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Reflexão sobre o que queremos para o futuro

Para onde estamos a caminhar?

Para um jogo onde predominantemente os mais fortes fisicamente fazem a diferença? Ou para um jogo onde os mais hábeis do ponto de vista cognitivo, independentemente das capacidades físicas fazem a diferença?

Há quem defenda uma primeira opção, legitimamente, se apenas olharmos para o ponto de vista estratégico e do resultado, pois com muito treino, será possível criar uma equipa de 11 jogadores domesticados que poderão obter os resultados pretendidos.

Mas o que leva as pessoas aos estádios?

O desejo maior de visionar mais uma vitória do seu clube do coração, mas quanto a mim, a necessidade de tornar aqueles 90 minutos no momento alto da sua semana. Futebol é paixão, é criatividade, é ousadia, é espetáculo, é aquela finta que todos queríamos imitar quando jogávamos em alcatrão com os nossos amigos, é aquele passe de calcanhar que isola um companheiro, é aquele cruzamento de letra. E se assim o é, porquê abdicar do mais criativo, do mais inteligente só porque não mede 1.90m e por isso não pode ser central?

O sucesso vem atrás dos visionários, aqueles que vêm à frente, aqueles que são criticados numa fase inicial porque têm uma ideia que pode parecer uma utopia, mas que depois todos querem copiar. É assim a nossa sociedade, é e sempre será.

E se o resultado numa fase inicial for secundário, tendo as naturais dores de crescimento, em detrimento da busca de uma ideia nova que poderá ter sucessos a médio/longo prazo?

Uma ideia que contempla o expoente máximo do jogo, onde todos os jogadores são competentes em todas as posições do campo, existindo uma simbiose perfeita numa rotação que contemple os princípios mais básicos do jogo, tempo e espaço. Extremos sempre abertos para obter soluções por fora e abrir espaços, e o resto? O resto é magia, meus amigos, é receber, passar no tempo certo e receber mais à frente, é mobilidade, é fazer os adversários cheirar a redondinha, e nesse momento, se não tiveres bola, o que te adianta ser mais rápido, mais alto ou mais forte?

Se o meu jogador que inicia a central avançar, tabelar com os colegas, e chegar à área e falhar o golo tem de correr 70 metros para trás? Não, porque terá um colega que fará o lugar dele. E um extremo não poderá sair de posição, e atacar a área? Pode, porque um colega fará o lugar dele. Futebol é isto, é imprevisibilidade.

Utopia? Num momento que o jogo está cada vez mais estratégico, se a imprevisibilidade na movimentação for indecifrável para qualquer estratega? Como é que vou dizer ao central para marcar X ou Y se podem aparecer 10 jogadores diferentes em zona de finalização, por exemplo? Futebol é isto, e a criatividade e imprevisibilidade estará acima de qualquer estratégia, por muito bem delineada que seja.

Futebol será sempre dos visionários… mas será que estamos preparados para avançar?

Visão do Leitor: Miguel Rosa

5 Comentários

  • FVRicardo
    Posted Março 23, 2020 at 1:07 pm

    Gosto muito da ideia, numa altura em que muita gente defende com muitos há que inovar e esta parece uma grande opção visto que o plano científico do futebol (prevenção de lesões, etc) também tem evoluído muito pois esta ideia também puxa muito pelo físico, não pela estatura, mas pelas resistências aeróbicas e muscular.

  • Kacal
    Posted Março 23, 2020 at 1:30 pm

    O problema disto é que equipas como a Atalanta, por exemplo, não mantém o núcleo duro tempo suficiente para chegar a atingir sucesso a nível de troféus e a mudança constante não é positiva e parece sempre um novo inicio a cada vez que acontece. E depois é lindo de ver e marcam imenso, mas também sofrem imenso e por vezes acabam por ter resultados maus porque sofrem bastante e nesse dia os golos não surgem. Acho que deve ser tudo num equilibrio e ser astúcia de perceber isso.

  • Richrad
    Posted Março 23, 2020 at 2:16 pm

    Em 2021 existirá ao que tudo indica uma medida histórica no mundo do desporto praticado ao alto nível e falo da Fórmula 1. Vai ser implementado um teto orçamental de investimento na modalidade.
    O que vai permitir?
    Que o fosso entre Mercedes, Ferrari ou Red Bull seja encurtado para equipas como a Williams ou a Haas.
    O que melhora?
    Certamente o espectáculo, porque apesar de falarmos constantemente no fenómeno que é Hamilton, com toda a sua justiça, ou no prodígio Leclerc que fez uma super época transacta, poderemos pegar no último e ver a diferença significativa entre a sua época na Romeo e agora na Ferrari. Ou mesmo com Kimi ou Ricciardio.
    Existe uma diferença assustadora de orçamentos entre por exemplo as 5 ligas principais europeias. E tudo influencia desde a não repartição de direitos televisivos como as receitas ganhas pelas prestações realizadas na Europa.
    Se esse mesmo fosso fosse reduzido, acredito que o futebol só beneficiaria. Lembro-me de ver FC Porto, Benfica e Sporting á 10 anos atrás com orçamentos de 20, 30 milhões. E agora já que duplicaram e triplicaram este valor. Que orçamento tem o Moreirense, que orçamento tem o Mafra?
    São estes pontos que têm que ser analisados.

  • Bruso
    Posted Março 23, 2020 at 2:37 pm

    No papel é tudo muito bonito e fácil. Mas a questão aqui é quem garante que um estilo de jogo vistoso trará resultados no futuro. Qual é a garantia que um visionário está a ter a visão correcta? Qual é a garantia que as vitórias são só uma questão de tempo? Não há muitos Alex Fergunsons por esse mundo fora.

    Porquê que o Gasperini só está a ser falado aos 60 anos? Será que nunca teve continuidade nos clubes por onde passou ou será que nunca conseguiu aplicar o que pretendia do jogo, ou será que mudou quando assinou pela Atalanta?

    Ter uma visão é fácil, o difícil é conseguir alcança-la. E aqui não falo nos clubes criarem um projecto de continuidade (mais a baixo já falo nisso). Falo nos treinadores como individuais se reinventarem aquando das adversidades que aparecem nessa visão.
    Tal como um treinador resultadista se acaba por tornar aborrecido para os adeptos mesmo que ganhe, um treinador romântico também se torna se aplicar sempre a mesma receita.
    O que os adeptos/ser humanos querem é ver coisas novas todos os jogos (claro que ter um estilo de jogo como o apontado ajuda mas é preciso garantir que se está a dar passos em frente e que não há estagnação). E é aí que os clubes também têm de trabalhar, criando uma personalidade de clube que servirá de referência para a contratação do treinador e jogadores (Barcelona seria o clube mais perto desta personalidade mas por demérito da direção está a perder esta imagem) para que quando se note sinais de estagnação se dê um passe em frente e se vá ao mercado em antecipação (Bayern será o melhor exemplo actualmente).

  • Mantorras
    Posted Março 23, 2020 at 5:02 pm

    Miguel, primeiro, agradecer pelo post apenas futebolesco que ja muita falta faz para desanuviar.

    Segundo, dizer que o Miguel ate tem razao, mas apenas em parte.

    O futebol ja teve varias Eras, e em todas elas houve de tudo um pouco, mas cada uma ficou marcada de uma determinada forma “porque foi aquela equipa que venceu”. Numa altura onde o fisico dos atletas e cada vez mais uma obra prima, nao sera de estranhar que o futebol tenha cada vez mais jogadores “maquina”, atletas do futuro que “vulgarizam” os atletas do passado. No entanto, tambem nao sera de estranhar um jogo cada vez com nuances taticas “mais extremas”, ou seja, “o atacar com todos e defender com todos”, elevado a outro nivel, onde os varios momentos do jogo sao interpretados de forma cada vez mais perfeita. E sempre e quando o futebol se jogar com uma bola, entao o talento sera sempre 50% dos ingredientes, e a interpretacao tactica nunca pode ser feita sem inteligencia. Esta tudo ligado.

    A ideia de se jogar com “os melhores jogadores da bola”, ou “os melhores atletas”, depende “da equipa”. Nao adianta ter um medio talentoso se do meio campo para a frente forem so velocistas e pinheiros, e tentar ser capaz de ter a bola e jogar em posse… nao adianta ter um central que saiba sair a jogar, e tentar fazer isso com GR, o outro central, um trinco e laterais “mancos”… Cada vez mais, o sucesso ou insucesso de cada uma “das formas de jogar”, esta ligado ao conceito de jogo da equipa ser baseado na capacidade individual dos atletas que a compoem e o podem transportar colectivamente. Para executar o que esta “pre definido”.

    Se nao houver capacidade colectiva para transportar certos conceitos para o campo, como equipa, entao nem o conceito A, nem o conceito B poderao alguma vez resultar.

    Lembram-se do que disse uma vez Simeone sobre Messi e Ronaldo? Pensem naquele Suecia vs Portugal. Naquele estilo de jogo, e melhor ter Messi ou Ronaldo?

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