Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

O 12.º jogador

Esta pandemia veio trazer luz sobre a verdadeira importância e impacto que o adepto tem num jogo de futebol. Seja pelo facto da equipa adversária não sentir tanta hostilidade ou pela equipa teoricamente mais capaz não sentir tanta pressão de ganhar, a verdade é que os números e, sobretudo, a forma como os jogos se têm equilibrado são um facto incapaz de ser desmentido por esta pequena amostra que temos tido neste nosso pequeno país.

Esta evidência leva-nos à seguinte questão: verificando esta importância, haverá mudanças no tratamento do adepto em Portugal?

Sinceramente, não prevejo. As mudanças a existir deveriam ser estruturais, a começar pelos horários dos jogos e os dias em que os mesmos são jogados. É inconcebível haver jogos a uma segunda-feira à noite, mais ainda quando não se vislumbra nenhuma razão para essa circunstância. Mais grave se torna, quando no início da época corrente (pouca gente se lembra, talvez!) a diretora executiva da Liga de Clubes, Sónia Carneiro, tem a seguinte tirada: “Na próxima época, teremos jogos de sexta a domingo. Os jogos à segunda-feira só vão ocorrer por necessidade regulamentar, porque é óbvio que não podemos ter uma equipa que joga a Liga Europa à quinta-feira a jogar no campeonato ao sábado”. Todos sabemos que isto não ocorreu.

É importante criar formas de encher estádios onde os ditos grandes não jogam. Atualmente, só S.L. Benfica, F.C. Porto e Sporting C.P. têm percentagens de ocupação média acima da meia casa com 70,1%, 61% e 51,3%, respetivamente (em jogos da Liga NOS). A equipa que mais se aproxima é o Vitória S.C., com a sua fiel massa adepta, seguida do Boavista F.C. que criou medidas no início da época para trazer mais gente ao estádio. A imagem que o nosso futebol transmite para o exterior é pobre, com bancadas vazias e qualidade de jogo a roçar o fraquinho. É necessário que a equipa de marketing da Liga (quiçá da FPF, que parece mais capaz) entre em ação para inverter este paradigma que há anos que nos assola e que não deixa de ser uma consequência, muitas das vezes, do horário em que o jogo é feito. Existem medidas fáceis de implementar que pecam por tardias: uma percentagem do valor do bilhete ser possível acumular para comprar artigos do clube nas suas lojas oficiais (quem não quer ter uma camisola do seu clube?); sortear uma interação com os jogadores e treinador a quem for a x jogos numa época (ver um treino, fazer parte de um estágio pré-jogo, etc.) entre outras mais ou menos elaboradas.

Será necessário tornar o jogo mais aliciante e chamativo, quanto ao que dentro das quatro linhas diz respeito. Quem não gostar do que vê pela televisão, também não vai querer gastar o seu dinheiro e tempo a ir a um estádio. A qualidade dos relvados, o tempo útil de jogo, a iluminação dos estádios, até o espetáculo pré e pós jogo tem de começar a ser mais apelativo. E em Portugal até temos uma competição, a Liga Revelação, que pode servir de cobaia para algumas experiências que podem ser testadas, mesmo que pareçam, à partida, impossíveis de implementar: substituições sem que o jogo tenha de parar para serem feitas, assistências médicas sem que o jogo não possa recomeçar, jogo cronometrado e com tempo reduzido, implementar medidas para que o VAR seja utilizado como o olho de falcão no ténis onde cada equipa só podia pedir duas/três vezes por jogo a sua intervenção e a decisão seria da responsabilidade do quarto árbitro (teria uma televisão na sua cabina e teria um tempo determinado para decidir sem opinião de terceiros).

Os incêndios, terramotos, tsunamis à volta do futebol português criados pelos “deuses” do futebol português, leia-se presidentes/dirigentes, têm de ser cessados com coimas pesadas, multas duras e exemplares para que as suas intervenções sejam construtivas e não alimentem o clima de guerrilha constante que existe e que afasta famílias dos estádios, afasta pessoas com o medo de serem recebidas num clima adverso, serem vistas como inimigas quando apenas sofrem por outra cor. O nosso futebol chegou ao ponto de ver como normal a criação de caixas de segurança para levar uma meia dúzia de “pessoas” que vão ao estádio para criar o pânico.

É necessário cuidar do jogador mais fiel e importante do plantel, o 12.º jogador.

Pedro Monteiro

VM
Author: VM

1 Comentário

Deixa um comentário