O futebol é um desporto que evoca as nossas emoções. Todos gostamos de celebrar um golo, uma vitória, um título. Alguns, vão até ao pormenor de elogiar uma jogada de nível individual ou coletivo. Afinal, quando tudo corre bem, vale a pena exaltar todos os pontos positivos da caminhada até chegar ao triunfo. Para certos adeptos, até fica difícil não mandar uma bicada ao rival, que seguramente não celebra as vitórias do nosso clube.
Outrora e não há tanto tempo assim, olhávamos para certas imagens do futebol sul americano e do leste europeu, marcadas por brigas e conflitos entre pessoas por causa de um simples jogo e causava choque nos portugueses. Como o fanatismo podia chegar tão longe? Será que perder causaria um sentimento assim tão terrível para o Homem ficar irracional? Nesse mesmo momento, o futebol português acumulava tensões, com comentadores a defender os interesses da instituição que apoiavam com unhas e dentes, mesmo que não houvesse defesa possível (pessoalmente nunca esquecerei o momento em que Pedro Guerra defende Eliseu, após o mesmo pisar um jogador do Belenenses), além de mini-guerras nas redes sociais, sem que nos apercebêssemos disso.
Em 2018, com a invasão a Academia de Alcochete demonstrámos que não andamos assim tão longe do nível de quem criticamos. Possivelmente foi o ponto mais baixo que o fanatismo futebolístico atingiu em Portugal (para já): agredir os próprios jogadores, com alguns “adeptos” a dizer que “deviam levar mais”. Foram horas de escrutínio a todo o acontecimento, a procurar os culpados e lançando teorias. Aprendemos todos que aqueles elementos não sabiam perder, porém em 2022/23 temos visto que assumir a perda de pontos ainda continua difícil de aceitar.
Comecemos pelo mais grave: o caso do ataque à família de Sérgio Conceição. Se atacar elementos do clube é desprezível, o que dizer de fazerem o mesmo à família de um funcionário, que é um protagonista do FC Porto neste momento? Não sendo um “herói da pátria”, Sérgio Conceição tem realizado um trabalho de qualidade no Estádio do Dragão. Ao perder peças vitais no último Verão, que foram mal substituídas, a probabilidade de os resultados piorarem era bastante elevada. Aqueles “adeptos” achavam que era pela atitude que tomaram que o FC Porto ia ganhar ao Estádio António Coimbra da Mota? Não seria melhor numa Assembleia Geral pedir justificações (sem agressões, naturalmente) a quem tem mais poder no clube, que o está a gerir de maneira infantil há alguns anos? E o que irá acontecer aos tais agressores?
Agora olhemos a Lisboa: o Sporting CP está em oitavo lugar na Liga Bwin, no entanto em primeiro no seu grupo da Champions League. Assistimos a uma bipolaridade nos adeptos que é semanal. Se à quarta-feira vão ganhar tudo, ao sábado a época está perdida. Claro que nem todos são assim, no entanto os adeptos dos leões são conhecidos por essa mesma bipolaridade. Até ao momento “só” assistimos a insultos nas redes sociais, principalmente porque o treinador Rúben Amorim é possivelmente a pessoa menos tóxica do futebol português, usando as palavras corretas para acalmar os sportinguistas (ainda que exista um ou outro que peça a sua demissão, quando ele é o centro e o cérebro do projeto a longo prazo do Sporting). Apesar de tudo, não é difícil fazer um exercício mental. Imaginemos que Amorim e Varandas neste momento não estavam no Sporting, será que uma repetição de 2018 seria assim tão improvável?
Com a falta de saber assumir uma derrota ou um empate, a somar aos péssimos casos relacionados com crianças adeptas do SL Benfica e do FC Porto, estamos claramente ao nível de quem tanto criticámos. E o que tem sido feito? Emitir comunicados a desprezar as atitudes dos envolvidos nas situações negativas e a lamentar a situação. Para quando medidas pesadas? Não está na hora de banir os “adeptos” para toda a sua vida de todos os estádios? Para quando jogos à porta fechada? É que se é para ter adeptos a cuspir em crianças na bancada, mais vale não estar la ninguém. Enquanto nos basearmos na crítica por comunicados em sites e redes sociais, a tendência vai ser para piorar. As agressões físicas e verbais para elementos do nosso clube e do rival vão continuar e para alguns será considerado “normal”.
Há que reaprender a elogiar o outro. É normal sentir frustração quando a nossa equipa perde. Porém a racionalidade do ser humano tem de vir ao de cima e explorar o porquê da derrota. Analisar o jogo e seus atuantes é tão bom. Nem sempre perdemos porque o árbitro esteve mal ou os adversários começaram a perder tempo fingindo lesões. Provavelmente não jogámos bem ou o rival descobriu as nossas fraquezas e aí tem que existir a capacidade de elogiar o outro, algo que em Portugal se tem perdido.
Visão do Leitor: Ricardo Lopes


25 Comentários
Antonio Clismo
Não querendo generalizar, mas diria que um terço da sociedade portuguesa é uma podridão completa.
E um terço é substancial, podemos ver isso em todos os quadrantes da sociedade, desde a política até ao desporto. Não é por acaso que temos uma representação de 10% nas últimas legislativas de um partido absurdo como o Chega. Mas nada contra, os palermas também precisam de ser representados na nossa Assembleia.
Tenho notado um ”trend” nesta época que passa por filmar crianças. (Antes ao menos filvamam as gajas boas que estivessem no estádio, agora filmam as crianças). Quando há golos, filmam as reações das crianças, quando há derrotas pesadas, filmam as reações das crianças.. e parece ser só uma ”trend” das televisões em Portugal, uma vez que não vejo muito disso nas transmissões dos outros países.
Quero com isto dizer que parece que descobriram a pólvora, as crianças vendem imenso! As notícias envolvendo crianças batem muito mais!
A proibição de adereços dos adversários nas bancadas afectas aos clubes da casa já existe há mais de 10 anos e existe porque se chegou á conclusão que os adeptos portugueses, normalmente com um QI muito baixo, não conseguem discernir entre apoiar o clube da casa ou o adversário. Quem não se lembra das bancadas dos sócios dos clubes pequenos todas azuis, vermelhas ou verdes, consoante os clubes grandes que lá jogavam?
Os preços dos bilhetes eram exorbitantes, 40, 50 euros, e os próprios sócios vendiam os seus bilhetes cativos a amigos e a familiares adeptos dos 3 grandes para lá irem apoias. Os clubes pequenos faziam uma pipa de massa mas os 3 grandes acabavam por jogar em casa o ano todo. Para muitos uma autêntica subversão da competição.
Ora, já se sabe que uma boa parte dos adeptos portugueses são grunhos. O que se está à espera quando uma coisa destas acontece? Há vários prismas de ver esta situação, há a ousadia de quem vai para lá vestido assim (usando os filhos como escudo, a comunicação social adora) e a baixeza de quem os confronta como se não pudessem assistir a um evento desportivo com calma, em qualquer lugar do estádio.
John Tavares
Excelente texto, é isto. Deporto é paixão e com ela vem a “discussão” com os amigos, com a família, mas é como discutir quem gosta mais dos Beatles ou dos Beach Boys: no fim, desfrutamos ainda mais deles por causa desta mesma paixão.
Triste é eu nunca ter ido ver o meu Sporting quando era pequeno, em jogo grande, porque o meu Pai tinha medo do que nos podia acontecer. Triste o que acontece semana sim semana sim.
Não vejo isto a melhorar, infelizmente. É a cultura atual, ou estás comigo, ou estás contra mim (na política, na economia, no desporto, etc). Adoro o Rubén Amorim por, além de ser um excelente treinador, conseguir desempenhar o seu papel na sociedade como figura pública sem nunca (que me lembre) incendiar.
Eu vou continuar a desfrutar do futebol com os meus amigos benfiquistas e portistas. Sem eles isto não tinha graça nenhuma.
Ricardo Lopes
Concordo perfeitamente com o teu último parágrafo (e com os outros). Sem rivais e a sermos todos do mesmo, o campeonato não teria qualquer piada. O segredo é manter a discussão dentro do razoável e até aprendermos alguma coisa uns com os outros. O futebol também é para ser apreciado.
Mantorras
O amigo chama nomes*
Ss
Quase que tenho saudades do lockdown e dos estádios vazios, onde apenas o jogo era importante… infelizmente hoje em dia assistir a um jogo de futebol deixou de ser uma festa como deveria ser. Provocações fazem parte do desporto e no futebol, com tantas emoções à flor da pele, estas são naturais. E até saudáveis até certo ponto ( quem não gosta de picar os adversários), mas o que se passa hoje em dia em quase estádio sim, estádio sim, é uma aberração, e então nas redes sociais nem se fala. Talvez até esteja tudo interligado, quem sabe ( não sou sociólogo para que possa estudar isso), mas a festa do futebol está em risco de morrer por isto mesmo… Tive a infeliz ideia de levar os meus miúdos a um jogo de futebol à uns tempos ( fora de Portugal) e nem sequer entramos no estádio… porque os “adeptos” ( vulgo claques) se lembraram de usar o parque de estacionamento como campo de treinos para uma qualquer batalha medieval. E o assustador é que a maioria das pessoas presentes agiram como ” oh, lá estão eles outra vez, aqueles malandrecos” …como se aquilo fizesse parte do desporto.
E do desporto que é chamada “Desporto Rei”. Se isto é o Rei, então o Rei vai nu…
Antonio Clismo
Em Portugal a realidade é muito mais absurda do que qualquer ficção que possa existir. Que país, heín?
Todas estas situações só aconteceram devido a erros anteriores clamorosos, dignos de uma sitcom inglesa.
Para o carro da mulher do conceição ter sido apedrejado, ainda dentro da garagem, é necessário que os adeptos já estivessem lá dentro. Não conheço muitos adeptos que possam estacionar os carros juntos à família dos jogadores e staff do Porto.. O que estavam lá a fazer? Se calhar foi um grupo que foi à casa de banho e se enganou numa parta de segurança e deram por eles na garagem dos jogadores.. e realmente o que não falta numa garagem desse género são pedras no chão para atirar…
No caso do miúdo a ver o jogo em tronco nú, o pai sabia que era proibido, e mesmo assim fê-lo. E foi capaz de ver o jogo todo com o miúdo em tronco nu (ao menos dava-lhe a dele). Faz lembrar aqueles pais que ”doam” os filhos com 10 ou 11 anos para as academias dos clubes mesmo a 500 km de distância.. não sei quem é realmente doente..
No caso do pai com a filha no Estoril. É preciso constatar que alguém lhe vendeu o bilhete para a central mesmo estando assim vestidos. Será que o Estoril tem voluntários de alguma associação de invisuais a vender os bilhetes no estádio em dias de jogo?
MR
Bom post de como justificar a estupidez.
Como erradicar os extremistas? Sendo mais extremista, sim senhor.
Então o que está certo é forçar as pessoas a vestir o que queremos, ou a ir para onde queremos, e não aceitar que é possivel ser adepto de outro clube.
Somos mesmo de terceiro mundo, em vez de caminharmos para a festa do futebol caminhamos para a guerra do futebol.
Isto só lá vai com mão pesada, mas a FPF compactua com isto tudo, aliás, quem mais cria estas situações é promovida a claque oficial de selecção
Antonio Clismo
E em Portugal ainda seria pior caso fosse permitida a venda de bebidas alcoólicas dentro do estádio.
Quase todos os países da Europa têm problemas do mesmo género, até na Suécia existem hooligans e adeptos que não se sabem comportar.
Por isso é que todos os países têm regras rígidas no que toca a indumentária a usar e zonas do estádio onde podem ser usadas. Estas regras foram criadas para alguma coisa, para evitar que ocorram os problemas do passado.
Como é que o hooliganismo foi extremamente diminuído no Reino Unido? Bastou tirar as equipas das competições europeias durante uns anos e organizar melhor os estádios tendo em conta os adeptos da casa e adversários e hoje são dos mais comportados da Europa (fora do estádio continuam a ser dos piores).
Antonio Clismo
Já que não se podem responsabilizar os adeptos, que se responsabilizem os clubes. Muita culpa da toxicidade no futebol vem da comunicação dos próprios clubes e afectos a eles.
Todos têm responsabilidades.
Para mim mais preocupante do que tudo é o que se passa no futebol de formação onde fim de semana após fim de semana há excessos (e crimes mesmo) entre pais, árbitros, treinadores, adeptos, etc etc
Isto é muito mais sistémico do que se pensa…
Romeu Paulo
A mais genuína curiosidade, porque não se pode castigar os adeptos?
Se é possível identificar os adeptos (o que no caso do Estoril, é possível), esses mesmos adeptos devem ser castigados, e digo mais, o castigo, dentro de normas de bom senso, deveria ser publicitado para que todos os adeptos tivessem noção do que pode acontecer caso não sejam responsáveis (a impunidade é o pior que pode acontecer).
Tens ainda o caso do Fernando Madureira, que está impedido de entrar em recintos desportivos, mas está em cima do muro a ver o jogo. Isso é errado, na hora do jogo ele deveria apresentar-se numa esquadra previamente designada.
Diogo Moura
Errado. O Hoologanismo começou a ser controlado no UK porque começaram a aplicar penas de prisão elevadíssimas(que ainda se mantêm) e deram poder à polícia para os varrer. Além disso o exterior dos estádios estão equipados com câmaras de vigilância em todo o redor hoolingans banidos têm ficha biográfica na polícia. Os Hoolingans e a violência serenou a partir do momento que sentiram que deixou de valer a pena cumprir 5 anos de cadeia à conta de um jogo de futebol. Procura por entrevistas de ex-líderes das Firms (cá dizemos claque) que paparam um porradão de anos de cadeia e agora nem sequer pensam em aproximar-se de um estádio de futebol.
The Real Football Factories também é um bom documentário para ver, são 12 episódios.
Antonio Clismo
Obrigado, vou ver.
Diogo Moura
Com essa série ainda levas um bónus, percebes o porquê das rivalidades entre clubes no UK. Têm muito mais fundamento do que por cá a luta “norte/sul”. Há um conjunto de contextos históricos bastante interessantes, especialmente Liverpool / Man Utd que começou por ser uma batalha económica entre cidades. Celtic e Rangers também é bastante curioso dada a temática religiosa dos clubes (católicos vs protestantes).
Ricardo Lopes
Série espetacular, além de ter a versão internacional que também tem muita qualidade. Outro ponto positivo é estarem no Youtube.
DNowitzki
Qual é o artigo da constituição que define o que cada pessoa pode ou não vestir mediante as circunstâncias? E qual é aquele que define o local onde A ou B podem estar num espetáculo desportivo?
Antonio Clismo
Essas regras foram criadas devido ao facto dos aspectadores portugueses não se saberem comportar.
É por causa disso que as claques adversárias costumam ir para um campo enjaulado dos estádios e com centenas de polícias em cima deles.
À luz da constituição, todos os adeptos poderiam ver o jogo onde quisessem, certo?
Em Portugal? Neste momento? Seria uma matança.
A única coisa a fazer é educar bem as gerações futuras e esperar que daqui a 50 anos já se saibam comportar num recinto desportivo.
MR
Em vez de se punir os infratores, não, limita-se a liberdade do cidadão comum.
Só mesmo em republicas das bananas
Factualista
O que estás à procura são regras/condições na compra ou usufruição de um serviço.
Há companhias aéreas que podem recusar o teu embarque se considerarem que a roupa que tens vestido for imprópria.
Quando vais a uma piscina pública é comum não ser permitido entrar na água com artigos de roupa específicos.
Os miúdos vão a casas com insufláveis e muitas vezes não podem utilizá-los com o seu próprio calçado.
E o Famalicão diz que não podes levar uma camisola do adversário para aquele sector.
São alguns exemplos que por segurança – da pessoa ou do espaço, higiene ou preservação do recinto, um promotor pode definir regras de vestuário. Será discriminatório? Talvez, há artigos na constituição sobre o direito de imagem, direito à expressão, etc – e em última instância quem vai decidir se o direito da pessoa se sobrepõe ao direito do promotor é um tribunal.
Havendo alternativas, eu pessoalmente, não vejo discriminação. O miúdo pode levar umas meias, o adulto um fato de banho, a criança tinha outros sectores onde podia estar com a camisola… olha o tipo que ia de avião se não tiver bagagem está lixado.
Outro exemplo comum no dia à dia que também será discriminatório (aqui já fora do tema do direito da imagem, da expressão, etc) – muitas discotecas cobram mais de entrada aos homens do que às mulheres e gentilmente também impedem a entrada de algumas etnias. Já viram algum ministro falar sobre isto? Será discriminatório? Não sei, mas a minha alternativa é mudar de género.
Ricardo Lopes
Eu acho que cada pessoa se pode sentar onde quiser e vestir-se da maneira que quiser, apoiando quem bem entender. Deve é ter respeito pelos companheiros de bancada (assim como os outros por ele), mas isto deveria ser senso comum. Tenho todo o gosto de me sentar ao lado de alguém da equipa rival, desde que haja educação e respeito mútuo…
Pao com Presunto
Infelizmente, penso que a única maneira de resolver a curto-médio prazo este problema que já parece ser crónico seria haver um afastamento generalizado das pessoas ao futebol (em Portugal, nos estádios, já se verifica, mas não chega quando a estrutura está montada para o adepto do sofá). Contra mim falo, que alimento o interesse ao vir aqui diariamente, mas o futebol mantêm a sua relevância em Portugal (qual ópio do povo) muito por força da televisão e das redes sociais.
O grande receio é que este afastamento do futebol (que como já referiu um user – creio que foi o Kafka – vai mais cedo ou mais tarde acontecer) poderá sentenciar o desporto, em vez de o fazer renascer mais tarde.
Obviamente que não vejo esse afastamento generalizado a acontecer, mas tentando ver isto racionalmente, penso que seria a melhor forma de levar os agentes responsáveis a pensarem em medidas que fomentassem aquilo que todos querem: gerar receitas e proporcionar melhores espetáculos, dentro e fora de campo. Mesmo para quem olha para o futebol como um negócio (acho que só os adeptos não olham dessa forma), se houvessem quebras substanciais, teriam de obrigatoriamente repensar o modelo.
A longo prazo, o único caminho possível é a educação das gerações vindouras. Mas pela amostra, quando até em clubes modestos vemos pais a insultarem árbitros e a promoverem bate-bocas vergonhosos em jogos de escalões de formação, a tendência será de agravamento. A falta de educação é gritante e ganha força pelo mediatismo que gera (culpa também dos meios de comunicação).
Grunhos sempre existiram, e sempre vão existir. O que mudou foi a postura da restante sociedade, porque noutros tempos a sociedade corrigia-se a si própria, e repudiavam-se na hora certos comportamentos. Infelizmente, o teclado veio facilitar a vida de quem outrora tinha de se chegar à frente (levando ao “politicamente correcto”)… mas também facilitou a vida dos grunhos, e de que maneira.
Fadista
Basta passarem um bocado pelo twitter onde andam pelo menos 3 personagens (há muitos mais, e de todos os clubes)afectas ao FCP, o Fábio Benidio, o Nuno Lobo (ex candidato à presidência do Fcp) Alfredo Gesta, Pedro Camões, etc, e vejam o discurso que apresentam, atacam maioritariamente o SLB, sendo que de quando em vez, mandam uma bicada ao SCP,é puro discurso inflamatório, não há nada que dê para espremer e encontrar algo de bom. Nos outros clubes também os há, mas o que vejo muitas vezes é mesmo a falar dos problemas ou virtude dos próprios clubes, enquanto estes apenas falam nos adversários, e nem sequer é a falar do jogo e da táctica, é apenas de assuntos extra futebol… caminhamos para um poço sem fundo, onde muitas vezes os próprios jornalistas ajudam a que se degrade cada vez mais este desporto.
Fireball
Basta pensar que grandes responsáveis pelo clima de ódio como Nuno Saraiva e Francisco “Jota” Marques (um dia alguem me vai explicar porque não dizemos o nome do meio dele e apenas dizemos a letra, é tipo Voldemort?), eram antes jornalistas até com algum crédito. Lembro-me de ler na altura da aliança Porto-Sporting no tempo do BdC em que esses dois fizeram uma série de ataques ao Benfica, várias pessoas ligadas ao ramo a dizer que trabalharam com eles e que não os imaginavam capazes deste tipo de fanatismo, que enquanto jornalistas pareciam isentos e pessoas lúcidas. E claro que como estes há mais, só me lembrei destes porque foram os que li os relatos.
A máquina de propaganda dos clubes coloca-os com um nível de impunidade tal que eles revertem ao primarismo mais básico possível sem medo de consequências, esquecendo todos os valores e todos os códigos éticos que a sua profissão obriga.
lipe
O caso da invasão a Alcochete e o apedrejamento ao carro da família Conceição são provavelmente do mais baixo e reles que já se viu neste país, suplantado só pela morte de um adepto sportinguista no Jamor em 96 (que me lembre, sem dúvida que há mais episódios vergonhosos).
Agora, em relação aos episódios da criança benfiquista em Famalicão e da criança portista no Estoril, há mais coisas que devem ser faladas e vejo muito pouca gente interessada em discuti-las.
O primeiro caso acontece devido ao chico espertismo de um pai que tenta fintar as regras e acaba por expor o filho a uma situação ridícula. O segundo acontece, ao que parece, não estive lá, devido a constantes provocações e insultos da parte do pai da criança (que por estar acompanhado pela filha já foi beatificado), que achou por bem comportar-se dessa forma a escassos metros da claque do Estoril (uma das claques mais bem comportadas do nosso futebol, por sinal). Nem é preciso inventar, no vídeo vêm-se outros adeptos portistas para os quais os adeptos do Estoril não se viraram. Obviamente não justifica a reação, muito menos estando o homem acompanhado da filha, mas é preciso contextualizar as coisas.
Ninguém está interessado na verdade, está tudo mais interessado em indignar-se e ficar zangado.
Por fim, e este ponto provavelmente vai deixar muito boa gente algo incomodada mas sei que é verdade, há muitos adeptos dos grandes (sim, dos 3, não deste ou daquele, é dos 3) que entram por estádios de clubes pequenos adentro como se fossem donos e senhores daquilo.
Já vi jogos em Alvalade no meio de sportinguistas e no Dragão no meio de portistas e soube comportar-me, tanto porque é o normal a fazer e tanto porque sei que se não o fizesse me sujeitava a coisas bem desagradáveis.
O respeito não custa nada e é uma via de dois sentidos.
Antonio Clismo
Excelente comentário
FiliGon
Eu vou falar apenas do que tenho melhor conhecimento. Realmente concordo que existem personagens no nosso futebol com demasiado protagonismo (dado pelos clubes, mas também pelas tv’s) e que só sabem espalhar veneno. Alguém aqui já viu o “comentador” Pedro Guerra?, esta personagem até no próprio Benfica quer espalhar veneno. E falo do Pedro Guerra, porque em primeiro lugar sou benfiquista e em segundo lugar esta personagem é das piores personagens que passou no nosso futebol é a definição de vieirista e sempre que abre a boca é para criticar tudo o que mexe no Benfica, chegando ao ponto de inventar coisas como o Rui Costa escorraçou o Florentino, o Rui Costa não quis o Marcus Edwards, o Rui Costa não quis o Taremi (com todo o respeito a estes jogadores, mas na minha se alguma vez houve rumores destes era apenas para “vender jornais”). Para mim é sem dúvida a pior personagem que passou no nosso futebol e porquê? Porque a motivação dele é ter poder/importância. Por exemplo o SC pode ter muitos defeitos, mas ninguém duvida que ele está no FCP com amor (e muito) à camisola. O Amorim não está no Sporting por amor (não ao clube, mas a este maravilhoso desporto). E o Guerra? O Guerra está no futebol para tentar arrastar o máximo de entidades para a lama porque é isso que lhe “dá poder”. O mais triste disto tudo é que há demasiados “Guerras” por aí.
Onde até tenta disfarçar a realidade, pois o mesmo revelou que o Francisco J. Marques foi o primeiro a revelar informações secretas dos rivais e na realidade semanas antes andou na Benfica TV a revelar o contrato do Coates. Nem vou meter claque aqui no meio porque aí já estava a “pedir a mais”.
Resumindo quero dizer é que os clubes devem mesmo limpar a casa e arrumar com estas pessoas que são indecentes de ter o cargo que lhes é atribuído e que fazem um esforço hercúleo para roubar a ética desportivo ao futebol.
Relativamente ao Guerra resta-me apenas referir 2 pontos
1) Tenho um orgulho gigante pelo Rui Costa ter escorraçado esta personagem da instituição Benfica (pessoas destas não deviam ter lugar no futebol). O futebol precisa de gente séria e com amor ao futebol que lhes permita falar de futebol por amor a este lindo desporto ou amor ao clube.
2) Infelizmente o Vieira é culpado do que lhe acusam (Guerra, aceite que dói menos). Pode não ser culpado de tudo, mas de alguma coisa é. No meio de tanta acusação alguma coisa lá no meio deve ser verdade. (onde há fumo há fogo). E infelizmente, se houver consequências, o meu Benfica vai sofrer mais que estas pessoas que são os verdadeiros criminosos e que se aproveitaram da grandeza da instituição Benfica para desviar uns milhões para o bolso e arrastar o futebol português ainda mais para lama.