
Na atualidade são raras as equipas construídas em redor de um poste jovem e promissor, mas Wolves e Pelicans fogem à regra. Dois conjuntos cujo passado recente não tem sido brilhante; Minnesota não vê sucesso desde que Garnett era uma força dominante, enquanto que o regresso de New Orleans às épocas positivas foi breve, interrompido pelas lesões que afectaram os seus jogadores. Ambos os conjuntos têm esperanças de lutar por algo mais que uma ida ao draft, nem que seja por terem nos seus quadros duas super-estrelas em percurso ascendente.
Minnesota Timberwolves
Os Invernos em Minnesota são longos e rigorosos, e a sua equipa de basquetebol é disso prova. Desde 2004 que a equipa não atinge os playoffs, e muitos anos têm sido passados bem no fundo da classificação. Mas há esperança e já se notam raios de sol por entre as nuvens negras. Flip Saunders regressou a uma casa que bem conhecia para colocar ordem no caos, e as suas ações permitiram aos Wolves garantir consecutivamente dois jogadores que viriam a sagrar-se rookie do ano: Andrew Wiggins e Karl-Anthony Towns. Infelizmente Saunders não pôde terminar o que começou, mas deixou como legado uma das mais jovens e promissoras equipas da actualidade, recheada de elementos de enorme potencial.
Para liderar a partir do banco entrou em cena Tom Thibodeau, provavelmente o melhor dos treinadores disponíveis. Thibs deixou alguma má impressão em Chicago, nomeadamente no modo como (não) geria a condição física dos seus jogadores, mas é inegável que é um mestre dos processos defensivos e tem mentalidade vencedora. Visto que o núcleo da equipa é jovem, e portanto sob contratos baixos, Minnesota optou por não gastar demasiado em nomes sonantes. Os Wolves foram buscar Cole Aldrich e Jordan Hill, dois veteranos que darão alguma profundidade ao banco (até porque Pekovic deve perder a temporada por lesão), e recrutaram Kris Dunn para funcionar como suplente de Rubio, isto se não lhe tirar o lugar.
Mas a grande força de Minnesota é sem dúvida, Karl-Anthony Towns. O poste teve uma época notável, sendo já considerado um dos melhores na sua posição. Na primeira temporada não só não falhou qualquer jogo, como apresentou excelentes números e mostrou qualidade suficiente para o colocar rapidamente no estrelato. Esta será, esperam os seus fãs, não só uma temporada de confirmação, mas também demonstrativa de capacidade de liderar a equipa a uma época vitoriosa.
Se o jogo interior, que passa por Towns e Dieng, é uma força, já o exterior é uma fraqueza. LaVine e Wiggins são rápidos e atléticos o suficiente para atacar qualquer defesa, mas o seu lançamento exterior é irregular. E Rubio é um lançador medíocre, na melhor das hipóteses. Sendo o lançamento de três pontos fundamental nos dias de hoje, e tendo Minnesota um poste capaz de atrair sobre si defesas inteiras, os Wolves terão que melhorar neste aspecto do seu jogo.
Objetivo: alcançar 42 vitórias
Força: Karl-Anthony Towns
Fraqueza: lançamento exterior
New Orleans Pelicans
A época passada foi de terror para New Orleans; a equipa foi dizimada por lesões e Anthony Davis deu alguns passos atrás. Nada preocupante, dado que a motivação era curta, numa temporada que desde o início se viu que iria ser péssima. A Direção aproveitou o momento e corrigiu alguns dos erros cometidos no passado recente. Finalmente livraram-se do contrato de Eric Gordon, deixando também sair Ryan Anderson, o que lhes dá maior margem de manobra no futuro. Claro que, por outro lado, pagaram demasiado a E’Twaun Moore e Solomon Hill, dois jogadores que poderão ter bastantes minutos, mas que não têm rendimento ofensivo consistente e condizente com o salário que auferem. Estas duas aquisições visam também melhorar a defesa de New Orleans que, apesar de ter Davis e Asik, que supostamente devia proteger o cesto com critério, foi das piores da Liga.
Qualquer esperança que os Pelicans possam ter em obter sucesso passa essencialmente por Anthony Davis. O extremo/poste foi dominante há dois anos, mostrando-se imparável na defesa e no ataque. O ano passado, nem por isso, mas tal também se terá devido ao comportamento global da equipa. Espera-se que Davis esteja recuperado das mazelas que o apoquentaram*, que não falhe demasiados jogos por problemas físicos, e que volte a apresentar o alto rendimento que demonstrou há dois anos.
A maior fragilidade está na posição de base, pois Jrue Holiday está de fora por tempo indeterminado, e não se sabe quando Tyreke Evans regressa. Os Pelicans recrutaram o atirador Buddy Hield no draft, pelo que para já se terão de contentar com Tim Frazier ou Langston Galloway aos comandos da embarcação. Outro problema é Omer Asik, pois o turco está longe de proporcionar a presença defensiva que dele se esperava, além de ser inócuo no ataque. O ano passado já viu o seu tempo de jogo reduzido a menos de vinte minutos por partida, e caso Davis se mantenha em campo, a sua presença varia entre o danosa e o neutra. Com o passar do tempo, é possível que NO tente juntar o poste a alguns contratos a expirar, de modo a receber algum talento que possa auxiliar Davis no imediato.
A Conferência Oeste é brutal, pelo que a tarefa dos Pelicans é complicada à partida. Caso AD esteja ao seu melhor, e os colegas consigam fazer trabalho residual (como defender e colocar algumas bolas no cesto), é possível uma melhoria relativamente a 2015/16. Mais que isso é complicado, mesmo para um super-jogador como Davis.
*entretanto, parece que a primeira paragem já está agendada e Davis irá falhar, no mínimo, o jogo de abertura.
Objetivo: regressar ao nível de 2015
Força: Anthony Davis
Fraqueza: demasiadas lesões
Nuno R.


3 Comentários
José Ribeiro
Tenho tanta fé nestes Timberwolves, acho que podemos ter aqui uns potenciais OKC. Karl-Anthony Towns é um fenómeno, já é claramente top5 na posição e dentro de 2/3 anos poderá estar no top 5 de melhores jogadores na NBA. É um monstro defensivamente e ofensivamente até de 3 consegue lançar. Veremos se consegue catapultar os Wolves para os play-offs. Quanto ao resto da equipa há também muita qualidade: Rubio é um excelente base (basta ver a diferença no rendimento ofensivo da equipa quando ele está em campo ou no banco) mas que não sabe lançar e aqui Dunn vai ter também muitos minutos e foi uma excelente escolha de Minnesota; LaVine se jogar de modo mais inteligente tem tudo para ser um titular nesta liga; Wiggins para mim tem sido uma desilusão, não conseguindo contribuir em nada além de marcar pontos (e mesmo aqui é um mau lançador exterior). Certamente irão lutar pelo 8º lugar, mas penso que falta-lhes lançamento exterior (como é referido no texto) e qualidade no banco.
Quanto aos Pelicans acho que é certo que vão falhar os play-offs. Anthony Davis parece feito de cristal, constantemente lesionado e os Pelicans só vão onde ele os leva. Além dele, apenas têm de relevo Jrue Holiday e Tyreke Evans que também não podem contribuir este ano e Buddy Hield que no último ano de college foi um grande lançador. O GM dos pelicans tem de fazer um melhor trabalho pois arrisca-se a que daqui a 3 anos AD vá embora pois nunca teve um plantel decente para sequer atacar os play-offs.
KikoDP
Força Timberwolves! Podiam ter reforçado mais a equipa este verão porque tinham bastante cap mas parece-me que não quiseram fazer já all in… Concordo que o KAT já é o melhor jogador deles e acho que para o sucesso desta época vão ser determinantes os rendimentos de Wiggins, Rubio e Zach LaVine. Um lineup “pequeno” com Towns, Wiggins, LaVine, Dunn e Rubio pode ser muito interessante e rápido, faltando o referido jogo exterior. Como gostava de os ver nos playoffs!
Uma nota para Anthony Davis, depois de uma época em que desiludiu (a equipa à volta dele é miserável) espero que se mantenha saudável e que consiga atingir o nível de MVP que muitos previam que ele atingisse.
The White Mamba
Os Wolves tem tudo para ser uma excelente equipa. Só tenho pena que o Ricky Rubio que é um dos meus jogadores preferidos e que vi estrear-se quando ainda não tinha 15 anos continue a ter uma lançamento pior que o de um maneta que sofreu um AVC. Espero que a direção tenha paciencia e não o troque. Vamos aproveitar para desfrutar desta equipa até uma das estrelas seja free agent e aconteça o que aconteceu em Oklahoma.