Max vai conseguir vencer todas as provas até final? Esta época o único interesse é mesmo ver quem completa o pódio. Por exemplo o grande destaque desta corrida até foi Sainz ter liderado durante 14 voltas (o máximo esta época para um piloto não Red Bull), na melhor tarde da Ferrari esta época. A desilusão vai para os Alpine, que depois do pódio na semana passada mostraram um ritmo muito baixo.
Max Verstappen venceu o GP de Monza e somou o 10.º triunfo consecutivo (recorde absoluto) no Mundial de F1. O neerlandês até viu Carlos Sainz sair da Pole, mas à entrada da volta 16 saltou para a liderança e nunca mais a largou. Checo Pérez foi 2.º e fez o 6.º 1-2 da Red Bull na temporada, enquanto Sainz entro no pódio pela 1.ª vez este ano. Leclerc foi 4.º, seguido pelos 2 Mercedes Russell e Hamilton, Albon, Norris, Alonso e Bottas. Piastri, que foi 11.º, fez a volta mais rápida, enquanto Tsunoda desistiu ainda antes do início da prova e Ocon durante.


16 Comentários
Lord Bendtner
Correção no texto, o Piastri tendo ficado fora do top10 não ganha o ponto de volta mais rápida.
Kafka
A Europa é o continente com mais Grandes prémios (diria que são 7 e meio sendo o meio o do Azerbaijão), agora chega-se a Setembro e acabam os GP na Europa, não faz muito sentido quando ainda faltam 8 GP para o fim do campeonato
Só percebo este tipo de calendário, devido ao inverno na Europa e portanto corridas em Outubro e Novembro haveria uma grande probabilidade de ser com muito chuva e eventualmente até neve… Se bem que Espanha ou Mónaco não têm invernos rigoroso, logo podiam ficar essas mais para o fim
Carvalho
O calendário tem a ver com a disponibilidade dos circuitos. O calendário de 2024 já é agrupado por regiões geográficas, mas isto aconteceu com muita flexibilidade dos circuitos
Kafka
**8 e meio
Carvalho
Um aparte diretamente ao VM: o ponto da volta mais rápida só é atribuído ao piloto que faz a volta mais rápida desde que este esteja nos 10 primeiros. Piastri ficou em 11º e não recebeu o ponto.
Épico, histórico, demolidor. 10 vitórias consecutivas é daqueles recordes e daquelas histórias que, muito provavelmente, serão lembradas para sempre e não quebrados. Max está já muitos furos acima de todos os outros, e até as regras mudarem em 2026 muito dificilmente a Red Bull sairá do pedestal. Max já está cimentado como um dos melhores de sempre (a sua forma de condução agressiva a lembrar uma mistura de Senna com Schumacher é, no mínimo, única e difícil de replicar) e será uma questão de tempo até entrar no real debate de quem é o GOAT. Penso que nunca houve uma relação carro-piloto-engenheiro de corrida tão funcional, inteligente e eficaz.
Em relação à corrida, os Ferrari sofreram daquilo que têm sofrido desde o início da época passada: alta degradação de pneus. Um setup mais leve, como o de hoje, continua a não ser suficiente para combater essa degradação elevada – não é normal um pneu duro não aguentar 20 voltas com utilidade. Sainz tentou ser agressivo e fechar a porta várias vezes a Pérez, Leclerc e Verstappen no final da reta inicial, mas depois no final do setor 1, antes da variante, decidia sempre mal, o que lhe fazia perder tempo – para mim, seria penalty duas vezes porque Sainz claramente não tentou virar o volante e viu-se no onboard. Apenas um aparte em relação a essa curva: na ultrapassagem de Hamilton a Albon, Hamilton estava exatamente na mesma posição que Verstappen estava em 2021 aquando do mítico acidente, sendo que diferença foi a diferença de espaço que Albon deixou este ano para a diferença de espaço que Hamilton deixou em 2021.
A Aston Martin teve um problema que já se sabia desde o Bahrain: tem um carro super competitivo e competente em pistas onde é necessário mais downforce e não tanta velocidade de ponta, mas um carro a roçar o medíocre em pistas onde retas são mais de metade da pista. Desta forma, resultado completamente normal e expectável. Em relação à McLaren, os novos updates não resultaram – Silverstone é uma das pistas mais rápidas do campeonato e estavam muito fortes, por exemplo -, e é necessário voltar ao drawing board e retroceder alguns passos para perceber o que se passou. Era de caras que a Williams nas mãos de Albon seria top 10, no mínimo, sabendo que Williams tem a melhor velocidade de ponta das 10 equipas (não confundir velocidade de ponta em circuitos onde não é necessária tanta aerodinâmica e efeito solo com competitividade do carro), pelo que Norris e Piastri tiveram a vida muito dificultada atrás de Albon durante muitas voltas.
Em termos de pilotos, apenas alguns comentários:
– Hamilton não se adapta a um carro de efeito solo. É um facto. É um piloto incrível, está nos melhores de sempre, mas estes carros que dependem muito do chão e da aerodinâmica não são para ele. O penalty atribuído foi completamente justo, uma vez que não se pode mover enquanto a travagem acontece, e ele tendo feito isso, empurrou Piastri para o lado direito e acabou por tirar o australiano dos pontos.
– Pérez a fazer a sua melhor corrida da época e a mostrar que ainda pode ser uma mais valia para a Red Bull. Foi uma corrida competente, pelo que o pódio é completamente merecido.
– Ocon e Gasly são um caso bicudo. A Alpine é uma casa a arder, e não há forma de contornar isso. O que Otmar disse há umas semanas sobre a diferença de horsepower do motor Renault para os restantes acabou por ser verdade, e a estratégia que a equipa adotou ajudou 0.
– Leclerc não obedece a team orders, e fica a sensação que poderia ter feito mais nas 10 primeiras voltas. Se o tivesse feito, tinha conseguido chegar ao pódio mais tarde na corrida. Contudo, a estratégia da Ferrari falhou redondamente e deveria ter chamado Leclerc na volta 15, mais ou menos, para meter hards e ficar mais tempo à frente de Pérez no futuro. Charles é um bom piloto, mas tem o azar de estar na mesma era que Verstappen.
– Russell é um piloto banal. Outrora promessa da Mercedes, agora não passa de um piloto que deixou o facto de estar numa equipa grande lhe subir à cabeça. A falta de accountability é recorrente, e isso mostra uma falta de noção de racecraft enorme.
No geral, uma boa corrida e que foi interessante de se ver até metade. A partir da volta 30, valeu pela luta pelo pódio a partir do segundo lugar, mas o resto da grid estava completamente com estratégias diferentes e que eram difíceis de perceber (os objetivos da Mercedes desde a volta 1 ficaram completamente sem sentido e não se conseguiu perceber pelo que estavam a lutar).
Em Singapura pode acabar a sequência de vitórias de Max e da Red Bull. É literalmente a última pista para Alonso conseguir a tão desejada 33: baixa velocidade, muita downforce, tensão qb de pneus e tão estreita que torna as ultrapassagens difíceis. A qualificação vai ser fundamental, obviamente, pelas características da pista. Prevejo uma corrida com safety car e que pode alterar as estratégias das equipas. Caso a sequência de Max acabe, não faz mal nenhum: ele já estabeleceu um recorde incrível e (quase) impossível de bater e não deve absolutamente nada a ninguém. Aconteça o que acontecer, já é campeão e já não precisa de provar nada àqueles que ainda vivem na época de 2021!
Anacleto
Excelente comentário!
Foge Quim
Comentário excelente!
Sem nada acrescentar ?
Rui Bastos
Ele nunca teve nada a provar … toda a gente sabe o talento do Max, mas não deixa de ter sido uma decisão errada em 2021, se formos a seguir o regulamento… escusavas de ter escrito essa parte mas logo se percebe ao que vens ..enfim!
Charles é um bom piloto mas tem azar de estar na mesma era de Max?? O ano passado com carros semelhantes em nível de performance, o Max andou a apanhar papéis em várias corridas.. imagina se apanha um Norris no mesmo carro que ele, qualificação perdia praticamente todas e race pace .. só testando mesmo. Mas não me venham dizer que isto é tudo devido ao piloto, como em outras eras.
Carvalho
Bem, primeiro que tudo, a época de 2021 foi cheia de decisões erradas para os dois lados. Uma época repleta de peripécias em que tomar uma decisão era sinónimo de tomar lados, segundo os adeptos. Não venho a absolutamente nada, só se for meter o entendido no lugar dele, porque posso adorar o Max e adorar o Lewis simultaneamente e fazer uma abordagem imparcial. Mas vamos por partes em relação a 2021:
– se formos a seguir o regulamento, Hamilton teria levado penalty na Gra Bretanha de, no mínimo, 10 segundos e teria perdido para Leclerc.
– se formos a seguir o regulamento, Max teria levado penalty no Brazil e não teria influenciado absolutamente nada no campeonato (mas teria sido justo)
– se formos a seguir o regulamento, Verstappen não teria dado a posição na volta 53 no GP do Bahrain quando ultrapassou de forma justa e Hamilton teria levado penalty por ter saído múltiplas vezes após a bandeira branca e preta na curva 3
– se formos a seguir o regulamento, Hamilton teria levado penalty em Jeddah
– se formos a seguir o regulamento, Verstappen teria possivelmente levado penalty em Espanha logo na curva 1, volta 1.
Mas enfim, na F1 só se quer que o regulamento funcione quando o piloto que apoiamos é beneficiado, tal como em todos os desportos. Faz parte do movimento de apoio desportivo e é normal. O campeonato era de Max tal como os que Hamilton ganhou foram limpos, justos e merecidos.
Em relação a Leclerc, mostraste que não acompanhaste a temporada. Max foi mais piloto, mais consistente e melhor ao longo da temporada. Leclerc perdeu a luta em França quando cometeu um erro crítico, e a sua época foi marcada por isso mesmo: erros. Um piloto que se assume como candidato a título não pode cometer erros em todas as corridas. Max comeu-o vivo corrida atrás de corrida, foi mais consistente, mostrou mais skill e tem uma mentalidade completamente diferente dos demais: não acusa a pressão como Leclerc acusa.
Norris é um bom piloto, mas não está ao nível de Max. Não vou alimentar um debate entre um piloto que ganhou quase 50 vezes e conseguiu tirar um dos melhores pilotos de sempre, no seu prime, do trono e um outro piloto que não ganhou nenhuma corrida. Norris é um ótimo piloto, mas o hype existente à sua volta qual Russell é gritante.
O que acontece com Norris, Albon, Leclerc e Russell neste momento é o que aconteceu com o Montoya: piloto incrível, muito rápido e agressivo e que nunca desistia nem tirava o pé do acelerador, mas que teve o infortúnio de estar na mesma época que Schumacher e Ferrari do início do século XX (San Marino 2004 à cabeça ou então Interlagos em 2001, ou até mesmo as batalhas com Kimi em Spa).
Ninguém disse que é tudo piloto: literalmente disse que é uma relação entre carro-piloto-engenheiro de corrida. Para acabar este tema, os melhores pilotos têm os melhores carros. Sempre foi assim, sempre será. Os melhores pilotos têm os melhores contratos, os melhores pilotos têm o maior investimento, e os melhores pilotos têm sempre a última palavra no que a equipa pensa fazer em relação ao desenvolvimento do carro. Se achas que Max não teve mão no desenvolvimento do carro, basta ver a política de investimento desde o motor Aston na Red Bull e também ver os comentários de Hamilton em relação à Mercedes no final da época passada, os comentários de Vettel em 2014 e 2022 em relação à Red Bull e Aston Martin respetivamente – até Alonso já admitiu que o Aston Martin está competitivo devido também ao feedback que Vettel deu em relação ao carro durante as duas épocas que fez na Aston. A Red Bull construiu um carro dominante, forte, consistente e incrível. Está na hora de dar crédito tanto à equipa como ao piloto. Se meteres talvez o Maldonado
Os regulamentos falham, os comissários falham, os pilotos falham, e a direção de corrida falha. São humanos. Tal como há erros a beneficiar certos pilotos, há erros que irão beneficiar outros. Não te prendas em rivalidades sem sentido e aproveita mais o que estás a ver. Não existem futurismos na F1 e “e se…”. Se Kubica nunca tivesse tido o acidente no Canadá em 2007, Vettel nunca o teria substituído na BMW
Carvalho
Se meteres talvez o Maldonado ou Latifi no RB19 eles não vão ganhar 10 vitórias consecutivas ou se calhar nem lutam por vitórias. Há pilotos e pilotos, claro que o carro tem que ser equiparado ao piloto e vice versa.***
Rui Bastos
Mas tu foste o primeiro a falar de 2021 e aí a falha não foi sequer não cumprir o regulamento, foi alterar por completo e inventar uma regra nova só para não acabar a corrida atrás de safety car, como por exemplo o ano passado acabou uma. O Norris não dava luta ao Max? Em qualificação com o carro mais fraco está várias vezes na luta pela pole … como é que é sobrevalorizado? O teu piloto que não comete erros nos primeiros anos era manobras malucas em cima de manobras malucas.. E o Hamilton sempre teve companheiros melhores que o Max, excluindo o Bottas (que deve ser do nível do Pérez, talvez um bocadinho melhor que o Perez) todos os companheiros do Lewis foram bons pilotos, inclusive Rosberg que deu tudo por tudo e se reformou depois de conseguir ganhar. Gostava de ver o Max no mesmo carro com um colega bom, porque o Ricciardo que não vale nada como piloto deu-lhe luta nos primeiros anos de RedBull, o Norris destrui o Riccardo.. e depois não dava luta ao Max eheh. É com cada maluco
Alforreca
“Adoro” esta nova narrativa de que o Hamilton é que tinha pilotos muito fortes ao lado dele.
O Kovaleinen era um grande piloto? É que quando vêm falar de ALO ou BUT parece que o Hamilton foi campeão do mundo como companheiro de equipa de um deles (e relativamente ao ALO sabemos bem a história e do que a equipa lhe fez). Já agora nem o contrário é verdade.
Mais, o grande culpado do título de Rosberg foi a soberba do Hamilton, que decidiu tirar “férias” no fim da época de 2015, dando confiança e voz na evolução do carro ao alemão. Depois foi a história que se viu. Agora achar que o Ricciardo da RBR não era um piloto forte ou que em termos genéricos PER e BOT não são comparáveis é ridículo.
Quanto às manobras estúpidas do VES são equiparáveis ao início de carreira do HAM e olha que também foram bastantes. Por falar em manobras estúpidas, o Albon deve estar muito grato ao HAM pelas manobras sensatas que lhe tiraram duas vitórias em GPs…
Finalmente comparações entre pilotos são sempre difíceis, mesmo quando no mesmo carro – a RBR (e bem) evolui o carro de acordo com o feedback do Max. O HAM o ano passado “sacrificou-se” para evoluir o Mercedes, é normal, a este nível os pilotos e os carros “são um”, por isso ganha quem se sente mais confortável.
Quanto a Leclerc, é um belíssimo piloto, mas temo – para mal da “minha” Ferrari – que “morreu” no GP francês do ano passado. A verdade é que no ano passado a Ferrari apareceu com o que parecia um carro melhor que a Red Bull – que, para juntar à festa juntou uma série de DNF por problemas mecânicos. De seguida a Ferrari e os seus pilotos empataram esses DNFs com acidentes e saídas de pista, não diria por isso que o Max andou a apanhar papeis (quanto muito bocados de motor…).
Rui Bastos
Não vou discutir mais mas vou só tocar no teu último tópico, o carro da Ferrari o ano passado não era superior em tudo, tração era o forte e curvas lentas mas era muito mais competitivo e foi muito fixe ver uma época assim. No fundo acho que o queremos é que haja competitividade como houve em 2021 e no início do ano passado e aí depois é que se vê quem são os bons pilotos. O Max é um talento incrível mas eu também acho que o Norris que andou a conduzir um trator estes anos todos, tem feito resultados extraordinários e o Charles, que é bem melhor em qualificação do que em race pace poderiam dar uma luta incrível. Agora adorei ver Ham vs Rosberg em que em todos os anos trocaram vitórias, foi emocionante e adorava que a Redbull conseguisse fazer o mesmo (Não gostei do periodo do Bottas na Mercedes daí o comparar a Perez, nunca deu luta ao Hamilton) e depois aí deixa de tornar a vitória emocionante. Acho que é tudo o que o fã de F1 quer, corridas em que se dispute pela vitória até praticamente à última volta, como se faz nas motas várias vezes.
Neville Longbottom
O que é que aconteceu em 2021 para que alguém possa viver disso? Uma acidente que deu uma corrida ao Max quando claramente ia perder? Há pessoas que vivem disso é?
Alforreca
Vi o teu comentário no telemóvel mas não consigo responder através do mesmo.
Um bocado tarde, mas…
Dizer que Hamilton não se adapta a um carro com efeito de solo é ridículo. A Mercedes produziu um péssimo carro – basta ver que tem sido batida por equipas “clientes” ao longo deste ano. O Hamilton não passou a ser mau porque ficou com um pior carro. Continua a mostrar todas as capacidades que tem e a maximizar os pontos fortes (seus e do carro). Com a maior polarização que se assiste (na F1, desporto e noutras áreas da sociedade) parece que quem gosta de VES tem que dizer mal do outro ou vice versa (note-se que o próprio HAM e o seu chefe, também contribuem para isso com declarações ridículas, através das quais tentam diminuir os feitos dos seus adversários). HAM tem um carro “mau”, sinceramente parece-me que está a espremer o máximo dele, veja-se por exemplo os erros que tem cometido e a agressividade que apresenta (o “toque” em PIA é exemplo disso, é normal que quando os carros não sejam tão bons os pilotos sejam mais agressivos – algo que se criticava imenso em VES, por exemplo).
Quanto à falta de accountability do Russel, suponho que estejas a falar da “ultrapassagem” por fora da pista. O problema é da regra, houve umas quantas penalizações de 5 segundos que não tiveram qualquer efeito prático. E cada vez mais fica claro que com caminho livre à frente e diferença de ritmo suficiente o crime compensa… A Sky durante a corrida estava com entrevistas a um engenheiro da Mercedes e ele disse que eles sabiam que estava errado, mas que ia ser pior ter ficado atrás ou devolvido a posição…
DNowitzki
Coitado do Piastri: teve de lugar com o inimputável.
Por outro lado, o Albon andou para ali a segurar o pobre do Norris.