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Nunca tão poucos fizeram tanto

Falar do Uruguai é falar de Futebol. E quem o aprecia, não pode ficar indiferente à posição que este pequeno país ocupa no panorama futebolístico. A antiga colónia Espanhola que, nos dias que correm, inclui a língua Portuguesa nos seus programas educacionais, conta com pouco mais de três milhões de habitantes nas suas fronteiras. Um número que é cerca de três vezes inferior ao volume de atletas federados da poderosa Alemanha.
Todavia, engane-se quem julga que este obstáculo populacional constitui um entrave às aspirações futebolísticas do país sul-americano com melhor desempenho económico. Os Charrúas já venceram 2 Mundiais, conquistaram a última Copa América, prova em que são a selecção com mais títulos, recentemente ficaram também em 4.º na África do Sul 2010, e em 2.º no último Mundial sub-20, em 2013 e, apesar de nunca terem dado a conhecer nenhum bola de ouro, brindaram o mundo com jogadores da estirpe de Ghiggia, Schiaffino ou Obdulio Varela e,mais recentemente, Suárez, Forlán, Cavani ou Godín.
E, surpreendentemente – ou talvez não – este passado auspicioso não parece vir a perder fulgor. Nomes como Jonathan Rodríguez, Facundo Castro, Mauro Arambarri, Maurício Lemos, Nahitan Nández, Gastón Pereiro e principalmente Federico Valverde, já na mira do Barcelona e Real Madrid, indicam que o caminho pode ser trilhado pelos mesmos princípios que tanto deram à La Celeste. Princípios que estampados no lema “Libertat o muerte”, são encarnados pelos seus jogadores, disputando cada centímetro ou cada bola como se dos últimos se tratassem. Segundo Roberto Maduro (responsável por uma equipa de futebol infantil no Uruguai), o que atira o país para outra dimensão não está intrinsecamente ligado à qualidade individual dos jogadores, mas antes a um espírito guerreiro e a uma mentalidade nacionalista que é demonstrada no momento de subir ao relvado – “O Uruguai joga a 110%. Olhem o Brasil, preferem jogar contra a Alemanha do que contra nós”. Por ironia do destino, esta afirmação não será tão ajustada à realidade depois do último campeonato do mundo.
De facto, a paixão que se confunde com doença é transversal a quase todo o país, não sendo alheia ao ex-presidente Uruguaio Julio María Sanguinetti (1985-1990 e 1995-2000), fervoroso adepto do Penãrol que não abdica das suas superstições antes de qualquer jogo do seu maior amor “Eu tenho que tomar cinco cafés no estádio quando o Peñarol joga, cinco. É um café muito doce que eu não gosto nem um pouco, e vai acabar me custando uma gastrite, mas vamos fazer, é necessário”. À semelhança de quase todas as grandes potências futebolísticas, o espaço clubístico é dominado, senão na sua totalidade, por um leque restrito de clubes, onde se afirmam o Penãrol e o Nacional como fonte contínua de alimentação das selecções nacionais.
Não obstante a enorme rivalidade entre estes dois clubes, o curioso ponto em comum entre os vários clubes do Uruguai é assente no objectivo que tem por base a exportação de jogadores. É o alicerce que se constitui fundamental para que a sua selecção continue a prosperar no mapa do futebol e a orgulhar os seus apaixonados aficionados. Dos sub-15 aos sub-20, os resultados são absolutamente fantásticos dado o leque de recrutamento ao seu dispor. Ainda assim, há algo a melhorar na opinião do psicólogo e braço direito de Óscar Tabárez, Gabriel Gutierrez. “Menos de um por cento chega a ser profissional. Seria muito irresponsável estimular que o futebol é a salvação, quando a estatística marca que 99% não se irão salvar. Falar com os pais é fundamental, mas creio que as instituições desportivas tem que divulgar essas cifras, que são duras, e estabelecer políticas, nas quais, quem está participando do processo desportivo não abandone os estudos. É obrigatório exigir o estudo como plano A ou B como actividade fundamental, porque as cifras do futebol são muito duras”.

Scouting: João Magalhães e Rui Valente

0 Comentários

  • Anónimo
    Posted Abril 13, 2015 at 2:23 pm

    Vi o Gastón Pereiro contra Portugal sub20 naquele amigável que perderam 3-0 contra nós, com hattrick do andré silva. Era o melhor daquela equipa, mas nós éramos superiores..Outro jogador que jogou foi aquele bikel que voces falaram do herenveen…tambem joga largo o puto

    Infelizmente sabemos qual é o destino de nomes como o andré silva..

    Rafael

    • Filipe Rocha
      Posted Abril 13, 2015 at 3:17 pm

      O destino do André Silva depende essencialmente dele, por exemplo, pode começar por dar mais ao Porto em vez de ir ao Mundial de sub20.

    • João Dias
      Posted Abril 13, 2015 at 3:32 pm

      E supostamente o Uruguai é das seleções jovens da América Latina com mais potencial.

      Há boas perspectivas para Portugal no Mundial.

  • Kafka I
    Posted Abril 13, 2015 at 2:28 pm

    Texto delicioso, mas nas referências aos grandes jogadores Uruguaios, ficou a faltar ai um nome, Enzo Francescoli :)

    E falar em Uruguay é falar de uma das histórias mais belas (senão a mais bela de todas) do futebol Mundial em 1950, nem que o futebol dure 1000 anos, o Uruguay, Obdulio Varela e Ghiggia jamais serão esquecidos

    Quanto ao teor do post, bem pessoalmente acho que o número de habitantes tem o seu quê de importância, e o Uruguay aparece aqui como a excepção que confirma essa regra, e basta a título de exemplo verificar que de todos os campeões do Mundo, tirando a tal excepção Uruguay, todos os restantes Países que foram campeões do Mundo têm no minimo 40 milhões de habitantes ou mais

    A base de recrutamento é fundamental e portanto desde que um País leve o futebol a sério e como modalidade principal nesse País terá sempre mais probabilidades de ter melhores jogadores que um País periférico

    • Anónimo
      Posted Abril 13, 2015 at 2:31 pm

      O Uruguai também ganhou os mundiais quando era por convite. Não tirando qualquer mérito a isso, atenção…

      Rafael

    • Daniel Alves
      Posted Abril 13, 2015 at 2:41 pm

      Não esquecendo o enorme Recoba ! :)

    • João Lains
      Posted Abril 13, 2015 at 2:42 pm

      Ghiggia, autor do golo que deu a vitória ao Uruguai no célebre Maracanazo, é o único jogador que participou nesse jogo ainda vivo. Acho que não existe actualmente nenhum facto curioso que se sobreponha a este!

    • Rui Miguel Ribeiro
      Posted Abril 13, 2015 at 5:34 pm

      Pensei exactamente o mesmo: esqueceram-se do Francescoli!!!!

    • Anónimo
      Posted Abril 14, 2015 at 11:08 am

      E a esse lote eu acrescento ainda o célebre CUBILLA, extremo-direito do Penarol do inicio da década de 60 do século passado, um driblador fonemenal, que ainda chegou ao Barcelona, mas que não encontrou no clube catalão as condições de agora para brilhar, na altura muito instável, para além de ter à sua frente Kubala, Kocsis, Evaristo, Czibor e Cª.

      Santos

  • max alves
    Posted Abril 13, 2015 at 2:39 pm

    O fim do terceiro paragrafo ta errado…o brasil perdeu da alemanha mas nao tem medo nem dela nem de nunhuma outra selecao,ainda assim adimito que nao foi uma noite dos sonhos,admito que fikei atonito vendo a televisao,mas quer saber ainda vamos melhorar e vamos voltar a ser a melhor do mundo,ainda temos varios talentos nas bases e nosso campeonato eh dos mais competitivos do mundo (e apesar de muitos dos jogos ser doiveis de ver aq temos 13,14 times em condicoes e tradicao) o problema eh que nao existem mais jogadores como antigamente que amam os clubes e nao se rendem ao dinheiro (eh dolorido ver everton ribeiro,ricardo goulart ou diego tardelli irem para china ou arabia quando sao jogadores top) mas aqui ainda estamos confiantes em dias melhores e uma revache ai…alemanha goleou mas lembro do brasil ter ganho uma copa encima deles pena ser uma miragem nos dias de hoje…

    • Anónimo
      Posted Abril 13, 2015 at 5:33 pm

      Claro que o Brasil não teme nenhuma selecção. Todo o mundo tenta e só o Brasil é penta.
      O talento que tem vai deixar o Brasil sempre bem servido em todas as posições. Agora se é suficiente para ganhar mais copas do Mundo, não sei..

      João Magalhães

    • tomascapucho
      Posted Abril 13, 2015 at 5:55 pm

      Max, se o Brasil continuar no estado em que está, bem podes esperar para esse regresso ao topo.

    • E Jorge
      Posted Abril 13, 2015 at 5:59 pm

      Sinceramente, eu acho que o Brasil pode não ter medo de nenhuma seleção mas já não vai entrar para os jogos a ganhar pelo peso da camisola. Para mim, que sou apaixonado pela seleção brasileira, argentina e a França do Zidane, o Brasil precisa de voltar a jogar bonito para vencer um dos próximos mundiais. O grande problema é que faltam maestros para que isso aconteça…

    • max alves
      Posted Abril 13, 2015 at 9:08 pm

      Galera pra mim falta demais mas nao eh tao dificiu,eu nao digo que vai ganhar a proxima copa,mas pela materia prima concerteza vai ganhar uma denovo,tem eh que tirar os ratos corruptos da cbf,fazer uma reformulacao nas categorias de base pq meu primo foi convocado pra selecao sub-18 e nao tem todobo glamour da principal quando as europeias tem um tratamento muito bom com suas selecoes de base,enquanto haver esse negocio de selecao jogar na europa tambem nao vai ajudar como o povo vai voltar a torcer por uma selecao que vai jogar pela europa seus amistosos longe da sua populacao e depois reclamaram que precisavao da torcida ao seu lado na copa (roubalheira) do brasil quando muitos nem conheciam varios jogadores,sem falar do excesso de jogadores que vao por nome ou por estarem jogando na europa em detrimento a jogadores que estao em alto nivel no nosso pais eh incrivel em 2014 levarem maicon,fernandinho ou hulk e dexarem marcos rocha,lucas silva ou everton ribeiro e ricardo goulart de fora da selecao em 2010 deixaram neymar e ganso (que estavam a um nivel a mais aqui no brasil) pra levarem grafite,elano e julio batista fora doni que havia goleiros 100x melhores em qualquer parte

    • druyda
      Posted Abril 13, 2015 at 10:06 pm

      E no Brasil não se fala português?

  • Daniel Alves
    Posted Abril 13, 2015 at 2:43 pm

    Uma selecção que conta À vários anos com um trio de artistas como Suarez-Cavani-Forlan, e um monte de operários atrás deles tem de ser temida sempre. Dos jogadores que costumam jogar habitualmente na selecção não há que desiluda no clube onde está, pois dão tudo, acrescentando isso à qualidade própria deles.

  • Anónimo
    Posted Abril 13, 2015 at 3:40 pm

    Bom post. Transpira futebol por todos is poros…
    Vamos lá ver se o jonathan nos dá alegrias ao nosso benfica …

    Flávio

  • LuisRafaelSCP
    Posted Abril 13, 2015 at 3:52 pm

    Muito bom post. É de louvar a história da selecção uruguaia, tendo em conta a sua dimensão populacional, algo tão importante para ter uma boa base de recrutamento grande e com boas soluções… o Uruguai deve ser então quase caso único.

    A diferenciação está na aposta e formação de jogadores. No nosso país, também ele "pequeno" quando comparado com as grandes potências, podíamos fazer um brilharete do gênero ao Uruguai, mas quando chega a hora da verdade, vamos precisamente à América do Sul buscar jovens deixando os nossos para trás, mas isso já foi por demais debatido por aqui.

    O importante a reter, é que é mesmo possível fazer mais, com menos!

  • Alexis
    Posted Abril 13, 2015 at 4:15 pm

    Muito boa cronica de uma selecção que conquista adeptos por todo o Mundo devido à sua determinação e garra. Creio qie nunca vou esquecer aquele jogo doas 4os de final, creio eu, que Suárez impediu o golo no ultimo minuto do Gana, e foram ganhar nos penalties (eu sei que não foi muito ético mas é o espelho do acreditar que sempre caracterizou os Charrua).
    Incrível também a capacidade de fabricar talentos por parte de uma nação pequena como o Uruguai. A isso não se pode dissociar, como é referido no texto, a capacidade de dar 110% em cada partida e,de certo, em cada treino (aplica-se o velho ditado "diz-me como treinas e eu digo-te como jogas")
    Por vezes essa garra é confundida com agressividade mas verdade seja dita, qquem não gosta de ter um guerreiro capaz de morrer pelo símbolo na sua equipa? É por isso que adorava ver o Maxi terminar a sua carreira no meu Benfica. Não é um jogador top mundial mas aquilo que oferece à equipa vai muito além do que dá em campo.
    Estou mais uma vez a torcer por eles na copa América, embora sem o Suárez a tarefa seja mais complicada..

    P.S: até o presidente do País é um exemplo ;)

  • Anónimo
    Posted Abril 13, 2015 at 4:18 pm

    Esqueceram de falar do De Arrascaeta, do Cruzeiro. Talvez a grande promessa Uruguaia e já na seleção profissional.
    Natan Fox

    • Anónimo
      Posted Abril 13, 2015 at 7:37 pm

      Com certeza! Arrascaeta tem tudo para virar o nome dessa selecao nos proximos anos

      Joao Pedro Ribeiro

    • max alves
      Posted Abril 13, 2015 at 9:12 pm

      Se alguem tiver duvida do que nathan e joa falaram procurem o gol de bicicleta que ele fez quarta na libertadores e a caneta e gol que fez ontem no classico!!! o gol de empate frente ao galo…aqui ja eh idolo em pouco menos de 6 meses e ja tem apelido de arrascaneta pelas canetas plasticas que tem destribuido por aq

  • Mega Badjeras
    Posted Abril 13, 2015 at 4:22 pm

    Não sei se se esqueceram ou não, mas acrescentaria aí nos símbolos do futebol uruguaio, o nome de Álvaro RECOBA… simplesmente dos melhores médio-ofensivo-centro que vi jogar, um dos meus ídolos de infância, 11 épocas de altíssimo nível no Inter de Milão e com certeza, um dos jogadores que mais orgulhou este pequeno país.

    • Mega Badjeras
      Posted Abril 13, 2015 at 4:53 pm

      E Giménez do Atl. Madrid pode muito bem vir a ser a próxima figura da selecção. A ser preparado como futuro capitão do Uruguai.

    • Kafka I
      Posted Abril 13, 2015 at 5:00 pm

      Também não exageremos, o Recoba era um bom jogador, mas nunca passou disso, tinha muita qualidade técnica mas era demasiado inconstante e incapaz de fazer 10/15 jogos seguidos em alto nivel, mesmo durante o próprio jogo apagava-se bastante..

      Sempre ficou aquém daquilo que podia ter sido, pareceu sempre não estar 100% focado no jogo

  • Chilavert
    Posted Abril 13, 2015 at 5:33 pm

    Uruguai faz corar de vergonha paises como o nosso quando com cerca de 3,8 milhoes de habitantes consegue ter cerca de180/190 mil praticantes federados enquanto nós com 10 milhoes nem 150 mil conseguimos ter.
    O resto é a logica normal do futebol

    • E Jorge
      Posted Abril 13, 2015 at 6:04 pm

      O problema é que a seleção portuguesa ainda não definiu um estilo de jogo e é muito dependente de individualidades. Outro problema é o facto de contentar-se com pouco, em Portugal estranha-se com muito pouco quando o assunto é seleção.

  • Rui Miguel Ribeiro
    Posted Abril 13, 2015 at 5:37 pm

    Muito bom post sobre a minha selecção favorita da América do Sul! Notável como um país tão pequeno geograficamente e demograficamente, ensanduichado entre dois gigantes consegue bater-lhes o pé tantas vezes. O facto de ter tantos Mundiais como a Argentina já diz muito do valor do Uruguai.

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