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O Valle encantado de Sangolquí

No último fim de semana realizou-se a final da Copa Sul-Americana, uma espécie de Liga Europa da América do Sul. No dilúvio de Asunción no Paraguai, local da final, o Independiente del Valle sagrou-se campeão após vencer o Cólon da Argentina por 3-1. Os 45 mil lugares do estádio General Pablo Rojas foram praticamente ocupados na sua totalidade por adeptos do Colón, com os próprios a recriar o ambiente vivido no Cemitério dos Elefantes – assim tratado porque os grandes do futebol argentino não obtinham bons resultados nos confrontos com o Colón -, casa do clube de Santa Fé. Apesar do menor apoio que teve e da forte chuva que levou a interrupção do jogo durante 30 minutos, o Independiente não se amedrontou e escreveu-se a página mais bonita da sua história, pois esta conquista é o maior feito nos 61 anos de existência. Para conquistar o troféu, o clube equatoriano deixou pelo caminho o Unión de Santa Fé da Argentina, o Universidade Católica do Chile, o Caracas da Venezuela, o Independiente da Argentina, o Corinthians do Brasil e o referido, Colón.

O Independiente del Valle fundado em 1958 na cidade de Sangolquí, que dista 25km da capital do Equador, Quito, chegou pela primeira vez à divisão maior equatoriana em 2009. Até ao passado dia 9 de novembro, o maior feito do clube era ter sido vice-campeão da Libertadores de 2016 após perder na final frente ao Atlético Nacional da Colômbia. O clube equatoriano apresenta também no seu palmarés a conquista da segunda liga equatoriana em 2009. Longe de ser considerado um dos clubes grandes do país, o Independiente del Valle é uma rampa de lançamento para os jovens jogadores equatorianos. 

Da fornada que foi vice-campeã em 2016, Junior Sornoza e Arturo Mina são o expoente máximo, pois representam o Corinthians do Brasil e o Yeni Malatyaspor da Turquia, respetivamente.  Nessa equipa despontava e brilhava com os seus golos, José Angulo, avançado que após o término da Libertadores transferiu-se para a Europa, concretamente para o Granada, mas foi suspenso devido a um controlo positivo de cocaína. No atual plantel de campeões sobram quatro resistentes da Libertadores de 2016. Um deles é o capitão Fernando Léon, que inclusive, marcou um dos golos na final da Sul-Americana que coroou o Indepiendente del Valle como campeão. Os outros são Alan Franco, Washington Corozo e Alejandro Cabezas, que foram importantes este ano, mas não contaram minutos de utilização na caminhada de 2016.

Os novos campeões sul-americanos que sucedem aos brasileiros do Atlético Paranaense apresentam um plantel com um misto de experiência e juventude. Na baliza. Jorge Pinos foi decisivo e defendeu um penálti na final. O argentino Richard Schunke liderou a defesa a par de Fernando Léon. Os médios, Efrén Mera e Cristian Pellerano, deram maturidade ao meio-campo e equilibraram a equipa nos vários momentos de jogo enquanto o “menino” Alan Franco assumiu o risco. Um trio que se complementa na perfeição.

Na frente de ataque, o destaque vai para Alejandro Cabezas, avançado que foi o melhor marcador do Independiente del Valle na Sul Americana a par de Cristian Dájome, extremo colombiano que causou o pânico nas defesas adversárias através da sua capacidade física. Gabriel Torres, internacional pelo Panamá, e Jhon Sánchez foram também outros elementos importantes nesta caminhada vitoriosa.

O treinador espanhol, Miguel Ángel Ramírez, entrou em funções a meio da temporada, mas ainda foi a tempo de guiar a equipa a conquista da Copa Sul Americana. O jovem treinador, de 36 anos, assumiu pela primeira vez o comando técnico de uma equipa sénior – era coordenador técnico da formação do Independiente del Valle – e a missão não podia ter sido melhor executada. Miguel Ramírez apresenta um percurso assente no futebol de formação, nomeadamente no Las Palmas, no Alavés e esteve na prestigiada Academia Aspire no Qatar, antes de ingressar no clube equatoriano. Um exemplo de sucesso de um europeu no futebol sul-americano.

A conquista da Sul-Americana dá passaporte direto ao Independiente del Valle para a Libertadores do próximo ano e também para a disputa da Recopa Sul-Americana contra o vencedor da Libertadores deste ano, neste caso, o River Plate ou o Flamengo de Jorge Jesus. A conquista da Copa Sul-Americana pode permitir ainda a presença no Campeonato do Mundo de Clubes em 2021, caso se confirme o alargamento no número de equipas presentes na competição. 

Visão do Leitor: Rui Maia

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