Se há alguns anos atrás alguém se atravesse a vaticinar que um extremo marcaria 40 golos num campeonato de elite como o espanhol (mesmo sendo uma Liga pouco excitante e previsível) e que um atleta com corpo de criança, de estilo enfezado e com medo da própria sombra, atingiria nesse mesmo campeonato a marca dos 50 e concretizasse mais de 80 no mesmo ano civil, seria apelidado de louco e surreal. No entanto, os números estratosféricos estão ai, com recordes batidos em catadupa, não obstante o ranger de dentes das antigas glórias por se verem cada vez mais esquecidas no passado.
Messi e Ronaldo marcaram indiscutivelmente um novo marco no futebol mundial, levando-me a afirmar com toda a legitimidade que há um antes e um depois destes dois fenómenos, até porque estabeleceram um novo crivo que qualquer candidato a melhor do mundo se vê agora obrigado a ultrapassar.
Tal realidade poderia levar-nos a pensar o que aconteceria se Figo, Zidane, e mesmo, Matthäus ,Marco Van Basten, Roberto Baggio, Romário, Weah, Ronaldo o Fenómeno, Rivaldo , Ronaldinho, Cannavaro e Kaká estivessem agora no auge das suas carreiras. Teriam que se contentar em disputarem entre si o prestigiante terceiro lugar, já que face à estatística nunca poderiam competir com aqueles?
Nunca o golo trouxe tanto mediatismo, tanta glória. Outrora, a simbiose perfeita entre um bailarino moscovita e o jogador de futebol implementada por Zidane, o coelho tirado da cartola por Il Divino Codino ou o drible lento mas imprevisível de Figo, eram tidos em maior conta. Hoje olhamos para Ozil ou David Silva com sobranceria e reconhecemos que já não nos mexem com as vísceras, jogadores que nos anos 90 seriam idolatrados e imitados pelos miúdos na rua, orgulhosos de terem o seu nome inscrito no dorsal.
Será possível que a aposentação dos dois protagonistas nos proporcione voltar ao passado, onde o carisma de receber a bola em souplesse e a colocação da bola pelo buraco da agulha dava pontos, mesmo que o passe falhasse por uma nesga, ou a assistência perfeita não singrasse e o número de golos marcados no final de cada época pudesse ser contado pelos dedos de uma só mão? Ou não serão eles os principais responsáveis mas antes um sinal dos tempos, que dá ao golo uma maior importância que não tinha no passado? Quem poderá negar que goleadores sempre existiram ou esquecer que no ano em que Gerd Müller marcou 85 golos, o melhor do mundo foi um defesa (Beckenbauer). Será possível que nos dias de hoje um guarda-redes, defesa ou trinco almeje ganhar este troféu, ou terá que marcar mais de 40 golos para conquistar o lugar mais alto? O desequilibrado campeonato espanhol é um dos principais culpados para esta nova realidade? Marcaria Messi tantos golos se estivesse ausente da máquina barcelonista e num campeonato mais a doer, tal como aconteceu com Ronaldo, que quando se encontrava em Inglaterra marcava bem menos?
Visão do Leitor (perceba melhor aqui!): Sérgio Tomás



58 Comentários
Drama
Não seriam muito porque hoje em dia as pessoas confundem a Bola de Ouro com a Bota de Ouro
Sérgio Teixeira
Ronaldo (o fenomeno) no seu auge competia com os dois sem qualquer problema (na minha opiniao). Se homem fez o que fez num Barça completamente longe desta máquina destruidora que é hoje… mete medo só de imaginar o que seria se tivesse jogado inserido nesta equipa… Zidane e Figo andavam taco a taco, se um estivesse na luta estavam os dois certamente.
luis nhamue
So posso dizer que o golo que Zidane fez contra o Bayern Leverkusen ainda me faz chorar cada vez que vejo.
O golo que o Figo fez contra a Inglaterra de longa distancia, me deixa sem ar.
O golo de Ronaldinho contra a Inglaterra no Mundial 2002, e contra o Chelsea, nao sei como classificar. tanta coisa boa.
O Messi e o Cristiano estao a tirar o maior paritdo das suas oportunidades.
Tiago Quintas
OS 5 melhores seriam Zidane, Ronaldo (fenómeno), Ronaldinho Gaúcho, Messi, e Cristiano Ronaldo.
Estes foram os que eu vi jogar nos meus ainda 'curtos' anos de vida.
Zidane pois tratava a bola como ninguém; Ronaldo Fenómeno pois foi o melhor avançado centro que vi jogar; Ronaldinho Gaúcho com o Barça de hoje partia a loiça toda, que técnica incrível; Messi e o nosso Cristiano também é óbvio o porquê de os escolher.
Figo era muito bom mas não é tão bom como estes 5.
Paulo Ribeiro
Houve um facto decisivo para que o futebol se tornasse mais desequilibrado, a lei Bosman! Os clubes com mais dinheiro conseguem ter equipas muito superiores às outras. Daí Real Madrid e Barcelona possibilitarem a Ronaldo e Messi esta exorbitância de golos por época. É um facto que o barça joga com muitos espanhois, mas que seria do Real se jogasse só com 3 estrangeiros?? Enfim em relação a Figo e Zidane penso que foram os melhores de uma era, isso fala por si. E como seria Eusébio se jogasse nos nossos tempos, nunca ng vai saber…