Mais uma vez, acreditamos na passagem das três equipas portuguesas, apesar da dimensão do Liverpool, os Reds tem desvalorizado a competição e utilizado alguns jogadores com pouca qualidade, caso repitam a dose poderão ser surpreendidos por um Braga que apesar de algumas ausências, está motivado. O CSKA (juntamente com o Zenit) foi apontado pelo Visão de Mercado como um dos principais candidatos a vencer a competição e como tal, é de prever uma eliminatória mais renhida que a de Sevilha, com um ligeiro favoritismo para o Porto, contudo, os russos são claramente mais fortes que os espanhóis. Por último, o PSG apenas poderá criar perigo com o fantástico Nenê e uma não passagem do Benfica seria uma enorme surpresa. Prognósticos? Que equipas vão apresentar Domingos, AVB e Jesus? E qual será o 11 dos seus adversários?
Liverpool – Calhou a fava ao Braga. Haverá muito a dizer sobre o mítico emblema britãnico mas, se os arsenalistas do Minho conseguirem aguentar o vulcão de Anfield Road, poderão ter uma palavra a dizer nesta eliminatória. O Liverpool é uma daquelas equipas amaldiçoadas, mas que se sabe ter nos seus genes o que é necessário para triunfar quando outro cenário não interessa aos seus dedicados e fanáticos adeptos. A fazer uma carreira interna que deixa muito a desejar, o Liverpool encontrou na Liga Europa o seu refúgio predilecto. Curiosamente, tem sido um português aquele que tem guiado o clube a uma parcial recuperação na Premier League. O seu nome é Raúl Meireles, e o Braga de Domingos Paciência conhece-o bem, o que pode jogar a favor dos bracarenses, visto os Reds assentarem muito do seu jogo na intensidade que o luso empresta ao conjunto de Kenny Dalglish. Dado curioso sobre a viagem europeia da equipa da cidade dos Beatles: o seu capitão, o médio Gerrard, é o suplente mais concretizador, com quatro 3 golos apontados depois de saltar do banco. Para Braga, a receita a aplicar terá que ser, porventura, a mesma aquando da visita do Arsenal à Pedreira, pois o Liverpool vive muito da forma como asfixia os seus adversários em casa própria. Os Reds de Dalglish actuam preferencialmente no 4-2-3-1 e deverão actuar no Axa com Lucas, Gerrad e Meireles (ou o português ou o inglês terá um papel de 10) no meio, Kuyt e Joe Cole nas alas e Carroll na frente.
CSKA Moscovo – Analisar a carreira europeia da equipa russa é tarefa facilitada pela folha livre de derrotas que a formação de Leonid Slutsky apresenta. 8 vitórias e dois empates, é este o saldo extremamente positivo da formação russa que melhor está cotada no ranking da UEFA. Mais: o CSKA foi a equipa que mais goleadas aplicou: 4, para ser mais preciso. Se por um lado é verdade que na fase de grupos a sorte sorriu ao CSKA moscovita, com adversários de muito menor dimensão ou valor, é preciso não esquecer que, quando colocada à prova, não fraquejou. Para o justificar, recordar a bela vitória na Sicília, diante do Palermo, por números esclarecedores (0-3). Acima de tudo, a equipa que vem do frio, é uma equipa talhada e já moldada às elevadas exigências europeias. é um conjunto curtido em muitas batalhas nas mais diversas frentes, que já apresenta o cinismo necessário para estas fases adiantadas da prova. E, para isso, muito contribuiu a experiência e a glória arrecadada com a conquista desta mesma competição, em 2005. Em suma, e a juntar a um plantel que conta com nomes de grande qualidade e talento, o Porto pode esperar um oponente de Liga dos Campeões que, apesar de só agora estar a iniciar nova temporada na gelada liga russa, não descurou a preparação para mais uma eliminatória tão importante frente a um dos candidatos à vitória final na Liga Europa. Com a ausência de Tosic, os russos deverão actuar com Dzagoev e Honda ao mesmo tempo, algo que acontece com pouca frequência, e na frente com Doumbia e Love (Necid o 2º melhor marcador da competição por norma é a 3ª opção), contudo, é na defesa com os irmãos Berezutsky, o capitão Ignashevich e o talentoso guardião Akinfeev que o CSKA acaba por ser mais forte. Uma especial atenção ao médio Mamaev, pouco conhecido, mas de enorme qualidade.
PSG – Ponto de partida nesta análise: Sessegnon, o ex-mágico do Parque dos Príncipes, transferiu-se para a Premier League, e é menos uma dor de cabeça para Jorge Jesus. E parece que com ele partiu também a enorme vitalidade que a equipa apresentava. Desde a sua saída, a equipa não apresentou a mesma dinâmica na Ligue 1, amealhando mais empates que qualquer outro resultado. No entanto, os gauleses mantém-se na corrida pelo título de um campeonato que vale sobretudo pela competitividade e rotação no nome do seu vencedor final. Não queremos com isto retirar valor ao PSG mas, de entre os 3 oponentes lusos, este conjunto é o mais débil dos três. Há, no entanto, um pormenor gigante e, no fundo, aquele que mais interessa para esta análise: o P.S.G esteve incluído naquele que foi apelidado de ‘grupo da morte’ da Liga Europa, juntamente com o Borússia Dortmund e o Sevilha. Dois empates com o emblema germânico e uma vitória sobre os sevilhanos depois, les Roug-et-Bleu apuraram-se na 1.ª posição do grupo J, para depois prosseguir em prova atirando para fora da mesma o BATE, apesar do apuramento ter sido sofrido e conseguido com base no empate com golos obtido fora de portas. Individualmente, a equipa sobrevive defensivamente com base na segurança que Sakho vai conferindo a esse sector; Makelelé ainda vai conseguindo ser um pêndulo na medula central de jogo dos parisienses e depois, bem, depois é Nenê, que é um jogador fabuloso capaz de desencravar um jogo se em dia sim. O gigante Hoarau e o turco Erdinç também são um perigo constante (Jesus sabe-o com o golo de cabeça obtido pelo francês quando treinava o Braga), com especial destaque para o turco, muito móvel. Ponto mais que positivo: como sempre, o Benfica quase que poderá jogar duas vezes em casa, uma vez que a falange de apoio em Paris é sempre enorme.
António B.




