A temporada de 2012 foi umas das mais animadas da história da F1. Já há muito que não se via tanta incerteza até ao fim e tantos vencedores diferentes de GP, no total foram 9 em 20 GP. Alonso teve o pássaro na mão e quando já poucos esperavam deixou-o fugir para Vettel, Hamilton foi muito rápido mas acabou por ser penalizado pela pouca fiabilidade do Mclaren (podia ter sido o ano do inglês), Schumacher abandonou (agora de vez), mas aparecem talentos como Pérez, Hulkenberg e Maldonado.
O início da época foi mais uma vez muito semelhante às restantes. A Mclaren e a Redbull apresentavam-se como as fortes candidatas aos títulos aparecendo a Ferrari, a tentar ainda encontrar o melhor carro, e a Mercedes na qual se depositavam esperanças de este ano começar a ter resultados condizentes com o investimento feito, esperando que a dupla Brawn/Schumacher mostrasse que ainda era capaz de dar vitorias, como “outsiders”. Pela primeira vez no mundial, tínhamos 6 campeões: Michael Schumacher, Fernando Alonso, Lewis Hamilton, Jenson Button, Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel, juntos valiam 14 títulos mundiais.
O GP da Austrália mostrou que a Mclaren entrava forte e decidida, a ser este o ano do regresso às conquistas (pole para Hamilton, P1 para Button e P3 para Hamilton), a Redbull apesar de uma qualificação algo preocupante, consegue entrar no pódio (P2 Vettel , P4 para Webber) e a Ferrari com uma qualificação fraca consegue um 5º lugar com Alonso, que já queria mostrar a sua forma. A partir daí começa a história alucinante desta época. Vencedores em catadupa, com 7 vencedores diferentes em 7 GP. Button na Austrália, Alonso na Malásia, Rosberg na China, na sua primeira vitória da carreira na F1, Vettel no Bahrain, Maldonado em Espanha, na sua primeira vitória na F1, Webber no fantástico circuito do Mónaco pela 2ª vez consecutiva e Hamilton no Canadá. Destaque ainda para Raikkonen que consegue pontuar em quase todas as provas, excepto China, mostra estar ainda em forma para estas andanças, Sérgio Perez, que começa a dar nas vistas com um 2º lugar na Malásia e 3º no Canada, Romain Grosjean, que consegue obter
resultados muitos bons (3º Bahrain, 2º Canada) mas que juntamente com isso começa a ter uma série de acidentes, que viria a culminar com a sua penalização em Itália depois do acidente grave provocado na Bélgica. Depois do Canada a época começa a normalizar, com a vitória de Alonso (que corrida após corrida mostra que está numa forma soberba e mesmo com um carro inferior vai rivalizando com os adversários), seguida de Webber na Grã-Bretanha. A Mclaren começa uma serie de 3 vitórias consecutivas na Hungria, na Bélgica e em Itália.
É então que se dá o ponto de viragem na época. Depois de muita tinta correr, que a Redbull este ano não tinha um carro tão bom e que o rendimento de Vettel se refletia nesse aspeto, Adrian Newey saca uma carta da manga com alterações do Rb8 que permitem a Vettel ganhar 4 corridas de seguida e relançar-se no campeonato. Do lado da Mclaren seguem-se sucessivas falhas mecânicas que levam a abandonos e resultados menos positivos e que acabam com as esperanças de conquistar títulos este ano. A Ferrari continua com a fórmula do costume. Fé em Alonso que mostra uma garra e determinação espantosas. Abu Dhabi dá o prémio merecido a Raikkonen que ganha a corrida no seu regresso francamente positivo a F1. A corrida dos Estados Unidos, que dá vitoria de Hamilton depois da polémica “troca” de caixa de Massa que permite a Alonso ficar do lado limpa da pista, é uma das melhores dos últimos anos, com uma pista nova a estrear, que promete ficar na historia como uma das melhores e a chuva do Brasil permite uma corrida louca, em que Vettel com um erro (fechando a porta a Senna) ia deitando tudo a perder, mas mesmo com o carro danificado (e um favor de Shumacher) consegue fazer o mínimo para se sagrar campeão, com Alonso a “morrer” na praia no 2º posto ficando a 3 pontos de Vettel ( vitória de Button).
Titulo de melhor piloto para Vettel e melhor construtor para a Redbull que mostra mais uma vez que ter Newey na equipa é meio caminho andado para ser campeão.
2013
Promete ser uma época de novo recheada. Hamilton trocou a Mclaren pela Mercedes, fazendo agora dupla com Rosberg, uma vez que Schumacher desistiu de vez da F1, depois de uma passagem deveras desapontante. Perez, que mostrou ser muito bom em corrida mas que nos parece faltar ainda algo nas qualificações, é o novo companheiro de Button na Mclaren, que pode aproveitar o facto de deixar de ter Hamilton a seu lado para se afirmar como piloto nº 1 da equipa e assim sentir-se mais motivado para ganhar novo titulo. A Lotus que a nosso ver foi a equipa que mais evoluiu este ano, com um carro muito equilibrado e dois bons pilotos, se conseguir manter o nível pode fazer uma graça e quem sabe ter uma palavra a dizer. A Redbull mantém – se, pois em equipa que ganha não se mexe e é obviamente uma das favoritas. A Ferrari que já há alguns anos não faz um carro de acordo com a sua história, já deve a Alonso um carro que lhe permita lutar pelo título e, embora tenha jogado em equipa, Massa, não nos parece ser piloto para a Ferrari. Nota ainda, para a mudança de Nico Hulkenberg (outro dos bons valores da f1) da Force India para a Sauber, duas equipas do meio da tabela mas que a nosso ver têm potencial para subir mais um pouco. Ou seja, muitos favoritos, a incógnita desejada e a promessa de espectáculo.
A época começa a 15 de março na Austrália e terá 20 GP ainda não estando o calendário definitivamente fechado . Qual o balanço desta época da F1? 2013 conseguirá estar ao nível da última época? Será que Hamilton fez bem em trocar a Mclaren pela Mercedes? Terá Perez capacidade para brilhar na Mclaren? Conseguirá Raikkonen e a Lotus manter o rendimento?
Visão do Leitor: F. Mendes & P. Mendes



11 Comentários
Andre Almeida
Apesar do pouco interesse da Formula 1, devido essencialmente a falta de qualidade dos carros, pistas desenhadas a computador que sao ridiculas, sem pontos de ultrapassagem, apenas para satisfazer as necessidades financeiras de alguns, ate foi uma boa epoca, especialmente a custa do Alonso e do Vettel que levaram o campeonato até as ultimas!
De qualquer maneira, sinto falta dos V10, quando um carro de f1 se fazia ouvir e com muito menos apoios aerodinamicos como vemos agora. Sem kers e sem DRS , eram as maos que mandavam.
Mas nao gosto de ser o velho do restelo por isso vou ficar a espera de uma mudança :)
Rui Miguel Ribeiro
Destaques de 2012: Vettel por mais um Campeonato; Raikkonen pela vitória num GP e pelo 3º lugar no Campeonato depois de ausência.
2013: Penso que Vettel é o +rincipal favorito e que Button lhe poderá fazer frente. Gostava muito que o Raikkonen ganhasse…
Unknown
concordo com tudo que foi dito, gostei muito da análise que foi feita. Espero ver mais posts destes :)
Saudações para o autor :)
Anónimo
Foi uma época para melhor, esta que termina.
Mais emoção, mais espectáculo, incerteza e boas corridas.
Só com épocas assim se poderá voltar a fazer sentir a paixão que reinava no tempo dos confrontos de Senna, Prost,Mansel, Piquet em que ver a Formula 1 na RTP era quase sagrado.
Falta ainda pilotos com o carisma dos pilotos dessa altura, mas sao eras diferentes e temos tambem nos de nos adaptar a esta nova realidade.
De qualquer forma fico contente por ver mais acção na F1 e espero que esta época seja no mínimo semelhante a que terminou.
O meu favorito:
Jenson Button, se a Mclaren conseguir fazer evoluir o carro de forma eficiente será para mim o grande candidato a fazer frente a Vettel. Estou curioso para ver o que Perez vai fazer.
Ricardo Pinto
Czarli
Eu costumo dizer em modo de brincadeira e com um (imensa) ponta de mágoa que a F1 morreu naquele fatídico domingo de 1 de Maio de 1994. Ok, não morrer mas andou moribunda por alguns 3, 4 anos até realmente fechar os olhos para sempre.
Ironia do destino, após tanta tentativa de recriarem algo que diria impossível lá conseguiram fazer com que a modalidade voltasse a ganhar uma nova vida. Apesar de estar realmente voltada para o sucesso financeiro das grandes marcas e dos grandes patrocínios, readquiri um novo gostinho para ver o que irá acontecer.
Desta nova geração gosto muito do Perez e do Grosjean, apesar de o coração bater mais para o Hamilton que tem ares de Senna… ares, apenas isso mas já dá para algo.
O Maldonado parece-me um Irvine, estúpido e burro que nem uma porta mas com potencial se conseguir espremer o seu sumo.
O Schumacher teve o que mereceu nesta sua retorno. E o Raikonen tem o espirito dos grandes vencedores das décadas de 80 e inicios de 90.
Que venha daí o circo e que ganhe o Hamilton, Raikonen ou que haja uma surpresa.
Santos
Apoiarei sempre Hamilton !
O piloto com mais coragem de todos, sempre a lutar contra a "máfia" da F1 que cada vez mais existe. Muito parecido com um senhor chamado, muito por aqui mencionado, Senna. Espero que seja finalmente o piloto 1 da equipa Mercedes, e que lute pelo titulo.
Raikonen é o eterno piloto nordico, já passou por quase todos os desportos e sempre mostrou do que é feito. Nascar, Rally, RallyCross e F1, em todos eles com sucesso. "He knows what is doing".
joao
Para 2013 só tenho a dizer força Kimi
Francis
Este ano Alonso merecia o titulo clramente. É uma pena que esteja a haver uma hegemonização do Hamilton. Quanto a Raikonen será um sempre um piloto de grande categoria. Mostrou-o na Maclaren e na ferrari, apesar de nunca ter tido companheiros à altura na sua equipa (Massa e o desastre Montoya). A lotus que lhe dê um carro para lutar ainda mais pelos lugares da frente e vê-lo-ao a lutar pelo titulo. Hamilton é entusiasmante mas muito irregular. O seu potencial é grande, mas para ganahr tem de fazer mais. Veremos se esta equipa o ajuda mais, pois para mim a Mclaren não tem ganho devido a esse fator. Button veremos se se impõe. Perez será um outsider. A Mclaren tem uma equipa interessante de pilotos. Button poderá finalmente ser líder e Perez será claramente o 2º piloto, e devido ao seu potencial poderá fazer coisas bonitas. Na Ferrari Alonso é claramente a estrela, e Massa o patinho feio que só tem estaleca para andar no meio da tabela e anda com um ferrari! A única razão para lá continuar é para não se questionar a liderança de Alonso. Na Mercedes veremos a relação Hamilton/Rosberg. Não sei se Rosberg aceitará a liderança de hamilton mas na pista é que se vê. Na Redbull Vettel será lider e Webber um piloto de grande categoria que poderá ajudá-lo imenso e aspirar a alcançar vitórias e podiuns.
Francis
Desculpem queria dizer hegemonização do Vettel.
Ricardo Peixoto
Eu continuarei a torcer pelo Hamilton, que piloto, acho que é dos melhores a par com Vettle que com muita ajuda é certo, tem carro que os outros não tem, é brilhante! Raikkonen é um dos melhores e sempre deu cartas na F1.
Espero que este ano a luta dos construtores fique mais renhida porque ainda nem se sabia qual seria o campeão entre 4/5 já tudo apontava que a Red Bull ia ganhar o mundial de construtores. Pode ser que a Mercedes com a entrada do Hamilton consiga algo mais e a Lotus ao manter a equipa fique com um carro melhor e consiga fazer ainda mais e melhor. Ferrari não sou apologista desta marca porque são bastantes "batoteiros" e digo isto sem que sejam realmente batoteiros mas como foi dito no post fazem coisas estranhas e como ninguém pode fazer nada porque é legal então temos de levar com isso.. Para mim batotice de certeza que para muitos mais esperteza!
Mas este ano vou torcer pelo Hamilton, de seguida pelos pilotos que referi.. Vettel, Button, Kimi. Carros McLaren, Mercedes, Red Bull e Lotus.
Por razoes diversificadas que acho que também estão explicadas.
E já agora, espero que a F1 comece a ter mais impacto tanto no blog como na tv (melhor seria na RTP1) e que comece a ter talvez porá separados dos resumos da semana ao domingo. Acho que poderia também trazer novos "fãs" de F1.
Anónimo
alguém dizia que sem KERS e sem DRS e com motores v10 a F1 era a F1…concordo que era mais empolgante, mas queremos ver corridas ou acidentes? quanto ao KERS, o Martin Brundle (ex-piloto de F1 e atual comentador de F1 na Sky) tem uma tirada excelente num coméntário que fez: pode ser psicológico, mas com o DRS, os pilotos ultrapassam ou tentam muito mais vezes do que faziam.
quanto ao post, gostei muito e já fazia falta a F1 neste blog.
Gustavo Cerqueira