Associação Académica de Coimbra, um clube diferente, não só pela estreita ligação à cidade de Coimbra e à Universidade, mas também porque fica no coração de quem lá passa como estudante. Símbolo da cidade, da resistência ao Estado Novo, clube dos Estudantes, a Académica tem na sua tradição e no seu percurso histórico a sua maior força e ao mesmo tempo a sua fraqueza. O principal desafio que se coloca à Académica é manter a sua imagem tradicional, (até aos anos 70 a maior parte dos jogadores eram estudantes da Universidade) com alguma nostalgia e inocência à mistura, e ao mesmo tempo adaptar-se aos tempos das SADs, Leis Bosman tranferências milionárias.
Após dez anos de primeira Liga, após anos de segunda divisão e bastantes sobe-e-desce, a Académica parece finalmente cimentar o seu lugar entre os grandes do futebol português (leia-se, clubes que participam com estabilidade na 1ª Liga). A vitória na Taça de Portugal 2011/12, com a consequente participação na Liga Europa podem dar o impulso final que a Académica precisa para passar para o patamar seguinte, embora ainda fique a faltar alguma estabilidade no plantel, sistematicamente remodelado ano após ano. A Académica tem tido nos últimos anos bastante qualidade (também recorrendo a jovens emprestados), mas não consegue manter um plantel estável, e esse será o principal obstáculo ao crescimento sustentado do clube em termos de resultados. Este ano o objectivo é a permanência, de preferência com menos sufoco que o ano passado, ir longe nas duas Taças, e fazer o melhor possível na Liga Europa.
Na baliza, Peiser e Ricardo devem dividir os minutos. O segundo começou como titular, mas a inconsistência mostrada no passado devem levar a que o francês, com créditos no nosso futebol, apanhe o lugar mais cedo ou mais tarde. Nas laterais, Helder Cabral é o senhor do lado esquerdo, jogador competente a defender e que dá profundidade ao ataque, sendo ainda perigoso nass bolas paradas. Nivaldo é uma opção de qualidade. No lado direito, o lugar deve ser entregue a Rodrigo Galo, um jogador que defende bem mas não dará tanta profundidade ao ataque como o colega do lado oposto. O jovem João Dias será a alternativa. O centro da defesa promete dar trabalho a Pedro Emanuel, e será até aquele com mais soluções em termos de qualidade global. João Real, se não se lesionar, deve ser titular; jogador rápido e bom no desarme, poderá ser complementado com Halliche, mais lento mas com capacidade de choque e bom jogo de cabeça (chegou tarde, mas é possível que agarre já o lugar após a pausa). Os centrais usados no início de época têm sido Reiner e Flávio. O brasileiro Junior Lopes ainda está a adaptar-se ao futebol europeu, pelo que só deverá ter minutos mais para o meio da temporada. O meio campo foi o sector mais desfalcado em relação ao ano transacto, mas a Académica fez um conjunto de contratações que dão garantias de qualidade. A começar por Flávio, desde que não seja necessário na defesa. Bruno China pode jogar à frente da defesa, sozinho, ou com Keita a seu lado. Makelele será uma solução se Pedro Emanuel optar por um meio-campo menos defensivo, pois tem mais transporte de bola (segundo o próprio, é mais “8” que “6”) que os referidos. Ogu deve ficar com a função de “10”. Marcos Paulo é outro dos reforços que se espera vir a jogar no miolo, mas a não inscrição na Liga Europa deixa prever que a sua lesão é mais duradoura do que se pensava. Saná, Cleyton e Magique serão opções de segunda linha, embora o segundo seja considerado um talento puro. Não se coloca de parte que seja emprestado de forma a rodar e ganhar experiência (Magique é jogador de ala/ataque, mas a sua capacidade técnica pode “puxá-lo” para “10”). Nas alas contêm, Marinho costuma ser o dono do lado direito, jogador rápido que centra e concretiza bem. O reforço de última hora Wilson Eduardo pode ficar no lado oposto, dando à Académica dois extremos que fazem boas diagonais para rematar. Depois há a “armada”africana, com Magique, N’Gal e Cissé; os dois primeiros já têm experiência na Liga, e a sua capacidade física e velocidade podem fazer estragos, já Cissé é uma incógnita. A aposta parece ser em extremos não que joguem tanto na linha, mas que façam diagonais para concretizar, sendo essa também uma característica do brasileiro Afonso. Finalmente, o centro do ataque é 100% pertença de Edinho (caso Cissé continue numa das alas), que começou a todo o vapor. Saleiro poderia ser titular, mas a sua situação parece idêntica à de Marcos Paulo. O jovem William, alto e possante, mas ainda jovem, terá menos oportunidades. Este é claramente o sector com menos opções, e embora Edinho seja um atacante com alguns créditos (até é internacional), não é tremendamente eficaz, em especial contra equipas que joguem fechadas, pois prefere jogar com espaço.
Em conclusão, a Académica tem talento suficiente para fazer uma prova tranquila. Esta época será uma oportunidade para elementos como Ogu e Wilson se afirmarem de vez, Cissé, Magique, Afonso e Flávio ganharem algum mercado e outros como N’Gal, Galo e Halliche voltarem a demonstrar a qualidade que apresentaram no passado. No que diz respeito à Liga Europa, será interessante perceber como Pedro Emanuel (que na época passada tirou pontos a Benfica, Sporting e Porto) vai defrontar o Atlético, Plzen e Hapoel. Um grupo que está ao alcance da Briosa, mas onde a falta de experiência poderá pesar.
Visão do Leitor: Nuno R.


