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A outra Premier League

Corria o ano de 1996, quando Danny Boyle lançava para o grande ecrã um dos maiores filmes de culto dos anos 90. Trainspotting foi um marco no novo cinema britânico, e um arrojado ensaio visual sobre a toxicodependência, mas acima de tudo uma abordagem sociológica às diferenças marcantes entre a população jovem e as elites de Edimburgo. Num dos diálogos mais marcantes do filme, Renton o personagem que atirou Ewan McGregor para a ribalta, à conversa com Spud, Sick Boy e Tommy, enquanto vagavam pelos verdejantes vales verdes escoceses, afirmou que “It´s shite being scottish”, rematando depois com o facto da Inglaterra ter colonizado a Escócia ter tido também a sua importância. Mal sabia Renton, que o seu “amado” País, viria 2 décadas mais tarde a ter uma Premier League que quase faz jus ao adjectivo por ele utilizado.

De facto, a Premier League Escocesa é hoje dos últimos bastiões do puro futebol britânico. O kick and rush, o 4-4-2 clássico, os dois pontas de lança e os cruzamentos da linha de fundo, continuam a ser uma imagem de marca no futebol escocês.
Enquanto os vizinhos ingleses se deixaram “colonizar” por Wenger, Mourinho ou Benitez, e estes trouxeram de outras latitudes, interpretes como Bergkamp, Henry, Drogba, Robben, Torres ou Xabi Alonso, para juntar a outros interpretes que já tinham chegado ou estavam a chegar como Cantona, Ronaldo, Aguero ou Yaya Toure, os escoceses mantiveram a linha centenária do seu futebol, polvilhada aqui e ali por alguns craques como Larsson, Nakamura, os irmãos De Boer e porque não os adorados portugueses Jorge “Put the ball in the net” Cadete e Pedro “Jesus Christ” Mendes.
E enquanto na nação mor do Império, a Premier League é hoje um dos produtos mais apetecíveis para todo o mundo futebolístico, pela qualidade dos seus treinadores e jogadores, pela imprevisibilidade dos resultados, pela incrível capacidade financeira, mas também pela atmosfera única e vibrante nos seus estádios, a outra Premier League, definha pelo ranking da Uefa ano após ano, e um dos poucos motivos de interesse, o seu electrizante derby Old Firm, está também em suspenso há três épocas, depois do afastamento por motivos financeiros dos protestantes, Glasgow Rangers.
Esse episódio, marcou indelevelmente o futuro da Liga Escocesa, já que foram os seus pares na Premier League que votaram favoravelmente a exclusão do Rangers por motivos económicos, mesmo quando os responsáveis da Liga já previam o subsequente decrescer de interesse e qualidade, mas também a perda de competitividade da mesma. Falaram mais alto as rivalidades históricas, e a possibilidade de alguns clubes que viveram durante décadas na sombra da dominância dos grandes de Glasgow, fazerem uma gracinha. 3 anos mais tarde, os piores receios confirmaram-se. O Celtic venceu todos os campeonatos, mas mesmo assim, foi desinvestindo gradualmente, até se tornar numa equipa suficiente para consumo interno, mas banal na Europa, porque a rivalidade que os motivava ano após ano deixou de existir. Os católicos rezam secretamente para que seja esta época que o seu grande rival vença a Segunda Divisão e volte ao convívio dos grandes. Outro dos motivos para a falta de prestígio da Liga Escocesa prende-se com o seu formato. Primeiro com apenas 10 clubes, que posteriormente passaram a 12. Isso deveria fazer os teóricos que defendem uma redução drástica dos quadros competitivos em países como Portugal, repensarem no assunto. De facto há muitos jogos grandes, há derbies com regularidade, financeiramente parece apelativo para potenciais compradores como o mercado televisivo, mas o efeito dessa estratégia no aumento da competitividade está ainda por demonstrar.

No plano da competição propriamente dita, o Celtic tem dominado a seu bel prazer. Caminha para o penta campeonato, mas mesmo assim o seu número de títulos ainda é inferior ao do seu rival eterno.

Dado o facilitismo, o Celtic tem desinvestido gradualmente nas últimas épocas. Primeiro perdeu o técnico Lennon para o Championship da Inglaterra, sendo substituído por Ronny Deila, o milagreiro norueguês que pôs o Stromgodset no mapa, e depois foi perdendo as suas principais figuras, como Fraser Forster ou Gary Hooper, perdendo também para a outra Premier League, aquele que era porventura o melhor jogador da Premiership, o central holandês Van Dijk um defesa muito completo e de grande presença claramente talhado para outros voos. A concorrência a nível interno resumia-se ao Aberdeen, a última equipa fora dos grandes de Glasgow a conquistar o título escocês, quando há 30 anos um desconhecido senhor chamado Alex Ferguson os guiou ao bicampeonato. Mesmo assim, e com um dos Celtics mais fracos de sempre o Aberdeen conseguiu ficar a 17 pontos…
Já nesta época a grande surpresa é o Hearts que há duas épocas também desceu de divisão após gravíssimos problemas financeiros. O clube que com o técnico português Paulo Sérgio ao comando, venceu a Taça da Escócia, ficou com uma pesada herança do multimilionário lituano Romanov, ou a versão mais truculenta de Abramovich na Escócia. Dispensou toda a equipa, apostou nos meninos da sua formação e no treinador da equipa de juniores, Robbie Neilson. Acabaram por vencer de ponta a ponta a Segunda Liga, adiando o sonho do Rangers, mas também do seu grande rival de Edimburgo, o Hibernian, e voltaram esta época à Premier, onde se estrearam com 5 vitórias em outros tantos jogos garantindo o 1º lugar. Nesta equipa pontifica por exemplo o antigo central do Marítimo Igor Rossi. Como jogadores a seguir destacam-se no campeão Celtic os defesas Izaguirre internacional hondurenho e Ambrose internacional nigeriano, como também para o norueguês Johansen um médio ofensivo com um excelente pé esquerdo bem como para James Forrest o bom exemplo do extremo clássico britânico e no Hearts para a juventude rebelde do extremo Billy King, do médio centro Sam Nicholson, mas principalmente de Callum Paterson de apenas 21 anos antigo ponta de lança que Neilson adaptou com muito sucesso a lateral.
Por incrível que pareça, o futuro do futebol escocês, quer a nível interno, quer da sua Selecção orientada por Gordon Strachan, reside na segunda divisão. Os regressos dos históricos Rangers e Hibernian trarão com certeza a competitividade de volta aos relvados escoceses, mas também a notoriedade e mais pujança financeira, e pode ser que de hoje a um ano vejamos Begbie aos berros no pub a apoiar o seu Hibernian, e Renton, Spud e Sick Boy, mais satisfeitos com o progresso da Liga do seu país.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Flávio Trindade

0 Comentários

  • JoãoPorfírio
    Posted Setembro 4, 2015 at 11:56 am

    Excelente artigo! Um grande filme que vocês souberam mesclar com o desporto rei.

  • Enki
    Posted Setembro 4, 2015 at 12:06 pm

    Excelente texto sobre um campeonato que bastante gosto e um dos países mais bonitos do Mundo.
    Apenas um reparo:
    Tendo vivido lá por um tempo, notei que o seu desporto nacional não é o futebol, é o rugby e daí poderá derivar um menor investimento. Em Edinburgh, onde residi, o maior estádio é o Murrayfield, onde joga a selecçao escocesa e , creio, alguns clubes locais.
    Não penso que o modelo do campeonato em si seja motivo para a falta de interesse e/ou investimento a que este campeonato está exposto, vendo-o inclusivamente como bastante adequado para a realidade escocesa. Simplesmente os Escoceses, contrariamente aos portugueses, têm um interesse desportivo mais ecléctico. Sao poucas as pessoas que se vêem nos parques a jogar futebol (e os que se vêem a fazê-lo normalmente sao latinos) mas vês bastantes a jogarem cricket ou rugby e tendo em conta que a Escócia é um país com aproximadamente 5 milhões de habitantes é perfeitamente compreensível este modelo de campeonato.

    Muito obrigado e um resto de bom dia.

  • Pedro Costa
    Posted Setembro 4, 2015 at 12:12 pm

    O problema da redução para tão poucas equipas é que os jogos tornam-se muito repetitivos. No papel, pode parecer atractivo ter 4 clássicos por época no campeonato, mas isso iria cansar as pessoas e tiraria o sentimento especial e decisivo que esses jogos têm, banalizando-os

    • João Lains
      Posted Setembro 4, 2015 at 12:34 pm

      Penso exactamente da mesma forma. Todos os anos, após o sorteio do calendário da liga, o que toda a gente quer saber é "quando é que são os clássicos?". Paulatinamente, isso deixaria de acontecer.

    • Lancinovic
      Posted Setembro 4, 2015 at 12:38 pm

      Exacto. E depois com menos equipas havia menos montras para aparecerem jovens, por exemplo.

    • Anónimo
      Posted Setembro 4, 2015 at 12:46 pm

      A redução é, como diria Jaime Pacheco, uma faca de dois legumes.

      Vitorino

    • Luís Neves
      Posted Setembro 4, 2015 at 1:15 pm

      Eu também acho o mesmo! A febre dos clássicos e uma das razões que motiva o fervor do futebol! Subscrevo

    • Awesome_Mark
      Posted Setembro 4, 2015 at 1:17 pm

      Curioso é reparar que nem na NBA, nem na fase final do campeonato de futsal (entre outros), vejo as pessoas cansadas com tantos jogos grandes e num espaço de tempo tão reduzido, existindo sempre enorme expetativa à volta dos mesmos. Para mim 9 clássicos seria um número bem aceitável. Isto é, com uma fase regular de 14 equipas no sistema de todos contra todos (26 jornadas), e outra em que as equipas são divididas em dois grupos de 7 (1º ao 7º, e 8º ao 14º) mas havendo apenas uma volta (os pontos mantêm-se). Quando uma equipa tivesse o calendário livre no seu grupo, enfrentava a do outro que se encontrasse na mesma circunstância. Poderia-se adicionar ainda uma nova ronda "entre-grupos" para formar as atuais 34 jornadas.

      Para mim o principal problema na Premier League Escocesa é mesmo a menor valia das suas equipas.

    • Rodolfo Trindade
      Posted Setembro 4, 2015 at 1:26 pm

      Inteiramente de acordo.

      Percebo que poderiam existir alguns benefícios com a redução, mas também não me entusiasma.

      Agora penso que 18 num campeonato como o nosso também é exagerado, talvez 16 equipas como estava fosse ideal.

      Uma redução drástica iria retirar ainda mais espaço aos jovens.

    • João Duarte
      Posted Setembro 4, 2015 at 1:30 pm

      Para mim um campeonato é exatamente isso , um campeonato. Uma prova de regularidade do início ao fim. Ganha quem for mais regular, e não quem tiver picos de forma. Em futsal a fase regular não tem praticamente interesse nenhum (é um facto). Um campeonato é um campeonato (regularidade), uma taça é uma taça (eliminatórias).

    • Pedro Costa
      Posted Setembro 4, 2015 at 2:05 pm

      A diferença para o futsal é que a grande maioria das pessoas só vê futsal na fase final dos play off, no resto do ano há muito pouca gente a ver, logo é normal não se saturarem em apenas 2 ou 3 semanas. No futebol, que vemos vários jogos todas as semanas, se fossem sempre os mesmos ia chegar a um ponto de saturação para a maioria das pessoas…

    • João Lains
      Posted Setembro 4, 2015 at 2:30 pm

      Talvez 14 equipas fosse o número ideal, à semelhança do que se pratica na Ucrânia e agora também na Roménia, se bem que aqui tenha sido propiciado pelas falências/ incumprimentos de vários clubes.

    • Luis La Liga
      Posted Setembro 4, 2015 at 3:55 pm

      Concordo com a visao do Mark.

  • Jorge Silva
    Posted Setembro 4, 2015 at 12:16 pm

    Até percebo a ideia, mas se Rangers e Hibs falharam a promoção o ano passado é porque não fazem lá falta e não ia ser por aí que o nível ia melhorar. O problema do futebol escocês vai muito além da ausência do Rangers da Premiership. O Celtic não perdeu o treinador para o Championship, o Lennon saiu por vontade própria porque queria ser testado noutro campeonato e esteve quase uma época parada porque ninguém lhe dava trabalho. Não é que alguém tenha ido a Glasgow buscá-lo. O Celtic não desinvestiu em nada, nem sequer tem uma má equipa. Tem um treinador incapaz e limitado para o panorama europeu, falhou a Liga dos Campeões por manifesta incompetência. No fundo não concordo com quase nada. É preciso ver e acompanhar a liga para se escrever sobre ela e este texto demonstra desconhecimento. Há muita coisa interessante a acontecer na Escócia. De lá saiu o Alex Neil, por exemplo.

    • Pedro Sousa
      Posted Setembro 4, 2015 at 1:21 pm

      Jorge Silva, tenho uma opinião essencialmente idêntica, nomeadamente no que toca ao Deila.

      Cumps, Pedro Sousa

  • Anónimo
    Posted Setembro 4, 2015 at 12:20 pm

    Rangers faz de facto muita falta a esta liga.
    Mas penso que faltam outras coisas…por exemplo o formato da liga é no mínimo estranho…

    Vitorino

  • diogoribeiro
    Posted Setembro 4, 2015 at 12:21 pm

    Flávio, fantastico artigo, e ainda o aprecio mais pela imagem. Trainspotting é um dos meus filmes preferidos e recomendo a quem nunca o tenha visto. Representa a vida escocesa muito bem e os problemas de droga nos adolescentes do pais. Mas apesar de ter um assunto sério tem muitos momentos cómicos.

    Não tenho muito conhecimento sobre a liga escocesa. Normalmente fico-me pelo Celtic vs Rangers e como nos ultimos anos o Rangers poucas vezes tem defrontado o Celtic…

    Espero que subam já este ano para termos um dos melhores derbis do futebol de volta.

    • João Lains
      Posted Setembro 4, 2015 at 12:36 pm

      Vão subir, e segundo sei, em força. Superiormente orientados.

    • diogoribeiro
      Posted Setembro 4, 2015 at 12:44 pm

      João, espero que sim. Se puder vou tentar apanhar um ou outro jogo.

      Só acresentar ao meu post os fantásticos adeptos escoceses. O Celtic vs Barça em que o Celtic ganhou teve uma das melhores atmosferas nas bancadas que eu já vi na minha vida. Ver um estádio inteiro a fazer o Poznan foi lindo.

    • Anónimo
      Posted Setembro 4, 2015 at 12:47 pm

      O rangers por melhor que sejam orientados são neste momento e nos p´roximo anos infinitamente inferiores ao CELTIC.

      Ass: André

    • Awesome_Mark
      Posted Setembro 4, 2015 at 1:20 pm

      Se dizes isso Lains eu acredito, mas também me lembro que dava-se largo favoritismo ao Rangers no paly-off de subida da última temporada e acabaram por desiludir imenso.

  • Anónimo
    Posted Setembro 4, 2015 at 12:31 pm

    Sei que o Celtic já tentou uma "transferencia" para Inglaterra, no entanto foi recusado. Alguém sabe como é a situação se encontra?

    Confesso que faz alguma confusão visto que Cardiff e Swansea, mesmo sendo clubes sediados em Gales, competem em competições inglesas.

    Paulo Magalhães

    • Jorge Silva
      Posted Setembro 4, 2015 at 1:54 pm

      Não se encontro. Se o Celtic quiser competir em Inglaterra começa dos regionais, como é lógico. Era só o que faltava os clubes da Football League aceitarem o Celtic na Liga só porque sim. O País de Gales nunca teve campeonato organizado senão a partir de 1992, altura em que Cardiff e Swansea há muito competiam em Inglaterra e naturalmente não iam sair de lá já com o seu estatuto estabelecido.

  • João Lains
    Posted Setembro 4, 2015 at 12:31 pm

    Excelente retrato! Parabéns.

  • André Dias
    Posted Setembro 4, 2015 at 12:49 pm

    Antes de mais, parabéns pelo excelente artigo. Gostei da referência a um grande filme e da forma como daí o Flávio Trindade começou a falar do tema em questão.

    A Liga Escocesa sempre foi conhecida pelo número reduzido de equipas na liga, pelo número peculiar de clássicos e pela hegemonia Celtic/Glasgow. As outras equipas quase que só servem para dar paisagem à competição dos dois gigantes escoceses. Mas gigantes na Escócia não significa nada na Europa e é aí que está o downside da liga. Por mais que reduzam/aumentem o número de equipas e a quantidade de derbies para atrair receitas televisivas, o nível do campeonato escocês será sempre aproximado do actual.

    Actualmente temos uma Premier League Inglesa disputada em Inglaterra e País de Gales (e que grande Swansea!). Adorava ver a Escócia fazer parte da competição. As receitas televisivas eram óptimas para as equipas escocesas e como adepto gostava de ver regularmente um Celtic e um Glasgow Rangers (se subir) contra o Big 5 inglês. Claro que demoraria umas boas épocas até as equipas escocesas atingirem o nível competitivo da BPL, mas com o dinheiro que circula naquele campeonato nada é impossível.

    • Kafka I
      Posted Setembro 4, 2015 at 1:11 pm

      Exactamente André Dias, concordo inteiramente com o teu 2º parágrafo, a Escócia não tem dimensão para ter um campeonato competitivo, porque só tem 5 milhões de consumidores de futebol, logo mesmo que tivesse 18 equipas ia dar ao mesmo, seria o Celtic/Rangers mais 16 equipas para enfeitar porque é impossível num mercado tão pequeno gerar dinheiro para todas as equipas serem competitivias

  • João
    Posted Setembro 4, 2015 at 12:51 pm

    A redução de clubes na primeira liga portuguesa não teria como primeiro objectivo aumentar a competitividade de forma a que Marítimo, Guimarães, e outros clubes tivessem condições para lutar pelo título, isso é muito difícil no nosso país num futuro próximo pela pujança que exibem os ditos grandes. A mudança seria benéfica para acabar com os salários em atraso, com o incumprimento de alguns clubes, com o pouco interesse a nível internacional que a nossa liga tem e muitas mais coisas que beneficiariam com a redução. Também ajudaria a que a nossa segunda liga deixasse de ser a vergonha que é, com imensos clubes sem condições para competir num segundo escalão. Por outro lado o nosso país não tem condições para ter 16 ou 18 clubes a disputar uma primeira liga, pela dimensão do país e porque o nível dos mais fracos vai ser sempre muito inferior ao dos mais fortes e isso estraga a competição.
    Em Portugal há sempre três candidatos ao título, há o SC Braga que recentemente brilhou nas competições europeias, o Boavista há uns anos também mostrou qualidade e outros clubes de nível médio com condições para crescer mais. Na Escócia há o Celtic e o Rangers, a nível europeu não mostram grande coisa e têm a Premier League mesmo ao lado que desvia toda a atenção. No ranking europeu das melhores ligas a portuguesa está muito melhor classificada do que a escocesa.
    Enfim, há muito mais para dizer e discutir mas parece-me que o caso de Portugal é muito diferente do escocês.

  • diogoribeiro
    Posted Setembro 4, 2015 at 1:01 pm

    Um pouco off topic mas alguém me pode explicar as associações entre adeptos do Rangers e do Chelsea ou do Liverpool e do Celtic?

    Acho que agora já não acontece tanto como antes, mas mesmo assim quase todos os adeptos do Rangers apoiam o Chelsea e quase todos os adeptos do Celtic apoiam o Liverpool.

    P.S – https://www.youtube.com/watch?v=cggTbCcbcNA um documentário que já vi há algum tempo sobre a rivalidade entre Rangers e Celtic. Um dos melhores documentários futebolísticos que já vi e que, para além do futebol, mostra o comportamento da cidade de Glasgow. Tem 45 minutos mas para quem tiver tempo recomendo que vejam.

    P.S 2- Para o ano para falar da liga escocesa usa-se o Braveheart em vez do Trainspotting. Quem conseguir fazer a melhor analogia entre o cabelo do Mel Gibson e o regresso do Rangers tem o direito a escrever o post :)

    • Francisco Vieira
      Posted Setembro 4, 2015 at 1:38 pm

      Acho que tem a haver com razões políticas. Historicamente Rangers e chelsea são de direita e Celtic e Liverpool de esquerda. É algo um pouco complicado e para ser honesto também não percebi muito bem.

  • Kafka I
    Posted Setembro 4, 2015 at 1:03 pm

    Grande texto Flávio, parabéns

    Quanto à Liga Escocesa não acompanho não posso falar muito, agora tem um problema maior que Portugal, que é o facto de a Escócia ser um País pequeno (apenas tem 5 milhões de habitantes), logo nunca terá massa adepta suficiente para ter mais do que 2 ou 3 clubes competitivos no máximo dos máximos, porque com 5 milhões de consumidores não dá para gerar receitas suficientes para todas as equipas serem competitivas

  • Pedro Sousa
    Posted Setembro 4, 2015 at 1:19 pm

    Texto bem redigido mas com o qual acabo por discordar totalmente. Quem segue a Premiership sabe bem que não é assim, e no limite, não ter o Rangers na divisão até tem sido positivo para o campeonato. No ano passado, por exemplo, tivemos um United e um Hamilton a dar muita luta até meio da época. O que aconteceu foi que os Tangerines em Janeiro perderam duas das suas principais figuras nomeadamente para o Celtic, Armstrong e Macackay-Steven, isto depois de já ter perdido o Robertson no início da época. Enquanto que os Accies perderam Neil, o principal obreiro do seu sucesso, que levou com ele Andreu, o melhor marcador e claramente uma das peças mais influentes da equipa. O Canning apenas conseguiu a sua primeira vitória em finais de Abril, 14 ou 15 jogos depois. Se tal não tivesse acontecido, claramente a segunda volta não teria sido nada fácil para o Celtic. Mantendo as suas principais figuras durante toda a época, ambos os clubes teriam tido um percurso capaz de continuar a desafiar o Celtic, algo que não teria sido alcançado caso o Rangers estivesse na Premiership, muito provavelmente. Uma coisa é conseguir abater um gigante, outra coisa é conseguir abater dois.

    Outro mito que o texto refere é de que o Celtic tem vindo a desinvestir. Isso é puramente falso e é uma ideia que se tem vindo a formular na cabeça das pessoas sem perceber porquê. Aliás o Celtic até investiu bem mais este ano do que o ano passado, por exemplo. Além de que lhe posso garantir que a equipa não fica a chorar a saída de Van Dijk tendo Boyata e Blackett como dupla. O grande problema do Celtic neste momento não é o desinvestimento e sim ter um péssimo treinador do ponto de vista táctico, psicológico e mesmo a perceber as lacunas da equipa.

    Acabar com a bipolarização total do campeonato, mesmo que para isso tenhamos de ver o Celtic campeão uma data de anos seguidos, foi provavelmente a melhor coisa que aconteceu ao futebol escocês em anos recentes no longo prazo.

    Em suma, boa escrita e boa referência cinematográfica mas tenho uma opinião totalmente contrária.

    Cumps, Pedro Sousa

    • João Ribeiro
      Posted Setembro 4, 2015 at 1:33 pm

      O Celtic tem pior plantel do que tinha até há uns 5/6 anos atrás, logo não sei onde podes dizer que não tem desinvestido

      Quanto ao campeonato ter deixado de ser bipolarizado ser bom? seria bom se não tivesse passado de uma bipolarização para um monopólio, mal por mal vale mais uma bipolarização, é que isso de o Hamilton e outros terem dado luta até Janeiro também já existia no tempo da bipolarização, havia sempre um ou outro que até Janeiro andavam ali por perto, mas depois caiem como é normal e acontece em todos os campeonatos.

    • Jorge Silva
      Posted Setembro 4, 2015 at 1:51 pm

      As pessoas gostam de olhar para os nomes actuais e tirar daí a ideia que o Celtic desinvestiu. Como se os Wanyamas, os Forsters, os Matthews ou mesmo o Van Dijk fossem alguma coisa de relevante quando lá chegaram. Só este ano gastaram 13M€, o normal e habitual. Só o Simunovic foram quase 8M€. Isto é desinvestir?

    • Pedro Sousa
      Posted Setembro 4, 2015 at 2:02 pm

      João Ribeiro, a ideia do desinvestimento enquanto acto progressivo é uma falácia como já disse. E o exemplo que dei foi o investimento feito este ano que até foi bem superior ao do ano passado. Falta ao Celtic neste momento saber comprar, não usar mais dinheiro. O exemplo recente mais óbvio disso é a compra do Ciftci pelo dinheiro que deram por ele. Só mesmo quem não o vê jogar e se deixa levar pelos números é que pode achar que ele justifica esse valor.

      Se tivesses acompanhado o ano passado mais de perto perceberias o que quis dizer. Estavam reunidas as condições perfeitas para o monopólio do Celtic ser travado. O United tinha uma equipa tremenda que já tinha mostrado o que podia fazer no ano anterior, o Hamilton tinha, de longe, o melhor treinador em solo escocês, e o Celtic tinha um dos piores treinadores da sua história recente. Esta conjuntura nada tinha a ver com o cenário que descreves nos anos anteriores, já que em qualquer campeonato há sempre 1 ou 2 equipas que duram até Dezembro ou Janeiro.

      Cumps, Pedro Sousa

    • João Ribeiro
      Posted Setembro 4, 2015 at 2:17 pm

      O Celtic em Dezembro já liderava tranquilamente o campeonato como podes ver aqui, com 6 pontos de avanço para o 2º classificado

      https://www.zerozero.pt/edition.php?jornada_in=16&id_edicao=69893&fase=70220

      Tens uma visão muito romântica se achas que o Celtic perderia o campeonato ou perderá algum até o Rangers voltar à 1ª divisão

    • Pedro Sousa
      Posted Setembro 4, 2015 at 2:57 pm

      João Ribeiro, nunca me viste dizer que o Celtic perderia o campeonato, apenas me viste dizer que a segunda volta não seria nada fácil para o Celtic. O Bayern por exemplo não desarmou da liderança da Bundesliga e até acabou por não ser a melhor equipa da segunda volta. Para as equipas conseguirem crescer é preciso estabilidade sustentada e progressiva, e nem o Hamilton nem o United a tiveram numa fase crucial da época.

      Cumps, Pedro Sousa

  • Rodolfo Trindade
    Posted Setembro 4, 2015 at 1:24 pm

    Excelente post! Parabéns Flávio.

  • Wonderkid
    Posted Setembro 4, 2015 at 1:36 pm

    Delicioso este artigo e a analogia com o Trainspotting. Parabéns! ;)

  • Artur
    Posted Setembro 4, 2015 at 1:40 pm

    Grande referência a um dos meus filmes preferidos de sempre que retrata talvez como nenhum outro a Escócia urbana dos anos 90 e os problemas da juventude dessa época (já agora, grande banda sonora também).
    Quanto à análise concordo quase na totalidade. A ausência do Glasgow Rangers contribuiu decisivamente para a perda de competitividade do campeonato, e logo do próprio Celtic externamente. Mesmo que monetariamento o Celtic tenha investido o mesmo valor (facto que desconheço), isso pode ter sido causado pelo facto perverso de que foi necessário pagar mais para atrair jogadores de pior qualidade para um campeonato com menos prestígio. Também concordo que este será o último reduto do kick and rush (vulgo, "pontapé para a frente" entre nós) nos campeonatos europeus.

  • Awesome_Mark
    Posted Setembro 4, 2015 at 1:53 pm

    Mais um belo artigo. Congratulations!

    Quem o lê pensa imediatamente no porquê dos clubes escoceses não entrarem na Premier League, o que por exemplo acontece com os galeses. Eu tenho uma ideia mais ou menos formatada. Acredito que a decisão de uma Liga (em introduzir clubes de fora) é a decisão dos clubes, e já é tão difícil sobreviver aos escalões da Footaball League que as equipas veem em alguns dos escoces reais ameaças. Seja nas divisões mais secundárias, seja numa eventual qualificação para a Premier League. Com as equipas do País do Gales houve essa abertura porque a meu ver, o futebol lá era ainda menos desenvolvido e poucos esperariam os excelentes percursos de Swansea ou Cardiff. Dizer ainda que aquilo não é chegar e entrar, há que começar na League Two ou talvez ainda mais abaixo, até chegar à primeira divisão são três anos se a coisa correr mesmo muito bem e só um número restrito de equipas teria lugar (não estou a ver a Inglaterra a tornar a Liga num fenómeno absolutamente britânico). O Campeonato Escocês inevitavelmente permaneceria mas o nível cairia ainda mais. Mesmo o Celtic não sei se preferia essa travessia incerta no deserto à garantia de disputa anualmente um lugar na Champions. Neste momento o cenário ideal seria aparecer um qualquer investidor no Rangers e este tornar-se novamente num rival à altura na luta pelo título, embora não esconda que ter a Premier League Inglesa na Escócia também seria bonito de se ver. Há prós e contras, é pôr as coisas numa balança.

    Falando em competições, o grande objetivo do Celtic atualmente é o triplete nacional (também há League Cup e também há Boxing Day, curiosamente) que de resto lhe foge há algum tempo. Nos jogadores a seguir, fiquei surpreso por não teres incluído a promessa Blackett, que foi emprestado pelo Manchester United e recebido até com alguma euforia pelos adeptos. Eu não vejo jogos da Premier League Escocesa mas pelas ligações ao país de Sua Majestade, tento sempre ficar a par do que se vai passando. Bela viagem conduzida por ti Flávio. Mais uma.

  • Tiago
    Posted Setembro 4, 2015 at 2:23 pm

    O melhor artigo que alguma vez li neste blog, sem sombra de dúvida.

    Muito obrigado por este ensaio.

  • Luís Borges
    Posted Setembro 4, 2015 at 2:26 pm

    Mas que bela surpresa! Abrir o site e ter a oportunidade de ler um texto tão "delicioso". Esta espécie de analogia perspicaz entre um clássico tão grande do cinema (com o estilo marcante do Danny Boyle a representar uma geração urbana, transpondo para o grande ecrã uma história e um enredo no mínimo entusiasmantes) e o atual futebol escocês.

    Sinceramente, esta é uma Premier League que não sigo com muito rigor, talvez por não ser um particular fã do futebol nela praticado. Se realmente há países onde o futebol se mantém fiel à sua tradição, então o escocês será um deles. O 4x4x2 que preconiza um futebol quase rudimentar, perdoem-me os apreciadores. Muita luta, muita capacidade física, e a tentativa de manter sempre as linhas coesas e juntas no processo defensivo (o Paulo Sérgio bem que não podia assentar melhor noutro campeonato). Não existe grande brilho, o próprio Celtic está longe de ser uma equipa brilhante, apesar de alguns bons executantes, jogadores competentes mas que num outro patamar competitivo não se destacariam. Ainda assim, sei que existem inúmeros apreciadores da cultura futebolística britânica, da sua envolvência interna, o que também pode e deve suscitar uma inovação, um crescimento alicerçado em investimentos externos ou outros tipos de interesses próprios ou alheios, algo que no futebol atual não deixa de ser perfeitamente normal.

  • ruterata
    Posted Setembro 4, 2015 at 2:33 pm

    Gostei muito deste artigo….

  • Artur
    Posted Setembro 4, 2015 at 3:58 pm

    Esta crónica trouxe-me grandes memórias, até parece que estou a ouvir o discurso inicial ao som do Iggy Pop: “Choose Life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television….”

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