Os Jogos Olímpicos de Pequim 2008 colocaram de novo Portugal no caminho da medalha de Ouro, com o triplo-salto de Nelson Évora, contudo, em 2012, vai ser muito difícil aos 77 atletas nacionais (45 homens e 32 mulheres) chegar ao lugar mais alto do pódio. Portugal apresenta o mesmo número de representantes que em 2008, mas faltam os medalhados Nelson Évora, Vanessa Fernandes, Francis Obikwelu e Rui Silva, para além de Naide Gomes, que é uma das melhores do mundo no salto em comprimento. O Atletismo continua a ser a modalidadecom mais participantes (24), seguido da Vela (13 – 8 equipas), Natação
(8) e Canoagem (6 – 5 equipas). O Badminton (2), Ciclismo (4), Hipismo
(2), Ginástica (4), Judo (4), Remo (2 – 1 equipa), Tiro (2), Ténis de
Mesa (4) e Triatlo (2), são as outras modalidades com portugueses em
acção. As grandes esperanças da comitiva portuguesa estão depositadas no Atletismo, Vela, Canoagem, Ginástica (trampolins), Judo e Triatlo, onde se podem esperar excelentes prestações. Quem sabe se não teremos uma medalha, onde menos se espera.
Natação
Simão Morgado (100 m mariposa), Pedro Oliveira (200 m costas e 200 m mariposa), Tiago Venâncio (200 m livres), Carlos Almeida (100 m bruços), Diogo Carvalho (200 m e 400 m medley), Arseniy Lavrentyev (10 km águas abertas), Sara Oliveira (100 m e 200 m mariposa) e Ana Rodrigues (100 m bruços). Portugal nunca teve tradição nas provas de natação, com escasso resultados de revelo a nivel internacional. Apenas por uma vez um nadador português ousou chegar a uma final olímpica (Yokoshi nos 200 m bruços em 1984), restando à comitiva nacional tentar chegar o mais longe possível e bater recordes nacionais.
Canoagem
Fernando Pimenta e Emanuel Silva (K2 1000 m), Teresa Portela (K1 200 m e K1 500 m), Beatriz Gonçalves e Joana Vasconcelos (K2 500 m) e Helena Rodrigues, Teresa Portela, Beatriz Gonçalves e Joana Vasconcelos (K4 500 m). A Canoagem está em grande expansão em Portugal, com o aparecimento de excelentes atletas, com resultados internacionais de destaque. A dupla masculina tem sérias hipóteses de chegar à final e lutar pelas medalhas, tal como as atletas femininas que já ganharam medalhas em mundiais e europeus nos anos mais recentes (num dia bom, tudo será possível).
Manuel Cardoso (ciclismo de estrada, prova em linha), Rui Costa (ciclismo de estrada, prova em linha), Nélson Oliveira (ciclismo de estrada, prova em linha e contra-relógio) e David Rosa (montanha). Pela primeira vez, Portugal vai ter um representante na disciplina de bicicleta de montanha, contudo, dificilmente David Rosa terminará entre os 10 primeiros classificados. Na prova de estrada, tudo é possível. Manuel Cardoso irá tentar surpreender os sprinters mais forte, enquanto Rui Costa e Nélson Oliveira tentarão atacar no momento certo.
Ginástica
Manuel Campos (individual geral), Zoi Lima (individual), Diogo Ganchinho (trampolim) e Ana Rente (trampolim). A disciplina de ginástica de trampolim conta com dois excelentes representantes. Tanto Diogo Ganchinho como Ana Rente têm legítimas aspirações em chegar à final e ficar entre os oito melhor do mundo. Manuel Campos, com 31 anos, apresenta uma idade pouco comum entre ginastas de alta competição, mas não será isso que o poderá impedir de tentar um lugar nos 24 melhores do JO. Tal como Manuel Campos, no sector feminino, Zoi Lima lutará pela final do concurso, apesar de ter missão quase impossível.
Judo
João Pina (-73 kg), Joana Ramos (-52 kg), Telma Monteiro (-57 kg) e Yahima Ramirez (-78 kg). Telma Monteiro é a grande esperança da comitiva nacional para trazer uma medalha de Londres. A portuguesa é a nº2 do ranking mundial da sua categoria e tem como principal objectivo a conquista da 1ª medalha olímpica. João Pina também está entre os favoritos para chegar a uma medalha, ele que é bicampeão europeu da sua categoria. Joana Ramos e Yahima Ramirez têm menores hipóteses de chegar ao pódio, mas poderão surpreender.
Ténis de Mesa
Marcos Freitas, João Monteiro, Lei Huang Mendes e Tiago Apolónia (André Silva participa como suplente, mas não entra para a estatística das presenças portuguesas em Londres). Os três mesa-tenistas participam pela 2ª vez num Jogos Olímpicos, mas apenas Marcos Freitas e João Monteiro vão participar na prova de singulares. Os dois estão bem colocados no ranking (17º e 22º), mas perante a forte concorrência asiática e alemã, será impossível chegar às medalhas (uma presença entre os 16 melhores seria espectacular). No quadro feminino, Lei Huang, terá poucas de hipóteses de chegar longe, mas entra para a história como a primeira mesa-tenista portuguesa nos JO. Na vertente de equipas, Portugal aparece bem colocado (8º no ranking mundial). Com apenas 16 equipas em prova, a selecção nacional pretende fazer história. As medalhas são de difícil alcance (China, Alemanha, Japão e Coreia do Sul são de outro planeta), mas com um sorteio favorável será possível ficar entre os oito primeiros.
Pedro Martins e Telma Santos. Os dois atletas portugueses terão missão impossível nos JO. No quadro masculino, Pedro Martins vai defrontar o nº5 do mundo (Peter Gade, da Dinamarca), enquanto que Telma Santos vai realizar duas partidas, uma frente à nº9 do mundo (Ratchanok Intanon, da Tailândia) e uma frente a Thilini Jayasinghe (Sri Lanka). Em ambos os casos, só passa um atleta para a fase seguinte.
Gonçalo Carvalho com “Rubi” (ensino) e Luciana Diniz com “Lennox” (saltos). A modalidade de Hipismo tem forte tradição em Portugal, com a conquista de 3 medalhas de Bronze em Olimpíadas anteriores. Se na prova de ensino, será dificil a Gonçalo Carvalho chegar longe, Luciana Diniz aposta nas medalhas como objectivo pessoal.
Remo
Pedro Fraga e Nuno Mendes. A dupla portuguesa conquistou um excelente 8º lugar em Pequim, pelo que o objectivo passa por melhorar essa classificação.
Tiro
João Costa (10 m pistola de ar e 50 m pistola) e Joana Castelão (10 m pistola de ar e 25 m pistola). O atirador português conta já com grande experiência olímpica e uma excelente 7º lugar em Sidney, enquanto Joana Castelão faz a estreia. Tendo em conta as fracas condições de preparação e o facto de serem dos poucos não-profissionais entre os participantes, não se pode exigir grandes resultados dos nossos atiradores.
Triatlo
Bruno Pais e João Silva. O Triatlo está em grande expansão pelo mundo, pelo que a competitividade nas principais provas é bastante elevada. Bruno Pais participa pela 2ª vez nos Jogos Olímpicos e espera melhorar o 17º lugar de Pequim, enquanto João Silva faz a estreia. Ambos os triatletas têm condições e qualidade para fazer uma excelente prova.
Quais são as expectativas para Londres 2012? Poderá Portugal conquistar medalhas ou, tal como em Barcelona 92, vamos ficar em branco? Que atletas poderão chegar ao lugar de medalhados (3 primeiros) e finalistas (8 primeiros)?

