Para um franchise fazer parte da elite da NBA há um elemento que todos parecem considerar indispensável: possuir uma estrela. Olhando para o topo da classificação, há uma equipa que desafia essa evidência; os Denver Nuggets. A exemplo dos campeões Pistons (2003/4), os Nuggets não possuem nenhum jogador considerado de topo. Têm bons jogadores, alguns deles especialistas (Iguodala é um bom defensor, mas viu-se em Philadelphia que estava longe de conseguir carregar uma equipa no ataque), talento e capacidade física (é uma equipa muito rápida nas transições e que luta nas tabelas, lidera nos ressaltos ofensivos). Mas não possui um jogador capaz de “pegar” no jogo no sentido clássico (passem-me a bola e eu resolvo), aliás desde a saída de Carmelo não voltaram a ter um elemento no All-Star Game. Ora, ainda assim, Denver bate-se no topo do Oeste (terceira posição, igualando o seu máximo de vitórias de sempre, com 54), contra equipas que possuem (teoricamente) melhores argumentos. Tudo baseado num excelente jogo colectivo que, claro, tem o dedo do seu treinador. E as coisas nem começaram bem, a equipa sentiu a falta do triplista Afflalo, e Iggy esteve longe de deslumbrar na fase inicial. Mas Karl manteve-se fiel ao seus princípios, e cedo a sua equipa começou a carburar, conseguindo até uma série de 15 vitórias seguidas. Jogo de equipa e nada egoísta (apenas San Antonio e Atlanta têm mais assistências), defesa agressiva (segundo em roubos de bola, terceiro em desarmes), exploração da disponibilidade física dos seus melhores atletas (o “velocista” Ty Lawson ou o Manimal Faried) são os segredos do sucesso de um treinador que consegue tirar o melhor de cada jogador à sua disposição, lote em que se inclui o maluco Mcgee, jogador difícil de domar, e para o qual todos dão o seu máximo, sem refilar ou amuar. O resultado está à vista!
Quem será o treinador do ano? Erik Spoelstra , detentor do melhor record da competição? Greg Poppovich, que mantém os “velhos” Spurs no topo? Não podemos esquecer o trabalho feito por Thibodeau ao leme dos Bulls orfãos de Rose. Ou dissociar o trabalho de Mike Woodson da evolução dos Knicks. Frank Vogel seria uma boa escolha, ao colocar os Pacers e a sua defesa no topo do Este. Candidatos não faltam, e haveria argumentos para todos defender. Mas a escolha vai para… George Karl. Esta época Denver tornou-se naquela equipa (além de ser a mais espectacular da Liga) que ninguém quer defrontar nos playoffs (até porque em casa são implacáveis), e muitos aprenderam a tomar os Nuggets como reais candidatos (levaram um rude golpe com a lesão de Gallinari, mas Chandler e Brewer tem preenchido bem o seu papel). Mérito do conhecimento táctico e capacidade de motivação do seu treinador.
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Nuno Ranito



6 Comentários
Fábio
Concordo, não é qualquer um que pega num conjunto sem super-estrelas e o põe a jogar como uma verdadeira equipa, levando-o ao 3.º lugar da conferência. E isto depois de um péssimo início de época. Resta saber o que farão agora os Nuggets nos playoffs, fase em que costumam fraquejar, e na qual não poderão contar com Gallinari e, possivelmente, Lawson.
SardaoDaNoite
O Andre Miller ainda está aí para as curvas, vão ver.
Rodrigo
Eram varias as opçoes e eu escolhi Mike Woodson dos NYK pela evoluçao da equipa de Carmelo e companhia este ano, mas admito que o George Karl tambem e um justo vencedor deste premio, uma vez que os Denver Nuggets tem estado fantasticos este ano, onde Faried tem feito uma epoca assombrosa.
Pedro
Concordo. O que o VM acha de Evan Frounier? Sinceramente do que vi parece um jogador pra evoluir e muito.
Calheiros
excelente análise!
Tigas
Eheheheh 3 em 3 para mim. Só me falta acertar no 5 inicial…