Há clubes que se explicam em títulos. Outros, em números. E depois há aqueles que se explicam em pessoas. O Sporting CP é um deles. E Salvador Salvador é, hoje, um dos seus rostos mais fiéis.
Num tempo em que o domínio do FC Porto no Andebol era evidente, houve quem tivesse de escolher. Ficar ou sair. Pertencer ou facilitar. Salvador ficou.
E ficar, nesses momentos, é o primeiro sinal de quem está destinado a ser mais do que jogador.
Reinventou-se enquanto jogador. No início da carreira era um “sniper”, decisivo na finalização. Ainda o é. Mas hoje, é na defesa que mais se destaca. Onde o jogo exige sacrifício e leitura, Salvador impõe-se. Antecipa, fecha, lidera. Tornou-se o equilíbrio de uma equipa que vive tanto do talento como da disciplina.
E depois há algo que não se treina. A ligação aos adeptos e o amor ao clube.
Salvador não joga apenas para eles, joga como um deles. Sente cada vitória com a efusividade de quem está na bancada. E cada derrota com o peso de quem nunca se esconde. Dentro de campo, é muitas vezes o adepto mais ferrenho de todos.
Há jogadores que representam um clube.
E depois há aqueles que são o clube dentro de campo. Tal como João Matos, Salvador pertence a essa categoria rara, a dos que carregam ADN Sporting em cada gesto.
E ao lado do talento diferenciador de Francisco Costa e Martim Costa, forma algo raro: uma base que mistura identidade, liderança e génio.
Enquanto estes três continuarem de leão ao peito, dificilmente o Sporting perderá o domínio.
Porque há equipas fortes. E depois há equipas que sabem exatamente o que são.
E quando isso acontece, a palavra “lenda” deixa de ser exagero.
Afinal, ainda existem lendas.
Roberto Leal

