O que falta à Albiceleste? Após um Mundial decepcionante, a Argentina continua a desiludir na Copa América e os sinais para o futuro não parecem ser animadores, uma vez que, apesar de continuarem a existir jogadores de qualidade, a instabilidade e a ausência de rumo parecem estar para durar.
César Luís Menotti, figura histórica do futebol argentino e director das selecções jovens da Argentina, considera que o problema da Albiceleste é crónico e que não se resolve com a mudança de seleccionador, apontando por isso o dedo à classe dirigente: “Gera-me uma grande preocupação porque o que vejo é oportunismo político da parte da classe dirigente e isso é muito negativo. Diz-se uma coisa, depois faz-se outra. Anda-se a apregoar que é preciso apoiar a selecção, mas quando é mesmo preciso são poucos os que se comprometem. É preciso apurar responsabilidades e não transferi-las“. Nesse sentido, Menotti aproveitou para manifestar o seu apoio a Scaloni: “Vejo-o à procura de uma base para poder afirmar-se em plena competência. É uma situação muito complexa e não passa por maior ou menor experiência. Nenhum dos que são mencionados como alternativas têm experiência ao nível de selecção, por mais clubes que tenham orientado. A selecção é outra coisa. Nem o falecido Cruyff, nem Guardiola conseguiriam inverter hoje esta história na selecção. Nem a eles correria bem. O Scaloni tem de ser avaliado, porque todos somos avaliados todos os dias. É indispensável olhar para o panorama completo. Se olharmos só para uma parte do problema, vamos voltar a errar“. Por fim, o antigo seleccionador afirmou que o apuramento para os quartos da Copa América não irá resolver o problema essencial: “Não muda nada. Prefiro que no domingo passe para os quartos, claro, mas quer fique ou regresse do Brasil na segunda-feira, não muda o essencial. A selecção não pode estar sujeita a lutas internas dos dirigentes que frente às câmaras passam uma mensagem de exigência à selecção, mas em privado dão outros sinais“.


8 Comentários
Rodrigo Ferreira
Menotti a tocar na ferida. Foi um revolucionário no seu tempo, conhece a realidade e está por dentro. Sabe do que fala certamente. O problema da Argentina não é (apenas) o treinador, apesar de achar o Scaloni mau, não é o jogar A em vez de B, não é um mau resultado na Copa América ou no Mundial. É algo mais profundo e que vem desde a AFA. O próprio campeonato argentino é uma bagunçada e a formação dá a ideia que já funcionou bem melhor. Era preciso varrer tudo e encontrar pessoas competentes que possam dar um rumo ao futebol argentino.
Mike-UK
Seria preciso ser completamente louco para discordar de Menotti e ignorar que esta Argentina não tem rumo e que com um pouco mais de competência já teriam quebrado o jejum.
A Argentina, de resto, foi sempre isto, sempre esta confusão directiva e sempre estas nuvens negras a pesar mais alto enquanto as gerações talentosas iam passando – só mesmo um fora de série como Maradona conseguiu quebrar isto e dar-lhes um mundial (e ficar próximo de lhes dar um segundo).
PauloDybala1O
O Messi meteu a Argentina na final do Mundial ’14, Copa América ’15 e Copa América ’16, tambem é azar, porque se o Messi tivesse ganho estas competições todas ou pelo menos 1 delas já não se falava tanto do Maradona por exemplo, é preciso ter azar mas claramente concordo contigo na situação do Maradona, se havia alguem na altura para dar um titulo a eles, tinha que ser o Diego !
TheHunter
O primeiro passa é convocar os melhores e escalar um bom 11, ou seja um 11 equilibrado e que maximize o melhor dos jogadores. Garantidamente que Guardiola e Cruyff fariam melhor, mas é que aposto sem dúvida nenhuma.
Antonio Clismo
A FPF com o Gilberto Madaíl nos comandos também não era muito melhor do que isto. Um vazio e uma desorganização directiva sem precedentes.
PauloDybala1O
A Argentina continua a ter uma seleção com qualidade, mas o fio de jogo desde de Sampaoli até agora ao Lionel Scaloni é sempre o mesmo, aquela foto onde está o Messi rodeado de 7 ou 8 jogadores diz tudo sobre a Albiceleste, infelizmente !
A Argentina cobre todos os espaços/cantos do campo, joga muito em largura, inclusive os laterais estão maioria dos lances encostados à linha e o Messi quando pega a bola no meio, os companheiros de equipa dele estão muito distante dele, não se cria nada naquela seleção, enquanto andarem com treinadores como Scaloni e elementos como Milton Casco, Mati Suárez, Guido Pizarro e elementos como Paulo Dybala, Lautaro sem jogar ou com poucos minutos e não convocar elementos como Angel Correa, Mauro Icardi, Gerónimo Rulli, Mussachio etc assim esta Argentina não vai lá, mas também precisa-se de um treinador, que este Scaloni é tudo menos isso
Joga_Bonito
A Argentina é muito como Portugal. Tendo sempre grandes jogadores vive à pala disso e pensa que basta o talento para ganhar. A catástrofe do Mundial 2002 foi disso o maior exemplo do nosso lado.
No caso argentino, como tem talvez o melhor de sempre, para eles deveria bastar. A logica é “passa a bola ao Messi e ele resolve”. O futebol é e sempre foi um jogo de equipa e esquecem-se que se 8 rodearem Messi ele não pode driblá-los sempre, todas as vezes, 90 minutos. Nem o Fenómeno, esse poço de força e técnica o faria no seu auge.
Há muitos problemas a serem abordados. Não tenho seguido tanto o futebol feminino agora como seguia há uns anos, mas falou-se de polémicas com as jogadores argentinas e a AFA, em que as jogadoras se queixam de falta de apoio.
São questões a mais. Acho que a Argentina não percebeu que o futebol mudou.
Há novas questões a emergir e muito mais quantidade de equipas top. E a qualidade da Argentina actual não é comparada à dos anos 90, que fora não terem um Messi ou Maradona, tinham um plantel super.
A Argentina continua a achar que os jogadores brotam porque sim, sem perceber as novas dinâmicas do futebol.
É preciso repensar o futebol argentino.
Salah
Nada mais há a acrescentar a vários comentários certeiros, diria apenas que ao longo das décadas o futebol ficou cada vez mais competitivo, logo mais exigente, e a Argentina e o Brasil ainda não perceberam isso, ao contrário da Europa (sendo a Islândia o expoente máximo da organização europeia).
– Até 2002 só por uma vez a Europa ganhou dois mundiais seguidos (Itália em 34/38) e neste momento já vão em 4 seguidos. Não é coincidência.
– Portugal é um grande exemplo: a partir do momento em que entra o Fernando Gomes tudo muda, porque passa a existir organização.
O futebol é simples: organização = resultados.