Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

Rony Lopes esclarece saída do Benfica e recorda: «Passado uns tempos estava a jogar com o Yaya, Aguero e Dzeko no Man City»

Produto de uma geração altamente talentosa vinda dos escalões de formação do Benfica, Rony Lopes cedo rumou ao Manchester City, clube onde concluiu a formação e se estreou – com um golo – na equipa principal antes de, perante a forte concorrência, fazer as malas para França. Na 3.ª parte de uma entrevista exclusiva ao Visão de Mercado, o português recorda a saída do Benfica e os tempos nos Citizens, nos quais aprendeu com Patrick Vieira e conviveu diariamente com craques de nível mundial.

Falando um pouco mais do passado. Ingressou muito jovem no Benfica, onde esteve várias temporadas. Há diversos jogadores com idade semelhante ao Rony (que nasceu em 1995) que passaram pela formação dos encarnados e estão num patamar elevado, como Bernardo Silva (de 1994), André Gomes (de 1993), João Cancelo (de 1994), Nélson Semedo (de 1993), Ederson (de 1993) ou Gonçalo Guedes (de 1996). Por que razão, num espaço de tempo tão curto, um clube que não vinha lançando muitos jovens para a ribalta projectou tantos talentos?

Essa é uma óptima questão para o Benfica responder. De certeza que o Centro de Estágio do Seixal ajudou, mas também tem muito a ver com a organização interna do clube e a capacidade de formar e aproveitar o talento dos jogadores.

Ainda não tinha cumprido 17 anos quando foi para o Manchester City. Como é que surgiu essa oportunidade e o que é que o levou a aceitar?

O City surgiu depois de uma óptima época no Benfica e de bons jogos na Selecção. Quando me abordaram mostraram logo uma grande vontade em contar comigo e acreditavam que poderia chegar à equipa principal. Depois do Benfica ter dado o OK para a transferência, ponderei muito com a minha família e decidi arriscar. Sendo tão jovem e tendo a oportunidade de jogar num dos melhores campeonatos do mundo, tinha mesmo de aceitar. Felizmente, porque aprendi muito lá e consegui chegar a profissional.

Encontrou no City condições muito diferentes das do Benfica?

Tem mais a ver com a realidade que encontrei do que propriamente com as condições, porque no Seixal não falta nada. Cheguei ao City e pouco tempo depois fui logo convocado para fazer a pré-época com a equipa principal na Áustria. Saí directamente dos juvenis do Benfica no Seixal para jogar com o Aguero, Dzeko, Touré… a realidade foi completamente diferente. Depois, a própria vida fora do clube era diferente. Estava apenas com o meu pai, não conhecia ninguém, não falava a língua. Foi uma aventura que, felizmente, correu bem. Mas não foi fácil.

Esteve entre 2011 e 2015 ligado ao City. Notou um esforço grande da parte do clube para crescer e juntar-se às grandes potências da Europa?

Sim, o investimento na equipa foi óbvio. Ao mesmo tempo criaram um novo centro de estágio, melhoraram o estádio e tornaram-se numa marca global. O Manchester City faz parte de um grupo com outros clubes cujo objectivo é chegar ao topo do Mundo. Não vai ser de um momento para o outro, mas tudo começa pelo domínio do futebol doméstico o que, em Inglaterra, também não é nada fácil. Mas estão no bom caminho.

Estreou-se na equipa principal do City a 5 de Janeiro de 2013 contra o Watford para a Taça, quando tinha 17 anos, e 4 minutos depois de entrar marcou. Como foi esse dia?

Foi um grande dia. Se antes do jogo estava com aquele nervoso miudinho normal, a partir do momento em que fui chamado para entrar tudo aconteceu com naturalidade. Consegui marcar um golo e ainda hoje sou o mais jovem marcador de sempre do clube. Vai ficar para sempre como um dos melhores dias da minha vida.

Em 2013-2014 fez 4 partidas pelo City e viveu muito do ambiente da equipa principal. Que recordações guarda dessa altura em que, tão jovem, conviveu de perto com a equipa que venceu a Premier League?

Aprendi muito nesse ano, tanto com o Mr. Patrick Vieira como com o convívio com aqueles craques todos. O ambiente era muito bom, todos trabalhavam para o mesmo e tratavam-me como mais um, sem se preocuparem com a minha idade. Adorei e cresci muito.

Sempre foi dos jogadores mais promissores da academia do City. Guarda alguma mágoa por não ter tido uma verdadeira oportunidade?

Nenhuma mágoa. Sei bem que num clube pressionado por resultados todas as semanas, há menos espaço para dar oportunidade a jovens em detrimento de jogadores com valor comprovado. Percebi bem o meu lugar e segui o meu caminho, embora continue com uma ligação forte ao City e aos adeptos.

Assinou pelo Mónaco em 2015 mas esteve duas temporadas emprestado ao Lille (sendo que na última época de contrato com o City já havia estado cedido aos Dogues). Foi frustrante ter sido emprestado em 3 temporadas seguidas?

Também não. Aliás, foi um orgulho ter um clube como o Lille a confiar em mim para os meus primeiros passos como sénior. Ajudei o clube o melhor que consegui, chegamos a jogar na Europa e é mais uma cidade e um grupo de adeptos que trago no coração. Passei muitos momentos positivos e alguns menos bons sempre com os adeptos ao lado. Este ano até marquei ao Lille mas, claro, não festejei.

Entrevista realizada por Pedro Barata

1.ª parte da entrevista de Rony Lopes ao Visão de Mercado
2.ª parte da entrevista de Rony Lopes ao Visão de Mercado

11 Comentários

  • Sombras
    Posted Abril 19, 2018 at 8:39 pm

    A coisa que mais noto nestes miúdos saídos do Benfica (e falo do Benfica porque é a realidade que conheço melhor, não faltarão exemplos no Porto, no Sporting, no Braga ou no Guimarães) é que cada vez mais são melhores não só como jogadores mas como pessoas. E como adepto fico contente por estarmos a formar tanto jogadores como homens. Tive o prazer de conhecer o Bernardo Silva e o Guedes pessoalmente e são dois rapazes humildes, focados, educados, simpáticos, sem qualquer pingo de vedetismo nem nada que se pareça. E acho que uma das grandes razões do sucesso dos jovens portugueses é precisamente essa, a aposta na formação não só futebolística como cultural e cívica. Cada vez saem menos Sancidinos e mais Bernardos dos clubes Portugueses, e isso é de salutar.

    • Joao D
      Posted Abril 19, 2018 at 8:50 pm

      O Benfica não educa jogadores. Quem educa são os pais deles.

      E mal seria se não tivessem formação cultural e cívica. Estamos a falar de jovens que frequentaram a escolaridade obrigatória já no sécXXI onde o ensino já estava perfeitamente massificado.

      • Sombras
        Posted Abril 19, 2018 at 8:57 pm

        O Sancidino tem a mesma idade do Bernardo. E muitos deles vêm os pais de 2 em 2 semanas. É o Benfica que os educa, não tenhas dúvidas nenhumas sobre isso.

      • MikeM
        Posted Abril 19, 2018 at 9:15 pm

        Que resposta mais “parva”. Então os miúdos passam quase todo o dia na academia, com os treinadores e pessoas ligadas ao Benfica, muitos deles estão a centenas de km de casa e dos pais, desde muito tenra idade e quem educa são os pais? Claro que os pais têm um papel importantíssimo mas quem convive com eles dia após dia são os funcionários do Benfica, logo também estes desempenham um papel bastante importante para a educação.
        Era uma maravilha todas as pessoas que frequentaram o ensino obrigatório serem bem educados. Só que não…

        • Joao D
          Posted Abril 19, 2018 at 9:30 pm

          Mas não vão para Academia no dia a seguir a nascer. Há uma educação de berço, de cepa. Há valores que são transmitidos.

          Sim, frequentar o ensino básico e ser educado não são sinónimos. Aí dou-te razão. Mas eu estava-me a referir à formação cívica e cultural.

          • MikeM
            Posted Abril 19, 2018 at 9:45 pm

            Esses valores de “berço”, quando os miúdos são mal aconselhados ou encaminhados, são esquecidos em meia dúzia de minutos. É muito fácil moldar a educação de um criança e por mais que, neste caso, os pais tenham transmitido bons valores, eles vão seguir os exemplos maioritariamente de quem convive com eles durante grande parte do dia, portanto por mais que a educação de “casa” seja importante, os valores transmitidos pelas pessoas do clube são ainda mais importantes.
            Também se pode verificar o contrário, miúdos que não têm educação em casa, que não têm boas referências familiares e que devido à educação que lhes é transmitida por com quem com eles convive todos os dias, se tornam pessoas com valores e educação.
            No teu prisma, esses exemplos seriam casos perdidos não? Não têm educação de berço ou de cepa.

      • Logen
        Posted Abril 19, 2018 at 9:37 pm

        O João como grande fã da formação não sabe que a maior parte da formação de mais de 79% dos atletas é maioritariamente dos clubes.
        Visto que eles passam a maior parte do tempo no centro estágio e encontram se nas idades onde se forma o caracter 12/18 anos !

        • Joao D
          Posted Abril 19, 2018 at 9:42 pm

          O caracter de uma pessoa forma-se muito antes dos 12 anos. Aliás, em idades bem mais precoces é possível ver a personalidade de uma pessoa.

    • Xyeh
      Posted Abril 20, 2018 at 9:58 am

      No Porto tens o Rúben Neves que é óptima pessoa, eu acho que as academias já têm essa preocupação no desenvolvimento humano dos miúdos, claro que há sempre excepções, Guedes, Bernardo, Rúben e Rony parecem-me os 4 miúdos muito atinados da cabeça.

  • Francisco Torgal
    Posted Abril 19, 2018 at 9:12 pm

    Parabéns pela entrevista Pedro Barata, perguntas oportunas e informação relevante!

  • RodolfoTrindade
    Posted Abril 20, 2018 at 4:02 pm

    Parabéns pela excelente entrevista Pedro.

Deixa um comentário