Desde cedo notabilizou-se como goleador, furando as marcações dos centrais, sempre atento às linhas do fora-de-jogo e com um talento nato para alvejar as balizas contrárias. Deu-se a conhecer ao país nos juniores do FC Porto onde foi frequentemente o melhor marcador da equipa. O avançado era uma das estrelas do conjunto, e é ainda o melhor marcador da história dos escalões de formação dos azuis e brancos, superando até o bi-bota de Ouro Fernando Gomes.
Desconhecido para muitos, familiar para os mais apaixonados pelo futebol nacional, ao longo da sua carreira o super-goleador marcou quase 1000 golos, sendo que como sénior marcou quase 300! Chegou inclusive a marcar 5 golos numa partida, algo que não está ao alcance de qualquer um. Trata-se de uma eterna promessa que sempre aguardou pela concretização. Obteve um esmagador sucesso a nível local a despeito de tantos, tantos, tantos golos, mas que viveu no anonimato. Nunca teve a tão merecida oportunidade de voar mais alto. Notabilizou-se com prémios atrás de prémios e teve uma carreira discreta que tudo tinha para ser memorável! Trata-se de um jogador que facturou imensos golos numa tão competitiva segunda divisão, onde chegou a ser o melhor marcador por 2 vezes. Teve uma carreira que lhe passou ao lado, acabando por representar clubes de segunda divisão quando merecia claramente mais!
No futebol nem sempre vence quem é bom e tem talento, por exemplo, Nuno Gomes era seu suplente na selecção da A.F. do Porto. Também é preciso ter “padrinhos” e Bock (que completa hoje 37 anos) não os teve, nem padrinhos, nem uma oportunidade. Bock não tem, nem nunca teve um empresário que lhe permitisse ter uma transferência choruda. Daqui advém uma questão sobre a tamanha aposta em jogadores estrangeiros: a que se deve a aposta sistemática em jogadores estrangeiros tratar-se-á exclusivamente do factor? É um caso típico no futebol nacional de jogadores a reclamarem falta de oportunidades nos melhores palcos. O futebol como tudo na vida exige sorte e temos diversos exemplos de sorte e de azar. Bock, e pela sua faixa etária, tinha todo o potencial para ter sido o avançado da nossa selecção numa altura em que figuras como Pauleta, Hugo Almeida e Hélder Postiga desiludiam constantemente. Teve apenas o infortúnio de nenhum clube de top ter apostado na sua tremenda qualidade. Ao mesmo tempo os principais clubes nacionais apostavam em jogadores como Esnaider, Pizzi, Karadas, Jankauskas, Kutuzov, Mota ou Koke, todos de nacionalidade estrangeira, o que parece ser a bandeira dos nossos clubes. Temos uma panóplia repleta de jovens talentos que necessitam de oportunidades e na maioria dos casos essas oportunidades são claramente roubadas por elementos inconsequentes e sem qualidade para a nossa liga. É claramente imperioso a necessidade de afastar os senhores do futebol que apenas se preocupam em realizar transferências internacionais uma vez que são mais apelativas para os seus bolsos. Indivíduos como José Mourinho, Lazlo Boloni e Paulo Bento apostaram, descobriram e desenvolveram jovens talentos portugueses, mas esse processo parece agora não ter continuidade (a médio prazo é certo que a selecção nacional irá sofrer as consequências desta tendência do futebol português). Como se explica que Bock nunca tenha tido uma oportunidade num clube com outras ambições? Considerando esta aposta em massa nos jogadores estrangeiros, daqui a uma década iremos dedicar mais posts a novos “Bock’s” (portugueses com qualidade que devido a estarem tapados nos clubes da I Liga por estrangeiros nunca tiveram uma oportunidade para demonstrar o seu valor)? Que medidas sugere para inverter esta tendência?
Visão do Leitor: Bráulio Pinto


