Ainda não chegámos ao Natal e os sportinguistas já queriam que estivéssemos em Junho. Isto por culpa da sua equipa de futebol, que partiu como candidata a lutar pelo título mas, nesta fase, está a 18 pontos do primeiro lugar e a 4 do último (a 2 pontos da linha de água), fora da Liga Europa com uma campanha deprimente num grupo fácil e eliminado da Taça de Portugal pelo Moreirense. Se falarmos para além dos resultados, vemos um conjunto de jogadores sem garra, que comete muitos erros individuais, que colectivamente não existe, que marca pouco e sofre muito.
Como no futebol o presente está sempre directamente relacionado com o futuro. A preocupação dos leões nesta fase deveria ser a de não condicionar a próxima temporada e, para tal, é necessário que se tomem algumas decisões. Não é por uma época estar perdida que um clube deve bloquear, pois isso poderá ser fatal em termos de mercado (inclusive Janeiro devia servir para contratar alguns jogadores em final de contrato, veremos é se isso está a ser trabalhado). Dando um exemplo claro, com a péssima prestação do emblema leonino, parece evidente que todos os elementos do plantel vão desvalorizar (aliás este cenário já aconteceu nos últimos anos, e o clube verde e branco no passado ainda teve de pagar para se ver livre de alguns jogadores, veremos como será no final desta temporada). Como tal, e para inverter esta tendência (até porque os leões necessitam de realizar encaixes financeiros), o Sporting deveria procurar transferir pelo menos 12 activos no mercado de Inverno (aproveitar o mercado que os jogadores ainda tem, pois no final da época a tendência é que o mesmo desapareça) e gerar o máximo lucro possível: Patrício, Cédric, Carriço, Xandão, Boulahrouz, Capel, Jeffrén, Izmailov, Elias, Schaars, Pereirinha e Ínsua, por razões diferentes: valor individual (Patricio é dos poucos que pode permitir um encaixe importante), final de contrato (Carriço, Pereirinha e Xandão, o brasileiro de empréstimo),e nada acrescentarem, são alguns dos nomes que deviam abandonar Alvalade. Esta espécie de revolução iria permitir (além da melhoria das contas do clube) a entrada de mais elementos da equipa B no elenco principal (como Pedro Mendes, Esgaio, Rubio, Arias, Bruma, etc), não condicionando a época leonina, pois um 11 com: Boeck, Árias ou Dier, Pedro Mendes, Rojo, Pranjic, Rinaudo, André Martins, Labyad, Carrillo, Viola e Wolfswinkel, certamente pior não faria (também é impossível).
Este momento leonino merece uma profunda reflexão, é certo, mas se os leões ficarem eternamente a chorar o hoje, não tentarem inverter a tendência (esta época tem de servir para algo, nem que seja como preparação para o futuro em termos de potencialização de alguns jovens) e bloquearem (ignorarem já a preparação do “amanhã”), o emblema de Alvalade pode entrar num ciclo irreparável nos próximos anos (além da visão de mercado, que nunca existiu em Alvalade, um lugar na tabela classificativa no final da época que não esteja ao nível da grandeza do clube leonino poderá ter graves consequências).


