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Bósnia-Herzegovina: Da guerra devastadora até ao topo do futebol mundial (em menos de 20 anos)

1 de Março de 1992, 9 de Novembro de 1993 e 13 de Julho de 1995 são datas que os bósnios não vão esquecer para o resto das suas vidas. O começo da guerra da “Bósnia”, a destruição da ponte de Mostar (427 anos de vida) e o Massacre de Srebrenica (mais de 8000 mortos) deixaram marcas profundas num país recém nascido. Com uma população total de 3,8 milhões de habitantes (128º a nível mundial), o país balcânico apresenta uma grande diversidade étnica e religiosa. Os bósnios (48%) representam quase metade da população, enquanto sérvios (37%) e croatas (14%) representam a outra metade. Na religião, dominam os muçulmanos (40%), ortodoxos (31%) e católicos (15%). A Bósnia-Herzegovina ainda está a sarar as feridas de uma guerra sangrenta (bósnios, sérvios e croatas continuam bastante divididos) e que destruiu grande parte das infra-estruturas do país (Sarajevo ficou completamente devastada). Apesar do crescimento económico pós-guerra (era difícil acontecer o contrário), o país ainda apresenta uma economia frágil e que sofreu bastante com a crise internacional. O desporto tem ajudado a transformar a imagem de um país, que aos olhos do cidadão normal, está demasiado identificado com as palavras “guerra” e “pobreza”. O dia 15 de Outubro de 2013 poderá ser fundamental para a afirmação mundial do país balcânico. A Bósnia-Herzegovina conquistou o direito a participar num Campeonato do Mundo, naquele que será o ponto mais alto da curta história da nação balcânica.
O país já podia ter participado no Mundial 2010 ou no Euro 2012, mas o playoff foi madrasto para os bósnios, que encontraram Portugal nas duas ocasiões e foram eliminados. Contudo, a campanha para 2014 foi excepcional e deixou os gregos à beira de um ataque de nervos. A Bósnia acabou por vencer a maioria dos jogos com grande facilidade (3-1 à Grécia, 4-1 e 5-0 à Letónia, 4-1 e 8-0 ao Liechtenstein e 3-0 à Lituânia), tendo apenas dificuldades para bater a Eslováquia (derrota caseira por 1-0 e vitória fora por 2-1) e a Lituânia na última partida do grupo (1-0). O país balcânico marcou 30 golos em 10 jogos (sofreu apenas 6), com destaque para os goleadores Dzeko (10 golos), Ibisevic (8 golos), Misimovic (5 golos) e Pjanic (3 golos).  O ataque é a grande força da armada de Safet Susic, também ele um ex-médio ofensivo de grande qualidade (presente no melhor 11 de sempre do PSG). Dzako e Ibisevic são garantia de golos, enquanto Misimovic e Pjanic garantem assistências e magia a meio campo. Salihovic e Medunjanin têm pés esquerdos de grande qualidade, enquanto Lulic joga em qualquer posição que Susic entender. Os veteranos Rahimic, Ibricic e Spahic acrescentam experiência ao conjunto, enquanto Begovic traz segurança à baliza bósnia. 
Passaram 20 anos desde os acontecimentos mais sangrentos da história da pequena nação europeia, que finalmente é notícia pelas boas razões e consegue colocar o seu nome, bem comprido, no imaginário dos fãs do futebol mundial. Muitos dos jogadores que formam o actual plantel da Bósnia tiveram que abandonar o país devido à guerra, outros perderam familiares e amigos, por isso, no Mundial brasileiro não vão estar apenas 11 jogadores em campo, mas sim todo um país de adeptos fervorosos, mais a diáspora bósnia e a memória dos mais de 100 mil mortos da guerra. 
O que poderá fazer a Bósnia-Herzegovina no Mundial 2014? Dzeko, Pjanic, Ibisevic e Misimovic são garantia de espectáculo no Brasil? Poderá ser o início de uma geração de Ouro para o futebol bósnio, com participações mais regulares em fases finais?

19 Comentários

  • Miguel Antunes
    Posted Outubro 18, 2013 at 9:21 am

    Como já disse num post anterior, numa visão meramente futebolística, foi uma pena o desmantelamento da Jugoslávia, pois seria hoje uma das 3 melhores selecções da Europa, ao nível da Espanha e Alemanha…

    • Nuno
      Posted Outubro 18, 2013 at 11:22 am

      A Dinamarca agradeceu :)
      Teria sido um prazer ver um EUA vs Jugoslávia no torneio de basquete em 92.
      Era um país tido como não alinhado, tinha o melhor e o pior dos 2 blocos; era mais evoluído que a maior parte do Bloco de Leste a nível cultural e não só (ao contrário daqueles, os cidadãos podiam movimentar-se livremente), mas também era uma ditadura implacável, em especial para algumas franjas da população.

    • Miguel Antunes
      Posted Outubro 18, 2013 at 11:50 am

      Sim sem dúvida tens toda a razão Nuno, eu quando disse que foi uma pena o desmantelamento foi apenas na vertente futebolística, pois seria hoje em dia uma selecção simplesmente fabulosa, ao nível da Espanha e da Alemanha na minha opinião…agora quanto ao resto sou sempre a favor da queda de qualquer ditadura portanto ainda bem que aconteceu…

  • Kev
    Posted Outubro 18, 2013 at 9:34 am

    Gostei bastante deste post. Parabens. :)

  • Ramiro
    Posted Outubro 18, 2013 at 10:17 am

    Força Bosniacs!

  • Miguel
    Posted Outubro 18, 2013 at 10:34 am

    A Jugoslávia tinha todas as condições para ser das melhores selcções do mundo, figurava facilmente no top-5.
    Na minha otica a Bosnia têm uma equipa inferior à Servia e à Croácia.
    No entanto, juntamente com a Cróacia (em relação às outras nações que compunham a Jugoslávia) é a nação com uma mentalidade mais competitiva (é aqui que os sérvios falham e muito).
    No entanto espero um bom espetáculo por parte desta seleção.

  • António Fonseca
    Posted Outubro 18, 2013 at 11:10 am

    Excelente artigo.

    A Bósnia já merece há um par de anos um lugar entre a eilte europeia (e com elite falo num top15). Tiveram o "azar" de defrontar Portugal nos palyoffs do Mundial 2010 e Euro 2012, porque tenho poucas dúvidas que apresentariam uma qualidade maior que outras selecções europeias apuradas para essas competições, como Polónia, Ucrânia ou Irlanda (Euro) ou Eslovénia, Eslováquia ou Sérvia (Mundial).

    no entanto, a nível de consistência penso que deixam um pouco a desejar. Não só a nível defensivo, como também pela falta generalizada de soluções aos normais titulares. O grupo de qualificação era anormalmente acessível, na minha opinião, e por aí talvez se justifique o apuramento directo em vez de uma nova luta pelos playoffs. Levam, contudo, muita garra e motivação para o mundial, mas chegará para uma surpresa? Honestamente, não penso que passem da fase de grupos, mas as bases estão lançadas para futuras gerações.

  • slb1994
    Posted Outubro 18, 2013 at 11:11 am

    Gostei muito do post …
    Parabéns …

    Em relação à selecção, como foi dito, podia ter participado nas ultimas competiçoes internacionais, se nao lhes calhasse o "carrasco lusitano".
    Na baliza estão bem servidos com o Asmir Begovic, um dos bons guarda redes da Premier Ligue.
    Na defesa, teem como patrao o Spahic(ja com uma vasta experiencia e atualmente ao serviço do Leverkusen ao que se juntam elementos com alguma qualidade e que jogam em campeonatos competitivos como Bicakcic e Mujdža(Bundesliga).
    No meio campo brilham elementos como Pjanic e Lulic, aos que se juntam elementos com qualidade como Salihovic e Misimovic.
    No ataque, Dzeko(a grande figura da equipa) e Ibisevic são garantia de golos.

  • Anarquista Duval
    Posted Outubro 18, 2013 at 11:26 am

    A Bósnia em termos futebolísticos tirou proveito da diáspora da sua população. Das grandes figuras da nova geração, são praticamente todos formados culturalmente e desportivamente fora do país. Se todos tivessem nascido e sido criados em solo Bósnio estou certo que não tinham tido toda esta evolução. Nada contra em relação a este aspecto porque foi um povo que sofreu e teve de sair do seu próprio território para continuar a viver.
    Tal como a Bósnia, muitas outras selecções africanas cresceram beneficiando dos seus jogadores serem formados principalmente em França.

  • João Lains
    Posted Outubro 18, 2013 at 11:49 am

    É uma selecção que já merecia esta oportunidade há mais tempo mas teve o azar de encontrar Portugal em ambos os playoffs. Têm um enorme guarda-redes (Begovic) e dois excelentes finalizadores Dzeko e Ibisevic (melhor forma de sempre) devidamente bem servidos por vários médios, que não sendo de top, têm uma excelente visão de jogo, criatividade e qualidade de passe como Misimovic ou Pjanic. Lulic, Salihovic, Spahic, Medunjanin e Hajrovic também são jogadores interessantes. O ponto fraco pelo menos a nível de qualidade individual, é o sector defensivo, ainda que tenham sofrido somente seis golos na fase de apuramento.

    É fácil escalar um onze com estes jogadores, e fica à amostra a falta de qualidade das alternativas, mas numa competição curta isso não terá muito impacto, creio.

  • Miguel Martins
    Posted Outubro 18, 2013 at 1:06 pm

    Um tema que dava para horas de discussão, com politica, religião, economia e, claro, futebol à mistura. Mas bom texto, parabéns!
    Contudo, tenho de discordar que este seja o momento mais alto de uma nação que apesar de todos os dissabores vividos recentemente (20 anos não é nada), tem uma história riquíssima. A nível desportivo talvez seja o momento mais marcante deste jovem páis.
    Continuem o bom trabalho. Cumprimentos

  • Luís Reis
    Posted Outubro 18, 2013 at 1:42 pm

    Artigo muito bom VM, obrigado pela leitura proporcionada.

    Quanto à Bósnia, é finalmente merecido a sua presença numa fase final de uma grande competição. Finalmente todo o planeta poderá ver esta selecção em grande plano.

    O futuro só os jovens do país o dirão…

  • Kacal
    Posted Outubro 18, 2013 at 2:09 pm

    Fizeram um boa fase de qualificação (8 vitórias em 10 jogos, apenas 6 golos sofridos e 30 marcados), têm jogadores interessantes, o seleccionador tem feito um bom trabalho, foram ao play-off nas duas últimas fases de qualificação (Mundial 2010 e Euro 2012, só foram eliminados por nós), têm estado muito bem, finalmente se apuraram para o Mundial, acredito que possam, dependendo do grupo, fazer uma boa fase de grupo e, quem sabe, passar aos oitavos-de-final, mas, não vai ser fácil, mais de que isso não acredito, acho que podem ser uma boa surpresa, com jogadores experientes e outros jovens, destaco o Dzeko ("estrela" e referência ofensiva desta selecção) e também o Begovic que é um GR com muita qualidade, que tem bastante experiência, está há vários anos na Premier League e que, em breve, acredito vai dar o "salto" para um "grande" de Inglaterra, entre outros bons jogadores, resumindo, acredito que podem fazer um bom Mundial e surpreender, mas, não muito mais que isso, quanto a serem, a partir daqui, presença assídua nas fases finais, não vejo assim tantos talentos jovens nesta equipa, não acredito muito na próxima geração Bósnia, mas, no Euro 2016 e Mundial 2018, acredito que podem marcar presença, vamos ver.

  • Anónimo
    Posted Outubro 18, 2013 at 2:24 pm

    Gostei muito de ler este artigo. Realmente a Bósnia já merecia, e, quiçá por toda a história de sofrimento e luta da sua população num passado recente, foi sempre das seleções que sempre quis ver qualificadas para uma grande prova… Acho esta combinação de história e futebol muito intessante, em suma, grande artigo!

    Mig

  • Augusto M.
    Posted Outubro 18, 2013 at 3:18 pm

    O melhor artigo de sempre do VM, parabéns continuem o bom trabalho

  • Pedritxo
    Posted Outubro 18, 2013 at 3:26 pm

    a bosna merece ,mas espero que dzeko nao jogue o mundial, desde que ddisse aquilo aquando do jogo contra o sporting ,e nem sou sportinguista, e daqueles jogadores que nem de graça queria no meu clube.
    Espero que tenha um resto de carreira mediocre, porque humildade falta-lhe

  • Mega Badjeras
    Posted Outubro 18, 2013 at 8:16 pm

    Excelente post por parte do VM. Queria só denotar o facto de com muita pena minha a Sérvia não ir ao Mundial 2014, pois tinha aqui uma geração de jogadores ainda mais fantástica, contudo apanharam com um treinador conflituoso como o Mihajlovic que criou conflitos com jogadores como o Matic e o Ljajic que lhe teriam sido muito úteis no apuramento.

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