De maneira surpreende (não pela qualidade técnica e táctica que exibiu, mas por na teoria Russia e Polónia serem as favoritas a passar à fase seguinte), a Rep. Checa ficou em 1º lugar no grupo A e será o adversário de Portugal nos quartos-de-final do Euro 2012. Sem dúvida um conjunto interessante, homogéneo, com bons valores (mas longe de ter a qualidade do elenco que em 1996 eliminou Portugal nesta fase), e que acima de tudo personifica o futebol moderno: laterais rápidos de boa técnica e que dão bastante profundidade nos seus corredores (Limberský e Gebre Selassie), centrais (Kadlec e Sivok) com qualidade, que não se importam de ter bola e que lêem bem o jogo, um médio defensivo mais posicional (Hübschman) e outro no apoio (Plasil), um 10 cheio de criatividade (Rosický), dois alas de boa técnica, fortes no 1 contra 1 e que desequilibram (Václav Pilař que já assinou pelo Wolfsburgo tem sido uma das revelações do Euro, enquanto que Jiráček é talvez o jogador mais interessante desta selecção, não só pela sua técnica, mas igualmente pelas movimentações e poder de decisão). E a tudo isto juntam um super-guardião (Petr Čech, que foi considerado o melhor guarda-redes de 2011 pelo VM) e um avançado experiente Milan Baroš (melhor marcador do Euro 2004). No entanto é uma equipa vulnerável (os laterais, principalmente Limberský, cometem muitos erros defensivos), claramente inferior à Dinamarca, Holanda e Alemanha, em situações de desvantagem no marcador com pouca capacidade para assumir o jogo e inverter os acontecimentos (vai certamente impor um estilo mais táctico, evitando desequilibrar os sectores e dando a iniciativa a Portugal), sem dinâmica no meio campo, caso Rosický não jogue sem criatividade, e como tal (sempre sem menosprezar a Rep. Checa), este é o encontro ideal para Bento poupar alguns jogadores (não podemos ambicionar chegar à final – e esta pode ser uma das últimas oportunidades de Portugal já que com a aposta zero dos clubes em elementos nacionais a competitividade da nossa selecção em termos internacionais está em perigo – sempre a jogar com o mesmo 11, ainda para mais, quando tivemos 3 jogos muito complicados e desgastantes a todos os níveis). Nesse sentido, elementos como Meireles (é o nosso melhor médio mas tem acusado o desgaste de uma longa temporada), Postiga (nosso melhor avançado, só marcou 1 golo, mas tem sido decisivo com as suas movimentações e pelo trabalho “sujo” que tem realizado -pouco visível e ignorado – com a pressão que tem feito sobre a defensiva contrária) e Nani (claramente o elemento mais da nossa selecção, aquele que nos momentos complicados assume o jogo, empresta poder de decisão e desequilibra, mas foi o que se desgastou mais nos 3 primeiros jogos não só em termos ofensivos mas igualmente na protecção ao lateral) deviam ser poupados. Custódio (Veloso subia para a posição de Meireles), Varela ou Quaresma, e Nélson Oliveira ou Hugo Almeida podiam ser os substitutos. Qual deverá ser o 11 de Bento frente à Rep. Checa? Manter os mesmos das 3 primeiras jornadas ou fazer uma gestão inteligente (não podemos dar um passo maior que a perna e pensar que as meias-finais são algo adquirido, e a lógica será sempre jogar e ganhar um jogo de cada vez, pois não adianta pensar nas meias se não passarmos a Rep. Checa, no entanto, também não podemos ambicionar chegar à final encarando o nosso adversário nas semi-finais com os nossos elementos de “rastos” fisicamente)? E no que diz respeito ao nosso opositor, quais os principais perigos e destaques deste conjunto checo?
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