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O meu capitão

vtNão sou de escrever este tipo de textos. Não sou assim tão sentimental. Mas poucos são como ele. Em Inglaterra, poucos são como ele. Aliás, algum será como ele? É o meu capitão. Gareth Barry. Gareth Robert Barry. 603 presenças na Premier League. 61 assistências. 58 golos. Há clubes em Inglaterra que não têm sequer este tipo de presenças. De Golos. De assistências; na Premier League e já por lá passaram. Só Ryan Giggs e Frank Lampard têm mais presenças que Barry na Premier League, mas nenhum tem tantas titularidades quanto o meu capitão. Entrou, até, no Guinness, por isso. Mais recordes? Ninguém chegou tão novo às 300 presenças no principal campeonato de futebol em Inglaterra (fase Premier LEague). Destronou, claro está, Frank Lampard. Ao jogo 600, até fez um golo. Foi, também, o primeiro jogador a chegar aos 100 amarelos na história da Premier League.

O primeiro jogo de todos? Maio de 1998, 17 anos, fazendo um trio de betão junto a Southgate e a Ugo “o muro” Ehiogu. O Villa recebe e vence o Sheffield Wednesday por 3-1. Mais de 34 mil pessoas vêem Dwight Yorke, Lee Hendrie e Julian Joachin cilindrar os Owls. O Villa ia numa série de oito vitórias em dez jogos e ainda venceria um nono em onze para terminar a temporada. Os bons velhos tempos. Terminam em sétimo lugar. Esta era uma grande e apaixonante equipa. Sem o dinheiro das maiores equipas do país (se é que já o tinham deixado de ser), mas a bater-se de igual para igual. O amor começou aí. Talvez um par de anos mais tarde, mas as razões seriam essas mesmas.

Joga como central, como lateral esquerdo, como médio… Joga onde quiser e onde quiserem que ele jogue. Aos 19 anos já joga finais de Taça. Perde-a, mas já as joga. Por esta altura já começa a ser um dos grandes. Um líder em ascensão e muito antes de deixar o clube já se fala em jogos de homenagem. Deixa Villa Park em 2009, parte-me o coração, mas não deixa de ser “o meu capitão”. Faz mais de 400 jogos pelo Aston Villa e torna-se o oitavo jogador com mais presenças pelo histórico clube de Birmingham. Deixa o clube para o lado negro de Manchester, ele, que até queria era jogar no Liverpool (e o quanto Gerrard o queria consigo). Foi uma novela. Desentende-se com Martin O’Neill, é multado e suspenso e até perde a braçadeira de capitão para Martin Laursen. Rancor? Nada disso. Compensa mais tarde. Vai para Goodison Park, para o Everton, por quem tenho especial estima. Surpresa? Nenhuma. Torna-se capitão e é, hoje, já uma referência moderna dos Toffees. Roberto Martínez apelida-o de “um dos melhores jogadores ingleses da história”. Koeman? Como um dos melhores com quem já trabalhou.

Aos 35 anos, Barry já não é o mesmo miúdo de Brighton que se estreou pelo Villa em 1998. Estabeleceu-se como médio centro. Como grande médio centro. É internacional inglês. Mas… velhos? Velhos são os trapos. Barry está melhor que nunca. Envelhece como o vinho. Tanto tem ainda para dar. Provas? Mais tackles ganhos, mais divididas ganhas, mais recuperações de bola, mais passes, maior acerto de passe… tudo isto de um ano para o outro. O Everton está mais forte esta época e, Barry, não deixa de o estar igualmente. São 20 anos de Premier League e, poucas, a tão alto nível como actualmente. Sub-apreciado, Barry foi elemento fulcral em todos os clubes por onde passou. Durante a sua carreira em Manchester, por exemplo, nenhum outro jogador participou em tantos jogos quanto Barry. Em 2012, no ano do titulo, nenhum Citizen fez tantos tackles quanto Barry. Poucos percebem tão bem o jogo quanto ele.

20 anos de Premier League (e em apenas três não fez 30 presenças) e sem sinais de abrandar. Barry não pensa na reforma, nem a Premier League ou o futebol no geral, merece que o faça. Retorna a casa, capitão. És a peça que falta. O líder. O senhor Aston Villa dos tempos que correm. Que Steve Bruce traga o clube para tua companhia. Que tu o líderes no regresso à Premier League. A braçadeira espera-te. Acaba a carreira onde deves. De leão ao peito. Em Villa Park. Aplaudido pelo Holte End. Terminas contrato em 2017, é a altura certa. Não sou de escrever este tipo de textos, mas Barry merece-o. Sub apreciado. É o meu capitão.”

João Pedro Cordeiro

10 Comentários

  • Gareth Barry
    Posted Outubro 16, 2016 at 1:36 pm

    Antes de mais, excelente texto João! Os meus parabéns.
    Barry é daqueles jogadores que não atingindo o estatuto de estrela, conseguiu ser mais importante do que isso nos clubes onde jogou. Apesar de não ter uma técnica ao nível de Xavi ou Pirlo, de não ter a capacidade de remate de Gerrard ou Lampard, conseguiu construir uma bela carreira baseada na determinação e empenho. Tem o seu lugar na história da premier league assegurado!

  • Pedro Barata
    Posted Outubro 16, 2016 at 1:56 pm

    Muito, muito, mas muito bom mesmo. Faz falta que se fale de outro tipo de protagonistas que não os mesmos do costume e nesse campo Gareth Barry tem uma carreira notável e que convém sempre salientar. Em Barry o que gostaria de salientar, para lá do que os números e as suas estatísticas refletem, é uma espécie de espinha dorsal de futebolista quase de outro tempo, cheio de profissionalismo, seriedade, sentido de respeito pelo jogo e pelos jogadores. Enfim, vários traços que sempre o fizeram dignificar o futebol e os futebolistas. Espero que o teu desejo de o ver regressar a Villa Park se cumpra.

  • Nikiforenko
    Posted Outubro 16, 2016 at 2:11 pm

    Cm 2001

  • Ragnar
    Posted Outubro 16, 2016 at 2:22 pm

    Bonito texto, os meus parabéns. É bom saber que mais pessoas dão valor a este tipo de jogadores.

  • Effenberg
    Posted Outubro 16, 2016 at 2:33 pm

    Mais um enorme artigo João.
    O Brexit aconteceu há uns meses mas já há uns tempos que o VM teve um Brexin com as tuas matérias. Esta incluída.
    Já vi jogos em que Everton perdia o seu rumo durante os mesmos, os jogadores nervosos falhavam e a bola queimava. Queimava em todos os Toffees menos no pé esquerdo de Gareth. Ele assumia o jogo sem medo, rolava a bola para zonas fora de pressão, tentava construir e a equipa respirava calma. Um excelente conhecedor táctico do futebol inglês, como Lampard, Gerrard, Scott Parker ou mesmo Drinkwater.

  • Pedro o Polvo
    Posted Outubro 16, 2016 at 4:10 pm

    Parabéns pelo texto e pela escolha do “capitão”. Realmente não se fazem muitos como ele. Além de tudo que dá à equipa em termos de futebol, sempre teve o dom da liderança – algo essencial em qualquer desporto colectivo mas que parece cada vez ser mais desprezado pela “nova escola”.
    Eu farto-em de falar disto…Sou adepto do FCP em Portugal e além dos X problemas que temos, os nossos capitães são o Herrera e Marcano….Não que sejam maus profissionais, pelos contrário, mas quem viu Jorge Costa sabe do que falo. Não é só escrever hastags “Somosporto”….

    • Apessoa
      Posted Outubro 16, 2016 at 11:03 pm

      Concordo com tudo. Q saudades do Bixo Jorge CoSta. O capitão do me tempo.

      • Pedro o Polvo
        Posted Outubro 16, 2016 at 11:17 pm

        Uma verdadeira força da natureza. Foi um bom central e um óptimo líder. Mas pelo seu empenho e carisma, carregava os colegas e superava-se a si próprio – assisti a algumas exibições lendárias nas velhinhas Antas.

  • Knox_oTal
    Posted Outubro 17, 2016 at 9:21 am

    Excelente texto, excelente jogador! Um Hall of Famer na Premier League sem dúvida! E também desejo uma recuperação do Aston Villa, já basta ter o antigo bicampeão europeu Nottingham no Championship. O lugar do Villa é entre os grandes, mas o caminho do clube nos últimos tem sido tortuoso, mas com um líder incontestável, como Barry, podiam realmente encontrar o rumo certo mas depressa! Outra curiosidade que tenho é ver se o Gareth Barry vai, depois de finda a sua carreira, enveredar pelos caminhos de treinador (também podia interessar ao Villa), pois parece-me que tem o perfil adequado para ter sucesso nesse papel, vamos ver…

  • Bruno Thrash
    Posted Outubro 20, 2016 at 6:52 pm

    Hoje em dia é raro a gente ver jogadores que tem amor a camisa, o jogador que eu mais admirava era o Zanetti. Além de ter sido um grande jogador, foi também um grande capitão.
    Os três melhores jogadores de cada década:

    – Década de 90: Roberto Baggio (Itália) o verdadeiro fenômeno.
    – Década de 2000: Javier Zanetti (Argentina) quanto mais velho melhor.
    – Década de 2010: Ivan Perišić (Croácia) um jogador estupendo.

    FORZA INTER !!!

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