O FC Porto é um dos melhores exemplos de gestão desportiva na Europa. Ao longo dos anos, Pinto da Costa já tinha mostrado competência à frente dos azuis e brancos, mas foi na entrada do século XXI, com a conquista da Taça UEFA e Liga dos Campeões, que os dragões começaram a realizar enormes encaixes financeiros com a venda de jogadores. O FC Porto consegue comprar relativamente barato (com algumas excepções), vender caro e, mesmo assim (apesar de ir perdendo os principais elementos), continuar a conquistar títulos. Nos últimos 10 anos, os dragões conquistaram 8 Campeonatos, 5 Taças de Portugal, 7 Supertaças, 1 Liga dos Campeões, 2 Taças UEFA/LE e 1 Taça Intercontinental. Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Lucho González, Lisandro López, Pepe, Raúl Meireles, Cissokho, Deco, Bosingwa, Quaresma, Anderson, Falcao e Guarín foram elementos comprados a “preço da chuva” (salvo algumas excepções) e vendidos a “preço de ouro”, rendendo muitos milhões aos cofres azuis e brancos (para além dos títulos conquistados).
Contudo, a questão principal é saber para onde vai o dinheiro. Neste momento, os dragões poderiam estar com uma grande tranquilidade financeira, mas o que passa para fora é a necessidade de vender activos. Pareceu evidente o desespero do FC Porto nestes últimos dias. Primeiro vendeu João Moutinho ao Tottenham por 28 milhões de euros (por atrasos negociais entre o médio e os Spurs acabou por não sair), e agora vende aquele que foi o seu melhor jogador nos últimos 3 anos por “apenas” 40 milhões de euros (que até vão ser pagos em 3 anos). Para além do “timing” da venda de Hulk (os dragões ficaram sem hipóteses de comprar um substituto). Não se compreende o facto de Pinto da Costa ter aceitado a proposta do Zenit (o director desportivo dos russos garantiu hoje de maneira oficial que o Incrível além de só ser pago em 3 anos custou no total 40 milhões de euros), quando há pouco tempo tinha (supostamente) rejeitado uma proposta dos russos de 50 milhões e afirmado que o Zenit não ia levar o brasileiro (insistindo na história da cláusula). Como se explica esta gestão financeira e o desespero para vender? Para onde foi o dinheiro das transferências dos jogadores, para além dos muitos milhões ganhos em prémios (especialmente da Liga dos Campeões)?


