Está a começar oficialmente a época maluca dos negreiros da bola, para alívio de editores sem acesso aos protagonistas do futebol e com dificuldade em matar o vício aos adeptos dependentes de novidades enquanto o esférico não recomeça a rolar.
“Querem informação? Comam chouriços!” – é o princípio que norteia, em 99 por cento dos casos, a concepção, produção e apresentação do “noticiário”, acompanhado de comentários e estatísticas promocionais, sobre os mercadores do futebol, os caixeiros-viajantes dos clubes e as últimas promoções dos catálogos Transfermarkt.
No Twitter circula uma compilação de 79 nomes de jogadores estrangeiros que nas últimas semanas foram associados ao Benfica por pelo menos um meio de comunicação – espécie de prenúncio de um verão cheio de lixo mediático e pasto à especulação. Um sinal de que as secções de enchimento de “chouriços”, um legítimo e tradicional ramo do jornalismo de vão de escada, laboram freneticamente.
A “febre dos reforços” do Benfica está tão quente que os experts até competem no campo dos desmentidos. “Já dissemos em primeira mão e dois dias antes da concorrência que o negócio de Kerkez já não se faz” – ufanava-se um “mercadista” numa das televisões líderes de audiências, que tenta dar à banha da cobra a imagem de um perfume de “grife”.
Dos primeiros tempos da actividade dos agentes do futebol, a que se dava o imponente nome de “empresários”, recordo os cuidados que tínhamos antes de libertar um nome e do pânico da descredibilização, do jornalista e do meio, no curto período entre a notícia, – geralmente creditada a fontes identificadas, tão reduzido era o número de agentes – e o anúncio confirmador. Hoje, um nome atirado ao ventilador das manchetes desportivas, nos jornais e nos espaços audiovisuais dedicados ao assunto com “especialistas”, encartados ou não, tem a mesma idoneidade daqueles repórteres criminais, bem vestidos e maquilhados, que coscuvilham a partir da cena do crime “temos a informação, que ainda não conseguimos confirmar, de que…”
Vivemos o estertor do jornalismo, numa dimensão analógica do caos informativo que a Inteligência Artificial nos reserva para um futuro próximo. Esta comercialização desregulada da aldrabice futebolística, numa selva de promiscuidade entre intermediários e comunicadores, com a bitola das comissões a rondar já os 12 por cento, exige há muito uma intervenção superior, uma chancela de credibilidade que separe o trigo do joio e que, como o ovo e a galinha, afinal sempre existiu e é, até, mais velha do que a própria notícia: a fonte identificada.
Presumo que os títulos de “Zequinha na lista”, “Zecão no radar” ou “Zecaço referenciado” criem aos editores atuais a percepção valiosa e bem remunerada de satisfazer os clientes-leitores, transformando estes tempos de jornalismo moribundo em desesperadas feiras de sonhos e esperanças, sem respeito pela realidade – mas são em primeira instância um serviço ilegítimo ao comércio e aos seus especuladores, punível pela Lei de Imprensa.
Como dizia Giordano Bruno, que morreu na fogueira da Inquisição por causa da obsessão pela verdade, “se non e vero, é ben trovato”.
João Querido Manha


8 Comentários
offtopicguy93
Infelizmente vivemos numa época onde o mediatismo em Portugal é maioritariamente composto por pessoas que chegaram lá através do tachinho, das parvoíces que dizem ou uma junção de estar no sítio certo à hora certa! Isto não se passa só no jornalismo, basta olhar para o panorama da televisão em Portugal, antigamente haviam muitos e bons atores, hoje em dia estamos a levar com os atores da geração morangos com açúcar que estão na ribalta à pala de um casting que fizeram com 15 anos, antigamente haviam alguns comentadores de futebol a sério, faziam se análises detalhadas aos jogos e havia discussão saudável em canal aberto, hoje em dia são os calados, chainhos e os nelsons da vida a comentar derivado a uma carreira futebolística que tiveram, que diga-se de passagem, fraca!
Estamos nivelados por baixo neste país, desde a televisão, à política, tudo… como diz um conhecido meu, vivemos na época dos xuxas!
Goncalo Silva
A meu ver há muitos nomes a ser apontados ao Benfica que infelizmente me parecem demasiado bons para ser verdade. Desde Kerkez, Kokçu, Guler, Fábio Carvalho, di Maria, Santiago Gimenez, Gift Orban, e ontem apontou-se até Jordi Alba, e esse até foi o Fabrizio!!
Isto são tudo jogadores que, com muito respeito pelo Benfica, conseguem melhor desportivamente ou financeiramente (dependendo do caso claro).
É bom garantir os reforços cedo mas é preciso ter calma… DE e MC são obrigatórios, e têm de ser nomes fortes. Embora ainda ache Kerkez possível, é preciso pensar em alternativas mais realistas. Gostaria de ver Bjorn Meijer, lateral potente que bate bem na bola e que tem potencial para evoluir defensivamente. Para MC gosto de Alan Varela ou Sander Berge (mais difícil) por exemplo.
Para as outras posições daria oportunidade na pré-época a Tiago Gouveia, Hugo Félix e Henrique Araújo antes de avançar para um extremo ou PL.
Braulio
O Zequinha pode estar na lista, mas não me acredito que abdique do seu Vitória de Setúbal
donnogas
O Benfica tem é de pagar mais por este jogador e ponto final.
Queremos pedir 120 pelo Enzo depois vai e vira flop.
Queremos pedir 85M pelo Darwin depois vai e vira flop.
E não queremos pagar 20M por este jogador? Claro que quando menos melhor agora se é o clube pede, tem legitimidade para pedir o que quiserem, desde que valido.
Mantorras
Txi que confusao.
Respira homem.
Mushy
Queremos toucinho temos sardinha…
Se queremos praia temos sapatos para correr, mas todavia teremos sol com neve num prato para beber umas garfadas de areia.
Sei que não faz sentido nenhum o que disse, mas quis entrar na mesma onda.
Que confusão vai para aí companheiro
Daervar
Alguém relembre o Manha que os desportivos sempre foram a anedótica banha da cobra do jornalismo.
Stromp1906
Tem piada porque um dos grandes mentores da “aldrabice” em tempos, é agora o Director desportivo actualmente no Benfica, e até foi campeão. Conclusão, provavelmente o povinho até gosta deste folclore