Portugal – mais uma exibição na linha do que têm sido as partidas a eliminar, com a principal preocupação a ser anular as pedras mais influentes do rival. Desta vez a equipa teve mais bola, mas a principal preocupação foi sempre não perdê-la, e o risco foi reduzido ao mínimo. A equipa, mesmo sem Pepe, manteve a coesão defensiva habitual, jogou sempre com as duas linhas mais recuadas bem juntas, e raramente deixou os galeses jogar. A diferença esteve na eficácia ofensiva, com um lance de bola parada a desbloquear e um mau remate a ser transformado num golo. Ofensivamente, a Selecção voltou a mostrar algumas limitações, nem sequer conseguindo explorar os espaços deixados pelos galeses quando estes tentaram o assalto final e despovoaram a zona recuada.
Patrício – exibição imaculada; depois de uma primeira parte descansada, em que se limitou a encaixar um remate e deter um cruzamento perigoso, parou um remate perigoso de Bale que colocaria Gales na discussão. Mostrou segurança durante os 90 minutos e não vacilou nas bolas bombeadas para a sua zona de acção.
Ronaldo – participativo nas acções ofensivas e solidário na defesa, teve 45 minutos sem chances de finalização. Acabou por desfazer o nulo num cabeceamento que poucos conseguem fazer (elevação e potência no remate), e deu, ainda que involutariamente, a marcar o segundo.
Fonte/Bruno Alves – duas exibições a roçar a perfeição. O porte físico dos avançados galeses não foi problema, e seja pelo chão ou pelo ar, foram resolvendo todos os lances.
Cedric/Guerreiro – mais preocupados em defender, não deram hipóteses nesse aspecto do jogo. Com o seu estilo “à inglesa”, Cedric foi despachando bolas para a frente, enquanto que esquerdino ainda se aventurou no ataque, mas não fez a diferença. No entanto, foi dele o cruzamento para o golo de Ronaldo.
Nani – mais uma exibição de sacrifício táctico, coroada com um golo pleno de oportunidade. Tentou ter bola, e foi dos poucos a levá-la para a frente com critério.
Danilo/Adrien – dois elementos que não falharam na cobertura do espaço central, mas pouco acrescentaram com bola. É notório que a principal função da dupla era não deixar jogar, e isso fizeram com perfeição exemplar. Ora cortando os espaços livres, ora ganhando lances no um contra um, passou muito pelos dois a coesão defensiva. Adrien ainda tentou algumas incursões pela esquerda, mas as iniciativa atacantes foram uma raridade.
Renato Sanches/João Mário – o jovem Sanches teve a sua prestação menos conseguida neste Europeu, falhando demasiados passes e nem sendo optando pelos melhores movimentos. Foi também notória a atenção que os adversários lhe deram, tentando-o cercar mal ele iniciava os lances e não o deixando embalar, nem que para tal fosse preciso recorrer à falta. Quanto a João Mário, pouco acrescentou com bola no pé, embora fosse importante a fechar o flanco. Falhou um golo num remate após defesa incompleta.
André Gomes / Moutinho /Quaresma – as substituições foram feitas para refrescar e não para alterar o que fosse. Os jogadores integraram-se no espírito de uma equipa que praticamente abdicara de atacar, e também não foi por qualquer um deles que a qualidade de jogo aumentou.
País de Gales – Foram a surpresa do Euro e fizeram uma prova para mais tarde recordar, mas hoje notou-se que o elenco era curto para estas andanças (sem Ramsey a equipa ficou muito dependente de apenas um elemento). A formação de Coleman raramente levou perigo à baliza de Patrício e sempre que o fez, foi por intermédio de Gareth Bale. O extremo do Real Madrid, quase sempre mal-acompanhado, foi o único com nota positiva no encontro de hoje, com várias ações de bom nível, sempre a desequilibrar quando acelerava. De resto, Robson-Kanu foi bem anulado por Bruno Alves e José Fonte, Allen e Ledley passaram ao lado do jogo (Andy King ainda foi o melhor a meio-campo) e na defesa, com Allen anulado, a equipa denotou muitas dificuldades no momento com bola.


