Depois de regressar à glória interna, o bicampeão alemão Borussia Dortmund tem sido, a par do Málaga, o emblema que mais se tem destacado na Liga dos Campeões. A equipa comandada por Jürgen Klopp venceu no Westfalenstadion o Ajax e o Real Madrid, tendo empatado na casa do campeão espanhol e em Manchester frente ao campeão inglês, em encontros que podia perfeitamente ter ganho. O apuramento está perto no grupo da morte.
Um conjunto diferente do de Sammer, Kohler, Riedle, Moller, Paulo Sousa e Chapuisat, nessa altura o Dortmund era uma equipa mais veterana mas também com outro fulgor económico (teve a capacidade de ir resgatar ao campeonato italiano alguns dos melhores jogadores alemães…Inter e Juventus, principalmente, na década de 80 princípio de 90 devido a terem um maior poderio económico, às limitações de estrangeiros e força da Alemanha, na altura campeã Mundial, adquiriram os principais elementos germânicos), mas que soube reagir bem a uma crise desportiva e financeira já neste século (também mudou o nome do estádio para Signal Iduna Park de modo a garantir mais um encaixe), e que adoptou um projecto perfeito, aliás que devia ser seguido por algumas equipas portuguesas: deu tempo e espaço a um treinador (Klopp estava na 2ª divisão antes de chegar ao Borussia, e já no Dortmund nas duas primeiras épocas foi apenas 6º e 5º…hoje é um dos melhores do Mundo, um autêntico visionário que esta época por duas vezes já conseguiu “vergar Mourinho), apostou na formação (Mario Götze, Marcel Schmelzer, Nuri Şahin) e com uma boa visão de mercado contratou jogadores de Top (como Kagawa, Lewandowski, Subotić, Hummels, İlkay Gündoğan, Łukasz Piszczek, Bender) por uma “pechincha”, principalmente considerando a qualidade que apresentam. Barrios, Şahin, Kagawa, que foram decisivos em 2010-11 já saíram, mas também neste capitulo o Dortmund conseguiu interpretar bem o que é o futebol actual (fora do contexto das equipas de Top em termos económicos): realizou bons encaixes financeiros, potenciou novos elementos e principalmente soube canalizar esse dinheiro para activos que até deixam a equipa mais forte (Reus é superior a Kagawa). Claramente um modelo a imitar (de preferência com o apoio incondicional dos adeptos)…
A verdade é que é fácil gostar do Borussia Dortmund. Tem um plantel muito jovem, composto por elementos de grande qualidade técnica como Reus (que é nesta fase um dos melhores jogadores da Europa e marcou no Etihad e no Bernabéu) ou Götze, pratica um futebol atractivo e tem uma falange de apoio impressionante: conta com a presença de 80 mil adeptos em todos os jogos caseiros (maior média da Europa) e levou a Madrid por exemplo cerca de 10 mil apoiantes! Há que dar mérito total a Klopp e seus pupilos. Empatar no terreno de duas das 3 melhores equipas do mundo, os actuais campeões dos campeonatos espanhol e inglês, as duas ligas mais fortes da actualidade, é um feito notável e faz relembrar os tempos áureos do Borussia da década anterior. As prestações na Champions têm sido bem melhores do que internamente, o que é facilmente explicável. O 11 titular é fortíssimo e está bastante rotinado, mas há poucas opções no banco que permitam atacar todas as provas em que está inserido. Foi uma opção, que nesta fase faz com que a hipótese de chegar ao título esteja praticamente hipotecada (o Bayern também apresenta um dos melhores plantéis da Europa e tem claramente outra capacidade financeira, inclusive já emprestou em 2003 dinheiro ao Dortmund, para evitar a falência do actual campeão alemão). Parece-nos bem, até porque esta equipa veio para ficar.


