Itália, um país carregado de história. Uma nação que construiu um império que moldou todo o continente europeu. O país da bota, que em tempos teve aquele que era considerado por muitos como o melhor e mais fascinante campeonato nacional. Muitos dos grandes nomes do desporto rei fizeram história ali. Maradona, Platini, Ronaldo ou Zidane entre tantos outros que tornavam o cálcio italiano numa competição apaixonante e mediática. No início dos anos 2000, a liga italiana gozava de um estatuto e de uma saúde que fazia prever um domínio a nível continental por um largo período de tempo. No entanto, o famoso caso de corrupção atirou todo o campeonato para a lama, deixando os clubes com dificuldades, fazendo a liga perder receitas e dessa forma atraindo o interesse dos espectadores para outros campeonatos. Um combo entre este acontecimento e a má gestão em grande parte dos históricos transalpinos, levou a um baixar drástico da qualidade do campeonato. A dificuldade em atrair jogadores de renome, que estivessem no seu auge, conduziu para a construção de plantéis cada vez mais medianos.
Contudo, os tempos recentes parecem trazer uma nova vida a esta competição adormecida. A hegemonia da Juventus, pode ser vista como um aspeto negativo, mas por outro lado pode ter ajudado a esta nova vida. Ao contrário do que acontece noutros campeonatos, vários emblemas italianos tinham um real potencial para de forma natural aproximarem-se da crónica campeã. Desta forma, o não baixar da Juventus “obrigou” que todos os outros de forma paulatina fossem subindo o seu nível. Este fator a juntar às medidas financeiras, uma melhoria no marketing da liga e ao surgimento de alguns investidores, apontam para um renascimento daquela que outrora terá sido a melhor liga do mundo. Nos tempos recentes, temos visto uma grande capacidade dos emblemas italianos em reter o talento que existe (Dybala, Koulibaly, Icardi ou Donnarumma), havendo muitas vezes permutas internas. Existe uma capacidade renovada em atrair jogadores em final de contrato, que em anos recentes poderiam ter optado por outras paragens (Godín, Zlatan, Eriksen, Rabiot ou Ramsey só este ano). Existe uma capacidade renovada em atrair figuras ou jogadores com potencial de outros campeonatos (Ronaldo, Lukaku, Rebic, De Ligt, Arthur ou Hakimi). Existe capacidade para atrair jovens promessas do futebol mundial (Leão, Fabian, Paquetá ou Lautaro). De facto, os sinais são animadores e deixam antever que no curto/médio prazo o campeonato possa elevar o seu nível. Atentemos então naqueles que parecem ser os melhores projetos atualmente:
Juventus: Por um lado é a equipa mais estável do campeonato. Caminha para o seu 9º título consecutivo. Por outro lado, parece haver um progressivo decréscimo na qualidade de jogo e nos resultados obtidos. Perdeu 3 (duas taças e uma supertaça) dos últimos 6 títulos nacionais. Parece um plantel que se aproxima cada vez mais do seu fim de ciclo, onde as principais figuras do plantel já estão longe do seu auge (Chiellini 35 anos, Bonucci 33 anos, Matuidi 33 anos, Cuadrado 32 anos, Cristiano 35 anos, Higuaín 32 anos). Mas parece ter já um plano de renovação em marcha, possuindo uma espinha relativamente jovem e com qualidade: Dybala, Arthur, De Ligt, Rabiot, Bentancur ou Demiral.
Inter: O projeto que talvez mais entusiasme. Spalletti iniciou e Conte tem dado seguimento. Os nerazzurri parecem ter uma nova vida. Apostando em nomes interessantes e que se prevê que tenham ainda muitos anos de futebol pela frente. O ataque ao mercado tem sido criterioso e é animador verificar que tem muitos atletas no ponto rebuçado. Hakimi (21 anos) está já garantido, para se juntar a uma equipa com uma base fortíssima como: De Vrij (28 anos), Skriniar (25 anos), Barella (23 anos), Eriksen (28 anos), Lautaro (22 anos) ou Lukaku (27 anos). O projeto parece sólido e sério. E, apesar de querer recuperar o trono, o Inter não abdica dos seus princípios, colocando o clube acima de qualquer atleta (patente no caso de Icardi).
Napoli: O clube do sul de Itália tem sido aquele que mais oposição tem feito à Juventus, nos anos recentes. Após um período que não conseguiu reter as suas principais figuras (Cavani e Lavezzi) os napolitanos parecem ter estabilizado. Após anos e anos de assédio, Koulibaly mantém-se na equipa. Conseguiram aquisições importantes como Manolas, Lozano ou Fábian. Muito se tem falado da possibilidade de conseguirem fechar Osimhen, o que apenas demonstra uma grande capacidade. Olhando para idade de grande parte do plantel, o Napoli parece em condições de manter a bitola, no curto/médio prazo, tendo mesmo uma real oportunidade de subir um patamar em termos competitivos.
Milan: No meio de tanta gestão teria de haver uma exceção à regra. O AC Milan é um gigante adormecido, mas tem sido vítima da sua própria gestão. Porém, e como os recentes resultados demonstram, o plantel tem capacidade para mais. Apesar de estar longe dos tempos de glória o clube tem feito incursões interessantes no mercado nos últimos três anos. Tem uma base muito interessante e com enorme potencial. Kessié (23 anos), Donnarumma (21 anos), Bennacer (22 anos), Theo (22 anos), Romagnoli (25 anos) e Leão (21 anos) parecem ter tudo para ser uma espinha dorsal do clube no médio prazo. A aquisição de Zlatan trouxe carisma e experiência que tem catapultado todos estes miúdos para o patamar seguinte. Parece ser o clube mais distante de estabilizar, mas os sinais dados nos tempos recentes, aliados à dimensão da instituição e ao potencial que existe já no plantel abrem boas perspetivas para aquilo que é o futuro deste gigante, adormecido há já demasiado tempo. As próximas incursões no mercado podem ser absolutamente fundamentais.
AS Roma: A loba atravessa uma grave crise financeira. No entanto, continua a ser um clube apetecível e que provavelmente com alguma facilidade poderá encontrar investimento. Apesar das dificuldades e à semelhança de outros grandes italianos, o plantel é muito jovem e apresenta uma enorme margem de progressão, o que permite encarar o futuro com otimismo. Terá de ser astuto para encontrar soluções com menos recursos que os seus opositores, mas conta já com uma base muito interessante como: Pau Lopez (25 anos), Mancini (25 anos), Cristante (25 anos), Zaniolo (21 anos), Pellegrini (24 anos), Diawara (23 anos), Pérez (22 anos) ou Kluivert (21 anos). Os romanos terão sido aqueles que viram partir mais figuras no tempo recente (De Rossi, Totti, Manolas, Alisson ou Salah), será fundamental uma estabilização do plantel para poder dar o passo seguinte.
Lazio e Atalanta: Nestas duas situações temos um exemplo do prémio da continuidade. Dois clubes que souberam dar tempo, para que os seus treinadores pudessem desenvolver o seu trabalho. Apesar de não terem o estatuto de outros emblemas, os dois clubes parecem caminhar numa direção certa. Tendo algumas das suas figuras a entrar numa fase adiantada da carreira, será determinante perceber de que forma irão investir nos próximos anos para ser perceber se de facto teremos mais dois clubes a juntarem-se de forma definitiva à elite do futebol transalpino. Não obstante, os sinais têm sido amplamente positivos, sendo que o clube de Bérgamo atinge o top-8 europeu na sua primeira vez na competição.
É com agrado que verificamos que atualmente existem 7 projetos com enorme potencial no campeonato italiano, competição que vem subindo de nível de ano para ano. Aquilo que poderá ser o fim de ciclo cada vez mais próximo para a Juventus, poderá abrir uma competição, aproximando-a daquilo que são os seus pergaminhos históricos. Outros emblemas parecem ainda longe do seu potencial (como Torino, Fiorentina ou Parma), mas mesmo estes poderão beneficiar com este crescimento, quer desportivo, quer financeiro da liga. É caso para dizer que poderemos estar perante a entrada do campeonato italiano na sua era do renascimento.
Visão do Leitor: Santander


18 Comentários
Rodrigo Ferreira
Foi claramente a melhor liga em 2019/20 e tem vindo a crescer paulatinamente como é referido no texto. A estes projectos poderia acrescentar o Sassuolo, Cagliari, Bologna ou Parma (está longe do passado, é certo, mas não nos podemos esquecer que está na Serie A há pouco tempo) para se perceber que a liga está bem e recomenda-se. Diria que o próximo passo é, como já referi, melhorar a Serie B por forma a não se notarem tanto as diferenças competitivas das equipas que sobem de divisão. O Hellas foi uma excepção (recrutamento brutal este ano), mas a maioria das equipas que sobe dificilmente tem recursos para se bater com as restantes. É preciso um olho clínico porque há pouco investimento. Para o ano o Benevento parece que será outra das excepções, mas é preciso melhorar este aspecto e tornar a Serie B mais próxima do Championship, Ligue 2 e Bundesliga 2.
Joao C. Nogueira
A Série A sempre foi o meu campeonato favorito, cresci vendo um Milan absolutamente demolidor, numa liga recheada de inúmeros craques de topo mundial.
O Calciocaos foi um grande rombo na liga, mas felizmente ela tem-se reerguido imenso nas últimas épocas, e prevejo que muito em breve teremos novo campeão, interrompendo a vitoriosa caminhada da Vecchia Signora, que, como o texto indica, está a chegar claramente a um fim de ciclo.
Tenho o AC Milan e a Roma como os meus clubes favoritos em Itália e espero que atinjam de novo a ribalta, o que não será nada fácil devido à tremenda incompetência diretiva destes clubes.
André Dias
Concordo que estamos a assistir a um renascimento da Serie A mas discordo que tenha sido a hegemonia da Juventus a provocá-lo.
O domínio interno da Juve não fez bem nenhum à Serie A, foi o efeito eucalipto com uma só árvore e o nível médio da liga estava cada vez mais baixo.
O que alterou tudo foi a redução de impostos, que permite atrair jogadores estrangeiros de outro patamar. Antes preferiam outras paragens mas agora são aliciados por uma carga fiscal mais baixa nos seus salários.
Cristiano Ronaldo é o caso mais mediático mas está longe de ser o único exemplo dos benefícios desta redução de impostos para os clubes italianos. De Ligt, Ramsey, Rabiot, Alexis, Lukaku, Eriksen, Godín, Vrsaljko, Lozano, Mkhitaryan, Pau López, Theo Hernández… a lista é cada vez maior. Não faltam jogadores estrangeiros com capacidade para jogar em qualquer liga de topo a preferir ir para Itália.
A Serie A tem cada vez mais jogadores estrangeiros de qualidade e talento atrai talento. Outros estrangeiros vão seguir o exemplo de Ronaldo e companhia e este aumento de competitividade da liga vai beneficiar todas as partes. O jogador italiano torna-se melhor ao jogar com estrangeiros cada vez melhores, os clubes italianos terão mais facilidade em manter os melhores jogadores italianos no seu país e a Squadra Azurra será gradualmente mais forte.
coach407
Já tinha introduzido este tema aqui no blog sobre o fantástico top 7 da Série A.
Só a Premier League tem 7 plantéis superiores aos 7 melhores da Série A com o Manchester City, Liverpool, Manchester United, Chelsea, Tottenham Leicester e Arsenal, mas Itália começa a dar alguma luta.
Ainda assim, em termos de equipas candidatas à Champions, a Juventus é a única que pode realmente pensar nisso com seriedade e continua muito aquém. Tem o pior guarda-redes dos favoritos, os centrais são bons, mas um com 33 anos e outro com 35 anos e vindo de uma rotura de ligamentos. De Ligt deverá substituir muito bem, mas tem 20 anos. Não para comparar aos defesas centrais das equipas de topo com outro tipo de maturidade (não é por acaso que De Ligt é o único central titular numa equipa de topo com 20 anos). Os laterais direitos (Danilo e De Sciglio) para este nível são extremamente fracos, a adaptação do Cuadrado dá mais alguma coisa, mas não é o que se espera numa Juventus. Os suplentes do Barcelona ou Manchester City são melhores. Aliás, uma equipa como o Leicester tem os dois laterais (Ricardo Pereira e Chilwell) muito superiores aos dois laterais da Juventus.
Depois no meio-campo finalmente o Pjanic ficou no banco no jogo decisivo contra a Lazio quando a equipa já ia em 3 jornadas consecutivas sem vencer e corria o risco de perder o título a continuar assim. Jogou Bentancur, Ramsey e Rabiot. Melhor assim, mas extremamente curto. Nenhum jogava no Barcelona com Busquets, De Jong e Arthur, no Real Madrid com Casemiro, Kroos, Modric ou Isco, no Manchester City com Rodri, Gundogan, David Silva, De Bruyne, Phil Foden ou Bernardo Silva. Enfim, um meio-campo muito pobre.
Depois na frente a Juventus já dá mais luta aos rivais devido ao comeback do Dybala que tinha sido miserável na época anterior, ao facto do Cristiano estar melhor adaptado e ainda por ter um avançado melhor em termos de qualidade individual que na época passada. Mesmo Douglas Costa subiu o nível e é daqueles jogadores que dá sempre jeito ter.
Ainda assim, a Juventus tem de comer muita sopa para chegar ao nível dos principais favoritos à Champions enquanto que os outros clubes italianos nem perto lá chegam.
Isto acaba por afetar o estatuto da Série A pois é a 2ª melhor em termos de top 7 e tem outros planteis super interessantes (Fiorentina, Torino ou Sassuolo, por exemplo), mas depois em termos de Champions é candidata a pior das Big Five, enquanto que a La Liga tem 2 super favoritos + o Atletico Madrid. Nenhum campeonato tem 3 candidatos à Champions, além da La Liga. Claro que a Premier tem equipas que podem lá chegar. O Tottenham é o vice-campeão, por exemplo, mas isso aconteceu. Não era favorito, tal como o rendimento na Premier League extremamente aquém em 2019 inteiro (antes e depois da Champions) mostrou.
Se a Série A quer chegar ao patamar da La Liga (ou até da Premier League) tem mesmo de ter mais equipas a lutar pela Champions (e, consequentemente, a bater a Juventus internamente).
Penso que essa competitividade no topo do campeonato tem de aumentar, mas a trajetória é muito positiva. O Liverpool, PSG e Bayern são campeões há 30 anos enquanto que a La Liga e a Série A duraram até ao fim. É um sintoma da ascensão das equipas na perseguição da Juventus. Ver uma Atalanta nos quartos de final da Champions depois de dar 8 ao Valencia e a marcar mais uns impressionantes 23 golos que a Juventus na Série A também denotam que a Juventus não pode passear e viver à sombra da qualidade individual de Dybala e Cristiano Ronaldo.
Rodrigo Ferreira
Continuas a bater no Pjanic, mas pode ser que na próxima época mudes de opinião.
coach407
Eu não bato no Pjanic. Bato em quem o coloca a jogar tão longe da baliza adversária. Em termos de potencial rendimento, é o melhor médio da Juventus. Em termos de rendimento efetivo, é preciso recuar a 2017/18 para o ver a bom nível. Tem estado muito aquém, mas a culpa não é só dele porque tem qualidade.
Esta mania de querer fazer de qualquer jogador um Pirlo a médio defensivo é muito bonita, mas é quando tens um Vidal e um Pogba ao lado, não é quando tens o Bentancur e o Matuidi/Rabiot que fazem o que podem, mas até ao nível do Pogba e do Vidal vai uma longa distância.
Pedro Almeida
Só acrescentar o nome que é muitas vezes esquecido mas foi um excelente médio nessa fase da Juve, o Marchisio. Foi pena as lesões que teve.
coach407
Sem dúvida. Era um meio-campo brutal e ainda por cima Buffon estava em melhores dias e sobretudo Bonucci e Chiellini estavam no topo das suas carreiras.
Se o Cristiano se tivesse juntado a essa Juventus sem dúvida que seria um dos principais favoritos a vencer a Champions.
Comparar essa equipa com esta que tem Pjanic, Bentancur, Matuidi e Rabiot como principais médios, uma defesa em que os melhores continuam a ser os dessa altura só que agora com 33 e 35 anos, o Szczensny na baliza… Enfim, bons tempos essa Juventus.
Tiago Silva
Concordo coach, o Pjanic desce bastante de rendimento a jogar mais recuado, mais à frente poderia render bem mais como fez na Roma e como me apaixonei pelo seu jogo.
Santander
Concordo que nenhum é um real candidato, ainda, mas por exemplo o Inter este ano perde com o Barcelona os dois jogos em detalhes, sendo que em Camp Nou poderia perfeitamente ter vencido… O que defendo é que num prazo de 3/5 anos o campeonato italiano tem tudo para estar no auge novamente… A La Liga tem tido dificuldade em renovar as suas figuras… Hazard foi flop, Coutinho foi flop, Dembele não tem demonstrado grande coisa e o prórpio Griezmann não rendeu o que se esperava tendo passado de uma estrela do campeonato para um jogador totalmente secundário… Neymar saiu, Cristiano saiu e as principais figuras estão a entrar em fase descendete quer no Real quer no Barça… E se no caso do Real existe otimismo no curto prazo, a péssima gestão do Barcelona não deixa antever o futuro com grande otimismo… Depois o Valencia está em cacos e sendo que sobra o Sevilla com um projeto interessante… Neste momento parece-me que para um futuro a médio prazo Atlético e Real surgem na pole para terem sucesso em Espanha mas mesmo assim duvido que consigam a hegemonia que conseguiram apresentar na última década a nível europeu…
coach407
Sim, o futebol mundial como um todo está com défice de rendimento nas gerações que deveriam estar a assumir agora o topo mundial (jogadores entre os 27 e os 30 anos) com exceção dos guarda-redes que esta geração veio com tudo atropelar a anterior. Ter Stegen, Oblak, Alisson, Ederson, De Gea ou Courtois assumiram o topo mundial com tudo há já vários anos e não prometem largar tão cedo. Há poucos guarda-redes mais velhos a assumir as balizas de colossos. Neuer, Keylor Navas e Lloris são os que sobram.
De resto, tudo desilude. Neymar, Hazard, Bale e Pogba eram as previsões para estar agora a dominar o futebol mundial, mas só o Neymar já esteve lá perto…
O Barcelona tem este problema. Dentro dos jogadores supostamente no ponto rebuçado só Ter Stegen realmente está a esse nível sendo que Griezmann lidera as desilusões face à idade que tem. Depois tem muitos jogadores que já passaram um pouco o seu pico (Piqué, Busquets, Messi, Suarez) e outros que ainda são jovens e não se consolidaram no topo mundial (Frankie de Jong, Arthur ou Dembélé). Falta ali os jogadores intermédios.
O Manchester United já desistiu desta geração e passou logo para a seguinte. De jogadores importantes tem ali o De Gea, Matic e Pogba a dar alguma experiência, o resto é tudo já sub-25. A dupla de centrais tem 26/27, mas dada a posição são bastante jovens também. Só o Manchester City joga com uma dupla tão nova às vezes.
Jogadores como Neymar, De Bruyne, Salah ou Mané estão muito desacompanhados e todos os clubes sofrem com isso.
coach407
Em relação ao Inter, claro que tanto eles como Roma ou Nápoles dão luta a qualquer equipa e os jogos contra Barcelona ou Real Madrid são prova disso, mas no final do dia não vão a lado nenhum e toda a gente já sabe isso.
O Inter até pode ter jogado muito bem contra o Barcelona nos 2 jogos, mas o Sporting também jogou muito bem… no final do dia foram os dois para a Liga Europa. Não chega.
Mas vamos ver o que estes italianos fazem na Liga Europa. Vai haver um confronto Série A vs La Liga agora. É a oportunidade de mostrarem se as “segundas linhas” de Itália são realmente superiores às “segundas linhas” espanholas.
Estigarribia
Bom texto, Santander. Parabéns. Ultimamente tenho gostado de ler os teus textos e espero que continues a publicar mais aqui no VM.
De todas as equipas que referes no texto, entre Juventus, AC Milan, Inter de Milão, Nápoles, Lazio e Atalanta, o clube que mais me tem fascinado é claramente o emblema de Bérgamo. A Atalanta tem sido o exemplo daquilo que um bom scouting consegue fazer quando é bem trabalhado. Nomes como Malinovskyi, Papu Gómez, Ilicic, Zapata ou Amand Traoré, por exemplo, têm evoluído muito sobre a tutela de Gian Piero Gasperini, um nome que impõe respeito em solo transalpino e seria interessante vê-lo, um dia, como seleccionador italiano. Penso que seria o nome certo para fazer renascer a Squadra Azzurra.
Quanto à outra equipa que é referida no texto, o AC Milan, o emblema milanês vive um período caótico num entra e sai de treinadores e jogadores e assim é complicado manter-se estabilidade em San Siro. Não me parece que Stefano Pioli seja o homem certo para fazer renascer o velho AC Milan das cinzas, qual fénix, e recolocar o emblema milanês na rota dos grandes títulos. Gostaria de ver Leonardo Jardim, por exemplo, em San Siro, onde poderia na minha opinião construir uma base para no futuro se montar uma equipa vencedora no conjunto rossoneri.
Posto isto, para quem gosta de futebol de enorme qualidade, é muito bom ver o futebol italiano a ganhar mais competitividade e para isso também muito contribuiu a contratação de Cristiano Ronaldo ao Real Madrid, pela Juventus, que acabou por fazer com que os outros clubes acabassem por subir o nível com contratações de qualidade, colocando em prática toda uma engrenagem futebolística. Espero que o futebol italiano não volte a bater no fundo.
Saudações Leoninas
Santander
Antes de mais, obrigado pelas palavras!
Em relação ao Milan concordo em absoluto, no entanto mais do que a renovação de Pioli deviam a meu ver assegurar a continuidade de Zlatan pelo menos mais um ano… Foi um jogador que trouxe outra mentalidade e outra competietividade à equipa… Desde da retoma têm sido a 2ª melhor equipa a meu ver… E convém sublinhar que venceram Roma Lazio e Juve e empataram em Napoles… Também acho que estão longe daquilo que podem dar e que necessitam de retocar umas posições mas sendo um clube enorme poderão encurtar o tempo necessário para o seu regresso… Acho que poderiam beneficiar de alguns excedentários dos principais clubes europeus… Shaqiri, James ou Lemar poderiam ser opções interessantes para as faixas…
Estigarribia
Santander,
Sim, manter o Zlatan é fundamental para o AC Milan, mas ele não é eterno e têm de começar a procurar soluções para a sucessão do internacional sueco. Daniele Maldini, Rafael Leão e Alexis Saelemaekers farão parte do presente e do futuro do gigante rossoneri. E esses nomes que referes, Shaqiri, James Rodríguez e Lemar, também acho que encaixavam na equipa para equilibrar a juventude que entrar na equipa principal.
Saudações Leoninas
Red Punisher
Eu gostei muito de ler o texto. Mas acima de tudo, e acima das palavras bonitas que muito bem inseriste, está o dinheiro. Tocaste no ponto crucial, quando a corrupta Juventus abalou o Calcio e, obviamente aí a PL cresceu muito! No entanto, muito provavelmente se Portugal fosse em Itália e tivesse os mesmos habitantes e vice-versa, o campeonato português seria também ele enorme. Dinheiro investido puxa investimento, recolhe igualmente melhores patrocinadores e jogadores, trazendo ainda mais dinheiro, mesmo que se falhe estrondosamente em 70% das contratações que se faz. Gostava que pudesses fazer um texto-resumo, porque tens jeito, sobre qual a margem de erro na contratação de jogadores ao longo de algumas épocas que as equipas de topo e por consequente, os campeonatos de topo , num objetivo de clarificar o leitor a correlação entre o investimento (seja bom ou mau) com o potencial que esse dado país tem, que geram posteriormente +/-receitas, marketing, melhores/piores equipas, etc.
O objetivo de uma Série A, de uma PL, de uma Bundesliga ou de uma La Liga é conseguir recolher sempre os melhores jogadores nas diversas épocas para que haja condições monetárias futuras para que tal aconteça. Dando um exemplo, secalhar os jogadores que são vendidos a 70M€ ++, mesmo que sejam flops na primeira época, num ano N+1 dão mais lucro à equipa que o comprou que à equipa que o vendeu, por tudo o que hoje em dia envolve uma bombástica contratação (receitas de diversos tipos). Penso que, se assim não fosse, o mau investimento de muitos clubes da ribalta traria consequências agravadas para os mesmos após uns anos. E verdade seja dita? Porque é que os grandes clubes continuam a perdurar na história deste milénio, independentemente se são ou não campeões (convém ficar nos primeiros 4-6 lugares)? Acima de uma boa época desportiva, está CLARAMENTE uma boa época financeira, seja de que tipo for!
Kafka
O “renascimento” deve-se como causa principal ao regime fiscal, onde actualmente um clube Italiano tem de gastar menos dinheiro para conseguir pagar o mesmo dinheiro líquido a um jogador, comparativamente com uma equipa Espanhola ou Inglesa que têm de gastar bastante mais dinheiro para chegar ao mesmo valor líquido, porque os impostos são mais altos
Logo se podem gastar menos para oferecer o mesmo líquido , basta oferecerem o mesmo que o clube espanhol, inglês ou alemão oferece e o jogador automaticamente passa a ganhar mais no clube italiano
Um exemplo prático foi a perda do Barça do De Light para a Juve, o que o De Light pedia em Espanha era exorbitante, em Itália nem por isso, devido ao regime fiscal
Claro que as equipas italianas não têm culpa disto, e isto é um problema transversal a todos os sectores económicos da União Europeia, pois o regime fiscal não está unificado em toda a união europeia e daí as empresas andarem a saltar de um lado para o outro à procura do País da União onde têm de pagar menos impostos, daí Portugal por exemplo perder muitas empresas para a Holanda
Portanto este ressurgimento vai para além do futebol… Os clubes Espanhóis em tempos tb já beneficiarão de algo parecido com a Lei Beckham (acho que era o nome da lei)
Daniel Alves
Mal posso esperar por ver aqui no VM aqueles textos sobre projectos e contratações e previsões para a próxima época.