Para que um jovem talento consiga emergir num contexto profissional, é preciso que o clube crie condições para que tal possa ocorrer.
É fundamental definir pelo presidente/administração e diretor desportivo, a política desportiva/rumo que queremos implementar. Falar em rentabilizar jovens jogadores é bonito, mas quantos clubes estão verdadeiramente estruturados para o fazer?
A escolha do treinador tem de ser criteriosa. Citando Vítor Matos, “(…) tanto olhamos para aquilo que é a sua função dentro do que é a ideia de jogo do clube, ou seja, numa determinada posição dentro da ideia de jogo, como, por outro lado, há casos que só temos de refinar uma determinada questão tática, técnica, física ou mental.” Ou seja, o importante é encontrar alguém com perfil de trabalho, que oriente para que aquilo que distingue um jogador, seja potenciado.
A escolha do plantel (e aqui destaco a articulação entre a Tríade Presidente – Diretor Desportivo/Departamento Scouting e Equipa Técnica) é de extrema relevância.
O jovem jogador mais do que críticas, precisa de modelos (alguém que conheça a cultura do clube, da cidade, do país). Um plantel tem de ser equilibrado. Tem de reunir um misto de juventude com experiência (e atenção, quando falo em experiência não falo forçosamente na questão da idade, mas sim em experiência competitiva). Um simples exemplo. O que têm em comum David Luiz, Lindelof ou Rúben Dias? Ambos tiveram como companheiro de setor, Luisão.
Outro aspeto importante está relacionado com o processo de integração no seio da equipa profissional. Quando este sai da sua zona de conforto, além dos medos, expetativas, ilusões, chega a um grupo que já tem as suas ligações, lideranças estabelecidas e formas de comunicar, que obviamente numa fase inicial, não domina. Como tal, o grupo de trabalho (onde destaco o papel dos capitães de equipa), necessitam de lhe dar todo o apoio para que ele possa mostrar todas as qualidades que lhe são reconhecidas.
Por fim, uma palavra para o jogador. É muito fácil passar do 8 para o 80 (e vice-versa). O jogador que tem talento, sabe que tem talento. Ponto. Quando chega à equipa profissional, com tenra idade, não basta chegar ao treino com o necessaire debaixo do braço, com bom perfume ou com determinado corte de cabelo. O mais difícil não é chegar ao patamar competitivo máximo, o mais difícil é manter-se. A maioria dos jovens jogadores, para não dizer todos, que têm possibilidades desde cedo de atingir o futebol profissional, são agenciados. Aqui, destaco o papel da equipa técnica, agentes desportivos e família próxima, para os ajudar a não serem levados por falsas ilusões ou expetativas.
Visão do Leitor: Miguel Vinhas


1 Comentário
Kacal
Parabéns pelo post, decidi ler e dar uma força já que não tinha nenhum comentário até ao momento. Concordo na totalidade com o que escreveste.
Resumindo por mim um clube deve definir a política e o caminho a seguir, deve ter um treinador que possa por em prática essa política e filosofia, assim como investir em jogadores que encaixem nesse perfil. E a parte de ter um plantel com mescla de juventude e experiência parece-me fundamental. E assim sim, os clubes têm o rumo certo, se a política e filosofia for oposta a uma aposta nos jovens, dificilmente haverá condições de lançar esses jovens. E certos clubes têm como filosofia e política vencer a todo o custo hipotecando o futuro e não tendo uma lógica na sua gestão. Subscrevo.
Muito Obrigado pelo post e parabéns!! Abraço :)