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A equipa sem claque

Antes de chegar à alta roda do futebol nacional, um árbitro ultrapassa vários níveis de experiência. Primeiro nível: futebol distrital. Um juiz internacional, disse, a propósito da evolução de um árbitro, que “o mais difícil é passar pelos Campeonatos Distritais. Aí é que um árbitro é posto à prova e é feito o filtro aos mais capazes. Para chegar aqui passamos por situações inacreditáveis e só quem passa por esta aventura é que tem noção do que é ser árbitro de futebol”.
13h:45 – O jogo é às 15h. Chegam ao campo e param o carro junto ao portão. “Ninguém vem abrir o portão?”. Um dos árbitros tenta abrir. Está fechado… Bate uma, duas, três vezes e, após alguns minutos de espera, o porteiro decide dar as boas-vindas à equipa de arbitragem.
Colocando-me na posição do Delegado da equipa visitada, diria que apesar de não ser uma obrigação, devia ser habitual receber convenientemente a equipa de arbitragem e o autocarro da equipa visitante. O porteiro, muitas vezes embriagado e/ou sem condições motoras para desempenhar a função, mal consegue acompanhar a equipa de arbitragem ou indicar o local de estacionamento.
Por que motivo no Futebol não há respeito pelos agentes desportivos que visitam uma “casa” desconhecida, se na nossa casa também recebemos os convidados à porta?
13:50 – Os árbitros dirigem-se para a sua cabine.
Passando por alguns adeptos, os primeiros insultos: “olha-me estes…um com idade para ser meu pai, outro para ser meu filho e um gordo. Com estes palhaços vai ser bonito, vai”.
14:00 – Dar uma volta pelo relvado. Inspeccionar balizas, verificar as medidas do terreno de jogo e garantir as condições de segurança.
Balizas com redes furadas já não são um problema, são uma rotina. Não é algo que não se resolva com umas braçadeiras de plástico ou uns nós mais fortes. O problema é quando uma observação a olho nu permite ver que as marcações das linhas no terreno de jogo estão tortas ou desenhadas na diagonal. “Oh shôr árbitro, desculpe lá mas o gajo que faz as marcações está sempre bêbado! Os seus colegas não costumam levantar problemas por causa disto…”.
Após alguns minutos em que os árbitros tentam explicar a impossibilidade de fazer um jogo com marcações tortas, o Delegado da equipa visitada, após acusar a equipa de arbitragem de intolerância e excesso de zelo, diz que vai remediar a situação.
14:15 – São recebidos, à vez, na cabine dos árbitros, os Delegados das duas equipas.
Na ficha de jogo da equipa visitada está inscrito, como treinador, um elemento do qual não é apresentado o cartão que o habilita para a função. Questionado acerca deste lapso, o Delegado refere que o treinador está doente e não pode comparecer. Pede ao árbitro que deixe mantê-lo inscrito, dado tratar-se de um treinador estagiário que precisa de um determinado número de jogos para concluir o seu estágio. O árbitro, fazendo cumprir o regulamento, rejeita o pedido e justifica a sua decisão: “Não posso permiti-lo, porque autorizar esta situação pode trazer um problema grave: imagine que esse treinador comete um crime, tem um acidente ou está envolvido nalguma situação complicada durante a hora do jogo. Para a posterior investigação policial, esta ficha de jogo comprova que o indivíduo em causa esteve presente neste campo, ilibando-o da acusações ás quais possa estar sujeito. É evidente que se trata de um exemplo extremo, mas nós não podemos atestar que ele está aqui presente, até para própria defesa desse senhor”. Perante a justificação, o Delegado inicia um rol de insultos inapropriados. As forças policiais, há já uns minutos junto à cabine, usam a força para tirar o Delegado daquela zona. Segundos depois, um dos polícias regressa à cabine dos árbitros: “Ouvi o Delegado dizer a outro elemento técnico que aquele treinador estagiário com “problemas de saúde” está presente e inscrito noutro jogo como treinador de uma equipa de outro escalão do mesmo clube”. (a ideia era ludibriar os árbitros para que o estagiário pudesse somar dois jogos no currículo, apesar de só estar presente num deles).
14:30 – O aquecimento.
“Ai tão lindos, todos coordenadinhos a fazer o mesmo exercício. Daqui a bocado estes maricas vão dançar o tango”.
Analisar a postura das pessoas no futebol merece uma dissertação de mestrado. Para estas pessoas, o insulto não é uma manifestação de desagrado perante uma decisão do árbitro, é um ritual de “boas-vindas”. As pessoas nutrem verdadeiro ódio pela figura do árbitro. Para estes adeptos, aquele indivíduo deslocou-se àquela vila ou freguesia de Portugal para prejudicar, deliberadamente, a sua equipa. É perturbador, e não é raro, vermos pessoas com crianças ao colo, a disparar insultos brejeiros e agressivos, “oferecendo pancada” para depois do jogo e a descarregar o stress de uma semana de trabalho. Os exemplos dados aos mais jovens são deploráveis e não é por acaso que o célebre programa “Liga dos Últimos” mostrava, semanalmente, autênticas “pérolas” de humor, por um lado, e maus exemplos, por outro.
14:53 – A identificação dos atletas.
O árbitro identifica os jogadores. Um treinador chama a atenção do árbitro para um jogador adversário que reentrou na cabine depois de ser identificado (para evitar trocas de jogadores, o regulamento estipula que nenhum atleta, após a identificação, reentre na cabine). Perante esta situação, o árbitro identifica visualmente o jogador em causa e garante que é o mesmo que identificou há poucos segundos, escusando-se a repetir todo o processo de identificação da equipa e atrasar o início do jogo por causa de um atleta que foi apenas buscar uma caneleira. O bom senso do árbitro justifica a raiva do treinador, que o acusa de já estar a beneficiar uma das equipas. Caso o árbitro repetisse a identificação dos atletas, seria, certamente, acusado de excesso de rigor e de “andar com o livro dos regulamentos debaixo do braço”.
Chegado a um campo de futebol, mesmo antes de dar início ao jogo, um árbitro já está a “roubar”.
15:00 – O jogo.
Dentro do jogo, os episódios que qualquer árbitro tem para contar tende para infinito. Inúmeros insultos, alguns originais e com humor. Este texto poderia ser escrito apenas com exemplos, contados pelos árbitros, de episódios passados no campo (fica para outro dia).
Lá dentro, o comportamento dos jogadores varia conforme a idade. Por estranho que pareça, os seniores não são os mais complicados. Os seniores dos distritais, adultos, muitos deles mais velhos do que os próprios árbitros, têm uma característica que ajuda os “homens do apito”: treinam à noite, dois ou três dias por semana, depois de um dia de trabalho. Abdicam de tempo em família para estarem em forma e recebem salários, na maioria dos casos, irrisórios (isto quando chegam a receber). Jogam futebol por prazer e fazem sacrifícios profissionais e familiares para poder jogar futebol. Este esforço faz com que, durante o jogo, de um modo geral, estejam mais preocupados em desfrutar do futebol do que em reclamar com os árbitros.
Por contraponto, sobretudo nos juvenis e nos juniores, os jovens estão no pico da adolescência, com “sangue na guelra”, tendo mais vontade de mostrar virilidade, força e esperteza, do que mostrar as habilidades futebolísticas. Muitos árbitros dizem que expulsam mais atletas nestes escalões do que no futebol sénior e que, nestes escalões, as expulsões são mais vezes provocadas por protestos, faltas de respeito e condutas antidesportivas, do que por faltas e incorrecções provocadas por situações de jogo.
Não é injusto dizer que estes jovens são incitados pelos próprios pais a insultar e provocar os adversários (para estes pais e jovens, o conceito de adversário engloba também a equipa de arbitragem). São muitas as situações em que os pais, para além dos insultos em nome próprio, gritam para o relvado coisas como “O gajo deu-te uma paulada, dá-lhe também!” ou “Manda o árbitro p’ó car****, nem falta foi”.
Para além dos pais, é lamentável que os próprios treinadores incitem os jovens jogadores a queimar tempo de jogo, simular lesões e “sacar faltas”. Estamos a falar de jovens que gostam de jogar à bola, mas que passam os jogos a pedir faltas em cada toque mais viril e a pedir assistência médica em cada queda que dão. É perturbador ouvir treinadores dizer a alguns atletas mais “honestos” coisas como: “Atira-te para o chão e pede assistência”, “Não vás buscar a bola a correr, deixa passar o tempo” ou “Querem ir longe a serem “anjinhos”?”
16:45 – Termina a partida. Os árbitros cumprimentam os atletas e elementos técnicos que se mostram disponíveis para tal.
Depois do jogo, os insultos multiplicam-se, sobretudo pelos adeptos da equipa menos satisfeita com o resultado. Nada demasiado incomodativo para qualquer árbitro com uns meses de experiência. A saída do campo torna-se complicada quando os insultos passam a arremessos de objectos ou cuspidelas. Em alguns campos, já é tradicional a equipa de arbitragem permanecer alguns minutos no centro do terreno de jogo até os ânimos acalmarem e, só depois, ir para a cabine, acompanhada das forças policiais.
Tudo isto sem poder responder a qualquer dos insultos disparados da bancada.
17:00 – Preenchidas as fichas de jogo, os árbitros voltam a receber os Delegados.
Nesta segunda reunião, os Delegados pedem explicações sobre decisões dos árbitros, evocam leis de jogo inexistentes e discutem questões regulamentares acerca das quais, lamentavelmente, não têm conhecimento. Algumas vezes, esta reunião acaba com a polícia dentro do balneário do árbitro a tentar acalmar a agressividade física e verbal dos delegados. Alguns deles recusam-se a assinar as fichas de jogo e outros, convictos da incompetência dos árbitros, tentam legitimar a sua posição pedindo acesso ao relatório do árbitro para redigir um protesto ao jogo. Nada de errado, é um direito que lhes assiste. Curioso é que a maioria dos protestos efectivados pelos clubes só sirvam para que percam dinheiro – que já não é muito – e não têm qualquer efeito prático.
17:45 – O regresso a casa.
O percurso do balneário até ao carro nem sempre é pacífico. O jogo já terminou há quase uma hora, mas muitos atletas e adeptos ficam no campo mais uns minutos para terem a oportunidade de disparar mais três, quatro ou vinte insultos. Por vezes, a polícia tem de escoltar os árbitros, embora seja uma situação pouco habitual. Muitos atletas e elementos técnicos são considerados expulsos nesta altura por protestos e insultos, apesar de, provavelmente, muitos deles não saberem que ainda podem ser considerados expulsos depois do jogo.

Os árbitros ocupam o seu fim-de-semana com viagens até campos de futebol para serem gozados, insultados, ameaçados e, por vezes, agredidos.
Há poucos dias, um comentador dizia: “Costumo ir ver os jogos do meu filho de oito anos e vejo o que se passa lá. Como é possível algum jovem querer ser árbitro de futebol?
Para além do dinheiro que recebem, muitos árbitros falam do “bichinho” da arbitragem. É uma tarefa fascinante, embora complicada, inglória e, por vezes, perigosa.
Este relato é um cenário extremo e, felizmente, os episódios relatados não acontecem todas as semanas, nem em todos os campos.
Existem atletas, jovens ou adultos, que valorizam o Futebol e mostram qualidades humanas irrepreensíveis. Para estes, o Futebol é um prazer, não é uma Guerra. Muitos agentes desportivos valorizam o Desporto com a sua atitude exemplar dentro e fora do campo e saem do campo e da cabine do árbitro elogiando as boas decisões, relativizando os erros e dando os parabéns à equipa de arbitragem, qualquer que tenha sido o resultado do jogo.
É pena que, tantas vezes e em tantos campos, o “futebol real” seja uma luta contra a “equipa sem claque”.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Diogo Oliveira

0 Comentários

  • Kafka I
    Posted Abril 7, 2016 at 11:40 am

    Excelente Post Diogo …e parabéns por defenderes uma classe qeu é tratada abaixo de lixo cá em Portugal, principalmente por alguns "arautos da verdade desportiva"…

    Há uns dias atrás deu na Sportv uma reportagem sobre o dia a dia de um árbitro na Bundesliga, recomendo o visionamento, nada mas nada a ver o respeito que há na Alemanha pelo árbitro (e sim lá também ERRAM) comparado com o tratamento abaixo de lixo que os árbitros sofrem em Portugal

    • ACT7
      Posted Abril 7, 2016 at 11:55 am

      Gostei dessa reportagem e também recomendo a ver, ouve inclusive uma conversa nesse mesmo canal com Duarte Gomes e um assistente (não me recordo do nome).
      Só é pena a nossa mentalidade não mudar.
      O Arbitro para além de não ter claque nunca joga em casa. Se a falta de qualidade na arbitragem (que há) muito se deve a este tipo de comentários que o Diogo descreveu e comentários que todos os dias saem nos jornais, seja lá qual for o clube. Quem é que tem "cojones" para ir para começar a ser árbitro?

    • Pedro Moura
      Posted Abril 7, 2016 at 11:58 am

      Alguns? Em Portugal quase sempre que se perde, a culpa é do árbitro… Seja Benfica, Sporting, Porto ou outro clube.

    • GN2193
      Posted Abril 7, 2016 at 1:30 pm

      Kafka,

      Deste um grande exemplo, é um programa que recomendo. No entanto, apenas o vi uma vez, e calhou-me o Felix Brych. Como Benfiquista, não posso apoiar o homem de forma alguma.
      Agora como tu disseste e bem, na Alemanha há um tratamento dado aos árbitros na base do respeito. Por cá, um programa desses teria de ter bolinha vermelha e passar depois do horário nobre.

      GN

    • Roberto
      Posted Abril 7, 2016 at 1:31 pm

      Em Portugal, antes de o jogo começar já é culpa do árbitro. É só ver o que o Otávio tem dito sobre o Académia-Benfica

    • coach407
      Posted Abril 7, 2016 at 2:06 pm

      ACT7, por acaso há cada vez mais árbitros. E cada vez a começar mais cedo.

    • Nuno_M
      Posted Abril 7, 2016 at 2:18 pm

      Kafka,

      "principalmente por alguns arautos da verdade desportiva".
      Falas como se o teu clube nunca teve posição semelhante em relação aos árbitros. Aliás, nos campeonatos que perderam lá veio o papagaio com essa conversa ("este campeonato é um tributo aos árbitros"). Ainda este ano, contra o Rio Ave, mesmo com uma vitória, lá veio a conversa "amanhã as capas dos jornais deviam ter "Roubo em letras bem grandes".

      Tentas colar essa conversa a um clube mas quero ver quando o SLB voltar a perder (campeonatos) qual vai ser a V/ conversa. Cá estaremos p conversar.

      Atenção que não concordo com esta conversa mas é um facto. Porto perde, fala do árbitro, Sporting perde, idém, Benfica perde e vais ver do que vão falar…

    • Nuno Vieira
      Posted Abril 8, 2016 at 10:29 am

      Boas
      Alguém sabe aonde posso encontrar essa reportagem?

  • Simão Santos
    Posted Abril 7, 2016 at 11:48 am

    Um dos melhores textos que já li no VM e bem elucidativo do papel do árbitro no futebol não só em Portugal mas também por esse mundo fora. Não é fácil ser árbitro.

  • Ricardo F.
    Posted Abril 7, 2016 at 11:50 am

    Parabéns, este texto está excelente e permite ao leitor colocar-se na posição do árbitro.
    SL

  • Pedritxo
    Posted Abril 7, 2016 at 11:55 am

    Ha pelo menos 2 profissoes que eu nunca na vida seria, arbitro e professor, porque nao nenhum respeito por estas 2 profissoes, onde o perigo ronda a cada falha que se faça, ou ate sem falhas, ele anda a rondar.
    A mim ensinaram-me a ter respeito pelas pessoas, coisas que muitas pessoas nao tem.
    Eu em pequeno, ia com o meu pai ver os jogos do meu LEIXOES em casa e fora, mas nunca o vi a insultar 1 arbitro nem nada, e eu cresci com esse exemplo, isto apesar de ao lado nao faltar insultos, mas olhava para o meu pai e via que ele nao fazia isso e que isso era o certo.
    O futebol e para ser vivido com paixao mas nao com odio e e para desfrutar.
    E preciso te-los no sitio para ser arbitro.

    Eu ja participei em alguns campeonatos tipo a superliga que o VM faz post, e digo que ate ai ha aziados.

  • Hugo Gomes
    Posted Abril 7, 2016 at 11:57 am

    Enquanto houver este tipo de dirigismo em Portugal os árbitros estaram sempre sob suspeita e serão insultados e agredidos pela carneirada, e atenção falo de todos os clubes, não basta um mudar, todos têm de mudar.

  • João D
    Posted Abril 7, 2016 at 12:02 pm

    Estando o meu clube a disputar os distritais sei bem da realidade aqui descrita.

    É difícil ser árbitro e os muitos trabalham em condições indignas em pelados lamacentos, balneários de tasca e muito insulto pelo meio.

    Mas eles arbitral e fazem o melhor que podem por 100 euros por jogo.

  • Nuno R
    Posted Abril 7, 2016 at 12:07 pm

    Diogo
    Não sei se és arbitro ou nutres apenas afeição pela classe, mas esse comportamento na bancada vai muito para lá do apito. E não se resume ao futebol.
    Em jogos de camadas jovens é usual ver adultos insultar os adversários (crianças, portanto), o treinador da própria equipa, mandar os deles bater nos outros, e até chamar nomes aos próprios filhos quando estes falham. Isto quando não acaba tudo à batatada.
    O árbitro será o elo mais fraco, pois não tem claque de apoio, mas o problema vai para lá do ódio à classe.

    Quem participa em torneios amadores (que devia ser para brincar) certamente passa por cenários semelhantes, dentro e fora de campo.

    • Rui Prates
      Posted Abril 7, 2016 at 1:59 pm

      Subscrevo. E acho q este texto e precisamente um ponto de partida para isso q o nuno diz. Este texto da exemplos (uns reais e outros acredito q sejam caricaturados porque se nao forem e muito grave) daquilo q o nuno diz e q e uma atitude q mtas vezes parte da bancada e dirije-se aos proprios miudos

    • coach407
      Posted Abril 7, 2016 at 2:15 pm

      Não sei que crianças estás a referir. Se for aqueles que jogam futebol 7 ainda, isso não acontece frequentemente. Ou então tenho tido sorte porque faço várias vezes futebol 7 e não ouço ninguém a insultar os miúdos. Apesar de existir uma pressão sobre os miúdos da própria equipa assustadora. Por vezes tenho pena dos miúdos quando ouço adeptos "porra passa a bola!" e cenas do género num tom agressivo e com várias pessoas a mandar vir com ele e o miúdo fica todo encolhido, nem sabe onde se meter. Só me apetece interromper o jogo e ir aos adeptos dizer para pararem de ser anormais. Miúdos de 10 anos… Isso acontece em quase todos os jogos e normalmente aproveito para passar por perto dele e dizer algo tipo "não te preocupes, para a próxima sai melhor. Diverte-te. Isso é que é importante" apesar dos adeptos que pagam para os filhos jogarem acharem que importante é o clube ganhar.

      Se estiveres a falar de "crianças" mais velhas, de 15 anos para cima… ou seja, futebol 11 aí é mais normal ver isso.

  • Pedro Silva
    Posted Abril 7, 2016 at 12:19 pm

    Sou um jogador quase a acabar a formaçao e passe por todos os escalões de formação e desde traquinas ate juniores existe um enorme desrespeito pelos árbitros
    Ve se miudos que vão para os jogos so para criticarem os árbitros
    Com uma formação assim é impossivel que este cenário mude

  • TF
    Posted Abril 7, 2016 at 12:32 pm

    Comento poucas vezes no blog, apesar de ler quase sempre quase todos os comentarios.

    Mas neste post nao podia deixar de o fazer. Foi provavelmente o post que mais gostei de ler por aqui.

    Principalmente pelo quanto revi os meus tempos de futebol juvenil federado. Desde os pais, aos treinadores e aos proprios jogadores e as faltas de respeito pelos arbitros.

    Lembro me do meu pai ver os jogos sempre afastado dos resto dos pais e de criticar as atitudes dos treinadores descritas no post.

    Mesmo sem me aperceber, esta postura dele educou me. Nunca faltei ao respeito destes (apesar de em momentos mais revoltantes nao resistir a mandar uma boca). Tenho 90% de certeza que nem um amarelo levei por protestos (so me lembro de avisos), mas durante o resto do jogo nunca mantive uma postura critica (tinha mais era que me preocupar comigo). No fim do jogo sempre cumprimentei os arbitros e numa conversa educada falava com eles sobre as decisoes mais duvidosas.

    Hoje em dia, em torneios amadores, onde muitas vezes o nivel dos arbitros consegue por vezes tirar uma pessoa do serio, mantenho essa postura e o que é certo é que tambem eles acabam por ter esse respeito por mim.

    No fundo, acho que é tudo uma questão de educação. E em Portugal muita gente não sabe o que é isso infelizmente..

    Parabens Diogo e se fores arbitro, boa sorte para a tua carreira.

    • João Bernardo
      Posted Abril 8, 2016 at 5:57 am

      Englobo-me exactamente nessa descrição. Joguei futebol federado durante 10 anos, 5 deles num clube de bairro e é incrivel a quantidade de insultos e agressões a que assisti, ao ponto de em vários jogos os arbitros não aparecerem e alguém do publico (da casa claro) ter de arbitrar o jogo.
      Eu sempre tentei primar pelo respeito, mesmo jogando contra rapazes que possivelmente estão na prisão hoje em dia.
      Sem dúvida a vida de árbitro não é fácil

  • Pedro
    Posted Abril 7, 2016 at 12:35 pm

    e agora que o policiamento não é obrigatória é que é bonito. mas isto não surpreende ninguém, se até na primeira liga há profissionais da bola "azeiteiros" quanto mais nos escalões inferiores

    • Diogo Moura
      Posted Abril 7, 2016 at 4:14 pm

      O Policiamento não é obrigatório, mas penso que um árbitro se pode recusar a dar inicio ao jogo se não existirem condições se segurança. O ideal é sempre pedir. Só que lá está, num jogo da aldeia um árbitro recusar-se a apitar um jogo é certo e sabido que o mais certo é levar com um monte de adeptos irados e um conjunto de delegados em cima.
      É quase uma faca de dois gumes.

  • CBarbosa
    Posted Abril 7, 2016 at 12:38 pm

    100€ por jogo??? Grande hobbie para se fazer. Ora fazendo dois jogos por fim de semana, isto num mês de quatro semanas dá 800€/mês!? Espetáculo.

    Desculpe, mas deve andar enganado ou fez as contas a dividir pelos três, visto que nas distritais a média é de 30€ por jogo. Será que vale o esforço?!

    C. Barbosa

    • coach407
      Posted Abril 7, 2016 at 2:17 pm

      Não sei quem referiu os 100€ mas tirar 800€ no distrital não acontece de certeza.

    • Pedro
      Posted Abril 7, 2016 at 3:27 pm

      Tenho 2 amigos que são árbitros e eles tiram, em média, 300-400€ por mês. Mas perdem a tarde de sábado, a manhã de domingo e a tarde de domingo (porque nao fazem futebol de 7 ao sabado de manhã). É um salario baixo se considerarmos uma profissao "normal" mas é um salario bastante jeitoso, se considerarmos que um arbitro somará este valor ao salario da sua profissao. 300-400€ para trabalhar em media 12h por semana é bastante bom.
      no entanto, eu nao quereria correr os riscos que correm e ser insultado como eles sao. nao vale os 400€

    • Anónimo
      Posted Abril 7, 2016 at 4:02 pm

      Vai sempre depender do escalão da partida e da Associação de Futebol a que o árbitro pertence. Muitas vezes recebi 10€ por partida – ate porque para os escalões mais altos são sempre os mesmos a serem nomeados.

      Sérgio

  • Anónimo
    Posted Abril 7, 2016 at 12:38 pm

    Nem sou de comentários por aqui. Acho desnecessário. Mas este artigo merece o esforço.
    Porque aqui apenas vêm um ponto de vista. O do árbitro. E mesmo assim, é uma visão muito angélica da coisa.
    essa visão tão inocente dos árbitros, é desonesta ! Toda a gente sabe o que foi o apito dourado ! Será que esses também eram inocentes ? Não eram ! E será que todos foram apanhados ? Óbvio que não ! E será que depois disso acabou a corrupção ? Os favores ? As viagens ? Os vauchers ? Não ! Continua tudo na mesma ! Árbitros que deliberadamente projudicam a equipa A ou B. En benefício da C.
    Os árbitros são uma classe diferente de todas as outras. Descem marcos Ferreira para manterem capelas. Há provas disso ! Só que o chefe Vítor Pereira manobra tudo !
    E no futebol amador a cantiga é a mesma ! Alguém se esquece como em 2003 o Marco subiu a segunda divisão ? Foram 24 penaltis a favor ! E quem seria o presidente do clube ? Avelino Ferreira Torres. O mesmo que já havia tido cargos na federação. O mesmo que era presidente da câmara da cidade. Coincidência ? Não creio.
    Os árbitros não são credíveis ! Sempre se viu isso. Nem independentes conseguem ser! Querem respeito ? Pois tenham também vocês respeito pelos esforços dos clubes. Não brinquem com coisas sérias. Com esforços financeiros de muita gente. Com trabalho sério ! Existem soluções tecnológicas. Peçam auxílio de vidéo. Peçam para não serem nomeados mas sorteados. Lutem pela verdade. Até lá, continuaram a ter a mesma imagem que tem hoje.

    MLV

  • Miguel
    Posted Abril 7, 2016 at 12:40 pm

    Acho que isto acontece sobretudo no futebol, porque noutras modalidades, como o rugby, os árbitros são respeitados.
    O tratamento dado aos árbitros mudaria radicalmente se, ao nível profissional, se implementassem as novas tecnologias. Reduzir-se-ia substancialmente o numero de erros por jogo e retiraria grande parte da pressão sobre o arbitro. Mas enquanto isso não acontecer, a arbitragem continuara a ser uma classe desprotegida, retrograda, mal preparada e altamente falível. So assim melhorara porque nem com a inclusão de árbitros de baliza os erros diminuíram.
    Os jogadores e treinadores trabalham e afinam o seu desempenho ate ao mais infimo pormenor, recorrendo a altamente desenvolvidos sistemas de treino e outros meios, enquanto que os árbitros em geral dao umas corridinhas a volta de um campo e fazem uns testes tipo exame de código (estou a exagerar mas e mais ou menos assim)… A arbitragem não acompanhou o desenvolvimento e refinamento do futebol, parece ainda na idade da pedra.
    E em Portugal o caso assume ainda maiores proporções, porque a qualidade dos árbitros da primeira liga e mesmo muito ma – como e possível o Capela ser arbitro profissional?? – e a dos seus dirigentes também. E uma classe mal organizada e dirigida por indivíduos obsoletos e antiquados. E dificil respeitar uma classe que parece ser gerida sem qualquer tipo de lógica e estrutura, em funcao de um obscurantismo qualquer; tudo e secreto, nada se sabe, quando na verdade a própria classe beneficiaria se tudo fosse claro e transparente – sejam notas, critérios de nomeação, tudo.

    Assumindo o meu lado mais freudiano, diria que grande parte do desrespeito para com a figura do arbitro provem da nossa infância – em qualquer campo, o arbitro era sempre o desajeitadinho e o menos popular.

  • Cristiano
    Posted Abril 7, 2016 at 12:54 pm

    Infelizmente em Portugal considera-se parte do jogo criticar e ofender os árbitros.

    Toda a gente acha normal chamar uns nomes aos árbitros e justificar tudo com eles.

    O pior é que na comunicação social e nos programas de domingo à noite, é praticamente só esse o tema, 1001 repetições e análises. Isso enraíza ainda mais esse tipo de comportamento sobre os árbitros nas pessoas.
    Não são raros os casos em que o arbitro ainda nem apitou o jogo e já chovem criticas que o jogo está encomendado.

    • Nuno R
      Posted Abril 7, 2016 at 1:20 pm

      Há uma diferença entre criticar e ofender. Crítica é essencial.

      Mas nos estádios (e não só), não são somente os árbitros que são ofendidos.
      Também há quem vá fazer "esperas" a jogadores, e mesmo dirigentes. Faz parte?

    • Cristiano
      Posted Abril 7, 2016 at 1:37 pm

      Como disse, infelizmente. Não são raros os casos em que isso acontece, agora que é infinitamente errado isso é.

      Como disse, não faz parte, mas em Portugal existe que considere que sim.

  • Drillex
    Posted Abril 7, 2016 at 12:59 pm

    Bem vamos lá ter um pouco de calma, eu concordo com quase tudo o que está escrito no post mas também não vamos fazer dos árbitros uns coitadinhos, aliás já vi vários àrbitros que abusam do seu poder, eu joguei futsal federado muitos anos e foi inúmeras as vezes que encontrei árbitros com um ar de superioridade e que mais pareciam que estavam ali a fazer um "frete",e mesmo no futebol profissional isso também acontece, assim à cabeça lembro me de um lance no ano passado onde o Jefferson leva um cartão amarelo/vermelho(não me lembro bem) e é empurrado pelo árbitro e o Jefferson tenta cumprimentar o àrbitro mesmo depois de ser empurrado e este recusa se a cumprimenta lo.

    • Pedro Silva
      Posted Abril 7, 2016 at 1:18 pm

      Sim também já tive arbitros que passam a vida a picar jogadores e mesmo até a insulta los
      mas à muitos mais arbitros a serem "vitimas" do que o contrario

    • Pedro
      Posted Abril 7, 2016 at 3:31 pm

      Isso é bem verdade mas acho q o texto nao coloca os arbitros como "santinhos". refere é apenas um ponto de vista mas acho q todos nós sabemos (inclusivamente o autor do texto quer seja ou nao seja arbitro) q ha gente muito má na arbitragem

  • Anónimo
    Posted Abril 7, 2016 at 1:16 pm

    Comecei este ano o curso de árbitro , ando agora a fazer os meus primeiros jogos e identifico me com quase tudo que está aqui escrito.
    Rafael.Jr

  • Paulo Oliveira
    Posted Abril 7, 2016 at 1:18 pm

    E quando tiram titulos, eliminam equipas, descem equipas de divisão, usam criterios diferentes, os arbitros são o parente pobre do futebel, são incompetentes e são juntamente com os dirigentes desportivos o pior que há no futebol.
    Nem falo da corrupção, nem das ofertas simbolicas.

    • Humberto Cruz
      Posted Abril 7, 2016 at 1:58 pm

      Aldrabões e incompetentes existem em todas as profissões. O que menos falta faz ao futebol são visões generalistas como a tua, que mete tudo no mesmo saco e espeta-lhes um rótulo. Diria que como adepto de futebol que és, também pareces ser do pior que há no futebol.

    • Joshua Vela
      Posted Abril 7, 2016 at 3:16 pm

      Humberto, o Paulo não disse nenhuma mentira. Um jogo de futebol é jogado pelos jogadores em campo e quando há interferência de terceiros o resultado é comprometido. Sendo o futebol um jogo em que são marcados poucos pontos (golos), comparativamente com outros desportos como Basquetebol, Ténis, entre outros, uma decisão errada pode ter uma maior influência. Não contestando a idoneidade dos árbitros, acho que o desporto depende demasiado da competência destes, e quando esta falta o resultado final pode ser alterado.

    • Humberto Cruz
      Posted Abril 7, 2016 at 5:05 pm

      Tu começas um jogo sabendo que existe esse factor, a presença do árbitro. E, supostamente, aceita-se que com a sua presença podem vir erros associados. Eu aceito que assim seja. Não sei se preferem como no futebol americano em que a cada lance com dúvidas pára tudo para ver a repetição. Os erros do árbitro fazem parte do jogo, tal como erros dos jogadores, faz parte do jogo.
      E como assim, não disse nenhuma mentira. Sem árbitros não tinhas jogo. Como é que são o parente pobre se são os mesmos que permitem que exista jogo?
      Estar a falar de outros desportos onde são marcados mais golos ou mais pontos, etc., não serve de nada. O futebol é como é, a influência dos árbitros devia ser aceite. Com isto não digo que não sou a favor da introdução de algumas tecnologias que ajudem nas decisões, mas nunca vais ter futebol sem um árbitro.

  • Rodolfo Trindade
    Posted Abril 7, 2016 at 1:30 pm

    Que post espectacular Diogo!

    Óbvio que levado ao extremo mas que retrata bem parte do que se passa nos relvados dos distritais (relvados??).

    Estavas a relatar as situações e eu estava a vê-las na minha cabeça e são bem reais.

    Os árbitros como é óbvio erram, e muito, então ao nível do distrital existem mesmo péssimos árbitros, mas também passam por cada situação que é de bradar aos céus.

    Ainda assim atenção que existem alguns árbitros que têm mesmo a mania que são espertos e que provocam e de que maneira as situações.

    Depois por causa de uns acabam por pagar todos por tabela infelizmente, e acontece aquilo que retratas-te tão bem.

  • Pedro Cordeiro
    Posted Abril 7, 2016 at 1:35 pm

    Infelizmente cá em Portugal há muito pouco civismo no que toca ao futebol. Obviamente que no caso dos árbitros é muito mais difícil por não terem ninguém que os apoie mas não é a única classe afetada. Cá em Portugal agride-se verbalmente e fisicamente tudo é todos, adversários, jogadores da própria equipa, adeptos rivais, etc. Lembro-me ter ter uns 14 anos e ter ido jogar a Sines e ter ficado uns 30 minutos barricado no balneário porque os adeptos da casa estavam apedreja-nos. Homens adultos a mandar pedras a miúdos de 14 anos. E história como está tenho muitas.

  • Humberto Cruz
    Posted Abril 7, 2016 at 1:37 pm

    Provavelmente o post que mais gostei de ler. Gostei desta "visão" do lado do árbitro

  • Wonderkid
    Posted Abril 7, 2016 at 1:44 pm

    Fantástico post! Os meus Parabéns!

  • Rui Prates
    Posted Abril 7, 2016 at 1:54 pm

    Tambem nao costumo comentar mas este texto ta absolutamente magistral.
    E explico ja o motivo (q nao foi percebido por alguns leitores): retracta uma realidade dura p os arbitros mas tem a preocupacao (q muitos ignoraram) de ressalvar q este e um exemplo extremo e q existem pessoas que dignificam o futebol. Alem disso tenho a certeza q o diogo seja arbitro ou nao tem a nocao q ha maus arbitros e arbitros com mas atitudes. E isso q temos de perceber e este texto acho q respeita isso e nao da so uma visao de defesa incondicional e angelical (como foi chamada) dos arbitros. Acho q a qualidade magistral deste texto vem precisamente dai isto sem contar com o facto de estar extraordinariamente bem escrito. Muitos parabens ao autor

  • Anónimo
    Posted Abril 7, 2016 at 1:56 pm

    Antes de mais queria dar os parabéns ao Diogo pelo excelente texto!
    Depois gostava de admitir que há uma pequena parte de mim (o meu lado mais anárquico) que gostava de ver o futebol a tentar funcionar sem árbitros. Era no mínimo engraçado ver as equipas da primeira liga a jogarem com um dirigente a arbitrar o jogo, e dois suplentes a fazerem o papel de auxiliares. ("Some men just want to watch the world burn")
    Por um lado ia dar ao povo aquilo que ele mais quer (na generalidade): lances polémicos para comentar; pessoas para culpar; teorias da conspiração para lançar…
    E por outro, acho que ia fazer ver a quem gosta de futebol que se calhar os árbitros merecem mais respeito.

    Daniel Matias

  • Carlos Gonçalves
    Posted Abril 7, 2016 at 1:58 pm

    ao ler o título julguei que falassem do barcelona ou do real madrid.

    acho que nunca vi dois estádios com tanta gente e onde o ambiente vivido fosse tão miserável.

  • coach407
    Posted Abril 7, 2016 at 2:03 pm

    Entrei na arbitragem com 15 anos e acreditem que compensa imenso para os jovens entrarem neste mundo.

    Falando por mim, o meu curso foi gratuito. Cresci muito enquanto pessoa até porque começamos a ter muitos amigos adultos (pessoas de 20 e tal, 30 e tal e até 40 e tal anos). Muitos são árbitros de muita qualidade, com formação superior e com valores que facilmente te transmitem. Contactar todos os fins de semana com pessoas com muito conhecimento da vida e da arbitragem permite-te evoluir.

    Se no início só fazia jogos como assistente (não percebia nada daquilo, é normal ires fazer asneiras para o campo mas tens sempre alguém mais experiente a ajudar-te), com 16 já apitava.

    E apitar é muito mais que apenas ver as faltas, tu és obrigado a desenvolver capacidades importantíssimas no teu dia-a-dia como a comunicação, responsabilidade, bom senso, concentração, tornas-te uma pessoa com personalidade muito forte (quem não tiver não será um bom árbitro. Estar lá para tomar as decisões difíceis que por vezes nem temos a certeza absoluta mas assinalar na mesma o penalty e dar vermelho de forma que pareça que tens toda a certeza do mundo… Não o fazer é mais um motivo para ser insultado e até prejudicado na avaliação do observador), tens de treinar porque as provas fisicas são duras (que jeitaço que dá para não ganhar barriguinha na universidade), tens de organizar melhor o teu tempo porque os fins de semana não existem no que ao estudo diz respeito. Foi uma das principais preocupações dos meus pais quando entrei para a arbitragem mas ainda subi as notas e acabei o secundário com média 18,1 e agora na faculdade continuo com boas notas portanto não é desculpa. Uma questão de organização. Além da arbitragem, universidade, estou envolvidos em vários outros projetos, saio todas as semanas à noite e dá tempo para tudo!

    Quanto à arbitragem de uma forma mais global: vivemos num país em que mandar piropos é crime mas insultar e ameaçar os arbitros de morte com a polícia ao lado é algo completamente natural.

    Sinceramente nao me afeta muito (apesar de ter tido situações como os meus pais irem ver um jogo meu e a minha mãe ser insultada (indiretamente vá) pelos que estavam ao lado dela) mas quando se passa o nível do insulto para cuspidelas, agressões, riscar o carro ou até partir lhe os vidros… passa o nível do razoável. É simplesmente ridículo.

    Eu tenho pena da maioria dos adeptos, não percebem nada de futebol. E os dirigentes igual. Ter de os aturar porque querem fora de jogo num pontapé de baliza é o pão nosso de cada dia.

    Mas é um mundo que nos dá muito. Espero conseguir sempre manter-me na arbitragem porque o bichinho não me deixa sair.

    • Nuno R
      Posted Abril 7, 2016 at 2:19 pm

      Coach, não achas que a atitude demasiado corporativa dos árbitros também ajuda a aumentar o clima de suspeição?
      Sim, todos os sectores em Portugal são corporativos (médicos, professores, etc), mas estando os árbitros sobre escrutínio semanal, e sendo quase que figuras públicas (têm inclusivamente de publicar os rendimentos, correcto?), não se deveriam proteger enquanto entidade, aumentando a transparência em relação a diversos procedimentos?
      Por exemplo, publicando (não sei se é feito) a ficha clínica dos árbitros, como fazem os clubes com os jogadores lesionados, ou divulgando relatórios e notas.
      Por outro lado, parecem totalmente dependentes dos observadores, esses sim que determinam quem sobe ou desce. Mas desses, não conhecemos as habilitações.
      O caso do Artur Soares Dias, que viu a sua nota do Spo-Ben passar de positiva para negativa, vem dar razão a quem acusa alguns pesos-pesados de fugir aos jogos dos grandes, pois estão sujeitos a reavaliações (e sempre para baixo) que porventura não acontecem num jogo menos mediático. E neste caso, o observador foi ele próprio colocado em causa, levará ele nota negativa como o árbitro que avaliou?
      Para não falar na injustiça que é impedir os árbitros de usarem vídeo para tomarem decisões, mas depois usar esse mesmo vídeo para os avaliar.

    • coach407
      Posted Abril 7, 2016 at 3:26 pm

      Nuno R, ao contrário do que se calhar alguns pensam, os observadores não caem lá de paraquedas. Eles, tal como os árbitros, também começam por baixo e vão subindo. Eles também são avaliados. Claro que não têm metade do trabalho e a maioria tem muitos conhecimentos que ajudam. Chegar lá cima sem conhecimentos é impossível.

      O Artur Soares Dias, segundo a imprensa da altura, teve um 3,6! Agora dizia apenas que teve uma nota superior a 3,4 e desceu para negativa, mas na altura eu li que teve um 3,6 e até comentei aqui que era incrível ele ter uma nota destas (é uma verdadeira bomba, uma nota incrível apesar de não parecer por a escala ser supostamente até 5. Uma nota de 3,4 para cima é excelente). Quando comete um erro como não dar o vermelho ao Renato Sanches e o observador pôde ver bem o lance… e ainda lhe dá 3,6… é abuso. Se tivesse um 3,3 até poderia passar, mas com uma nota destas foi bem reavaliado. E sim, o observador também tem consequências e quando a nota passa de um 3,6 para negativa é óbvio que também sofrerá consequências a nível da sua avaliação e até pode descer.

      Penso que no nível profissional o observador poder ter acesso ao vídeo aceita-se plenamente. Afinal quer-se os árbitros que decidem melhor. Se tal não acontecesse o observador (partindo do princípio que não há favores) ia estar sempre a dar o benefício da dúvida pelo árbitro estar mais perto ou até lhe pegava em lances que nas imagens via que o árbitro tinha mesmo razão. Assim não há grande margem de erro e acaba por ser uma avaliação mais rigorosa e mais objetiva.

      Mas essa questão que levantaste dos pesos-pesados fugirem dos jogos grandes é verdade. Há árbitros que andam lá há anos mas não têm qualidade nenhuma para lá estar. A arbitragem é um meio corrupto? Não acho que seja propriamente para favorecer os clubes, mas é verdade que muitos árbitros que estão lá em cima já conhecem os observadores ou conhecem pessoas que os conhecem e acabam por conseguir safar-se sempre ano após ano (é mais fácil se estiverem em jogos mais discretos). Claro que também existe o contrário que é prejudicar os outros árbitros para eles conseguirem manter-se. A questão de beneficiar os clubes propositadamente é algo muitíssimo esporádico, ao contrário deste círculo de influências para se manterem no topo.

      Mas isto acontece em todo o lado (pelo menos em Portugal). É "normal" usares os conhecimentos, tentares conhecer as pessoas e dares-te bem com elas para conseguires subir. Sem o apoio delas não vais a lado nenhum. E está mal mas funciona assim.

      Divulgar relatórios e notas é algo para alimentar as discussões televisivas, com uma análise ao pormenor aos relatórios e às notas. Não sei até que ponto isso protegia o árbitro. Quando os árbitros se lesionam, isso é público apesar de não ter o mínimo destaque na imprensa a maioria das vezes. As avaliações são divulgadas mas apenas no final da época. E é correto porque se assim já é o que é, nem quero imaginar se pudessem ver a classificação jornada a jornada. Só motivos de conversa para falar mal dos outros e inventar mais umas quantas teorias. Basicamente isso é possível e até era melhor haver uma maior transparência mas quando as pessoas apenas querem motivos para pôr ainda mais pressão nos árbitros e comentar tudo para colocar as culpas nos do costume deixa de funcionar. Esses dados não serviriam, como neste caso do Soares Dias, para os adeptos do Sporting dizerem "ah afinal ele beneficiou o Benfica mas teve negativa e o observador também teve. Muito bem! Nota-se que não foi algo combinado nem prejudicou propositadamente ou por indicação de alguém superior. Afinal o Vitor Pereira não anda lá a mexer todos os cordelinhos para levar o Benfica ao colo como alguns querem transmitir essa ideia". Apenas iam ignorar isso e pegar nos outros dados que pudessem dar polémica. E cada clube a puxar para si num ciclo doentio a que já nos vamos habituando.

  • Carlos Gonçalves
    Posted Abril 7, 2016 at 2:05 pm

    porque motivo isto acontece? é simples. julgo eu.

    de forma mais ou menos indirecta tudo isto acontece porque somos um povo que se diz julgar de futebol mas na verdade o pessoal, regra geral, procura é nas vitórias um sentimento de pertença a algo. O tuga é particularmente bajulador do poderoso, do forte. É uma forma de afirmação, de descarregar algo que vai ali dentro. E nada como o fazer através do futebol, obviamente apoiando um clube vencedor, de preferência o que ganhar mais vezes, onde o clube pequenino, o árbitro e demais intervenientes são ali o bombo da corte em quem vamos bater forte.

    E claro, se o "pequenino" reclama é estranho, as pessoas não entendem e censuram. porquê?

    Porque o tuga é assim.

    O tuga faz através do desporto, futebol em particular claro está, o escape, a vingança, a desforra de quem passa o dia a lamber as botas do patrão, do presidente da Câmara, do político, do tipo que aparece na televisão e que lhe parece quase uma divindade aos seus olhos. É o bajulador. O país onde o corrupto, condenado ou em vias de, lhe passa ao lado e ainda o olha como alguém de valor, acima de si e a quem jamais deveremos exercer a nossa censura social não vá o tuga um dia precisar do "senhor doutor" para um favorzinho qualquer.

    enfim. é o que somos. e o nosso desporto, em geral, não é melhor porque a falta de cultura e espirito crítico de pensar por si mesmo é cansativo, dá trabalho e não convêm.

  • Vítor Pereira
    Posted Abril 7, 2016 at 2:18 pm

    O texto é fantástico e mostra uma faceta do futebol distrital particularmente nefasta. Joguei alguns anos e testemunhei muitas situações lamentáveis que dificilmente se repetem no futebol profissional (houve um campo em que nem pudemos recolher ao balneário ao intervalo e tivemos que receber as instruções para a segunda parte no centro do terreno de jogo…motivo: falta de segurança e o facto de estarmos a ganhar 0-4).
    Dito isto também gostaria de sublinhar que até a este nível a corrupção existe e é bem menos disfarçada. O texto mencionado, quando nos colocamos na pelo de um arbitro honesto é arrepiante mas se nos colocarmos na pele de um árbitro corrupto (e existem tantos) a coisa muda muito de figura. É um crime abjecto e que deveria ter a fiscalização adequada e respetivas consequências mas que continua a passar impune. As consequências de que falo nada têm a ver com retaliação via comportamento adeptos, delegados ou jogadores, refiro-me a consequencias desportivas (via avaliações honestas, isentas, praticadas com enorme frequencia) e legais sempre que da corrupção se faça prova, assim haja interesse judiciário de investigar o fenómeno a nível distrital.

    Aos adeptos, delegados e jogadores como integrantes de uma sociedade de pares, exige-se educação e aumento do nível de inteligência para que tenham a capacidade de fazer uma análise isenta do trabalho do árbitro tendo em conta as condicionantes que enfrenta (ângulos de visão e ausência de repetições televisivas ). Mas esse nível só deve ser exigido quando quem deve fiscalizar as actuações dos árbitros o faça com competência e de boa fé, o que manifestamente não acontece. Infelizmente pagam os árbitros honestos e não existem consequências suficientes para os que não o são-

  • Diogo Palma
    Posted Abril 7, 2016 at 2:20 pm

    A classe os árbitros é tratada muito mal por várias razões entre elas a fraca qualidade de muitos profissionais, a falta de transparência, comunicação nula para o exterior, etc.

  • Diogo Palma
    Posted Abril 7, 2016 at 2:39 pm

    O unico arbitro de que eu gostava era do Pedro Henriques e agora na qualidade de comentador de arbitrgens continua a ser o meu preferido.
    Do lado oposto estao personagens como Duarte Gomes, Capela, Cosme, Baptista, Benquerença, etc.

  • Diogo Palma
    Posted Abril 7, 2016 at 2:42 pm

    Muitos adepto revoltam-se contra os arbitros porque alguns desses senhores do apitam nao sabem ser imparciais e como o apito lhes da poder eles usam-no como lhes apetece.

    Ponham as novas tecnologias em ação.

  • Nuno_M
    Posted Abril 7, 2016 at 3:18 pm

    Parabéns pelo texto.
    Sim, de facto na Distrital é que se conhecem os "duros". Então se vamos para o concelhio, normalmente o bêbado é o próprio árbitro ;)

  • Pedro
    Posted Abril 7, 2016 at 3:20 pm

    há aqui uma parte que passa despercebida mas q e para mim um dos maiores flagelos do futebol actual: "Estamos a falar de jovens que gostam de jogar à bola, mas que passam os jogos a pedir faltas em cada toque mais viril e a pedir assistência médica em cada queda que dão. É perturbador ouvir treinadores dizer a alguns atletas mais “honestos” coisas como: “Atira-te para o chão e pede assistência”, “Não vás buscar a bola a correr, deixa passar o tempo” ou “Querem ir longe a serem “anjinhos”?”"

    Isto sim deve ser combatido neste nosso futebol deplorável.
    Belo texto!

  • Miguel
    Posted Abril 7, 2016 at 3:37 pm

    Otimo reparo! Tem toda a razao!

  • solidsnake274
    Posted Abril 7, 2016 at 3:42 pm

    Acho impressionante como hoje em dia ser arbitro ainda não é considerado "profissão", isto tendo em conta bastantes variáveis.Estes senhores ouvem mais ofensas num jogo que um assistente de call center ouve durante o mês todo. É impossível viver-se só com o salário que um arbitro recebe, impossível. Pelo menos aqui, porque em outros países ser arbitro é uma profissão respeitada e dá perfeitamente para ser um trabalho tempo inteiro.Cá? É tratada como um hobbie, ridículo…

  • Norberto
    Posted Abril 7, 2016 at 3:49 pm

    Pessoalmente formei-me como árbitro noutro desporto, o andebol. Onde o árbitro é extremamente participativo.É preciso tomar uma decisão a todo o segundo já que existe um elevado nível de contacto legal. Infelizmente na Associação onde me formei o acompanhamento é nulo e crescer passa por ver muita televisão e apitar. Felizmente na Federação a coisa melhora, mas é possível chegar ao nível nacional com um grande défice. Posto isto é normal cometer muitos erros num jogo quando se começa a apitar, ter uma bancada cheia de pais que só sabem que o andebol se joga com as mãos e estão habituados ao contacto físico do futebol. A diferença para o futebol é criar limites. A bancada tem direito à sua opinião. Caso gritem: passos, passivo,…, o que for ao nível da minha decisão dou a abébia. Caso me insultem directamente ou me ameassem, paro o jogo, dirijo-me ao Responsável de Segurança e digo que o jogo só continua quando aquelas pessoas forem retiradas do recinto. São mais 5 minutos de peixarada, uma vergonha para a pessoa em si. O jogo continua e os insultos param. Depois disso são os clubes que barram a entrada a essas pessoas porque não querem ser sujeitos a multas ou a policiamento obrigatório (que lhes custa uma fortuna).

    Como árbitro raramente fui insultado como se vê no futebol. Em jogos de formação então é logo tomada a atitude que já referi, mesmo que o ambiente esteja calmo.

    O que nunca nos ensinam é "ter os tomates nos sítios", apenas apelam para que tomemos sempre a decisão que consideremos acertada. Confesso que, com 18 aninhos, ir sozinho (por falta de árbitros) para uma terreola no campo, apitar jogo de seniores e ter de desclassificar um jogador 2x o meu tamanho por protestos é difícil, é preciso engolir a seco e esperar não mamar um selo (nunca se sabe). Senão o fizer lá se vai a minha a autoridade e acabo engolido pelos jogadores, banco, bancadas, tudo!

    Felizmente nunca me senti em sério risco, mas já tive de pedir intervenções várias vezes e preencher muita papelada com dirigentes a pedir para deixar passar. Cometi esse erro uma vez, escrevi um relatório a reportar um incidente isolado, dando algum desdém. Passado 15 dias tive um pai a saltar para campo e agredir jogadores, o filho levou um soco como forma de festejo dum adversário (juvenis e juniores nem sabem pensar). Felizmente era um jogo com GNR e detiveram a criatura. Dessa vez não perdoei no relatório como é claro e o clube foi castigado 1 mês de jogos à porta fechada. Depois disso o clube tomou medidas e o "cancro" que circulava nas bancadas desapareceu. Um pequeno desleixo levou a um cenário bem mais gravoso.

    No futebol são todos esses pequenos desleixos desde há muitas décadas que culminam no tipo de atitudes e ódios no recinto que se vê hoje.

    Claro que numa 1ª liga não se vai retirar adeptos um a um no meio de milhares. Mas ao nível da distrital e formação é possível e corrige o comportamento por aí acima. O Desporto é espectáculo e sem respeito é impossível ter um bom ambiente.

    E já agora, quando se cria calo. Nunca se cede ao medo, na dúvida (haverão sempre lances pontuais) vai-se sempre contra a bancada (caso se ponha em polvorosa), para nem criar a sensação que se cedeu à pressão. Por isso uma bancada insultuosa acaba por prejudicar quem tenta proteger.

    Norberto

  • MosqueteiroSLB
    Posted Abril 7, 2016 at 3:51 pm

    Belo texto.
    A arbitragem nas distritais é qualquer coisa de heróico para alguns árbitros. Óbvio que nem todos fazem um bom trabalho. Nunca me esquecerei num jogo onde o avançado da minha equipa estava completamente isolado, o gr sai, bola para um lado, jogador para o outro, a finta estava completa o jogador chegaria facilmente à bola, os defesas a metros, e o guarda-redes fora da área estica o braço e defende a bola. O árbitro assinalada a falta. O árbitro decide não expulsar. Como não protestar? Desde que se faça com modos, não vejo o problema. Há também alguns árbitros excessivamente rigorosos que não gostam de ser contestados, e ao mínimo pedido de explicação dão amarelos, o que tira do sério muitos jogadores. Amarelar um jogador por atirar a bola para o chão é algo que nunca vou perceber. Amarelos como o que o Cardozo levou por dar uma chapada no relvado é outro tipo que não percebo.

    Apesar de tudo, os árbitros vão lá por um salário baixo e enfrentam tudo e todos, e realmente nunca me coloquei na posição deles e de facto não é fácil.
    Posso dizer que nunca fui expulso e talvez tenha apanhado 2 amarelos por protestos, outros tantos por faltas. A única vez que estive para ser expulso foi por meter a mão na bola quando estava na linha de golo, a bola entrou e apanhei amarelo. Ainda me lembro que aí fui insultado pelos adeptos rivais (e nessa altura devia ter uns meros 10 anos).
    Em mais de uma década de futebol de formação acho que até tenho um bom registo…

    Quanto a atirar-me para o chão, nunca o fiz. A única vez que saí com ajuda do relvado, foi num lance onde nem foi falta (correcta decisão) e o árbitro só parou o jogo quando a bola saiu. Saí do campo para o hospital. Mas obviamente é algo que muito se vê. E pedidos para isso então é vergonhoso. Lembro-me de discutir com pessoas isso mesmo, e dizer que nem que eu quisesse conseguia visto estar tão concentrado no lance, que só me lembraria disso segundos depois (e não concordo com a decisão da simulação moralmente).
    Nota também para alguma tendência dos árbitros a só marcar faltas quando os jogadores caem , o que os leva a deixar-se cair e/ou simular. Muitas vezes um puxão, ou etc, não é marcado se um jogador tenta forçar a jogada. O árbitro em vez de dar lei da vantagem e voltar atrás, prefere deixar continuar mesmo que o motivo do jogador ter perdido a mesma foi da falta anterior não sancionada.

    Agora, obviamente já vi de tudo. Pais demasiado envolvidos, pancadaria nas bancadas com os jogadores em campo a verem os seus pais a lutar na bancada com o jogo parado, jogadores à pancada, ameaças a árbitros, insultos a árbitros e jogadores. Catanado deve ser a palavra mais ouvida em campeonatos de formação.

    Lembro-me de também jogar contra uma equipa contra a qual os árbitros nem faziam a chamada, pois a equipa era composta por miúdos com situações menos favoráveis e que jogavam pelo prazer. Nunca deu confusão nem protestos.

    Não sei como é a situação com delegados, mas pelo menos onde joguei sempre me pareceram relativamente calmos. Muitas vezes se um jogador fosse expulso levavam-no à cabine do árbitro se o comportamento desse mesmo jogador não tivesse sido correcto para se desculpar.

    Sobre o aquecimento dos árbitros, confesso que nunca tinha prestado muita atenção e só os via a correr. No Benfica-Braga estive atento aos mesmo e confesso que é engraçado. Aliás até há um vídeo na internet que há um árbitro a aquecer com alguns adeptos a mandar umas bocas (com alguma piada). Nem é pelo mal, mas ver árbitros a gesticular acaba por ser engraçado.

    Já agora, no futebol de formação, muitas vezes a tal identificação era feita em pleno relvado e não dava muito para alguém voltar atrás.

    Por fim, convém dizer que depois de tudo o que se passou, profissionalmente, a arbitragem portuguesa vai ser sempre olhada com desconfiança.

    Parabéns pelo texto, e parabéns aos árbitros, corajosos, sem os quais este jogo não poderia ser jogado.

  • Stanislas Wawrinka
    Posted Abril 7, 2016 at 3:55 pm

    O texto é excelente, mas apenas conta um lado da história… É claro que os árbitros são desrespeitados e insultados, e é uma vergonha que assim seja, mas depois do que aconteceu em Portugal com o Apito Dourado acho que é natural que esta classe seja descrebilizada e haja sempre um clima de suspeição à sua volta… É verdade que pelos erros de uns (aqueles que se deixaram corromper) pagam os outros, mas a falta de transparência no mundo da arbitragem, especialmente ao nível de nomeações e avaliações, ajuda bastante a este clima de desconfiança e "ódio". A introdução de mais tecnologia no futebol poderia ajudar em diversos aspectos.

  • Pyros
    Posted Abril 7, 2016 at 4:18 pm

    Lembra-me que uma vez fui ver um jogo do Valadares – nem me lembro para que campeonato/divisão, mas deveria ser distritais ou algo do género.

    Aos 20s de jogo um espectador ao pé de mim grita com plenos pulmões: "Este árbitro é um gatuno". Escusado dizer seria que a única coisa que se tinha passado tinha sido o apito inicial e um passe bastante mal feito em que a bola saiu pela lateral… :)

  • José S.
    Posted Abril 7, 2016 at 5:09 pm

    Excelente post!! Decididamente um dos melhores do VM.
    Quanto ao post em si, já quase foi tudo dito e eu apenas quero acrescentar um "gosto" ao assunto e realçar o facto que realmente nas distritais é mau. Penso que quase toda a gente que apoie a sua equipa local (fora grandes e secundárias) já presenciou muitas cenas do género.
    Acabamos por bater na mesma tecla, o problema é a mentalidade portuguesa que tem de mudar de acordo com princípios e valores que devia ser mais que básicos e mais que incutidos a partir das camadas jovens, no futebol como em tudo.

    Realmente sem claque, sem apoio e muitas vezes contra tudo e todos.

    PS: Por muito que não gostemos, todos nós temos de olhar para o nosso umbigo, pois quem já não insultou ou falou mal de um arbitro, por ter errado, propositadamente ou não..!!??
    Claro que não se pode agradar a todos…

  • Anónimo
    Posted Abril 8, 2016 at 12:36 am

    O problema da "arbitragem" é de base, começa nos distritais e tudo o que vemos na televisão, principalmente jogos dos maiores clubes é só a ponta do icebergue.

    Como é possível em pleno século XXI, já com a Humanidade no seu pico de desenvolvimento não criarem o antídoto para esta charada que se denomina por arbitragem?! Estamos em 2016 e ainda há pessoas que não se importam com insultos gratuitos a sujeitos que trabalham, que se esforçam, que dão o seu melhor em prol de um desporto que todos nós glorificamos porque sem árbitros não havia o futebol que nós conhecemos.

    Seja num jogo de distrital como num jogo da 1º liga, quase todos ficamos impávidos e serenos a ouvir uma besta a insultar um árbitro, um árbitro assistente e a chamá-lo de corrupto e ladrão. Como nos permitimos a ouvir tal coisa e a ficarmos calados? Como fica a cabeça de uma criança, das que estão a assistir a um jogo de futebol de camadas jovens, depois dos pais ou um qualquer frustrado/a chamar de tudo àquele sujeito que está ali no meio do campo a dar umas apitadelas e a marcar as faltas que são próprias do jogo. E o que pensará o jogador que está a jogar uma partida, ter a pressão do jogo, a pressão de não falhar aquele passe, de não falhar aquele golo, de acertar as marcações, ouvir as indicações do treinador e ainda ter que levar com gentinha reles que passa o jogo todo a insultar e a dizer mal do árbitro, dos jogadores, do treinador, do cortador de relva, etc. É mau demais para ser verdade esta cultura que infelizmente para o nosso país, só nos empobrece. De facto, ter a consciência do que se passa por esses campos fora, falo mais a nível distrital, e não haver um pingo de vergonha na cara de gente que não percebe nada de bola e só contribuem para destabilizar tudo e todos. O que ganhará com isto? Sair beneficiado, não me acredito, já dizia um tal de treinador: “os cães ladrem mas a caravana passa” e cada vez mais penso que é verdade.
    O futebol em Portugal está uma “podridão negra”, toda a gente desconfia dos intervenientes do jogo: ou é do árbitro, ou é do jogador emprestado que marca um golo na própria baliza de propósito, do treinador que joga para perder de propósito, etc. Quando se toca na integridade da pessoa, já se passam limites e não há o respeito que um profissional merece. Antes a comunicação social não desse relevo a estas calúnias e o futebol em Portugal passava bastante melhor, diria.

    “Uma casa não começa a ser construída pelo telhado” – o futebol precisa de medidas extremas para acabar com esta polémica – tenho vergonha alheia quando ouço pseudo-comentadores a dizerem "ah, o futebol sem polémica não é futebol", está bem, mas não é esse comentador que marcou um penalti inexistente ou um jogador que marcou golo na própria baliza. Como passará o resto da semana esse indivíduo? Não é a dizer "que sa foda", como diz o outro, é fazer ouvidos-moucos e procurar trabalhar da melhor forma para o próximo jogo corra melhor.

    Em Portugal, esta ESCUMALHA que se dizem agentes desportivos, não beneficiam em nada o futebol, só trazem descrédito ao desporto, só alimentam polémicas e confusões, não assumem os próprios erros que os seus clubes cometem e a partir daqui é fácil arranjar bodes expiatórios já que a culpa cai sempre nos mesmos, na “equipa sem adeptos”, os árbitros!

    Meus caros, o futebol em Portugal está um caos e somos nós que o temos que erguer, pondo para trás esta cultura antiquada e até digo mais "PRIMATA" !

    JC

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