sim 90’), esperar o seu momento e, quando tem oportunidade, solta o seu futebol e trucida os adversários com a qualidade do seu processo ofensivo. A inteligência posicional e a capacidade em ataque organizado, parâmetro onde a equipa não era tão forte inicialmente com Lage, e ataque rápido, a melhor arma das Águias, fazem a diferença numa realidade nacional onde os rivais estão longe de apresentar este rendimento. Fica a curiosidade para perceber o que este conjunto de Lage poderá apresentar na Europa, visto que o crescimento a nível internacional será o grande desafio em 2019/20.

Rodrigo Ferreira

36 Comentários

  • Joao Duarte
    Posted Agosto 11, 2019 at 11:30 am

    Futebol é tempo e intenção. É notório que o Benfica faz tudo com intenção e sobretudo com inteligência a gerir o controlo do jogo. Ontem ao minuto 20′ o Ferro progride com bola sem oposição, mas fá-lo quase parado de modo a poder decidir consoante o que se estava a desencadear mais à frente, qual o melhor espaço a explorar e qual a melhor decisão a tomar. Isso para mim é tempo e é o mais decisivo na qualidade de uma equipa. É revelador de maturidade e inteligência coletiva e individual. Ainda assim houve momentos em que poderia ter sido mais paciente e em que houve muitos passes errados sem qualquer necessidade.
    Onde o Benfica é igualmente forte é na procura do espaço interior entre linhas através de passes verticais, que é o mais difícil de defender por parte dos adversários.

  • Filipe Ferreira
    Posted Agosto 11, 2019 at 11:40 am

    O Benfica tem um plantel de enorme qualidade, com muitas opçoes e um belissimo treinador. Aliado a isso, veem-se jogadores motivados e confiantes o que permite jogar no campo todo e bem abertos. Veja-se Pizzi ja perto do fim do jogo de ontem continuava a correr para ir buscar bolas perto da bandeirola de canto. Qual era a necessidade? Exato, da-lhe prazer. A equipa esta satisfeita e ha bom ambiente. No Sporting e no Porto vivem-se dias mais negros e os planteis tem muito menos qualidade (e profundidade). Este Benfica efetivamente faz lembrar o Sporting de JJ, mas com ainda melhores executantes (lembrando que os laterais do Sporting eram Jefferson/Zeegelar e Joao Pereira/Schelotto). Acho que ao Benfica continua a faltar eventualmente um DD (nao sera por Andre Almeida que nao serao campeoes, mas é claramente o ponto fraco) e um Ponta de Lança com outras caracteristicas, mais tecnico, à semelhança do Jonas, entre RdT, Seferovic e Vinicius todos tem os seus estilos, mas nenhum é um claro tecnicista e abre-latas. Acredito que o Benfica esta epoca bata muitos recordes.

    SL

  • Tiago Silva
    Posted Agosto 11, 2019 at 11:54 am

    Excelente análise, o Benfica é uma equipa tacticamente riquíssima e o Lage tem sabido dar liberdade aos seus criativos, nomeadamente o Pizzi e o Rafa. Essa questão do Grimaldo no meio-campo notou-se bastante ontem com o Rafa a abrir na esquerda.

  • Joao X
    Posted Agosto 11, 2019 at 11:57 am

    O Benfica já jogava assim quando o Felix cá estava. É sempre “mau” perder o melhor jogador da equipa mas a verdade é que, utilizando o mesmo sistema, a equipa continuar a jogar de forma igual e muito bem diga-se.
    Uma das coisas que mais me impressiona é a pressão que a equipa faz quando defendem e o papel dos médios Florentino e Gabriel, que são super agressivos e exímios na recuperação de bola. Aliás, até considero o Florentino talvez top 3 dos jogadores mais influentes do Benfica. Acredito que seja o próximo jogador a sair por um valor considerável pois tem muita qualidade e um potencial ainda maior.
    O Porto, em ataque posicional, apresenta-se de uma forma muito semelhante a esta, com os laterais totalmente projetados, extremos por dentro e centrais a formar uma linha de 2 e por vezes 3 com o médio defensivo.
    É curioso que, embora num estilo diferente, a disposição é a mesma entre estes 2 rivais.

    • Filipe Ferreira
      Posted Agosto 11, 2019 at 12:11 pm

      Concordo! Considero que o Florentino, Pizzi e Rafa formam o trio de jogadores mais influentes do Benfica. Curiosa a comparaçao com o Porto, mas de facto sao semelhantes, embora com rotinas diferentes e executantes completamente distintos

      • Joao X
        Posted Agosto 11, 2019 at 12:26 pm

        Exatamente e jogando dessa forma é um crime não jogar com o Nakajima (rapidamente entrará no XI) pois estará no seu “habitat ” que é no lado esquerdo, próximo da área.

    • Joao X
      Posted Agosto 11, 2019 at 12:21 pm

      Esqueci-me de referir que o Seferovic não tem qualidade para ser titular no Benfica. Naturalmente, o Vinicius ocupará o seu lugar e tornará o Benfica ainda mais forte, o que é assustador.

      • bong0
        Posted Agosto 11, 2019 at 4:22 pm

        Concordo, mas o Seferovic tem uma capacidade de superação impressionante e pode causar novamente uma surpresa. O importante é o Lage perceber que tem plantel para manter uma rotatividade elevada e que isso pode ajudar a que equipa esteja muito mais forte na Europa. E com equipas de outro nível seria interessante ver um modelo de jogo parecido mas em 4-3-3

    • Sombras
      Posted Agosto 11, 2019 at 12:29 pm

      O Félix nunca foi “o melhor” jogador do Benfica. Era o melhor em termos puramente individuais – de longe – e era o que permitia elevar a equipa para outro patamar, mas o melhor dentro de como a equipa joga e queria jogar sempre foi entre Pizzi e Rafa (para mim Rafa foi o melhor jogador em Portugal o ano passado, já o disse por diversas vezes). Teria sido muito pior para o colectivo do Benfica perder um dos 2 a Félix, embora com Félix o clube pudesse eventualmente atingir outros patamares.

      • Teixas
        Posted Agosto 11, 2019 at 12:34 pm

        De acordo. Félix via-se que era jogador para outras paragens. Mas Rafa e Pizzi foram os que carregaram o SLB.

      • Joao X
        Posted Agosto 11, 2019 at 12:48 pm

        Efetivamebte era o melhor jogador da equipa ou não? É que foi ele que foi para um clube de elite ao contrário do Pizzi e provavelmente do Rafa.
        Não digo que tenha sido o mais influente, apenas disse que era o melhor.

  • Estigarribia
    Posted Agosto 11, 2019 at 12:09 pm

    Bom texto, Rodrigo. Como sempre. Este Benfica de Bruno Lage está preparado para dominar a seu bel-prazer as provas nacionais, com especial incidência no campeonato português, mas a nível internacional também estará mais do que pronto para fazer umas gracinhas na Liga dos Campeões, tal como o Ajax fez na época passada – aliás, se bem nos lembrarmos, na época transacta, na Liga Europa, já vimos algumas coisas interessantes que este Benfica poderá realizar nas provas europeias.

    Cada vez será mais complicado, quer para o meu Sporting, quer para o FC Porto, conseguirem parar este Benfica avassalador que não se amedronta em nenhum jogo e joga sempre com muita qualidade, humildade e respeito por todas as equipas. Se os rivais não abrirem a pestana esta época correm um sério risco de verem o emblema encarnado dominar por vários anos o panorama nacional do futebol. Quem tem jogadores como RDT, Taarabt, Grimaldo, Pizzi (onde andam agora os haters que falavam mal do médio português?), Chiquinho, Caio Lucas ou Florentino, por exemplo, tem a obrigação de lutar por tudo. E ter um técnico com a qualidade de Bruno Lage, não só a nível táctico, como a nível da gestão do balneário, também ajuda a unir ainda mais toda uma equipa desde os titulares aos suplentes passando pelos reservas.

    Sou Sportinguista, mas não tenho palas nos olhos, e não me custa admitir que neste momento o Benfica é a melhor equipa em Portugal e que Sporting e FC Porto terão que dar ‘corda aos sapatos’ para não aumentarem o fosso entre o Benfica e eles. Neste momento, o Benfica é um exemplo de gestão desportiva e financeira para todos os clubes e também um exemplo de como jogar bem e contratar bem.

    Saudações Leoninas

    P.S.: Ainda assim espero, e desejo, que o meu Sporting dê luta pelo campeonato para que isto não seja um campeonato amorfo e sem sal.

  • Kacal
    Posted Agosto 11, 2019 at 12:15 pm

    Dá gosto ver o Benfica jogar porque o treinador sabe o que faz, tenta inovar, tenta ir mais além, coloca os melhores, aposta nos criativos, mete os jovens da formação sem medo e dá liberdade a quem pode fazer a diferença. Depois com jogadores tão bons e versáteis tudo fica mais facilitado. É um grande treinador a todos os níveis. Ter dois jogadores como Pizzi e Rafa é fantástico!

  • rmmop
    Posted Agosto 11, 2019 at 12:23 pm

    Boa análise!

    No entanto, a comparação feita entre este Benfica de Lage ao Scp de jj, parece-me totalmente descabida.

    • Dca
      Posted Agosto 11, 2019 at 2:29 pm

      Em termos de organização ofensiva (a parte tática) não difere. Médios Alas por dentro e Laterais por fora.

  • Teixas
    Posted Agosto 11, 2019 at 12:29 pm

    Muitos parabéns pelo texto Rodrigo. Foi muito agradável de ler, com uma excelente análise da táctica de jogo do Benfica.

    O único problema que me preocupa um bocado é a nossa defesa, que muitas vezes aparenta ser permeável. Tendo monstros agressivos no meio campo (Tino, Samaris e Gabriel), a verdade é que quando o ataque adversário é canalizado pelas laterais, Grimaldo e Tavares não parecem estar à altura. Tem muita potência ofensiva que balanceia um bocado a coisa.

    Félix foi-se embora e com ele levou os seus golos. Por enquanto temos Pizzi, que tem estado exímio a aproveitar todas as oportunidades para marcar, como parece normal para ele no início da época. RDT não parece estar a ter sorte para fuzilar a baliza, presumo que seja uma questão de tempo. O nosso “mobster” trabalha bem na pressão e a recuperar bolas mas para 20M é preciso ter golo. Seferovic está a ter aquele período de seca. Desperdiça oportunidades atrás de oportunidades, falha passes, e não parece estar a complementar-se bem com RDT. Espero que as coisas melhorem. Vinicius está à espreita…

    Está época parece promete muitas alegrias, espero que se concretizem.

    • MiguelSCPortugal
      Posted Agosto 11, 2019 at 1:20 pm

      As laterais têm que ser fechadas com os médios quando o Grimaldo e N.Tavares subirem.
      Na última champions do Real Madrid, o Modric encostava à lateral quando estavam a defender e parecia que estavam sempre balanceados ;)

  • coach407
    Posted Agosto 11, 2019 at 2:07 pm

    Excelente post, Rodrigo. Acredito que tenha sido uma simplificação propositada para passar a mensagem de uma forma simples, direta e não abusando do número de carateres.

    Para quem vê futebol (e não “vê a bola”) é evidente que aquele quadrado interior com Pizzi, Rafa, RDT e Seferovic é uma delícia para uma análise tática, mas vou complementar com algumas coisas que certamente sabes, mas não colocaste no artigo precisamente para simplificar.

    Obviamente isto não é um modelo estático pelo que representá-lo desta forma é sempre suscetível a enviesamentos. O Benfica não está sempre em 2-2-4-2, do ponto de vista ofensivo (defensivamente então é que nem pensar). Muitas vezes Pizzi aparece na direita encostado à linha, muitas vezes está na construção de jogo bastante recuado, Grimaldo por dentro como explicaste… enfim, existem imensas variações que fazem com que possamos desenhar várias distribuições posicionais, no entanto a principal diferença do modelo de jogo do Benfica em 2019/20 para 18/19 é esta tentativa de ter sempre 3 apoios frontais, independentemente da distribuição tática dos jogadores.

    O problema do Rui Vitória nesta reta final foi ter preterido de ter dois apoios frontais, tinha apenas um, normalmente, e muito fraco: Seferovic. Era algo relativamente básico. Não admirou que Lage tenha colocado logo o Félix a jogar de costas para a baliza, como um apoio frontal de enorme qualidade e que permitiu subir muito o nível da equipa.

    Lage tem tentado ter 3 apoios frontais em muitos momentos do jogo e, por vezes, ainda tem um avançado solto para atacar a largura caso as linhas adversárias estejam super compactas e nem assim existam linhas para jogo interior, tendo de recorrer ao jogo exterior. Repara que 3 apoios frontais é o máximo possível, visto que 2 dos 5 corredores (e não 3, como é usual dizer) são as linhas, normalmente essas são um apoio lateral ou na profundidade.

    Com 3 apoios frontais é muito complicado a equipa adversária conseguir não abrir espaços entrelinhas durante 90 minutos. Na realidade é praticamente impossível.

    Só uma pressão alta consegue suster isso, “matando” o problema pela raiz, não deixando sair o passe, em vez de o tentar intercetar. O problema é que o Benfica é uma brutalidade na transição há vários anos. Pode resultar, mas também podes levar 10-0.

    Este esquema obriga a ter os laterais muito subidos, mas os extremos adversários costumam acompanhar. É típico português não começar a construir a casa pelo telhado portanto preocupam-se sempre primeiro com a defesa, sobretudo contra o Benfica. Ora, os laterais sobem ao mesmo tempo, mas o Benfica defende exatamente com os mesmos! Porquê? Sobe mais um lateral, mas o 8 praticamente não ataca porque tem Rafa, Pizzi e RDT a explorar o jogo ofensivo interior. Sobretudo o Pizzi, mas não chega a ser ele um claro ’10’ precisamente para não dar referências de marcação ao adversário. Existe muita liberdade de movimentos no último terço por esse motivo. Hiperbolizando, é uma espécie de anarquia tática no último terço que vem da escola de Guardiola. Se nem o treinador sabe claramente como se vão movimentar… como é que o adversário haveria de saber?

    Voltando ao tema da transição defensiva, o Benfica joga com dois médios que têm muito pouca influência no último terço. Um deles está posicionado por perto para reagir à perda e ganhar logo os ressaltos perto da baliza adversária e isso faz com que, por vezes, recuperem a bola e criem perigo, mas não é o normal. Isso é para os artistas. O Benfica foca-se em proteger a zona central na transição com 4 jogadores que “só” defendem (centrais e médios), obrigando o adversário a lateralizar, o que ajuda a perder tempo e a diminuir o perigo. Por isso é que parece que o Benfica tem uma transição má (muitas vezes o extremo tem demasiado espaço), mas a realidade é que acabam por não ir a lado nenhum a maior parte das vezes. No nosso campeonato acaba por ser suficiente.

    Por este motivo é que era relativamente óbvio que ia jogar Samaris e não Taarabt. Lage, até agora, não tem optado por um 8 que se destaque propriamente pela sua qualidade ofensiva. É um elemento do bloco de 4 mais defensivo. É suposto eles defenderem muito melhor que Grimaldo ou Nuno Tavares. Taarabt não é esse jogador (nem vai ser).

    Por outro lado, Lage respondeu de forma curiosa quando lhe perguntaram sobre a opção por Samaris. Disse que estava a tornar-se previsível e que os jornalistas acertavam sempre no 11 que ia colocar em campo pelo que precisa de inovar. E é aqui que fico curioso para perceber se Lage vai alterar estas dinâmicas que têm funcionado. Testou Taarabt a 8 na pré-época, mas não foi o único sintoma que poderá jogar com um 8 mais ofensivo. Por exemplo, Samaris não foi convocado para a Supertaça. Preferiu ter Chiquinho e Taarabt no banco. Quando Gabriel saiu, entrou o Chiquinho. Talvez não estivesse a 100%, o que explicaria a pouca utilização na pré-época, mas ficou-me no olho. Agora também resolveu tirar o Samaris e colocou o Carlos Vinícius, Chiquinho recuou para 8. Passa-se alguma coisa com a forma física do grego? Estava a aproveitar a vantagem numérica para defender com menos um e marcar mais golos? Estava a testar o modelo mais ofensivo que pode querer aplicar? Enfim, há questões, mas seria estranho ver Lage a mudar algo que está a funcionar muito bem. Não é que não possa fazer sentido já que os adversários vão melhorando os anti-corpos a este esquema.

    • Antonio Clismo
      Posted Agosto 11, 2019 at 2:46 pm

      O que fazer com o Gedson Fernandes, David Tavares ou Jota? Não parece que vão ter muito espaço este ano e não faz sentido voltarem a competir na equipa B. Porque não se arranja um clube competitivo para continuarem a sua evolução e voltarem ao Benfica mais fortes?

      • coach407
        Posted Agosto 11, 2019 at 6:13 pm

        Jota e Gedson são casos diferentes do de David Tavares.

        O David nunca jogou na equipa B com a mínima regularidade portanto é o passo natural dele. Relembro que é um jogador que nem tem historial nas seleções jovens de Portugal e portanto tem experiências muito limitadas tanto de futebol internacional como até nacional por não ter jogado na equipa B, ao contrário das estrelas de 1999 (Florentino, Gedson, Félix, Jota e o flop, até ao momento, Zé Gomes).

        Eu não acredito que nenhum empréstimo seja mais vantajoso que jogar na equipa B do Benfica. É uma equipa feita única e exclusivamente para desenvolver talento. Trabalham com condições de topo mundial, são acompanhados individualmente, tem-se imenso cuidado com a gestão física dos jogadores (ao contrário do que acontece com um empréstimo em jogam imensas vezes lesionados porque o que interessa é o resultado e no final da época o jogador vai embora portanto podem abusar à vontade), trabalham-nos para jogar na equipa principal do Benfica. Não há melhor preparação para jogar no Benfica que… jogar no Benfica B. Seria inadmissível algum clube da I Liga ser melhor para um jovem talento do Benfica que uma equipa que é feita única e exclusivamente para isso e tem umas infraestruturas e funcionários de muitíssima mais qualidade.

        Desta forma, é fácil perceber que eu prefiro ver o David Tavares no Benfica B de que noutro lado qualquer. Ainda por cima, tem tido problemas com lesões. É fácil de riscá-lo por estar fora de forma ou jogar mesmo sem estar a 100%. É um miúdo que precisa de ser muito trabalhado, é preciso ter paciência com ele. O melhor que lhe pode acontecer nesta fase é trabalhar com o Lage e com o Renato Paiva.

        Em relação ao Jota, não pode sair. Vai ter muito minutos. Luta com Caio Lucas para ser a alternativa principal aos extremos e com Taarabt e Chiquinho para ser a alternativa ao RDT. Ascendeu na hierarquia com a saída de Salvio e a perda de relevância de Cervi e Zivkovic. Deve chegar aos 30 jogos esta época portanto não lhe vão faltar oportunidades. Cabe-lhe a ele agarrar as oportunidades. Lindelof, Rúben Dias, Ferro, Nuno Tavares, Florentino, Guedes, Félix, André Gomes, Renato Sanches, Nélson Semedo e companhia não tiveram o lugar de prenda, nem foram emprestados. Tiveram o seu espaço no plantel e tiveram de agarrar as oportunidades quando as tiveram. Jota tem de fazer o mesmo. Se não conseguir ser melhor que o Caio Lucas então é porque não é assim tão bom. Se conseguir tem de ficar no Benfica. A qualquer momento Rafa pode lesionar-se. O Benfica ainda é um clube que luta por títulos. Não vai emprestar o segundo melhor extremo “puro” e que ainda acrescenta nas costas do avançado.

        Já Gedson está a ser claramente a principal “vítima” de Lage de entre os meninos do Seixal. Não encaixa perfeitamente em lado nenhum. Vem de uma época em que fez 46 jogos. Foi positivo, mas as indicações com Lage não foram as melhores. Não tem contado para a posição 8 por o Lage não querer transporte nenhum no meio-campo. Assim é complicado para o Gedson ultrapassar o trio Florentino, Gabriel e Samaris. Poderia ser um grande lateral direito, mas a lesão impediu-o de estar a jogar e já deve ter perdido o comboio para essa posição. Acredito que seja uma época em que faça muitos minutos na mesma, mas dificilmente poderá explodir. Ainda assim, é uma questão de tempo. Lage se fizer uma grande época até pode ser vendido. Deverá subir Renato Paiva que virá com novas ideias, poderão haver saídas e Gedson será sempre o reforço para ali. Não vejo o Benfica a contratar nenhum 8 enquanto Gedson não for aposta. Ainda assim, é preferível que esteja no Benfica, até por causa da lesão. Nunca se sabe quando surge a sua oportunidade. Gabriel já está fora, Samaris não parece estar nas melhores condições… se estivesse a 100% se calhar já estava a jogar. Não sei, mas é um jogador com mais que qualidade para ter as suas oportunidades.

    • Malloy
      Posted Agosto 11, 2019 at 2:51 pm

      Consegui assistir a dois dos treinos á porta aberta do estágio dos EUA e foi notório os problemas físicos do Samaris; no primeiro fez treino físico e no segundo subiu ao relvado mas sentou-se no banco com os outros lesionados

    • Joao X
      Posted Agosto 11, 2019 at 3:24 pm

      Excelente análise, keep up!
      Acho que a questão do Samaris e Chiquinho foi talvez simultaneamente a falta de ritmo do grego e testar um meio campo mais ofensivo.

      • coach407
        Posted Agosto 11, 2019 at 6:17 pm

        Obrigado, Joao X!

        Sim, parece-me que é um pouco de tudo. A jogar contra 10, Lage também quis uma equipa de tração à frente para aumentar as estatísticas e dar golos (e confiança) a Seferovic ou Vinícius. Foi conseguido porque o brasileiro marcou mesmo. Acho que foi um mix entre testar novas táticas, descansar Samaris e marcar mais golos.

    • Benfiquista Primario
      Posted Agosto 11, 2019 at 8:16 pm

      Grande comentário! Muito obrigado.

      Particularmente pertinente, a meu ver, é a questão dos três apoios frontais. Se bem que, podendo obviamente estar enganado, pense que o modelo de Lage na época passada já tinha esse objectivo, com JF, Pizzi e Rafa sempre por dentro, como agora RDT, Pizzi e Rafa. Sinceramente, ainda não vi grandes diferenças no modelo de Lage desta época vs época passada, para além do inevitável dadas as diferentes características de JF a jogar na sua posição natural vs RDT a jogar na posição de JF, que não é exactamente a sua posição natural…

      Mas tomando a questão dos três apoios frontais como premissa, independentemente de já virem da época passada ou não. Não será Taraabt a 8 um jogador perfeito para explorar esses três apoios frontais no espaço entre-linhas do corredor central? A mim parece-me que é, com a sua visão de jogo, tomada de decisão e qualidade técnica no passe e recepção. E tem estado muito bem também defensivamente quando tem jogado, o homem regenerou-se e agora até recupera bolas na pressão defensiva! Em jogos na Luz com equipas mais modestas do campeonato – como o de ontem – Florentino e Taraabt no meio chegam e sobram para as encomendas defensivas do nosso primeiro quadrado! :-)

      Só descanso com o hexa de 2024.

      Carrega!

      • coach407
        Posted Agosto 11, 2019 at 9:29 pm

        Na época passada este quadrado ofensivo não existia numa fase inicial da construção ofensiva. Seferovic e Félix eram os dois apoios frontais nessa fase. À medida que o Benfica se ia aproximando do último terço com bola Pizzi e Rafa iam para dentro, mas isso é muito diferente. Pizzi e Rafa partiam das alas, de forma ao adversário ter de abrir mais no meio onde aparecia o João Félix com mais espaço. Agora Grimaldo e Nuno Tavares sobem muito mais numa fase inicial da construção e Pizzi e Rafa já estão no meio. É completamente diferente. Na época passada víamos Pizzi a receber na direita na linha e começava a combinar com AA e Félix até estar praticamente numa posição central. Agora Pizzi tem partido muito menos da direita.

        No Benfica já havia este quadrado na época passada, mas nunca com os 4 jogadores de costas para a baliza pois o momento do jogo em que isto acontecia era muito diferente. Não víamos Pizzi a receber de costas para a baliza, nem o Rafa. Eles “espelhavam” Félix e Seferovic por vezes. Ou seja, Seferovic/Félix de costas para a baliza recebiam a bola, Rafa/Pizzi vinham para dentro e serviam de apoio frontal ao avançado… costumo chamar-lhe apoio frontal espelhado a este movimento. Enfim, é diferente do ano passado, mas compreendo que possa parecer a mesma coisa.

        Em relação ao Taarabt jogar a 8 exatamente com as mesmas funções de Samaris/Gabriel, eu acho difícil porque o marroquino não tem a mínima qualidade técnica para fazer o mesmo que o grego ou o luso-brasileiro. Não, não me enganei. Disse mesmo “qualidade técnica”. Por vezes, confundimos defender bem com correr muito, muita raça e posicionar-se bem, mas também a qualidade técnica é muito importante. A técnica de desarme, técnica de colocação do corpo. E, obviamente, leitura do jogo, timing das abordagens… o Taarabt até pode ser muito bom rapaz e pode correr muito, mas sempre que tenta fazer um desarme é motivo para levar as mãos à cabeça e rezar para não acabar expulso. Não é por acaso que muitas vezes vemos avançados com entradas disparatadas, completamente fora de tempo ou que o adversário facilmente evita e sai a jogar.

        Quando vejo um 8 com tanta “vontade” e a correr tanto só fico com medo das pernas dos adversários. O Taarabt não tem técnica defensiva nenhuma, tem péssimo timing, não sabe contemporizar, entra sempre à queima, é facilmente tirado do lance em duelos aéreos com um encosto… enfim, ao lado de um Samaris ou de um Gabriel, do ponto de vista defensivo, a diferença é absolutamente gigante. Claro que, ofensivamente, é melhor, mas isso obrigaria Lage a mudar as dinâmicas. Os dois médios são dois jogadores defensivos muito fortes na construção. Pode jogar com o Taarabt, mas não é uma troca direta.

        • Benfiquista Primario
          Posted Agosto 11, 2019 at 11:56 pm

          Agradeço a atenção da resposta – e ainda mais a sua qualidade. Percebi perfeitamente a sua ideia quanto às diferenças para o ano passado – foi muito bem explicada! Talvez lamentavelmente, continuo a discordar porém porque acho que no ano passado o Pizzi e o Rafa já estavam no quadrado/losango interior desde o inícioda construção. Os dois quadrados no corredor central – o defensivo, com centrais e médios centro, e o ofensivo, com avançados e alas; os corredores laterais assegurados pelos laterais. A marca de água de Bruno Lage desde o início.Mas vou estar mais atento aos próximos jogos, à luz da sua explicação.

          Completamente de acordo com tudo o que diz sobre as competências defensivas, quantas vezes a orientação corporal e dos apoios faz a diferença…e é bem capaz de ter razão quanto ao que diz do Taraabt. Mas caramba, na Luz contra um Paços ou um Tondela, será demasiado risco mesmo, com o grau de superioridade que temos hoje em dia em Portugal?

    • Dca
      Posted Agosto 11, 2019 at 8:37 pm

      A questão do inovar foi no sentido da comunicação, pois os jornalistas estavam sempre a acertar no 11 e ele não quer isso, quer ser mais imprevisível. Nada a ver com as dinâmicas.

      • coach407
        Posted Agosto 11, 2019 at 9:32 pm

        Não sei se percebi bem, mas vou responder como se estivesses a dizer que o Lage disse isso como se quisesse inovar no 11, mas sem alterar as dinâmicas.

        É impossível mudar o 11 sem mudar as dinâmicas.

        • Dca
          Posted Agosto 11, 2019 at 10:47 pm

          Obviamente, o que estou a dizer é que pouco vai ser alterado em termos táticos. Um jogador muda sempre as coisas mas há sempre um modelo de jogo por trás.

          • coach407
            Posted Agosto 12, 2019 at 12:33 am

            Qualquer troca que não seja no guarda-redes, defesas centrais ou no ponta de lança altera as dinâmicas todas. Não consegues tirar o RDT e colocar Jota ou Taarabt e ter dinâmicas parecidas. Não consegues tirar o Pizzi e fazer o mesmo com outro. Não consegues tirar Rafa e manter as dinâmicas. Não podes colocar Nuno Tavares a lateral esquerdo e jogar da mesma forma que Grimaldo. Mesma coisa se colocares AA em vez de Nuno Tavares ou Taarabt a 8.

            Alterar o 11 neste momento obriga a alterar as dinâmicas, exceto se for uma troca de Seferovic por Vinícius que a diferença pode ser mais ténue. Só precisa de uma adaptação do brasileiro àquilo que são as dinâmicas pedidas ao Seferovic. Todas as outras possíveis alterações obrigam a enormes mudanças. Isto partindo do pressuposto que entrar Zlobin para o lugar de Vlachodimos ou mudar a dupla de centrais está fora dos planos, por motivos óbvios.

            • Dca
              Posted Agosto 12, 2019 at 2:39 pm

              Ninguém disse o contrário. Mas tens um modelo de jogo base que suporta todas as dinâmicas. O que eu estou a dizer é que no Modelo de Jogo não vão haver alterações, mas sim alterações em pequenas dinâmicas.
              Agora o Modelo de Jogo é o suporte de tudo, os laterais por fora, a superioridade por dentro com muita gente por dentro e entre-linhas, etc.

              • coach407
                Posted Agosto 12, 2019 at 4:15 pm

                No comentário eu disse que estava curioso para perceber se iria alterar as dinâmicas. Discordaste, mas depois de ter dito que era impossível não alterar as dinâmicas disseste “obviamente”.

                Claro que eu não estou a dizer que vai mudar princípios básicos do jogo. A saída vai continuar a ser a 2, a ideia dos apoios frontais continuará… isso é óbvio. Mas muita coisa muda se colocas um Taarabt a 8. Vais pedir ao Taarabt para fazer algo similar a Samaris? Vais dizer que é um jogador para recuperar bolas na reação à perda e para ter pouca influência no último terço, limitando-se a passar a bola aos artistas? Ou se colocas Nuno Tavares no lugar de Grimaldo, achas que a dinâmica de ter o lateral esquerdo a jogar a falso médio centro pode continuar? Nem pensar. Por outro lado, consegues ter dinâmicas muito mais verticais e as costas do lado direito adversário pode ser muito explorada. Se tiras um RDT e colocas um Jota tens de perceber que já não podes recorrer ao passe longo para aquele apoio, tens de colocar sempre no outro avançado. Isto altera completamente a forma de jogar. Metade das dinâmicas da posição têm de ser alteradas quando fazes uma alteração deste género. É muito significativo. Claro que o objetivo do jogo continua a ser marcar golos e não sofrer, claro que não vão passar a jogar com 5 centrais, claros que existem coisas básicas que se mantém, mas são muito pouco significativas. Isso dos laterais por fora, superioridade por dentro e entre-linhas é algo que o FC Porto também faz, tal como o Benfica. No entanto jogam de forma completamente diferente. Essas coisas básicas que se mantêm valem muito pouco. Não é por isso se manter que não deixam de haver alterações nas dinâmicas muito significativas. Claro que o Benfica nunca vai passar a jogar como o Porto por mudar 1 jogador, mas certamente vai jogar de forma diferente.

                • Dca
                  Posted Agosto 12, 2019 at 4:30 pm

                  Não. Eu disse que o que ele disse foi que ia inovar ao nível da comunicação e não ao nível do futebol praticado do Benfica. Não foi por teres dito que era impossível que eu aprendi essas coisas, não me venhas com essas manias que andas a ensinar.
                  O que te ando a dizer é que um jogador muda as dinâmicas, obviamente, mas não de uma forma tão vincativa como estás a querer mostrar. O Guardiola muda constantemente os jogadores, mas tu vês sempre os mesmos princípios e é isso que estou a dizer. Mudam algumas dinâmicas mas não muda isso tudo.

  • Antonio Clismo
    Posted Agosto 11, 2019 at 2:40 pm

    Ebuehi, Fejsa, Cervi e Zivkovic têm estado apenas a fazer figura de corpo presente nesta pré-época do Benfica. Não parecem motivados para fazer parte deste Benfica de Bruno Lage e portanto deveriam rapidamente procurar colocação para seguirem com as suas carreiras.

    E já agora o que anda a fazer o Lystcov ainda pela equipa B?? Não faz sentido nenhum

  • Benfiquista Primario
    Posted Agosto 11, 2019 at 7:31 pm

    Bom post, como aliás é costume por aqui. Os meus sinceros parabéns a quem criou e mantém este espaço. Um blog de futebol em que se fale mesmo de futebol devia ser o normal, como o próprio nome “blog de futebol” sugere, pouco subtilmente. Mas na verdade, é uma bizarria exótica – como um campeonato ganho pelo Sporting ;-)

    Quanto ao conteúdo muitíssimo pertinente do post – esse modelo de 2-2-6 em posse é o mesmo do ano passado com Lage. Sempre jogámos assim, com um quadrado atrás composto pelos dois centrais e dois médios centro, e depois seis jogadores bem altos, mais ou menos na mesma linha de profundidade – os dois alas e os dois avançados por dentro, no espaço entre linhas, os dois laterais a assegurar os corredores laterais. E já na época passada o Félix e o Seferovic faziam muito esse movimento de abrir na ala, abrindo espaço dentro para Pizzi (Félix) ou Rafa/Grimaldo (Seferovic). Depois, também os movimentos verticais se mantêm – Seferovic a atacar a profundidade, abrindo espaço entre linhas para Félix (37) e agora RDT (38 ;-)), É verdade que Bruno Lage falou na pré-época na eventual necessidade de mudar a forma de jogar, face à ausência de Félix e de Jonas. E também é certo que a mudança, a acontecer, será no sentido que este post sugere – ou seja, grosso modo, passar de uma dupla de um ponta de lança e um “segundo avançado” para uma dupla de pontas de lança “puros”. Mas até agora o que eu tenho visto é mais o mesmo modelo do ano passado, que pede a RDT que faça mais coisa menos coisa o que Félix fazia no espaço entre linhas. E como até está a correr bem…nós é que como sabemos que o RDT é um 9, tendemos a ver nele as funções de 9, mesmo que ele esteja – como em minha opinião está – na verdade a fazer funções de 10/9,5.

    Eu é que não concordo que se adapte um 9 tão bom como RDT a outras funções – preferia ver RDT titular a 9 e Chiquinho ou Jota nas suas costas. Mas isso é irrelevante. Lage é a Providência Divina e eu um mero devoto beato…

    Só descanso com o hexa de 2024.

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