Aquando da sua apresentação como treinador principal do F.C. Porto, Vítor Bruno mostrava-se com um discurso lúcido e ciente do momento que vivia o clube. Consciente das dificuldades financeiras e da necessidade de equilibrar a balança comercial, o novo timoneiro falava do Ouro da Casa, como caminho a seguir para superar a delicada situação.
Contudo e chegados a meio da época, a realidade parece bem distante do discurso daquela apresentação. O Ouro da Casa está bem guardado algures no clube, não o expondo nas vitrines que estão aos olhos do mundo. Não deixa de ser curioso, que os melhores momentos da época portista tenham acontecido durante a pré-época e no início de temporada, onde a aposta feita em elementos oriundos da formação e em atletas proscritos foi consideravelmente superior.
Na verdade, sinto que o F.C. Porto de facto tem ouro para ser utilizado, mas que por um motivo ou por outro, não é aposta. Iván Jaime começou a época a todo o gás, apresentando 4 golos e 2 assistências, o que dá uma contribuição para golo a cada 116 minutos jogados. Nos últimos 5 jogos disputou um total de 48 minutos. Gonçalo Borges foi o elemento em maior destaque na pré-época azul e branca e tudo apontava para a sua época de explosão definitiva. Conta com 1 golo e 3 assistências, o que lhe permite luzir uma contribuição para golo a cada 98 minutos jogados. Tal como na época passada começou a todo gás, mas tem perdido espaço, acumulando 27 minutos nos últimos 5 jogos. Vasco Sousa foi outra agradável surpresa no início da temporada. Um médio total, que apesar da sua baixa estatura é super combativo e apresenta uma excelente relação com bola, no entanto tem de se contentar com uns 19 minutos nos últimos 5 jogos da equipa. Por fim, Rodrigo Mora, que é apontado como uma promessa mundial tem visto o seu lugar tapado por Namaso, Pepê, Fábio Vieira ou Nico. Mora conta com 19 minutos nos últimos 5 jogos e com um golo e uma assistência tem 1 contribuição para golo a cada 65 minutos jogados. Por comparação podemos olhar para o exemplo de Quenda, que sendo da mesma geração tem tido um papel preponderante no Sporting.
Para além destes elementos que integram a equipa principal, temos outras situações de jogadores que, ou saíram como o caso de Romário Baró, ou continuam a andar pela equipa B, sem perspetiva nem espaço de afirmação, como por exemplo Gabriel Brás. Olhando novamente para o exemplo do Sporting vemos Debast com 21 anos, Diomande com 21 anos, Eduardo Quaresma com 22 anos e Gonçalo Inácio com 23 e titular pelo menos há 4 anos. Já no F.C. Porto, outrora uma enorme escola de centrais, vemos um desperdício atroz, com gestão de carreira duvidosas como foi o caso de Diogo Leite, Diogo Queirós e mais recentemente de David Vinhas. Veremos se realmente Gabriel Brás terá o seu espaço ou se será mais um proscrito neste role de defesas centrais.
Ao dia de hoje, o 11 inicial do F.C. Porto continua com a mesma base do ano anterior mesclada com reforços do último defeso, sendo que o ouro da casa parece assumir um papel de reserva. Martim Fernandes e Namaso são mesmo a exceção à regra, mas mesmo esses haviam sido lançado por Sérgio Conceição. Vítor Bruno tem sido contestado e a equipa parece não se encontrar. Não sou fundamentalista, nem considero que a formação é a única salvação para o clube, mas defendo que deveria haver uma maior gestão de atletas e uma maior rotação entre todos os jogadores. Vítor Bruno tem faltado à palavra e sem resultados, veremos como se desenrola a época, mas cada vez mais parece que o Ouro da Casa irá continuar a servir de adorno e não como fonte de contribuição.
Visão do Leitor: Santander


2 Comentários
Jasomp
Sem dúvida alguma. O marketing do início da temporada de aposta na formação foi mesmo isso… marketing. Na prática tem sido um rotundo 0.
A formação portista continua a ser deixada de lado enquanto na equipa principal vemos jogadores para essas posições que não acrescentam nada. Então o caso do Vasco Sousa roça o gritante.
Antonio Clismo
Se não são aposta mais vale emprestar. O Vasco Sousa por exemplo tem lugar em qualquer clube extra 3 grandes em Portugal e está ali a ganhar caruncho