A primeira de quantas? Todos sabem que pode vir a ser dos melhores de sempre, principalmente pelo que pode fazer em Clássicas (tem um motor diferente dos outros), mas, apesar de ter vencido provas de uma semana, antes desta Vuelta, muitos duvidavam da sua capacidade em 3 semanas. No entanto provou a tudo e todos que também tem de contar com ele neste campo. É certo que para isso contribui um traçado menos duro, que ajudou a relançar o ciclismo espanhol (3 ciclistas na luta pelo To 5), e principalmente a ausência de concorrência verdadeiramente forte. Roglic, que nem estava a 100%, teve de desistir quando estava a ameaçar a sua liderança. Carapaz, apesar de ter vencido 3 etapas não contou, Hindley idem, e Enric Mas nunca demonstrou capacidade para vencer. Contudo o belga também teve o mérito de dizer presente nos dias decisivos, principalmente depois de ter abanado na etapa da Sierra de La Pandera. Grande Volta a Espanha também para Ayuso, que vincou o seu enorme talento, o que pode complicar Almeida no futuro (veremos quem será o líder no próximo Giro). Pedersen esteve igualmente em destaque. Já João Almeida conseguiu um bom 5.º lugar. Todos queriam mais, mas o ciclista da UAE, como sempre disse, não estava a 100%, e termos um luso neste patamar é incrível (é a 2.ª vez que faz Top 5 em Grandes Voltas, algo que o ciclismo nacional não via há mais de 15 anos).
Remco Evenepoel venceu a 77.ª edição da Vuelta. O promissor ciclista da Quick-Step Alpha Vinyl Team, que em tempos passou pelas camadas jovens do Anderlecht e PSV, é assim o 1.º belga a conquistar uma Grande Volta desde que Johan De Muynck arrebatou o Giro em 1978. Evenepoel, que esta época já tinha vencido a Liège-Bastogne-Liège, Volta ao Algarve ou a Donostia San Sebastian Klasikoa, juntou à geral duas vitórias em etapas. Enric Mas fez 2.º, enquanto Juan Ayuso, de apenas 19 anos, fechou o pódio (desde 1904 que ninguém tão novo fazia Top 3). Miguel Ángel López e o português João Almeida fecharam o Top 5. Nas outras classificações, Mads Pedersen dominou nos pontos, enquanto Carapaz aproveitou o abandono de Vine para vencer a camisola da Montanha.


10 Comentários
Sede de vencer
Duvido que vencesse caso o Roglic não fosse obrigado a desistir.
Aliás, duvido que ficasse em 2 caso o Roglic não fosse obrigado a desistir.
Sou um apreciador confesso do Roglic, mas acho que até o Almeida beneficiaria com a sua não desistência.
MM
Ganhou e ganhou bem, ate porque a equipa era fraquinha.
Agora nao esta ainda ao nivel de Vingegaard, pogacar ou mesmo Roglic, Carapaz, etc.
Venceu a Vuelta com justica mas beneficiou de quedas e atletas estarem fora do prime devido giro ou tour.
Quanto ao Joao, teve um excelente 5o lugar pois a preparacao era p pico de forma no giro, nao aqui. Beneficiou tb das desistencias e lesoes para subir, senao ficaria mais perto do 10o. Quanto ao futuro, ha 2 atletas da UaE melhores que ele, esperemos que seja verdadeiramente o lider no prxm Giro, com equipa a serio, p lutar pelo Podio. Com um bocado de azar acaba como gregario de luxo do Pogacar ou do Ayuso.
Tem de trabalhar a resposta aos ataques da concorrencia e descidas, fica dificil ser ciclista de topo sem isso…
me parece que este
galucho10
Remco foi um justíssimo vencedor. Claramente o mais forte na estrada, ainda foi ofensivo e tudo isto sem muito apoio da equipa.
Podia ter sido ameaçado por Roglic, mas o esloveno quando estava a subir de forma foi novamente esbofeteado pelo azar – ano muito difícil para ele. Nem estava à espera que viesse à Vuelta depois do que aconteceu no Tour e dos relatos das vértebras fraturadas.
Quanto ao nosso João, como ele tinha avisado não estava no pico de forma, ainda assim acaba a terceira semana como uma dos melhores a meu ver. Beneficiou da queda do Carlos Rodriguéz (e que queda, os espanhol ficou todo raspado) mas também atacou para merecer a subida na classificação.
Deixo só uma nota para o João e o Ayuso (que correu com covid e ainda faz pódio): na etapa em que o João ataca de longe e é alcançado na última subida e nesta sexta o João estava a puxar no grupo dos homens da geral e é atacado pelo Arensman e pelo López, se não estou em erro, rivais do João na geral. O Ayuso, por estar atrás, vê os a descolar e em vez de fazer um forcing para fechar o espaço fica a olhar. Na etapa de sexta foi visível o descontentamento do João. Pobre companheirismo do espanhol.
RuiMagas
Primeiro isso é um mito a QuickStep sem 2 ciclistas teve sempre muito apoio ao seu líder, não tinha quase ninguém para impor ritmo mas também era para defender uma geral não atacar um geral igual a Movistar ou UAE que tinham de fazer isso. A equipa da QuickStep tinha de controlar a corrida e isso fizeram muito bem sempre a colocar ciclistas em fugas importantes e ter sempre o Van Wilder que fez uma Vuelta incrível.
Depois no caso do Ayuso, tu mesmo respondeste a ti próprio e ainda reclamas do espanhol e o seu companheirismo. Ayuso teve covid que sempre influência na perfomance de atletas e o João na última semana esta superior quem tinha de colocar ritmos e fazer pela vida era ele, não Ayuso e acima de tudo na última semana depois da desistência do Roglic o objetivo da UAE era mais proteger o top3 de Ayuso que era mais importante que o top5-6-7 do João. Mas normal, em Portugal o que importa é sempre os nossos e isso não é errado, mas façam isso quando tem razão.
galucho10
Acho apenas normal apoiar os portugueses, ainda para mais num desporto que apenas teve Rui Costa e agora João Almeida em relevância nos últimos anos. Se fui injusto não era a minha intenção.
Peguei muito na situação de sexta. O João na frente do grupo, López ataca e era alguém que interessava ao Ayuso responder, apesar do ataque ter sido logo frustado. O João fez o sinal para o Ayuso passar na frente e este olha para trás como se não fosse com ele.
Dito isto, uma excelente prestação do espanhol, ainda para mais com covid, numa primeira participação em provas de 3 semanas e com 19 anos.
Yazalde1906
Exacto, a Quickstep surpreendeu-me bastante pela positiva, raras foram as situações em que o Remco ficou sozinho em situações de eventual apuro. Nada a apontar.
Quanto ao Ayuso / João, é lidar com as melhores pernas do Ayuso que apareceu em grande forma e a mostrar que aguenta 3 semanas, fazendo pódio na 1ª grande volta em que participa. Se ele podia ter ajudado em algumas situações o João? Podia pois, mas estando ele a defender a 3ª posição que vale mais que um 5-7º lugar do João é normal que a equipa tenha dado indicações para ele não se desgastar em demasia não fosse em alguma situação rebentar o motor e ficar apeado.
Também não ajuda à opinião geral quando se vê ciclismo na Eurosport portuguesa com o Paulo Martins a ser constantemente um chato do cacete e a defender o João à morte acusando o Ayuso de ser mau companheiro que não dá a roda, que não ajuda a fechar o espaço, que isto que aquilo. Por vezes nem parece que o PM andou lá dentro enquanto profissional.
Para terminar, o Remco desfez as minhas dúvidas quanto ao ser ciclista de 3 semanas. Vitória merecidíssima de um predestinado do ciclismo mundial, esperam-nos anos absolutamente fantásticos com monstros em cima da bicicleta.
RuiMagas
Remco, um monstro sem dúvida. Só isso.
Enquanto a liderança da UAE em 2023 e pelo mercado da equipa acho que João Almeida será líder na mesma no Giro mas novamente sem equipa pois a equipa irá focar-se 100% no Tour e acho que uma equipa irá girar a volta de:
Pogacar
Bjerg e Wellens para trabalha inicial das etapas.
Ayuso, Majka, McNulty, Bennett e Soler para a montanha
Isso irá fazer com que Almeida ter uns gregários tipo Formolo, Novak, Grosschartner e Covi que é curto novamente, e ainda deve levar com 2/3 ciclistas para o sprint e ainda deve levar com um Hirschi que deve ir solto para conquistar etapas. Ou seja, novamente as redes sociais nos posts da UAE vai ser carregada de memes em 2023.
AndreChaves9
Ainda é preciso esperar para ver o que a UAE pretende do Ayuso… Porque caso vá ao giro também… Não me admirava ver o João fora do Giro para ir ajudar o Pogacar
Filipe__Santos
Vejo muita gente tirar já conclusões definitivas desta Vuelta (como colocar Remco no patamar dos melhores voltistas ou Ayuso enquanto voltista superior ao João Almeida) mas, não tirando mérito à excelente exibição dos dois prodígios, há que ter em conta que esta corrida foi uma exceção ao que é habitualmente uma GV.
-Menor número de KMs de alta montanha (refiro-me a correr acima de 1.600 metros de altitude, não sei se é essa a definição oficial de “alta montanha”)
-Menor número de dificuldades na última semana.
A título de exemplo, compare-se este percurso em que Remco defendeu a liderança, com o percurso do Giro em que o João Almeida (+/- com a mesma idade que o Remco tem agora) também andou vários dias na frente da geral. Arrisco-me a dizer que só no Stelvio – onde o João cedeu – havia mais kms acima dos 1.600 metros do que no total desta Vuelta 2022… E esta etapa foi a 4 dias do fim do Giro, sendo que nas últimas duas etapas teriam ainda uma etapa de alta montanha com 3 (!) passagens acima dos 2.000 metros e 1 a 1.700, seguida de CRI na chegada a Milão.
É só uma ilustração e uma divagação, mas será que o João não conseguiria defender a Rosa ou pelo menos o pódio, naquela tenra idade, se a terceira semana fosse tão atípica como esta terceira semana de Vuelta?
Yazalde1906
A Vuelta é “sempre” excepção em relação ao Giro e Tour pois em Espanha há pouca alta montanha (acima dos 1600m), tens a Sierra Nevada onde as maiores pendentes são no início da subida na vertente que fizeram este ano a partir de Guejar Sierra e acima dos 1500m a pendente é bastante mais suave onde raramente passa dos 7% e nos anos que vão para os Pirenéus. Fora isso tens uma ou outra subida que passa os 1500 mas serão no máximo meia dúzia de kms acima disso como foi a Pandera este ano.
Por exemplo, nunca saberemos o que teria acontecido este ano na etapa da Sierra Nevada caso a organização tivesse obtido autorização para terminar a etapa no observatório a 2896m e não aos 2507m que acabaram por fazer.
O que quero dizer com isto é que a Vuelta é a grande volta que de momento mais se adequa às características do Remco, mas isso não significa que daqui a 2/3 anos ele não seja capaz de ganhar um Giro/Tour se for melhorando a “muita alta montanha” e depende igualmente do percurso de cada volta, basta teres 50 ou 60km de TT e a coisa já fica mais simpática para ele.