Benfica vence com tranquilidade, e coloca pressão no FC Porto; Cardozo e Luisão marcaram em jogo cujos números pecam por escasso; Olhanense não trouxe autocarro, mas é preciso mais que um Fiat 600 para discutir o encontro na Luz
Benfica 2-0 Olhanense (Cardozo 26′ g.p. e Luisão 72′)
O Benfica cumpriu a sua obrigação, batendo o Olhanense na Luz, colocando assim a pressão no lado do FC Porto. Mais 3 pontos, liderança, à condição, isolada na Liga, e um encontro tranquilo antes de um Braga-FC Porto e de uma deslocação a Alvalade. Já a Olhanense, ainda tentou, mas acabou por nunca demonstrar argumentos para contrariar o maior poderio das águias.
No que diz respeito à partida, os encarnados entraram com tudo, e decorridos 2 minutos já haviam alvejado com perigo a baliza dos algarvios (defesa de Bracalli a remate de Salvio, e cabeceamento de Matic por cima após o respectivo canto). Durante 20 minutos só se jogou no meio-campo do Olhanense, com o Benfica a dominar por completo e a carregar sobre a área adversária, em especial pelo lado direito, onde Maxi e Salvio combinavam, e contavam ainda com a presença de Rodrigo. No entanto, o último reduto de Olhão foi aguentando as investidas dos atacantes benfiquistas, que entre maus remates, más decisões e defesas de Bracalli, não conseguiram fazer desfazer o nulo. Curiosamente, foi numa fase em que o Olhanense até já jogava perto da área do Benfica que chegou o golo: lançamento lateral, Maxi envolve-se com Vasco Fernandes, e o árbitro Rui Silva assinala grande penalidade, concretizada por Cardozo. A partir daí o ritmo de jogo diminuiu, tais como as oportunidades de golo, visto que o Benfica até ao intervalo não voltou a carregar no acelerador. Na segunda parte o Olhanense deu sinais de querer discutir o jogo (Artur fez a única defesa do jogo, a remate de David Silva, nos momentos iniciais), mas foi sol de pouca dura. O clube da Luz dominou por completo as operações, e mesmo sem acelerar tanto como na primeira parte, criou oportunidades mais que suficientes para resolver a contenda. Melgarejo isolou-se pela esquerda, mas centrou contra um adversário, seguindo-se uma série de carambolas; Garay cabeceou sozinho após canto para defesa enorme de Bracalli, até que aos 72 minutos, as poucas dúvidas que houvesse quanto ao resultado foram dissipadas. Após canto, Luisão cabeceou à vontade, e não perdoou. O jogo estava encerrado, mas ainda houve tempo para Salvio falhar dois golos feitos, um salvo por um defesa, com Bracalli já batido, e outro num remate disparatado após “assistência” de Vasco Fernandes. Em suma, uma vitória clara do Benfica, que dominou do início ao fim, e que mostrou um futebol rápido e agressivo, embora muitas vezes tenha decidido mal no último terço: remates disparatados, fruto da vontade em mostrar serviço ou em resolver depressa ou maus toques já dentro da área. O caudal ofensivo merecia mais golos, e não obstante o grande jogo de Bracalli, o resultado escasso é também culpa dos atacantes encarnados. Já o Olhanense, não trouxe autocarro, mas também não veio de Ferrari, bem pelo contrário. o meio-campo tem muita dificuldade em transportar jogo para a frente, os avançados recebem a bola muito sós, enfim, uma equipa completamente inofensiva.
Destaques
Maxi Pereira – o melhor do Benfica, fez o corredor todo, atacou com perigo, e ganhou a grande penalidade que desbloqueou o marcador. A concorrência ter-lhe-á feito bem.
Carlos Martins – excelente na fase de construção, com passes de primeira e a rasgar. Não teve muito trabalho defensivo, e apenas pecou por tentar pouco o remate. Foi a surpresa no 11 titular.
Ola John/Salvio – o holandês esteve intermitente, alternando alguns (raros) bons remates e centros com perdas de bola, enquanto que Salvio esteve em jogo do início ao fim, mas falhou o golo que fez por merecer. Combinou bem com Maxi, e com Rodrigo quando este descaía para o seu lado, no entanto a finalização foi sempre péssima.
Cardozo/Rodrigo – O paraguaio passou um tanto ou quanto despercebido, tendo alguns remates sem nexo e falhando bolas no centro da área; já Rodrigo entrou com tudo, mas decidiu mal (incluindo um lance em que, isolado, se virou para o lado errado, e acabou por recuar em vez de ir para a baliza), e foi descendo de produção, até ser rendido por Lima.
Luisão – é verdade que o capitão dá liderança, e marca golos, mas mais uma vez teve um conjunto de intervenções “esquisitas” na defesa, com distracções e passes errados em zona proibida.
Bracalli – defendeu quase tudo, foi o responsável pelo Olhanense ter regressado ao Algarve com apenas duas bolas no saco.
Nuno Reis – o melhor jogador de campo de Olhão, conseguiu ganhar a maior parte dos lances a Ola John.
Rui Duarte/Fernando Alexandre – boa capacidade de cobertura e recuperação, mas com bola acrescentaram pouco.