Chegou a hora, meus senhores. O Mundial está aí à porta, o avião vai carregado de esperança e as malas vão cheias daquela velha promessa de que “desta vez é que vai ser”. Mas a grande interrogação, aquela que nos persegue desde as areias do Catar, volta a pairar como o nevoeiro da manhã: será que desta vez rumamos todos juntos, ombro a ombro, no mesmo barco, ou vamos assistir novamente ao espetáculo do passageiro de primeira classe que, ao mínimo sinal de ondulação, prefere chamar um táxi e seguir sozinho para outro lado?
Há quatro anos, no Catar, o filme já tinha tido direito a antestreia. O selecionador da altura, num raro ato de coragem ou de loucura, resolveu mostrar que o capitão não era intocável. Nos oitavos-de-final, contra a Suíça, Gonçalo Ramos saltou para o onze inicial e assinou três golos de rajada enquanto o “eterno” assistia ao espetáculo, alapado no banco. Portugal jogou que se fartou, o balneário respirou e o miúdo provou que a pátria sabia marcar golos sem estar refém de um único nome. Mas o orgulho, esse bicho caprichoso, não digeriu a afronta. Houve conversa tesa, daquela que faz saltar faíscas. Consta, nos corredores da má-língua e da boa informação, que se falou em fazer as malas mais cedo e apanhar um voo individual de regresso. A Federação, prestável como sempre a apagar fogos, veio logo jurar que era tudo invenção da imprensa sedenta de escândalo, repetindo a cassete do “compromisso inquestionável”. Mas o tempo é um cavalheiro que não esquece nada, e mais tarde o próprio Fernando Santos acabou por confessar o divórcio: “já não nos falamos desde o Catar”. Uma amizade de décadas desfeita porque o ego não aceitou uma decisão do livrete técnico. Em vez de entrar no autocarro da festa com os companheiros, o capitão parecia pronto para chamar um transporte privado direto para o aeroporto. Humildade nenhuma, dramatismo ao mais alto nível.
Agora, em 2026, com Roberto Martínez ao leme e o torneio prestes a arrancar, a mesmíssima sombra volta a fazer-se notar. Ontem, em Leiria, Portugal lá venceu a Nigéria por 2-1 no último ensaio geral. Ganhámos, com certeza, mas o que ficou na retina de quem viu foi o calvário do capitão. Foram três oportunidades flagrantes desperdiçadas, sessenta e cinco minutos sem acertar uma única vez no alvo e uma saída de campo com cara de poucos amigos, de quem já não encontra o caminho da baliza que outrora parecia um mundo. Lances que há dez anos eram golo certo, hoje pareceram desvios atabalhoados que fugiam da rede como se a baliza estivesse contaminada. E para coroar a exibição, aquele remate completamente torto quase no fim da sua participação, que correu o mundo mais depressa do que qualquer um dos seus antigos recordes. O outrora insaciável goleador, que transformava defesas em estátuas de sal, agora transforma lances capitais em piadas de internet. Aos 41 anos, o relógio biológico já não perdoa horas extraordinárias. O homem que não falhava, ontem falhou tanto que até o guarda-redes nigeriano parecia estar em dia de folga.
E a pergunta impõe-se, mais afiada do que nunca: vamos finalmente todos juntos ou, assim que o protagonismo mude de mãos ou a equipa mostre que corre melhor sem ele, voltamos a ter o tripulante que exige o seu próprio iate? O problema não nasceu ontem; é a repetição da fita que vimos há quatro anos. O ego que recusou o banco em 2022 tem agora de engolir a dura realidade do relvado: o coletivo respira melhor quando a manobra não fica dependente das exigências de um só homem.
Para compor o ramalhete das escolhas, nem um médio com o carimbo de Palhinha decidiram levar. Alguém que ponha trancas na porta quando o meio-campo ameaça ruir e dê oxigénio aos artistas da bola. Nota-se a falta desse operário à légua. Quando o adversário decide subir as linhas, a nossa equipa parece esquecer-se de que o futebol também se faz de choque e roubo de bola, e não apenas de rendilhados bonitos. E na frente? Levamos a conta certa de avançados de referência. Um Paulinho, por exemplo, que estava em condições de dar o seu contributo e tem provas dadas de saber ser um “nove” de combate, foi deixado em terra para não beliscar o trono sagrado. Como se o banco de suplentes fosse território interdito para quem já conquistou o planeta.
O selecionador nacional tem de encontrar a coragem que se exige a quem lidera. Martínez vai ter de mostrar fibra para sentar o capitão sempre que o bem comum o exigir. Não se trata de falta de respeito pela lenda, trata-se de inteligência tática elementar. E o próprio Ronaldo tem de ter a grandeza de aceitar o veredicto do tempo. O verdadeiro líder não se vê apenas quando levanta os braços para festejar os seus golos; vê-se quando, no banco de suplentes, usa os seus galões, a sua personalidade e o peso dos seus títulos para empurrar os mais novos para a glória. Ele pode ser uma peça fulcral a jogar vinte minutos desgastantes ou a dar indicações na linha lateral com o peso da sua história. Mas para isso é preciso compreender uma verdade simples: o lugar no onze não é um direito divino e eterno. Conquista-se todos os dias. O barco só navega a direito se todos puxarem pelo mesmo remo, sem que ninguém queira o leme em exclusivo.
Voltamos, portanto, à grande dúvida que nos acompanha desde Doha: será desta que rumamos todos juntos? Ou corremos o risco de ver o capitão isolar-se na sua cabine ao primeiro sinal de tempestade, deixando a tripulação a navegar à vista? O retângulo verde dará a resposta. Esperemos apenas que o barco chegue inteiro ao porto de abrigo, porque os Mundiais não se vencem com cavaleiros solitários que pedem para sair a meio da viagem. Vencem-se com equipas que sabem que, por vezes, a maior prova de nobreza é saber ser apenas mais um a ajudar. E se o remate sair torto, que ao menos nos reste o humor para aliviar o peso da camisola.
Valter Batista


36 Comentários
Nickles
É só jogarmos com 11. Portugal por exemplo com um Félix a falso 9 será sempre superior do que com Cristiano a falso jogador
Um Jasomp
Resposta: não.
E isso viu-se ontem.
Quando um jogador prefere passar vergonhas só para estar dentro do campo, tenho sérias dúvidas que chegaremos a algum lado.
O que ontem se viu foi de um jogador sem o mínimo de condições para disputar uma fase final. E ninguém tem coragem de o dizer lá dentro.
AndreChaves9
Exatamente. Com a agravante de nem sair no intervalo. Espero que o balneário tenha coragem
ricardojrdg
O Ronaldo não vai aceitar banco agora da mesma maneira que não aceitou nunca.
A confiança cega nas suas capacidades e a incapacidade de lidiar com as derrotas que há uns anos eram qualidades e que foram o motor que lhe deu bolas de ouro e que o levaram a ser um monstro dentro do campo, são agora defeitos.
A incapacidade de aceitar o banco (aka derrota, bo entender dele) é um subproduto de uma personalidade que não mudou, apesar de o corpo ter envelhecido e já não corresponder.
Mantorras
Creio que remam todos juntos, mas rema-se mas pelo bem do Ronaldo do que da seleccao.
Durante muito tempo, foram mais ou menos a mesma coisa, so que hoje ja nao sao.
Mantorras
rema-se mais*
beterrabapragmatica
Essa conversa do “podia ser útil nos últimos minutos, contra defesas desgastadas”, ” a sua experiência podia ajudar desde o banco” só engana quem quiser ser enganado. A sua capacidade técnica não era útil nem nas distritais, quanto mais num Mundial. Ele não devia ser convocado nem para limpar assentos. E no banco, a única coisa que faz é puxar tudo para trás, com cara de inconformado e de alguém que se sente superior ao país.
É esta narrativa, estes malabarismos, tentar justificar o injustificável, dizer “não temos ninguém de classe mundial também” (que seria o mesmo que chamar o Ricardo Carvalho porque nenhum dos nossos centrais fez uma época de topo), que nos mete nesta situação. É preciso deixar as baboseiras, dizer as coisas como elas são, parar com as falinhas mansas. Ele NÃO tem qualidade, NÃO pertence àquele grupo e NÃO pode estar inserido em nada que se relacione com o jogo da seleção se queremos ser minimamente competitivos, justos e decentes.
Nickles
Tudo dito. Continuam a insistir no mito de que pode ser util em certas circunstâncias. Não não pode, não pode até porque já não tem qualidade minima para ser jogador profissional de futebol sénior masculino, quanto mais ter espaço numa selecção top 2 do mundo
Um Jasomp
E ainda corre o mito que ele levou a seleção às costas, quando os números demonstram que foi um gajo que tremeu SEMPRE nos momentos mais decisivos na seleção.
omcf
Isso não é verdade. Ele foi importantíssimo em muitos jogos (basta pensar na meia final com o País de Gales, no playoff com a Suécia, etc)
Lopes da Silva
“muitos jogos”…depois só referes dois.
Esse para mim é o maior mito sobre Ronaldo: o ele levar a selecção às costas. Ele tem um aproveitamento horrível na selecção.
Honestamente, quantos jogos me consegues dizer em que o Ronaldo tenha sido decisivo na selecção e levado a equipa às costas?
Eu digo 3/4 jogos.
– playoff da Suécia;
– a meia final contra Gales (que para mim nem se pode considerar “levar a equipa às costas, foi um bis normalíssimo como muitos que fez, nada de especial, mas vá, como foi numa meia final até dou de barato);
– o hat trick contra a Espanha;
– e vá até consigo espremer e meter o jogo contra a Hungria nos grupos do Euro 2016 (que nem sequer ganhámos, mas vá).
Isto não é pouco para alguém que tem 200 jogos pela selecção? Para alguém que se diz que foi o segundo melhor jogador da sua geração, não é poucochinho?
Estamos a falar de dois jogos em fases de grupos, um jogo de playoff de apuramento, e apenas um jogo de uma fase de eliminar.
Há aqueles jogadores que ficam na história por se transcenderem nas seleções (Podolski, Klose, Ochoa, etc), o Ronaldo para mim está no lado oposto. Se é verdade que foi o segundo melhor jogador da sua geração a nível global, acho que não entra no top 10, para mim nem 20, de jogadores da sua geração se contarmos apenas com jogos de selecções. Opá e nem me venham com tretas de ter sido o melhor marcador de fases de eliminar… estou a falar de nível de selecções a sério!
João Pires
portugal antes do CR tinha 0 titulos, era raro ir a fase finais….
AndreChaves9
Que desonestidade. Quer comparar a dificuldade das qualificações pre 2004 e pós 2004?
Duarte Vader
Gostava que alguém me desses mais exemplos de jogos em que ele ‘levou a equipa às costas’ em momentos importantes, porque também não me lembro de mais nenhum.
Pergunta genuína. É que não me lembro mesmo.
AndreChaves9
O Hat trick contra a Espanha é das performances mais overrated que há. Penálti, frango de todo tamanho após um remate trouxo e um belo golo de livre.
onetimeuser
Não, não vamos rumar juntos e todos sabemos porquê.
Quando há um jogador que tem de jogar sempre, mesmo que já não tenha condições, quando os restantes 10 jogadores têm um peso no subconsciente que são obrigados a jogar para ele, mesmo quando ele não dá uma para a caixa.
Assim não vamos a lado nenhum.
Obvio que vai marcar um golito ou outro, vai sempre aparecer um penalty do céu para igualar o registo do Eusébio (que nunca irá igualar porque um so precisou de 1 mundial).
.
Estamos reféns de um ego sem limites há muitos muitos anos, que não tem qualquer noção da realidade, que não sabe que o seu tempo já passou e pouca gente da CS fala disso.
Ontem o António Tadeu ainda deu assim umas dicas, muito ligeiras senão fica sem trabalho, mas no geral toda a CS tem medo de pegar no assunto.
BP
Exacto…ele tem 8 golos em 5 Mundiais, o Eusébio tem 9 golos em 1 Mundial…
Stravinsky
Há um livro muito interessante que teoriza sobre a falácia da meritocracia. E também fala da ideia de meritocracia em oposição à aristocracia.
No fundo, como o Cristiano Ronaldo acredita que tudo o que aconteceu foi puro mérito dele (uma falácia pois ninguém chega longe sozinho), desvalorizando todos os que se cruzaram no seu caminho e que o ajudaram a conquistar o que conquistou (e foram muitos craques, muitos bons treinadores, um super agente etc). E essa é a grande falácia do mérito e da meritocracia.
E como Cristiano Ronaldo acredita que chegou ao topo (e acredita que é o melhor de sempre !!!!) por mérito próprio, a simples ideia de que não é titular, ou de que não joga durante todos os minutos, significa que já não tem mérito e por isso tal como chegou ao topo, sai do topo. Por isso mesmo, Cristiano Ronaldo não se permite sequer assumir internamente (quanto mais perante os outros) que tem falhas. Ele continua a achar que não falha. Continua a achar que é imaculado e o melhor de sempre. Porque a ideia de que pode ter falhas é a ideia de que já não tem o mérito total.
Esta ideia opõe-se de certa forma à aristocracia, em que o aristocrata pode admitir a sua falha, o seu erro, se quiser, porque como o lugar é dele por direito, nunca vai deixar o topo.
Em Portugal criou-se um monstro, com bajulação total de 100% da opinião mediática, sem uma única critica e com desculpabilização total de todos os erros e comportamentos. Agora (há muitos anos já) é impossível lidar com esse monstro. Aguentem.
Jeco Baleiro
A Tirania do Mérito do Sandel?
Citizen_Erased
Um bocado off-topic, mas já que foi indicado, podes partilhar qual é o livro?
Daervar
A equipa está refém dele desde há muitos anos, como todos sabemos. Enquanto ele era determinante, enquanto foi dos melhores do mundo, a maioria dos adeptos que lhe reconheciam os tiques de vedeta acabava por fechar os olhos.
Agora não faz sentido. Convém resgatar esta selecção antes de ser o Rei Sol a decidir que não volta a vestir a camisola. O Martinez poderia ter sido a pessoa certa para o fazer, ganhando mais tarde um elemento importante, líder, no balneário. Agora é tarde, trouxeram-no de trela até aqui, ninguém vai ter coragem de abrir mão do bulldog.
Boba Fett
Cristiano Ronaldo já deu o que tinha a dar, como titular não serve e, não vai aceitar ser suplente, compete ao treinador decidir. Concordei com a sua convocatória, e ao contrário de muitos não acho que Portugal jogue com menos um com ele em campo, porque em condições normais é o nosso maior goleador, o problema é que Ronaldo há muito que não está nas melhores condições. Compreendo que seja difícil decidir o que fazer com um monstro criado por todos nós, começar como suplente, jogar 60 minutos ou não jogar. Gonçalo Ramos é neste momento a melhor solução, já provou que é capaz de ser o nosso ponta de lança, espero que Roberto Martinez abra os olhos e veja o que todos vemos. Cristiano Ronaldo falha na finalização, não é capaz de dominar uma bola e, não é capaz de fazer um simples passe, perdeu qualidades ao longo do tempo e não é capaz de aceitar isso.
Jeco Baleiro
Este tema já é bater no ceguinho: toda a gente estrebucha mas o Homelander vai lá continuar. Ele é o dono da seleção. E obviamente está tudo mal com isso. E, sucintamente, ele não tem a mínima capacidade de jogar ao mais alto nível, nem sequer num nível médio baixo. E não é de agora, já assim é há algum tempo.
Por entre culpas de vários agentes (Ronaldo, FPF selecionador e imprensa subservientes) há para mim outro(s) agente(s) com culpas no cartório: o balneário. Jogadores como o Bruno Fernandes, o Bernardo Silva, o Rúben Dias (o Vitinha quiçá), pela capacidade e estatuto que já granjearam têm que bater o pé contra esta situação. Se não o fazem são coniventes e revelam até falta de personalidade e arcaboiço.
Ainda nestes dias o João Neves fez um post nas redes sociais dando o mote para o Mundial e uma das frases escolhidas, entre outras, foi “for the Goat”. Se foi obrigado a fazê-lo é lamentável (e não estou a dizer que foi, estou só a supor). Se o fez por iniciativa própria é anedótico e revela o sentimento daquele balneário: também ele completamente suserviente.
omcf
Saltinho 2 ? Vamos é ter juízo. O Ronaldo ainda é importante. Tem é que perceber que não pode jogar todo(s) o(s) jogo(s).
omcf
errata: Saltilho
Fireball
O problema do balneário é que o Ronaldo tem 41 anos. Isto significa que praticamente todo aquele balneário cresceu a idolatrar o Ronaldo. O João Neves ainda não era nascido e já o Ronaldo marcava golos em meias-finais de campeonatos da Europa e jogava no Man Utd. Os outros passaram a sua formação com camisolas do Ronaldo vestidas. Que lata têm os jogadores desta geração para contrariar alguém que consideram o seu maior ídolo? Ninguém tem coragem, e isso nota-se logo no campo. A seleção joga diferente com Ronaldo porque aqueles jogadores cresceram com a ideia de que Ronaldo é o maior de sempre e têm por hábito jogar por ele e para ele. Da mesma forma que a geração de ouro cresceu a idolatrar Chalana e a ouvir historias do Eusébio, alguma vez um Figo ia ter coragem de dizer ao Chalana que devia retirar-se se ele jogasse na seleção aos 41 anos? NUNCA!
Duarte Vader
Eu sinceramente acho que este debate já deixou de fazer sentido há anos.
A pergunta é retórica suponho, porque a resposta é óbvia: não, não rumamos todos juntos. Há muito tempo que não o fazemos. A Selecção há mais de uma década que deixou de ser uma Selecção para ser um grupo afunilado de interesses de um só indivíduo com uma patologia cada vez mais vincada, e daqueles que beneficiam do dinheiro proveniente do marketing que ele gera. E no meio de todo este problema de quem sinto mais pena é dos restantes jogadores da equipa. Nenhum grupo resiste a isto. Nenhum. E alguns deles tinham aqui a última oportunidade de lutar verdadeiramente por um Mundial. Dentro do contexto futebol, é trágico ver o que lhes está a acontecer.
Já agora, outro ‘argumento’ que não faz sentido é de quem diz ‘Ah e tal, eu acho que ele devia ser chamado mas começar do banco e talvez a entrar aqui e ali nos momentos finais’. E este ‘argumento’ não faz sentido porque as pessoas que o usam sabem perfeitamente que a probabilidade de isto acontecer é zero. Não é 5%. Não é 1%. É zero. Como tal, o argumento é intencionalmente falacioso. Objectivamente falando, as únicas opções possíveis dentro das condicionantes actuais seriam a) ter o Cristiano a titular em praticamente todos os jogos e durante todos os minutos possíveis, ou b) não o chamar e ponto final. Portanto sejam honestos e proponham as únicas opções concretizáveis. O mundial de 2022 mostrou-nos claramente, e mais uma vez, qual a melhor opção. Mas já se sabe que temos um treinador contratado para uma só missão, e nisto diga-se está a cumpri-la de forma exemplar.
Portanto há que mentalizarmo-nos todos de uma coisa: para todos os efeitos, partindo do princípio que não haverá lesões, Portugal irá efectivamente começar com 10 em campo. E para todos aqueles que torcem o nariz a esta ‘frase feita’, encontrem-me outro exemplo no futebol mundial de uma selecção que tenta competir por um troféu com um jogador no 11 que, em cada um dos últimos 8 jogos que fez, tocou menos vezes na bola do que o guarda-redes adversário.
Não estou a dizer a ninguém que perca a esperança, atenção. Acho muito bem que a tenham. Mas percebam pelo menos a tarefa hercúlea que os outros jogadores da equipa terão pela frente para sequer chegar longe nestas circunstâncias, quando mas para ganhar o torneio.
Nesta altura, Portugal é o equivalente a uma equipa que entra em campo com 10, e antes de começar o jogo sorteia um bilhete entre o público para ver quem joga à frente.
showdebola
Fomos eliminados pelo colosso marrocos precisamente por isso pelo ramos a titular
Fireball
Mas a meia hora que o GOAT jogou não é suficiente para mostrar a diferença? Ah já sei, aí a culpa foi do resto da equipa.
GabCel
oh sim… e nem se notou que, depois da cinderela amuar, qualquer bola para golo do Ramos seria uma tragédia?
O Ramos passou de um hat trick para ser o gajo que não recebia nenhuma bola “concretizável”…
G3RV4S
Eu tive vergonha alheia pela exibição do Ronaldo.
Aceito que se perca qualidades físicas com a idade, velocidade, resistência e elasticidade, ter mais tendência para lesões e tal.
O que não aceito é que se possa perder qualidades técnicas, não faz o menor sentido, um jogador com uma carreira de mais de 20 anos deveria fazer as coisas sempre bem e de olhos fechados.
Portanto alguma coisa se passa com ele, e quero acreditar que nos treinos as coisas lhe saiam bem, porque não quero acreditar que o treinador o meta a jogar se nos treinos faz a mesma figura.
Já não é de agora que acho que o sistema tatico não o favorece, mas a também não há milagre se as exibições forem idênticas às do ultimo jogo.
Mas vamos fazer figas e esperar que o Mundial lhe corra bem e que traga o caneco, independentemente da forma que esteja é merecido.
Fireball
Não queres acreditar? Mas podes acreditar que sim. Achas que os treinos influenciam alguma coisa? Mas achas mesmo que a decisão de colocar o Ronaldo a titular os jogos todos, amigáveis incluidos, e ser o unico que nao sai ao intervalo é uma decisão técnica com base no que se vê nos treinos e num plano de jogo estrudado? Que inocente…
GabCel
eu até achava que ele poderia ter um papel importante como “embaixador” ou o joker para entrar depois dos adversários estarem desgastados, até lhe iria retirar pressão e libertar o pouco futebol que ainda lhe resta.
Mas depois vejo a influência nociva que tem em todo o balneário: além dele ninguém pode brilhar e só permite que o Bruno Fernandes possa ter alguns momentos melhorzinhos porque já tem alguma dimensão para isso. Todos os outros têm medo de ofuscar o rei sol, muito menos contribuir para que um dos outros avançados brilhe, por isso é que o Ramos não recebe uma bola jogável ou concretizável. Há um terror legítimo que o hat-trick se repita.
Neste momento, na Comitiva, o Ronaldo só fará sentido como staff (embaixador) e nunca como jogador.
jimmyvicente
Eu acho é que está na altura de remarmos juntos como adeptos também
Mesmo os maiores haters do Cristiano já só vão ter de levar com ele mais um mês ! Por isso Opa façam lá um favor à nação e aproveitem este último mesinho das vossas vidas e depois já podem comentar 6 anos de Gonçalo Ramos a titular
Até lá apoiem os jogadores todos
Seja o Ronaldo seja o Nuno Mendes seja o samu Costa
Meu nome é Toni Sylva
Como assim? Estás a querer pô-lo fora de 2028 e 2030??
Filipe Almeida
se tem o azar de nao marcar dois golos em 2026 tens duvidas que ainda aí anda em 2030? só se partir uma perna e mesmo assim…