
Marselha 0-3 Atlético Madrid (Griezmann 21′ e 49′ e Gabi 89′)
O Atlético venceu a Liga Europa pela 3.ª vez, a 2.ª com Simeone, interrompendo assim um jejum de títulos que durava desde a Supertaça de Espanha de 2014. Os colchoneros, que tinham perdido as últimas duas finais europeias (ambas frente ao Real), não deslumbraram (o duelo foi enfadonho), mas com o cinismo que os caracteriza aproveitaram os erros do Marselha para festejar em Lyon. Antoine Griezmann, à semelhança de Forlán em 2010 e Falcao em 2012, bisou e decidiu; Também Gabi esteve em destaque com uma grande assistência no 1-0 e ainda fez o resultado final. Já o conjunto de Rudi Garcia entrou melhor (Germain teve tudo para inaugurar o marcador), mas um erro de Anguissa no 0-1, a juntar à saída por lesão de Payet ainda na 1.ª parte, condenou os Phocéens.
Quanto ao encontro, o Marselha entrou forte na 1.ª parte e logo aos 4 minutos teve hipótese de marcar, mas Germain, isolado por Payet, atirou por cima. Dois minutos depois foi a vez de Rami, na ressaca de um livre lateral, rematar pouco ao lado da baliza de Oblak. O Atlético ainda não tinha testado Mandanda, mas conseguiu inaugurar o marcador pouco depois dos 20 minutos. Perda de bola de Anguissa em zona proibida, depois de um passe do seu guardião, e Gabi aproveita para colocar Griezmann na cara do golo, que fez facilmente o 1-0. O golo desanimou o conjunto francês, que deixou de criar perigo, e ainda viu Payet (saiu a chorar) lesionar-se à passagem da meia hora e ser imediatamente substituído. Na segunda parte, os colchoneros fizeram o segundo logo a abrir, com Griezmann, assistido por Koke, a picar sobre Mandanda, num gesto de grande classe. Godín, três minutos volvidos, podia ter feito o terceiro, mas o seu cabeceamento, na resposta a um canto, saiu a rasar o travessão. O Marselha só conseguiu assustar Oblak já na parte final da partida, com o ex-Benfica Mitroglou (que entrou aos a 74’) a cabecear ao poste aos 81 minutos, mas foi o conjunto de Diego Simeone a voltar a marcar. Bola na profundidade de Griezmann para Diego Costa, o avançado hispano-brasileiro passa a Koke, que descobre Gabi solto na direita para a lenda colchonera rematar cruzado para o fundo das redes.
Destaques:
Atlético de Madrid – Conquista bastante importante para os colchoneros, que desde o momento em que foram eliminados na Champions assumiram esta prova como um dos objectivos da temporada, acabando por vencê-la com uma autoridade louvável. No regresso aos títulos após um jejum que já durava desde a Supertaça de Espanha em 2014, Simeone arrecada o seu 6.º título no Atlético (o 3.º europeu), terminando a temporada provando que o sua Era em Madrid tem fulgor para perdurar. No encontro de hoje, os rojiblancos impuseram a sua superioridade de forma natural, conseguindo muito bem condicionar o jogo do adversário (que só no princípio e no fim do duelo ameaçou Oblak, tendo havido 80 minutos pelo meio em que a estratégia do Atlético de que “acontecessem poucas coisas” resultou) com muita agressividade sobre o portador da bola (a pressão na saída do Marselha fez estragos), juntando a isto muita eficácia. Individualmente, Giménez esteve muito concentrado e seguro na defesa e Gabi, a pouco tempo de cumprir 35 anos, deu uma prova de vitalidade, com uma incrível combinação de disponibilidade física, leitura de jogo, capacidade para pressionar e ter influência no marcador (assistiu e marcou), numa exibição que, tal como nas finais da Champions em 2014 e 2016, foi de luxo. Koke fez uso da sua visão de jogo para assistir no 2-0 e no 3-0 e Sául dominou nas bolas aéreas. Na frente, Griezmann é o grande herói da final, apontando dois golos nas duas oportunidades que teve (é fortíssimo quando isolado perante o guarda-redes, e o 2-0 é de classe tremenda) e fazendo jus ao estatuto de estrela da equipa.
Marselha – O pior para a turma de Rudi Garcia é que perde com uma grande sensação de impotência. Os marselheses entraram em campo desperdiçando uma boa situação de golo e a partir daí viram o adversário impor a sua superioridade, tomando as rédeas da final e levando-a para onde mais lhe convinha, sendo o Marselha totalmente incapaz de contrariar essa situação. Os franceses falharam muitos passes, não encontraram os seus criativos e ficou claro que há muita distância competitiva entre ambas as formações. Individualmente, Mandanda não fica isensto de culpas no 1-o (o seu passe, muito tenso e com a bola aos saltos, não ajudou nada o seu companheiro), enquanto Amavi foi acumulando hesitações e erros (já Sarr mostrou qualidade, não se escondeu e deu alguns esticões no jogo com a sua técnica e velocidade, mas pecou muito na definição e decisão). Anguissa entrou bem no desafio (fortes nos duelos) mas ficou muito marcada pelo erro no 1-0, ao passo que Payet, que antes dos 5 minutos já tinha “oferecido” o golo a Germain, saiu lesionado muito cedo. Germain desperdiçou na cara de Oblak, Mitroglou saiu do banco para acertar no poste e Thauvin é talvez a grande desilusão da final, dado que o criativo francês, que está a fazer uma grande temporada, nunca conseguiu desfazer-se da marcação imposta pelo adversário.
Marselha XI: Mandanda, Amavi, Luiz Gustavo, Rami, Sarr, Sanson, Zambo Anguissa, Ocampos, Payet, Thauvin e Germain.
Atlético XI: Oblak; Vrsaljko, Giménez, Godín, Lucas Hernández; Ángel Correa, Saúl Ñíguez, Gabi, Koke; Diego Costa, Griezmann.


17 Comentários
Tiago Silva
Venceu a melhor equipa! Que garra têm estes homens e a equipa estava muito bem oleada com uma combinações muito interessantes. Muito agressivos e a pressionar muito acima, o Marselha mal incomodou. Mas este Marselha também me pareceu uns furos abaixo, estavam desorganizados, sem grande coordenação e pouca entre ajuda. Eles qualidade têm mas faltou-lhes organização e estofo.
Só mais uma nota: que jogão do Koke, ele aparece sempre discreto, mas está em todo o lado o homem tem pilhas para dar e para vender. Sempre nos apoios, para mim foi o melhor em campo.
Parabéns aos colchoneros que foram merecidos campeões!
VettelF1
Karma Payet, karma!
Joao D
Que jogo pobre. Parecia Inatel. Alguém tem de dizer aqueles comentadores da SIC que não tem o menor jeito para narrar um jogo. Que duas coisinhas mais monocórdicas.
Karma is a bitch. Não é, Payet?
Rodrigo Ferreira
Este Atlético não perdoa. Não são espectaculares, mas sabem o que fazem em campo. Individualmente são todos muito bons e formam um colectivo que é difícil de bater em provas deste género. Tal como no Arsenal e no Sporting, aproveitaram um erro colossal para abrir o activo e marcaram 3 golos em 3 oportunidades basicamente. Já o Marselha teve 2 ou 3 e não conseguiu aproveitar. Numa final paga-se caro, nomeadamente a perdida de Germain a abrir (jogo para esquecer) que poderia ter dado outro rumo ao jogo. Além da infelicidade de Anguissa, a lesão de Payet limitou muito, já que é o melhor jogador, sendo que Thauvin esteve apagado. Já Ocampos e Amavi tentaram pegar no jogo pelo lado esquerdo, mas no último terço foram bem anulados. Jogo muito bons dos centrais do Atlético, Oblak muito seguro e a dupla Koke-Saúl joga enormidades. Bonito também ver Gabi fechar o jogo com chave de ouro, enquanto Griezmann foi o MVP e despediu-se dos Colchoneros em grande estilo, oferecendo mais uma Liga Europa. Vitória incontestável, num jogo que foi quase sempre bem controlado pelo conjunto de Simeone, que continua a somar títulos.
AidsSkrillex
Achei que foi um jogo fraco, mas dou os parabéns ao Atlético, não jogam nadinha mas sabem aproveitar os erros dos adversários…
Kacal
O Marselha entrou melhor e tentou assumir a posse e criar jogo, mas depois o erro de Anguissa deitou tudo a perder. A partir daí a equipa perdeu confiança e depois a saída do Payet por lesão foi o golpe final. O Anguissa até estava a fazer um belo jogo a nível de posicionamento e recuperação de bola, embora as suas limitações evidentes com bola, mas depois foi-se abaixo completamente e sem Payet o meio-campo ficou sem ligação com o ataque e não houve criatividade ali. Depois Germain é um bom jogador, mas o Marselha precisa de um PL de outro nível caso queira crescer, hoje foi “engolido” pelos centrais do Atlético e quando teve uma oportunidade desperdiçou. Depois o Rudi Garcia tira o Lucas Ocampo que foi o único capaz de acrescentar desequilíbrio e velocidade ao ataque do Marselha, um erro crasso. Destaque para o lateral direito do Marselha, o Sarr, gostei muito de o ver jogar e é muito rápido.
O Atlético “estragou o espectáculo” porquê secou completamente o Marselha, mas foram superiores e eficientes, não deram qualquer hipótese e acima de tudo foram eficazes. Foi um jogo típico do Atlético e uma equipa que sofre 4 golos na competição merece conquista-la e hoje foram melhores, tiveram mais “estofo” que o adversário.
Não é que o Payet tenha feito de propósito para lesionar o nosso CR7, mas não deixa de ser curioso que seja forçado a sair por lesão na 1ª parte de uma final tão importante para si e para o seu Marselha.
Fernando neves _36
Quanto ao último parágrafo, quando o vi sair daquela forma pensei logo no karma.
Pelo menos nós ainda trouxemos a taça, o Payet nem isso.
Kacal
É como se diz, o karma demora mas não falha!
100Clubismo
Jogo entediante. O que fica é que o Atlético, se não pressionar e aproveitar os erros, é facilmente transponível.
Griezmann, como é obvio, o homem do jogo, e do lado do Marselha, o lateral direito Sarr.
Sinceramente, tenho de admitir que na maioria das vezes, os jogos da LE conseguem ser bem enfadonhos, e quando são comentados na SIC, piora substancialmente.
MisterSCF
Que lógica da batata… Se o Atlético nem aparecer em jogo, também é facilmente derrotado…
Porque é fácil pressionar bem e forçar e aproveitar os erros adversários.
cards
Vitõria justa dp atl. madrid
Jonny
Nota para a influência que a vitória do Atlético tem na vida do Benfica na Champions do próximo ano:
Como o Atlético garantiu a Champions via Liga Europa, o lugar que lhe estava atribuída pela classificação no campeonato espanhol passou para o terceiro classificado da liga francesa, que assim vai direto para a fase de grupos e já não tem que passar pelas pré-eliminatórias.
Assim o segundo classificado da liga checa ganhou lugar nas pré-eliminatórias, do lado dos não cabeças de série, o que melhora as possibilidades do Benfica na qualificação.
T. Pinto13
Foram os melhores e por isso ganharam
Luis ES
Jogo fraco, mas venceu quem tinha a estratégia melhor definida e, com isso, controlou o encontro facilmente. A capacidade de sofrimento e de aproveitar os erros rivais dos colchoneros é algo absolutamente incrível. Este Atlético pragmático, consistente, sólido, com um Griezmann inspirado, com Koke (que exibição!) e Gabi a bom nível no processo ofensivo, bastou para um perdulário e desnorteado Marselha, que viu assim agoirada a possibilidade de uma equipa francesa terminar o interregno de troféus internacionais. A lesão de Payet só veio tornar a nu as debilidades das quais o OM, padece no ataque (pois além do internacional francês, nota-se que só mesmo o Thauvin levava a equipa mais para a frente com algum sucesso, Germain lá na frente nestes jogos é limitado), que para uma Ligue 1 chega, porém para uma final de Europa League é insuficiente.
RodolfoTrindade
O Vrsaljko não consegue jogar 5 minutos sem levar amarelo. Já na última eliminatória teve de ser substituído por esse motivo.
Não percebi a opção de Luiz Gustavo a central.
Não percebi Mitroglou tanto tempo no banco para jogar a nulidade do Germain.
Vitória mais que justa.
Adorava ver uma final entre e o Atlético e o Boavista do Jaime Pacheco.
tiagoagm
Não consigo ver jogos deste Atletico de Madrid. Quase que adormecia na primeira parte. São sempre jogos com muita cacetada e pouco jogo.
José S.
Venceu a equipa que estava destinada a vencer.
Foi a equipa (para não variar) mais compacta, eficiente e pragmática que venceu o jogo com uma super estrela, que até nem entrou muito bem, mas fez o que sabe melhor chamado antoine contra outra que até entrou bem mas não podia cometer erros, cometeu foi o adeus à hipótese. E mesmo quando parecia que payet ia subir de produção, sai lesionado (o que não deixa de ser um dado curioso) e tira O Campos também não lembra a ninguém. De resto jogo pouco técnico e deslumbrante que até me fez adormecer a certa altura.
Quaisquer das forma o atlético é justo vencedor pois é o mais forte independentemente da sua forma de jogar.
Cumprimentos