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P.S.G: pesadelo ou paraíso para a Ligue 1?

Olhar para o cenário montado em França em torno do P.S.G é como estar a ver um filme, daqueles que passa todos os natais, recostado no sofá de nossa casa, e exclamar: ‘já vi este filme em qualquer lado’. Porque de facto, a sensação de déja-vu tem a sua explicação, assente nas recentes experiências de Anzhi e Manchester City. Para o adepto comum, a construção desta fantasia junta todos os ingredientes para a tornar apelativa. O impacto é entusiasmante, a chegada de jogadores de nível mundial deixa um travo de promessa a luta titânica na Europa (como já o City havia deixado), e de certeza que esta época o clube irá ganhar centenas de fãs não-parisienses em todo o mundo. Antes de nos debruçarmos sobre a sustentabilidade futura desta aposta, um olhar sobre o presente. Terá o P.S.G capacidade para aguentar a pressão de milhões de fãs? Ser uma entidade com dimensão nacional é diferente de o ser a nível mundial. Não é à toa que se diz que ‘grandes poderes, trazem grandes responsabilidades’. Estendendo o exercício a outra modalidade, facilmente pensamos num exemplo: Knicks, da NBA, que ano após ano sucumbe perante a incapacidade de responder e representar a cidade mais cintilante de uma nação estratosférica, como são os Estados Unidos da América.

Outro factor, que merece reflexão, é o dinheiro proveniente do milionário contrato publicitário que a televisão árabe oferece à Ligue 1 para a cobertura integral da competição. Se é verdade que esse interesse asiático na liga francesa se deve, muito em parte, ao investimento qatari no P.S.G, não é menos verdade que todos os outros clubes tem muito a ganhar com isso. Estes ganham fôlego financeiro, encorpam as suas fileiras com jogadores de valia, aumentando assim a reputação da Ligue 1, que sobe de nível. Tudo isto tem como consequência o interesse forasteiro em jogar na liga francesa…e o ciclo, onde todos tem direito à sua fatia, recomeça. No entanto, com o investimento directo de que é alvo a equipa do Parque dos Príncipes, esta levará sempre vantagem sobre as restantes, o que poderá deitar por terra a já histórica competividade daquela liga. E é aqui que é importante perceber até que ponto, o facto de só o P.S.G ser financiado (pressupondo um domínio local esmagador), a liga francesa perderia o seu interesse. Ninguém quer ir jogar para um campeonato onde o vencedor está, à partida, anunciado. A título do que se passa em Espanha, actualmente. Ainda há algo que nos prenda ao televisor além daquela luta a dois? Uma luta que só agora ameaça sair de um casulo enfadonho, o que, a aumentar de tom, em muito se deverá à partida de Guardiola da cidade condal.
Mais: a taxa especial que todos os governos europeus começam a aplicar sobre os rendimentos de todas as empresas mais lucrativas, pode fazer mossa. Os impostos subirão, o que levará, forçosamente, ao estabelecimento de um tecto salarial. Ou seja, debandada de muitos jogadores de uma liga que, para já, tudo o que tem para oferecer é dinheiro. Mas claro que, e como Drogba preoconizou, Lavezzi, Ibrahimovic e Thiago Silva, quando inquiridos sobre tal, falariam de um ‘projecto desportivo aliciante’.
A. Borges

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