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O Chelsea e a formação; as razões para o insucesso inglês nos escalões mais jovens

Num ano em que não há Europeu nem Mundial, as atenções centram-se no Europeu Sub-21 e no Mundial Sub-20. Em ambas as competições a Inglaterra marcou presença e, para não destoar daquilo que têm sido os últimos anos, foi eliminada na fase de grupos, sem qualquer vitória. Ora, estando a falar de um país com um dos campeonatos mais fortes do mundo, quais as razões para tanta banalidade, não só ao nível dos resultados, como também da qualidade futebolística apresentada?

Vamos então tentar encontrar explicações para o insucesso britânico. Começando por um dos factores que mais tem contribuído para a desvalorização do jogador inglês: a quantidade de estrangeiros que vão evoluindo nos escalões de formação dos clubes, principalmente dos mais endinheirados. Analisando o Chelsea, finalista vencido da última Next Gen Series, é fácil observar a diversidade de nacionalidades, com jogadores oriundos de cerca de 15 países. Basicamente, os “Blues” não formam, compram grandes promessas de todo o mundo ainda em idade junior (ou até mais cedo), o que já originou várias críticas dos emblemas verdadeiramente formadores – temos o exemplo do Feyenoord, que perdeu Nathan Ake. No 11 que defrontou o Aston Villa na final da prova, os londrinos alinharam com 4 jogadores ingleses (Beeney, Wright, Baker e Loftus-Cheek), o máximo que conseguiram ao longo dos 10 encontros disputados – e há que ter em conta que nomes como Lucas Piazón ou Wallace não estão em Stamford Bridge, senão o número ainda seria menor. É indiscutível que a maior parte das contratações são de elementos com um potencial enorme (o destaque vai inteirinho para Jeremy Boga, francês de apenas 16 anos que foi um dos melhores jogadores da Next Gen), mas não parece a melhor estratégia de formação, por várias razões: primeiro, porque não haverá espaço para todos na equipa principal e poucos lá chegarão; depois, não é uma atitude correcta (apesar de, em algumas situações, existir alguma mais valia financeira) para com os clubes que investem realmente na formação, como fazem o Sporting, o Aston Villa, os emblemas holandeses, entre outros; finalmente, porque o jogador inglês tem qualidade, apesar de nos últimos anos não ter sido devidamente explorado, e o Chelsea como clube inglês tem alguma responsabilidade. De referir que isto acontece não só nos Blues, como também noutros clubes como o Manchester City ou o Liverpool. Esta situação leva a que tenhamos muitas vezes selecções compostas por jogadores de emblemas de menor dimensão como o Southampton, o West Ham ou o famoso Crewe Alexandra.

Apresentando motivos mais gerais: 
 há um excesso de confiança bastante prejudicial. É comum o adversário ser subestimado, o que tem trazido inúmeros dissabores.
 existe um claro atraso em termos técnico-tácticos. Os ingleses não evoluem. Um futebol pouco elaborado, canalizado essencialmente pelos flancos, ou em alternativa através do jogo directo para o avançado. Os  laterais são pouco participativos e médios são muito limitados com bola, para além de normalmente não haver um número 10;
– um pouco na sequência do último factor, vem a incapacidade de potenciar jogadores. É impossível negar a qualidade de nomes como Eric Dier, Ross Barkley, Wilfried Zaha, Redmond, entre outros, só para citar jogadores que estiveram nestas últimas competições.
– a pressão. A imprensa britânica não perdoa (e exige resultados muitas vezes em que só eles acreditam). As selecções entram sempre na obrigação de ir longe nas provas, o que raramente tem acontecido, levando a que treinador e jogadores sejam “queimados”. 

25 Comentários

  • Mega Badjeras
    Posted Julho 1, 2013 at 7:46 pm

    Existem jogadores de qualidade e isso viu-se no mundial sub-20 apesar de não terem passado da fase de grupos. Eles tinham lá um chamado james ward-prowse que não conhecia e que fiquei impressionado pela qualidade de passe e pela maneira como controla a bola, é também um jogador ágil. Tem futuro. Não percebi é como é que o powell do manchester united ou o mceachran do chelsea não foram chamados. Agora existe é o problema de a premier league ser a melhor liga do mundo e a com mais receitas e comissões e como tal, os jovens jogadores ingleses não tem oportunidade para aparecer, assim recentemente que me recorde, só o wilshere. Mas este problema acontece também em Portugal, só que nós ainda nos vamos safando com as naturalizações de jogadores guineenses.

    • João Lains
      Posted Julho 1, 2013 at 10:14 pm

      Badjeras, esse miúdo Ward-Prowse não tarda estará a explodir na primeira equipa do Southampton à semelhança de Bale, Walcott, Chamberlain e Shaw nos tempos mais recentes. Já teve algumas oportunidades na temporada que terminou e só há motivos para ser mais utilizado até porque o plantel do Southampton não tem muitas alternativas para o centro do terreno.

      De resto elogiar a academia de formação dos Saints que para além dos citados deu outros grandes jogadores ao futebol inglês como Alan Shearer, melhor marcador de sempre da Premier League e Matt Le Tissier.

    • Mega Badjeras
      Posted Julho 1, 2013 at 11:50 pm

      Concordo contigo, mas lá está, eles depois se forem transferidos para os "grandes" da premier league dificilmente jogarão e perdem ritmo e vão andar em empréstimos sucessivos. Tenho bastante curiosidade em saber como é que um jogador jovem inglês se safa a jogar fora de Inglaterra, por exemplo num país latino-europeu. E é verdade, alan shearer nem se fala, agora o matt le tissier era o homem dos grandes golos.

    • Mega Badjeras
      Posted Julho 1, 2013 at 11:51 pm

      Concordo contigo, mas lá está, eles depois se forem transferidos para os "grandes" da Premier League dificilmente jogarão e perdem ritmo e vão andar em empréstimos sucessivos. Tenho bastante curiosidade em saber como é que um jogador jovem inglês se safa a jogar fora de Inglaterra, por exemplo num país latino-europeu. E é verdade, Alan Shearer nem se fala, agora o Matt le Tissier era o homem dos grandes golos.

  • Paulo Almeida
    Posted Julho 1, 2013 at 8:22 pm

    gostei deste post, realmente é impressionante as prestaçoes das seleçoes inglesas, mesmo tendo em conta a qualidade de vários jogadores.

  • Rodrigo
    Posted Julho 1, 2013 at 8:49 pm

    Excelente post! Parece-me que a Inglaterra tem bons valores nos escaloes mais jovens, mas parece-me que os principais motivos do fracasso britanico nas grandes competiçoes tem duas razoes especificas: o excesso de confiança e o atraso tecnico-tactico, ja que ainda tem um estilo de jogo muito baseado no 4-4-2 classico, em medios com pouca criatividade e mais fisicos e alas rapidos, bem como no passe longo para os avançados.

    Por outro lado, admito que o Chelsea e outros clubes estarem cada vez mais a apostar em jovens talentos estrangeiros em vez de formar ingleses com qualidade e prejudicial a qualidade das selecçoes britanicas e isso ainda tera mais influencia no futuro.

    Por fim, acho que este post poderia ser estendido tambem a Selecçao A, ja que apesar do talento de muitos jogadores e de terem a melhor liga do mundo, embora com muitos estrangeiros, continuam a desiludir nas grandes provas e a nao justificar esse rotulo de grande potencia futebolistica.

  • Rui Miguel Ribeiro
    Posted Julho 1, 2013 at 9:13 pm

    Não vejo que o 4-4-2 seja um problema. O problema, seja qual for o sistema, é ter executantes (e treinadores) à altura de o porem em prática com eficiência e qualidade.

    • Rodrigo
      Posted Julho 1, 2013 at 9:30 pm

      A questao nao e o 4-4-2, mas sim a falta de dinamica do sistema trabalhado pelos tecnicos das selecçoes inglesas, onde os dois medios do meio sao combativos, mas tem pouca qualidade com bola e depois no excesso de passes longos para os avançados e na dependencia da velocidade dos extremos, sem quaisquer trocas posicionais e apoio dos laterais.

  • Xamiças
    Posted Julho 1, 2013 at 9:28 pm

    Nunca ouvi falar desse Crewe Alexandra. Tem boas camadas é? Pelo que vi estão na league one.

    • João Lains
      Posted Julho 1, 2013 at 10:23 pm

      Costumam ter vários jogadores nas selecções jovens. E o último deles é um jovem chamado Max Clayton, ponta de lança de 18 anos que é já a principal referência da equipa. É internacional pelos Sub-19. Quanto a jovens que saíram das camadas jovens tens o mais recente caso do Nick Powell do Man Utd. Era ele a figura da equipa em 2011/12.

      Recuando mais um pouco tens o Danny Murphy, que passou a melhor fase no Liverpool no início do século onde conquistou vários títulos. E depois o Dean Ashton, avançado de Premier League que retirou-se em 2009 (com apenas 26 anos) muito castigado pelas lesões.

  • Jorge Fernandes
    Posted Julho 1, 2013 at 9:31 pm

    É bem verdade quando dizem que os clubes ingleses "roubam" jovens promessas aos verdadeiros formadores. O chelsea roubou o Nathan ao feyenord. O liverpool já foi buscar o João Carlos ao Sporting e também tentou/tenta vir pescar o Ilori (são casos diferentes sim, mas tem uma ponta comum) e acho que o Mané também já foi associado. Mas esse é um risco que todos os clubes formadores correm.
    Mas os casos são muitos, o Chelsea também veio buscar o Mesca, irmão do bruma, se não estou em erro aos sub 16 em 2009, O Man city veio buscar o Rony ao benfica, etc.
    Quando a selecção inglesa bater no fundo daqui a uns anos, eles irão acordar e irão melhorar as escolas e impor regas na formção que obrigue a apostar nos ingleses. Na alemanha aconteceu isso. A selecção A bateu no fundo e agora voltou a tornar-se numa mega potencia na formação.

    • Rodrigo
      Posted Julho 1, 2013 at 9:40 pm

      Suso ou Yesil do Liverpool, Suarez e Rony Lopes do City, Cuevas e Boga do Chelsea ou Miquel do Arsenal sao outros exemplos.

  • diogoribeiro
    Posted Julho 1, 2013 at 9:35 pm

    Grande post!

    Na minha opinião, a razão para os sucessivos fracassos das seleções inglesas (jovens e seniores) é amentalidade dos mesmos. Excesso de confiança e o fraco apoio dos adeptos… Os adeptos ingleses têm de fazer o que está a fazer o Brasil agora e Portugal, por exemplo, fez em 2004 que é juntarem se todos como um só.

    Isso não acontece em Inglaterra… os adeptos do Liverpool, por exemplo, preferem que o Gerrard marque um golo e a Inglaterra perca do que ele não marque e a Inglaterra vença.

    O Chelsea, na perspetiva do clube em si, faz bem, pois aumenta as possibilidades de no futuro ter melhores jogadores sem sequer ter de pagar por eles. Mas, obviamente, isso prejudica e muito a seleção, por isso o que a Federação inglesa deveria fazer era, nas camadas jovens, 5/6 jogadoes titulares em cada jogo tinham de ser ingleses, o que iria aumentar as apostas nos mesmos.

    A única parte do post que não concordo é o atraso tecnico-tatico, pois acho que nos últimos 3/4 anos a Premier League se desenvolveu muito nesse aspeto,principalmente no aspeto ofensivo ao ponto de estar ao mesmo nível que a Bundesliga e a Liga Espanhola.

    Por outro lado, o aspeto defensivo deixa muito a desejar e os treinadores ingleses têm de melhorar defensivamente.

    Cumprimentos

  • Luís Duarte
    Posted Julho 1, 2013 at 9:46 pm

    Isto não tem muito que sabes, os Ingleses são burros e mediocres a jogar à bola, a única qualidade que têm, é a entrega, mas isso é muito pouco, em todos os restantes componentes são medíocres, em especial destaque para a componente técnica e táctica…na componente táctica então, até chega a dar pena a tipica equipa inglesa…até uma equipa da 2ª divisão portuguesa ou 2ª divisão italia, tem noções tácticas superiores…como tal a Inglaterra enquanto Selecção nunca fez nada de jeito (o único título que têm em 1966 foi das maiores vergonhas do Futebol a forma como o venceram) e nunca irá fazer, simples…

    • Vasco
      Posted Julho 1, 2013 at 9:52 pm

      concordo a 95% (só não exagerava tanto na primeira frase).

    • Rui Miguel Ribeiro
      Posted Julho 1, 2013 at 11:05 pm

      Essa das maiores vergonhas tem muito que se lhe diga! Ninguém con seguiu provar que a bola do Hurst não entrou.
      Olhe, vergonha maior foi a vitória da Espanha no último Europeu.

    • carlos Zorrinho
      Posted Julho 2, 2013 at 9:30 am

      O maior roubo nem foi com a Alemanha, mas sim contra nós, mudaram-nos de estádio e tudo.

    • Luís Duarte
      Posted Julho 2, 2013 at 5:05 pm

      Rui Ribeiro,

      A maior vergonha não foi contra a Alemanha, foi no jogo contra Portugal (mudaram-nos o estádio obrigando Portugal a fazer uma viagem enorme de comboio um dia antes, quando deveria ter sido ao contrário)…para não falar no vergonhoso jogo contra a Argentina, onde valeu tudo, quase só faltou o árbitro ter marcado o golo pela Inglaterra…

    • Luís Duarte
      Posted Julho 2, 2013 at 7:25 pm

      Rui,

      Já agora, porque foi vergonhosa a vitória da Espanha? Assim de repente não me recordo de casos de arbitragem tão flagrantes assim, a favor da Espanha

  • João Lains
    Posted Julho 2, 2013 at 2:23 am

    Quase 2/3 dos jogadores da Premier League são estrangeiros, selecionador fraco, 4-4-2 completamente ultrapassado, que perante equipas montadas em 4-3-3 ou 4-2-3-1 começa logo por perder o meio-campo, no entanto acho que há razões para estar optimista. Pegando em jogadores apenas sub-23 já se constrói um onze bastante sólido, ao nível de uma equipa inglesa da metade superior da tabela. Para começar apostaria num 4-3-3 montado com os seguintes jogadores:

    GR: Butland, as opções para a baliza não são muitas, mas ser chamado ao Euro com apenas 19 anos diz muito
    DD: Walker, se já podia perfeitamente ser o dono do lugar, poderá no futuro atingir o nível superior ao Glen Johnson
    DE: Gibbs, viu-se a melhor versão dele na segunda metade da temporada que coincidiu com a chegada de Monreal ao Arsenal, tanto que nem permitiu ao espanhol conquistar a titularidade
    DC: Se Jones tem todas as características e o perfil para ser o novo Terry, então Smalling pelo poder no jogo aéreo e pela qualidade técnica (joga muitas vezes a lateral direito) poderá dar o mesmo que Ferdinand. São os dois do Man Utd onde poderão formar a dupla do futuro por isso o entendimento entre eles será perfeito na seleção
    MDC: Rodwell, o tampão do meio-campo. Há muito que não surgia um médio defensivo com as suas qualidades no futebol inglês. Também tem um bom trato de bola
    MC: Cleverley, substituto de Scholes, seria o box-to-box desta selecção sempre a jogar à máxima intensidade.
    MAC: Wilshere, seria o elemento mais adiantado do meio-campo
    Alas: Chamberlain é mais evoluído tecnicamente que Walcott, traz um ritmo impressionante ao jogo, já no último Europeu foi bem visível. Sturridge, extremamente rápido e com um pontapé fortíssimo podia igualmente ser a referência do ataque. Estes dois tinham a vantagem de poder trocar ao longo do jogo de posição jogando com os pés trocados. Depois sobravam ainda Zaha, Sterling e Ince que ainda precisam de se afirmar no primeiro escalão
    PL: Welbeck, pode melhorar ainda em muitos aspectos do seu jogo

  • TxMx
    Posted Julho 2, 2013 at 4:46 am

    é por isso que a liga alemã será a maior do mundo a curto prazo, pois aposta na formação que é o nucleo do futebol. A liga inglesa assim como 2 grandes da liga portuguesa parecem que já pouco querem saber dos novos talentos, apenas pretendem comprar já formados. É triste.

  • TxMx
    Posted Julho 2, 2013 at 4:49 am

    é por isso que a liga alemã será a maior do mundo a curto prazo, pois aposta na formação que é o nucleo do futebol. A liga inglesa assim como 2 grandes da liga portuguesa parecem que já pouco querem saber dos novos talentos, apenas pretendem comprar já formados. É triste.

  • José Coelho
    Posted Julho 2, 2013 at 5:41 am

    Concordo inteirameite com o VM e o post do Diogoribeiro veio adicionar aquilo que faltava na opiniao do VM.Parabéns.

  • Chilavert
    Posted Julho 2, 2013 at 1:10 pm

    O campeonato ser invadido de estrangeiros não explica quase nada( Espanha França e Alemanha também tem inúmeros estrangeiros e as selecções são fortes e os jogadores são de grande qualidade).
    O atraso técnico-táctico do treino é talvez a principal razão: os ingleses sempre foram conservadores e resistiram ás mudanças e no futebol não é diferente.Eles querem manter a sua identidade e a sua matriz, não se querem regenerar e os resultados estão á vista.O termo "burro velho não aprende línguas" adequa se muito bem.
    Há outro factor e não quero ferir susceptibilidades: na sua globalidade o cidadão ingles adora e é entusiasta de futebol mas não tem muito jeitinho natural para jogar ou seja os ingleses não tem muita apetencia nata para jogar ( ao contrario do português espanhol italiano brasileiro argentino francês) logo ai dificulta ainda mais as coisas.Tem de fazer como os outros plano de formação á escala nacional

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