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A “maldição” dos oitavos

De quatro em quatro anos realiza-se o campeonato do mundo de futebol. Ora, na história recente do desporto-rei, podemos também dizer que de quatro em quatro anos o México garante o acesso à mais importante competição do planeta, consegue superar a fase de grupos e é eliminada nos oitavos-de-final. Com efeito, após ter caído na primeira fase em 7 das suas primeiras 9 fases finais (as duas excepções foram os mundiais realizados no México, nos quais os aztecas atingiriam os quartos-de-final), o México vai numa série de 6 mundiais seguidos a cair nos oitavos-de-final. Potência regional (ergueu a Gold Cup em 10 ocasiões e a sua liga tem bastante peso, movendo cifras económicas muitíssimo superiores às que se praticam nos países das proximidades – algo que leva a que tirar uma figura de um clube de topo mexicano só seja possível recorrendo a vários milhões de euros -), há muito que os apaixonados adeptos da tricolor sonham com uma grande prestação num mundial. Após um ciclo de dois anos com o fervoroso Miguel Herrera como selecionador, o colombiano Juan Carlos Osorio assumiu o comando do México em 2015 tendo no palmarés 6 títulos conquistados nos 3 anos anteriores ao serviço do Atletico Nacional do seu país natal. Os primeiros meses de Osorio no cargo foram entusiasmantes, com uma ideia de jogo bem delineada e um futebol de qualidade, predicados que lhe valeram um registo de 9 vitórias e um empate nas primeiras 10 partidas que dirigiu, só sofrendo golos ao 8.º encontro. No entanto, no seu 11.º desafio no banco veio uma autêntica queda do “céu” ao “inferno”, com uma humilhante derrota por 7-0 contra o Chile nas meias-finais da Copa América, a qual fez com que as primeiras críticas surgissem. Ainda assim, Osorio – que foi mudando bastante de sistema táctico e de equipa titular, com permanentes alterações – soube controlar os danos do desaire histórico e conduziu o México a um tranquilo 1.º lugar na fase de qualificação da CONCACAF para a Rússia (pelo meio ficou em 3.º na Gold Cup’2017 e em 4.º na Taça das Confederações). Com um elenco que possui muita experiência de selecção (14 dos convocados têm 50 ou mais internacionalizações) mas que não pode ser apelidado de veterano (dos jogadores de campo só Márquez e Peralta superam os 31 anos), há diversos elementos importantes para Osorio que chegam à Rússia num bom ponto de maturidade nas suas carreiras, ainda que, como é habitual, faltem ao México jogadores que alinhem nas equipas de topo da Europa e que possam conferir outro poderio ao colectivo (há diversos elementos de bom nível mas nenhuma grande estrela). Inserida no grupo F juntamente com Alemanha, Suécia e Coreia do Sul, os aztecas têm um exigente embate na ronda inaugural frente aos campeões do mundo mas não passar a primeira fase seria uma grande desilusão, devendo depois o objectivo ser tentar quebrar a malapata dos oitavos. Entre os convocados, 8 (o guardião Jesús Corona, Herrera, Fabián, Oribe Peralta, Aquino, Reyes, Gio dos Santos e Raúl Jiménez) conseguiram o feito de obter o ouro olímpico em Londres’2012, vergando na final de Wembley o Brasil de Neymar, e os mais de 120 milhões de mexicanos sonham agora com uma prestação histórica na distante Rússia. Nota de destaque também para Rafa Márquez, que aos 39 anos estará no seu quinto mundial, igualando assim o registo de Antonio Carbajal, Lothar Matthaus e Gianluigi Buffon.

Estrela: Héctor Herrera (Médio, 28 anos, FC Porto) – Jogador com um percurso muito consistente ao serviço do México, Herrera já marcou presença nuns Jogos Olímpicos (que venceu), duas Taças das Confederações, uma Copa América, uma Gold Cup (que venceu) e prepara-se agora para disputar o seu segundo mundial, contando no total com 65 internacionalizações. Médio de raio de acção elevado, destaca-se por ser bastante completo, acrescentando quer defensiva quer ofensivamente (basta recordar que o golo mais importante da I Liga 2017-2018 foi da sua autoria, com uma bomba que deu ao FC Porto a vitória na Luz). A época 2017-2018, a sua quinta em Portugal, foi a melhor, conseguindo Conceição extrair o melhor de Herrera, que fez uma temporada de grande regularidade e competitividade, esperando-se por isso que transponha essa preponderância para a Rússia, podendo até dar nas vistas de outros emblemas de renome (até porque termina contrato daqui a um ano).

Jogadores em destaque: Andrés Guardado (Médio, 31 anos, Betis) – Com umas impressionantes 145 internacionalizações (só Claudio Suárez, com 177, tem mais), Guardado é, há muito, uma das referências dos aztecas, preparando-se para disputar o seu quarto mundial (no total será a sua 12.ª fase final de uma grande competição com o México). Antigo homem de flanco esquerdo (quer a ala quer a lateral), o canhoto foi centrando a sua posição e no PSV destacou-se bastante como médio-centro. Em 2017-2018, no espectacular Betis de Setíen, foi peça muito importante no miolo, mostrando o critério, maturidade e qualidade técnica que imprime à posse. Uma pequena lesão tem-no importunado nas vésperas do grande certame, mas deve ser um dos pilares de Osorio.; Carlos Vela (Avançado, 29 anos, LA FC) – Outrora uma grande promessa do futebol mexicano (aos 16 anos ingressou no Arsenal e foi o melhor marcador do mundial sub-17 de 2005, o qual foi conquistado pelo México contra o Brasil de Anderson), Vela continua a ser um atacante bastante talentoso. Após alguma indefinição no começo da carreira, fixou-se na Real Sociedad e esteve a um belo nível na La Liga, com 73 golos em 250 jogos entre 2011 e 2018. No começo deste ano, rumou à MLS e tem feito estragos, com 7 tentos em 12 partidas ao serviço do conjunto que contratou André Horta. Falhou, num processo algo estranho, o Mundial’2014 e esta competição pode ser uma bela forma de mostrar que continua bem “vivo”.; Raúl Jiménez (Avançado, 27 anos, Benfica) – No centro do ataque reside uma das maiores dúvidas quanto à equipa titular, com uma acessa disputa entre o jogador dos encarnados e Chicharito Hernández (melhor marcador da história da selecção com 49 golos). No entanto, a maior agressividade ofensiva e capacidade de Raúl em explorar a profundidade podem-lhe valer o lugar, sobretudo no primeiro embate frente à Alemanha. Em 3 épocas de Benfica, Jiménez tem 31 golos – vários decisivos – mas nunca conquistou ganhar a titularidade, e este mundial pode ser a melhor maneira de provar que o talento que desde cedo lhe foi apontado, de facto, existe.

XI Base: Ochoa; Salcedo, Ayala, Moreno, Layún; Reyes, Guardado, Herrera; Vela, Lozano, Raúl Jiménez.

Jovem a seguir: Hirving Lozano (Extremo, 22 anos, PSV) – A grande esperança que os últimos meses deram aos mexicanos. El Chucky vinha-se destacando nas últimas épocas no Pachuca mas o impacto que teve na primeira época na Europa deixou água na boca dos adeptos aztecas. Com 19 golos e 11 assistências, foi a figura de um PSV que conquistou a Eredivisie e este fulgor deve-lhe garantir um lugar entre os titulares. Se Lozano estiver na Rússia ao seu melhor nível, não só o México estará muito mais próximo de obter sucessos como os grandes do continente podem depositar, ainda mais, os seus olhos neste talento.

Principal ausência: Érick Gutiérrez (Médio, 22 anos, Pachuca) – Um dos jovens que se tem destacado no México nos últimos tempos, Osorio é um apreciador das suas qualidades, chegando a dizer que pode fazer muitas das coisas que Guardado faz no centro do terreno. No entanto, face à concorrência do já citado Guardado, de Reyes (que joga muito como médio-defensivo), de Jonathan Dos Santos ou de Herrera, Gutiérrez ficou de fora, tendo sido o último elemento a ser descartado da pré-convocatória (aliás, viajou com os 23 convocados para a Europa face a ligeiros problemas físicos que Reyes e Guardado têm tido).

Convocatória: Guarda-redes: Guillermo Ochoa (Standard Liège/Bel), Alfredo Talavera (Toluca) e Jesús Corona (Cruz Azul); Defesas: Héctor Moreno (Real Sociedad/Esp), Carlos Salcedo (Eintracht Frankfurt/Ale), Hugo Ayala (Tigres), Diego Reyes (FC Porto/Por), Miguel Layún (Sevilha/Esp), Jesús Gallardo (Pumas UNAM), Edson Álvarez (América); Médios: Héctor Herrera (FC Porto/Por), Rafael Márquez (Atlas), Andrés Guardado (Real Betis/Esp), Giovani Dos Santos (LA Galaxy/EUA), Jonathan Dos Santos (LA Galaxy/EUA), Marco Fabián (Eintracht Frankfurt/Ale); Avançados: Javier Hernández (West Ham/Ing), Raúl Jiménez (Benfica/Por), Oribe Peralta (América), Hirving Lozano (PSV Eindhoven/Hol), Carlos Vela (Los Angeles FC/EUA), Jesús Corona (FC Porto/Por) e Javier Aquino (Tigres).

Selecionador: Juan Carlos Osorio
Prognóstico VM: 2.º lugar no grupo e oitavos-de-final

Pedro Barata

As selecções já abordadas no nosso guia:
Grupo A: UruguaiRússia
Grupo B: Marrocos
Grupo C: FrançaDinamarca
Grupo D: IslândiaArgentina
Grupo E: Costa RicaBrasilSérvia
Grupo F: SuéciaCoreia do Sul, México
Grupo G: InglaterraPanamáBélgica
Grupo H: SenegalJapão

9 Comentários

  • Rodrigo Ferreira
    Posted Junho 5, 2018 at 10:15 am

    Teria trazido Erick Gutiérrez, até porque me parece que o Reyes seria melhor solução na defesa. México está num grupo complicado, mas é favorito em relação a Suécia e Coreia, partindo atrás da super Alemanha. Espero muito de Lozano neste Mundial.

  • Abilio
    Posted Junho 5, 2018 at 10:21 am

    O México, se passar em 2.º, deve apanhar o Brasil nos oitavos, por isso ainda não deve ser desta que quebra a maldição.

  • Abilio
    Posted Junho 5, 2018 at 10:22 am

    Se for esse o 11 dá para ter como alternativas o Chicharito e o Corona, por isso opções não faltam ao México.

  • Le Samourai
    Posted Junho 5, 2018 at 10:51 am

    Ter Herrera como estrela do México é uma perspectiva bastante Portuguesa, é certo que de de momento não têm nenhum jogador que se destaque para ser unanimemente declarado como a estrela da equipa, mas mesmo assim é forçado. Carlos Vela seria a melhor escolha

  • Estigarribia
    Posted Junho 5, 2018 at 11:03 am

    Estou muito expectante para ver o Hirving Lozano em campo pelo México. No FM sei que é máquina, agora na vida real espero vê-lo confirmar o seu potencial já neste Campeonato do Mundo.
    Em relação à estrela da equipa do México, trocaria o Héctor Herrera pelo Javier “Chicharito” Hernández. Num dia sim, Chicharito pode fazer, claramente, a diferença para a seleção mexicana.

  • Manchester Is Red
    Posted Junho 5, 2018 at 11:46 am

    Do México espero o mesmo de sempre.

    Equipa interessante com alguma expectativa mas não prevejo mais do que os Oitavos, novamente.

    O que é certo é que a selecção tem tido um azar descomunal nos sorteios:

    2014: Holanda (Oitavos)
    2010: Argentina (Oitavos)
    2006: Argentina (Oitavos)
    2002: EUA (Oitavos)
    1998: Alemanha (Oitavos)
    1994: Bulgária (Oitavos)
    1986: Alemanha (Quartos)
    1970: Itália (Quartos)

    Sempre que passaram da fase de grupos acabaram por cair frente aos favoritos, logo nos Oitavos e quando apanharam equipas mais acessíveis, tiveram o azar dessas mesmas equipas estarem muito fortes na competição (exemplo dos EUA em 2002 e da super-Bulgária de 1994 de Stoichkov e Letchkov).

    Em 2018 a maldição parece ser para continuar, já que se perspectiva um encontro com o Brasil nos Oitavos.

  • Tiago Silva
    Posted Junho 5, 2018 at 11:49 am

    Adoro ver o Lozano jogar, sempre com a bola coladinha ao pé! Vamos ver como é que se vai mostrar num papel mais importante na sua seleção, mas prevejo muita magia a sair dali e ele vem motivado após vencer a Eredivisie e de ter realizado uma grande temporada (19 golos e 11 assistências).

    Quanto ao resto espero ver este México a chegar longe, tem uma seleção muito interessante, mas tiveram azar no sorteio e parece-me que vão ser novamente eliminados nos oitavos.

    E acho interessante a forma de jogar desta equipa, penso que só faltava ali um super 6, o Reyes não passa de uma adaptação e seria uma melhor opção para central do que o Ayala. Depois a ponta de lança eu apostaria no Chicharito, o Jimenez é bom para sair do banco e ainda têm Corona e Marco Fabián que têm também muita qualidade. Expectante para esta equipa e penso que poderão surpreender.

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