É triste a repetição deste tipo de casos, no entanto também não se entende a postura do Valencia, mesmo a pedido do jogador, em regressar ao relvado (tirou força à postura de abandonar o jogo).
Os jogadores do Valencia abandonaram o terreno de jogo aos 33 minutos na partida contra o Cádiz, depois de Diakhaby ter recebido alegadamente insultos racistas por parte de Juan Cala. O encontro esteve interrompido mais de 20 minutos, mas as equipas acabaram por regressar sem Diakhaby, que foi substituído por Guillamon. O emblema Che justificou a decisão com a vontade do francês em que os seus companheiros regressassem ao relvado.
We offer our complete backing to @Diakhaby_5
The player, who had received a racial insult, requested that his teammates return to the pitch.
WE SUPPORT YOU MOUCTAR
𝗡𝗢 𝗧𝗢 𝗥𝗔𝗖𝗜𝗦𝗠 ✊🏽✊🏿 pic.twitter.com/iPtPSpdNYv
— Valencia CF (@valenciacf_en) April 4, 2021


67 Comentários
joaoazevedo952
Ou as ligas e a UEFA começam a sancionar estas situações como deve ser ou estes episódios vão continuar a acontecer e a manchar ainda mais as campanhas antirracistas que a UEFA prega… não são divisas nos equipamentos que fazem a diferença, são ações concretas, algo tem de mudar e para ontem
TBL
A questão é: consegue-se provar? É que para haver um castigo tem que haver uma prova cabal. Não coloco em causa que tenha acontecido, mas sem imagens ou testemunhas, a palavra do jogador ofendido não pode valer mais do que a do jogador que supostamente ofende, portanto, na maior parte dos casos, será complicado de haver castigos.
joaoazevedo952
Sim sim, tens razão, é sempre algo difícil de se provar, mas há que ser mais incisivo nas investigações, fica sempre a ideia que o esforço é pouco ou nenhum, isso viu-se na postura patética da liga quanto ao caso Marega em que aí sim haviam provas de fartura
VettelF1
Mais uma crise!
Foi mesmo racista o jogador do Cádiz ou é mais um exagero?
JJoker
“mais um exagero”
Haja noção.
El Bandido
Noção? Noção foi o que faltou no caso do árbitro romeno com o banco do istambul, quando se limita a utilizar uma palavra absolutamente natural na sua língua e é mal interpretado. Não estou a dizer que é este o caso, mas cada vez mais existe uma tendência para se ficar ofendido por tudo e por nada.
JJoker
Depois de ler o teu comentário, aproveito para repetir: Haja noção.
Stromp1906
Haja noção para o que consagra a maior parte das Constituições dos países civilizados, a denominada Presunção de Inocência. O jogador acusado estará hoje em conferência de imprensa e segundo relatos vai negar rotundamente as acusações de racismo. Pergunto, se for a palavra de um contra a do outro não estarão a maioria dos comentadores também a ser racistas ao pressuporem que pela cor da pele há um que diz seguramente a verdade e outro que mente?!
JJoker
Cheio de falta dela aí também.
Stromp1906
Significa que se alguém se lhe dizer uma acusação grave, se essa pessoa for de raça negra, podemos considerá-lo culpado mesmo sem ouvir a sua versão?!
Pescas97
Eu percebo o ponto de vista do Vettel por acaso.
Hoje em dia, qualquer coisa que seja, já se pode considerar racismo. Eu não gosto daquele tipo que tem uma côr de pele diferente que a minha. Sou racista por causa disso? Eu não gosto de chocolate. Sou racista devido a isso?
Hoje em dia, quando falamos com uma pessoa, parece que ficamos com receio de dizer alguma coisa porque essa pessoa pode-se sentir ofendida.
Há pouco tempo, fui ao Aquário e vi um sapo grande com uma casinha pequena enquanto os outros sapos mais pequenos tinham um aquário maior que o sapo grande. Eu disse a um amigo, a gozar, que aquilo era racismo. Por acaso, atrás de mim, estava um jovem de côr (já nem sei se posso dizer assim, se calhar estou a ser racista), que muito provavelmente ouviu-me porque eu normalmente falo um pouquinho alto e muito provavelmente ficou ofendido porque reparei a cara dele que não estava muito feliz… Sou racista porque usei a palavra “racismo” quando o assunto não tinha nada haver com racismo?
Eu, branco, não vou ficar ofendido por alguém me tratar branco. Se formos por aí, esse alguém está a ser racista porque me chamou branco quando tenho uma pele mais escura que uma parede branca.
Também percebo que “mais um exagero” é um bocado forte de dizer, há coisas em que não se deve dizer óbviamente, mas hoje em dia, mais uma vez, temos de pensar 2 ou 3 vezes no que vamos dizer porque alguém poderá ficar ofendida (Tipo os exemplos que eu disse no primeiro paragrafo) e considerar essas palavras como “racismo”.
Qualquer dia (que por acaso já estivemos mais longe), basta dizer um “olá” para considerar racismo ou ofensa… Deve-se dizer “boa tarde” ou “bom dia” ou “boa noite” lol.
Grandone
O problema é que tu enquanto branco, não passaste por séculos de escravatura, humilhações diárias etc… é muito difícil uma pessoa caucasiana pôr se na pele de um negro, porque é uma realidade que nunca viveu.
Khal Drogo
Não concordo com esse argumento. Eu, enquanto branco, não passei por séculos de escravatura. Certo. Mas, por exemplo, o meu amigo Jorge (nome fictício), que é negro, também não. A única coisa que o meu amigo Jorge tem em comum com as pessoas que foram vítimas de escravatura é a cor da pele.
El Bandido
Exatamente Khal, só deixará de existir racismo quando pararmos de falar no assunto. A partir do momento em que tudo é racismo (se calhar neste caso houve mesmo, não sei), então mais difícil será erradicá-lo.
Knox_oTal
Tendo a evitar estes debates para manter uma certa esperança na humanidade, mas esta tirada é muito peculiar e iluminada…
Toda a gente sabe que para se atenuar ou resolver um problema o mais sensato e lógico a fazer-se é não falar sobre ele…
Enfim, é o que há…
El Bandido
Quando grande parte do problema não existe e é gerado por uma autêntica máquina de propaganda, então sim, nesse caso “deixar de se falar sobre isso” é um claro sinal de melhorias. Enquanto nas notícias continuar a aparecer “branco isto ou preto aquilo” em vez de apenas e só “homem” o problema será prepetuado.
BrunoAfonso 12
Se tu viverem num país com uma taxa de criminalidade elevada, e fores assaltado todos os dias, tu para deixares de ser assaltado é parar de falar sobre os assaltos ou combater os assaltos?
Com as devidas diferenças, mas não é varrer o assunto para de baixo do tapete que vai deixar de haver racismo. Só combatendo o problema é que vai deixar de haver racismo.
El Bandido
Não é varrer o assunto para baixo do tapete, é deixar de falar de racismo em situações onde efetivamente não existe racismo. Ou seja, se de cada vez que um indivíduo comete um crime vem estampado na notícia qual a sua cor de pele (que não interessa para nada), então o problema tenderá a aumentar.
Falas de um país em que há muitos assaltos, mas consideras Portugal ou Espanha um país em que predomina o racismo? Com base em quê? Não é comparável…
Mais uma vez, não estou a dizer que este seja o caso do Diakhaby, que a confirmar-se é lamentável.
BrunoAfonso 12
Então eu vou reformular, se fores vitima de assalto todos os dias e queixares-te todos os dias, isso só para se parares de te queixar? Independentemente do país em que vives? Não.
Dizes que não falar não é varrer para debaixo do tapete, mas é, porque não estás a tomar nenhuma ação para combater o racismo, que pode ser o mais ínfimo, mas existe.
Deixar de falar é varrer para de baixo do tapete, e essa nunca é a solução.
Khal Drogo
Não partilho dessa visão, El Bandido. Sim, por vezes fala-se de racismo onde ele não existe (ver os casos do Bernardo Silva e do Cavani, por exemplo), mas não me parece que a estratégia de deixar de falar no assunto funcione.
O que estava a querer dizer é que acho que se usa o argumento da escravatura erradamente.
El Bandido
Creio que fui mal interpretado. É óbvio que quando há casos evidentes de racismo estes devem ser falados e punidos. O que quero dizer é que o racismo felizmente está longe de ser o enorme flagelo que se quer fazer passar. Quando digo deixar de falar é que se houver, imaginemos, um homem branco que mate um negro, apenas se fale que um homem matou outro, sem chamar etnias ao barulho.
Stromp1906
Essa história do “branco” já chateia um bocadinho. Tem visto notícias actuais de Moçambique? Existe uma tentativa de limpeza étnica, diga lá de que lado estão os brancos neste caso? Racismo é algo horrível, mas que acontece em todas as raças e cores.
BrunoAfonso 12
O que se passa em Moçambique não está relacionado com limpezas étnicas, nem nada haver com o racismo.
Stromp1906
Muçulmanos a quererem eliminar todos os não muçulmanos é o quê mesmo?
Limpeza étnica, religiosa, o que lhe queira chamar, mas dos 2 lados estão pessoas de raça negra… Como podiam estar amarelos, brancos ou azuis…
druga7
é facil de explicar , ele ficou com essa cara porque usaste um termo que para ele é um assunto serio e um problema do dia a dia e tu apenas fizeste um comentário da treta em tom de brincadeira (é mais ou menos o que acontece quando andamos a gozar com amigos e chama-mos autista aquele amigo assim mais diferente e um pai de um miúdo, verdadeiro autista ouve e nao gosta deste tipo de brincadeiras)
é normal que nao te importes tanto com ser chamado de branco porque uma parte significativa de pessoas com a tua cor de pele nao morreu so por isso, porque nunca vais ter de explicar ao teu filho as pessoas mudam de passeio por ter medo dele e esse medo ser pela cor da pele, porque nunca foste ver uma casa e no fim do dia quando ligas para fechar o negocio ouves que a casa foi magicamente alugada e passado uns meses a casa ainda esta por alugar ( e pensa neste caso a multiplicar por muitas vezes)
E porque nunca sofreste nada disto e ainda ouves dizer que qualquer dia nao se pode dizer nada que se fica logo ofendido
BenDover
Se os jogadores não abandonassem o relvado ainda seria acusados de compactuar com o racismo. A pressão actualmente é tanta que só permite extremos. Se saem do campo é um exagero, se não fizerem nada são racistas também.
Quando as mães dos árbitros se sentirem ofendidas por serem carinhosamente chamadas em todos os jogos também estes devem abandonar o relvado?
O acto em si é errado. Agora medir a gravidade do acto pela reacção da vítima é só hipocrisia. Então como caracterizar aqueles que sofrem atitudes racistas (como o Dani Alves que pegou na banana e comeu) mas não se vitimizam?
druga7
se os árbitros um dia se fartarem e saírem do campo ou deixa de haver futebol porque noa ha árbitros ou os insultos acabam
quanto ao caso da dani Alves é um bom exemplo… ele foi forte e comeu e tal, resumindo ainda ha episódios de racismo depois disso, logo nao serviu para nada
TOPPOGIGGIO
Também podias ter escrito “foi um exagero do jogador do Valência ou mais um acto de racismo”. Eu também não acho que seja tudo racismo ou tudo exagero mas ao escreveres isso (parece que) tomas partido…
Tiago Peixoto
Comentário muito triste.
JJoker
Pelo menos ainda saíram do campo.
A situação que se viu em Portugal com Marega foi humilhante para o país com o jogador a ser completamente abandonado pelos companheiros.
Diogo Moura
Aliado ao facto do Porto ter sido a única equipa em Portugal a não utilizar no verso da camisola a frase da campanha anti racismo ?♂️
BenDover
Não é que essa campanha mude alguma coisa, além de identificar quais os clubes assumidamente hipócritas e quais os clubes que o são sem assumir.
DNowitzki
Alguém deu conta do que o Durant disse há dias sobre o Rapaport?
Manel Ferreira
O Durant foi multado pela NBA, e ridicularizado em quase todo o lado, portanto não estou a ver a relevância para isto, Além de que bocas nas redes sociais não são propriamente o mesmo do que insultos num campo desportivo, no meio de uma competição. Eu sei que o pessoal adora viver apenas na Internet, mas pronto… Um bocadito de “whataboutism” não faz mal a ninguém, eu sei.
Ainda temos espaço para “o racismo já não existe, só quando alguém fala de racismo” ou “o único racismo que existe é contra o homem branco” e outras pérolas. Força, pessoal!
DNowitzki
Vai aí uma grande confusão nessa tua cabecinha.
Mas isso “perdoa-se”; o mesmo não sucede com leituras tontas e compleramente enviesadas, abusivas e preconceituosas.
Manel Ferreira
A última parte nem era para ti, mas para os comentários que costumam aparecer nestes tópicos. Mas, já agora, podes dizer porque é que trouxeste a questão do Durant e qual a relevância neste assunto?
JoaoMiguel96
Sim, eu vi em alguns “jornais” de desporto americanos penso eu. CBS sports e Bleacher Report, pelo menos.
Blocparty
Não vejo o que isso possa importar para este caso? Já para não dizer que basta uma pequena pesquisa para ver que houve grande difusão mediática do caso, ou estava a falar de não ter tido honras de abrir telejornais em Portugal?
Abbas
Foi sancionado e devia ter sido mais. Acho que p facto de ter sido em DMs tornadas públicas (o que por princípio não é muito correto) levou a NBA a não ser tão forte na sanção. O KD sempre foi muito emocional e leva tudo o que dizem sobre ele a peito, o seu maior defeito.
Estigarribia
Tem de haver alguma maneira de combater o racismo no desporto e na restante sociedade. Isto é um problema muito sério e acho que deveria ser discutido nas instâncias adequadas.
Saudações Leoninas
Af2711
A título de curiosidade, qual foi a maior sanção imposta a um caso de racismo (comprovado) num campo de futebol? Só ouço casos falando de algumas partidas, ou 6 meses.
Não me lembro de um atleta que foi banido do futebol por isto (racismo comprovado).
Antonio Clismo
Sinceramente acho que não há volta a dar. Vai sempre continuar a haver racismo no futebol e quando é em países onde a diferença é muito mal vista como os países de leste, Grécia, Turquia ou mesmo países como a Itália isto acontece então é sinal que não vamos lá com conversas ou multinhas..
Racismo é ignorância. Racismo é medo. Racismo é fraqueza. Isto só lá vai com educação. Educar convenientemente a nova geração de crianças e esperar 80 anos para que a nossa geração desaparecer toda e seja substituída por uma nova com outra visão do mundo e das particularidades genéticas de cada pessoa. Só assim é que o racismo desaparecerá.
Joao Silvino
“seja substituída”: aprecio muito a tua sinceridade. Não há muita gente por aí a dizer assumidamente que apoia a substituição populacional, apesar de o fazer. Pelo menos tu dizes ao que vens.
GabCel
tirar de contexto tem, agora, um novo climax.
SouljaPods _
QAnon já chegou ao visão de mercado! Algo que até já estava à espera, visto os comentários de muitos users quando surgem situações destas.
Antonio Clismo
João Silvino, se não entendeste o meu comentário, podes sempre ler novamente. Que péssimo poder de interpretação.
Nome sem Caracteres Ilegais
Antonio Clismo
A educação parece-me, efetivamente, uma das melhores maneiras de combater o racismo – com as devidas cautelas, bem entendido. Mas repare que eu escrevi “combater”! Não acredito que o racismo vá “desaparecer” (parafraseando o Antonio), porque isso significaria reduzir o número de racistas a zero…e isso parece-me praticamente impossível (oxalá esteja enganado).
Além disso, o post do Antonio parece reforçar a – questionável – ideia de que o racismo se deve somente ao meio que rodeia os indivíduos. Eu tenho muitas dúvidas disso; creio que o racismo também tem um lado genético. Que diabo, se até há bebés que tratam diferentes etnias de forma diferente (veja-se https://www.telegraph.co.uk/news/science/science-news/10770563/Babies-show-racial-bias-study-finds.html) então acho que é bem possível que o racismo tenha qualquer coisa de inato. E, se assim for, enquanto existirem humanos vai existir racismo. Como tal, esperar que o racismo “desapareça” é esperar que os humanos desapareçam…ou deixem de ter cérebros, sei lá.
Joao Silvino
Como é que “educas” uma pessoa para deixar de ser racista? Mostrando vídeos dos “protestos pacíficos” do BLM? Ou, por exemplo, fazendo um apanhado do papel construtivo do Islão no Ocidente durante os últimos 30 anos?
Por que é que um “racista” tem que aceitar uma coisa que claramente não é boa para si?
Nome sem Caracteres Ilegais
Joao Silvino
Não sei percebi bem a sua resposta, deixou-me um pouco confuso…mas vou tentar responder.
Como educar uma pessoa para deixar de ser racista? Desde logo não devia perguntar a mim, porque eu não sou especialista em educação nem tenho 6 filhos nem nada assim…quando muito, faria mais sentido perguntar a quem percebe melhor do assunto. Sei lá, psicólogos ou sociólogos, talvez…
De qualquer modo, se fosse eu a educar alguém desde pequeno, creio que o faria como acho que devia ser feito: com respeito, honestidade, tato e etc. Fazer o melhor possível para transmitir à criança o valor do respeito pelo próximo. E isso, se tivesse sucesso (não é garantido, mas enfim…), formaria mais facilmente uma pessoa que luta contra os seus preconceitos que prejudicam o outro (não só o racismo, mas muito mais).
Mostrar vídeos do BLM? Talvez, mas nunca só isso. Aliás, os protestos públicos costumam ser vistosos e eu acho que é preferível as pessoas aprenderem não por o “professor” ser vistoso mas sim porque o “professor” ensina uma matéria com calma, sobriedade, apelo ao pensamento crítico e empatia pelo aprendiz.
Islão no Ocidente? Isso não é pertinente para este debate porque o Islão – que eu saiba! – é uma religião, não é uma etnia. Portanto, mostrar dados relativos ao Islão para educar contra o racismo não faz assim muito sentido…
Essa sua última frase é que não percebo mesmo…um racista tem de aceitar…que coisa? A que é que se está a referir? E o que é que não é bom para si? (?_?)
Pedro Barbosa
Olá @Nome sem Caracteres Ilegais,
Eu até consigo compreender onde queres chegar com “acho que é bem possível que o racismo tenha qualquer coisa de inato.”, contudo acho que estás a misturar duas definições diferentes. Quando geralmente falamos de racismo num indivíduo estamos a falar de preconceito discriminatório, de antagonismo e até de ódio. Estamos a falar de uma ideologia, de uma visão do mundo em que separas pessoas em “raças” e atribuis características mais positivas ou negativas a cada uma. O que referiste, dando o exemplo do famoso estudo liderado por Jessica Sommerville, não é racismo como coloquialmente falamos mas é in-group bias, o que é significativamente diferente e, sim, algo que está aparentemente internalizado nos nossos cérebros.
Um bebé não nasce a insultar outras “raças”, um bebé não nasce a sentir que outras “raças” são inferiores, um bebé apenas nasce a preferir pessoas que se pareçam com ele, seja na cor da pele, cor de cabelo ou até roupas iguais. O efeito in-group bias já foi testado que pode decrescer naturalmente com o avançar da idade. Pelo contrário, o preconceito e o ódio racial ‘educam-se’ à medida que cresces, seja dentro da família ou na comunidade mais alargada (entendo a ironia ao dizer “educam-se” porque não estamos a falar de algo propriamente lógico).
Com isto só quero dizer que eliminar in-goup bias e eliminar racismo são duas coisas distintas: a primeira requereria se calhar milhões de anos de evolução ou manipulação genética para deixar de ocorrer, se é que é possível à luz da ciência disponível; a segunda não tenho dúvidas que seja possível, mesmo que aos olhos de hoje pareça uma tarefa quase impossível (e eu não tenho a solução mágica). Não devemos esquecer que a nossa sociedade Já avançou (muito, na minha opinião) desde os tempos em que escravos africanos ou a frenologia eram realidades.
Nome sem Caracteres Ilegais
Ora viva, Pedro Barbosa.
Muito bem, é capaz de o exemplo que eu dei ser mais um exemplo de viés intragrupo (desculpe o aportuguesamento, mas eu não gosto da palavra “bias”) do que de racismo. Mas o Pedro também deve ter conhecimento de que, no mundo atual – e se calhar até antes -, as linhas de delimitam a palavra “racismo” não são muito claras. Como tal, creio que há algum espaço para que se reflita sobre se o viés referido se enquadra da definição – aliás, definições! – de racismo.
Além disso, mesmo que o viés intragrupo e o racismo sejam realmente coisas completamente diferentes, há ainda a questão das animosidades entre diferentes tribos que já existem desde que os humanos existem (aquilo a que alguns ingleses chamam “tribalism”). E esse “tribalism”, também se enquadra no racismo? E, se enquadra, é inato ou não? São questões que importa colocar, acho eu. Eu, se tivesse de apostar, apostava mais no “tribalism” como sendo inato do que no racismo, mas como há a possibilidade de o segundo ser uma extensão do primeiro, acho que ainda é possível que o racismo seja (parcialmente) inato.
Por outro lado, se no fim de contas o racismo for 0% inato, então concordo consigo quando diz que é possível eliminá-lo. É que, nesse caso, “basta” mudar o meio em volta do indivíduo para o racismo como o Pedro o descreveu praticamente desaparecer. E isso, creio, seriam boas notícias. Claro que mudar o meio pode dar uma trabalheira que não se pode…mas pelo menos será possível. O que já não era mau.
Pedro Barbosa
Eu não quero parecer ‘pedantic’ mas quando te referes a ‘tribalism’ esse é o termo não-científico para viés intragrupo. Este padrão de favorecimento a membros do que consideramos o ‘nosso grupo’ está em nós, é subconsciente e hormonal, é-nos impossível de remover completamente quando tomamos qualquer decisão ou julgamento. Mas acho que existe uma distinção clara na literatura que se faz entre ingroup bias (a tal tendência de favoritismo) e outgroup negativity, essa “animosidade entre tribos” que falaste (desculpa se tiver errado pois não tenho certeza, porque já não trabalho na academia há muitos anos). A segunda não é propriamente “natural” (se é que podemos falar sequer em Naturalism quando falamos da sociedade humana em que hoje vivemos) porque acho que só já aos 6-7 anos é que demonstramos esse comportamento, por isso não é algo inato ou instintivo (diga-se, genético) mas sim consequência da nossa socialização.
Passando esta diatribe mais cientifica à frente, do que referiste em termos mais coloquiais, será que alguma definição de racismo poderá ter a sua origem mais profunda no viés intragrupo? Talvez, não te sei mesmo responder nem sei se existe resposta clara na sociologia ou psicologia. É extremamente complicado ter uma opinião ou discutir esse ponto sem ter anos de estudo na área, no entanto posso te dizer que, independentemente da resposta que houver, as nossas ações mais “directas” e patentes a ser julgadas (como o alegado insulto neste caso) acontecem vários degraus acima de consciência, não se desculpam com processos cerebrais complexos e obscuros.
Nome sem Caracteres Ilegais
Pedro Barbosa
É capaz de ter razão. De resto, atenção que eu não pretendo ilibar certas ações diretas através destes assuntos complexos. Eu acredito é num julgamento justo e acho que um julgamento justo tem de ter praticamente tudo em conta. Como os vieses naturais do cérebro humano e a influência do meio…mas também a responsabilidade que se exige a um adulto e as condições que este tem para saber ser melhor do que incorrer em ações prejudiciais. Para mim, é assim que se faz: é preciso ter TUDO (ou quase tudo, vá) em consideração para julgar com justiça.
DYI
Alguém sabe o que é que o Juan Cala disse?
Não que não acredite que tenha sido verdadeiramente racista mas não posso julgar alguém sem saber o que disse.
PedroLareira
“Negro de mierda”
DYI
Pois, acho que se querem acabar com isto têm que dar suspensões mais pesadas. Muitas destas coisas são ditas no calor do momento e de forma irrefletida. Por isso acredito que umas suspensões mais pesadas (6 jogos no mínimo acrescidos de multa) resolveriam grande parte do problema. Outra coisa que acho é que se houver maneira de verificar deve ser expulsão no momento e o jogo segue. Isto de saírem todos do campo não resolve nada a meu ver.
Miguel Caçote
Convém é fazer o esclarecimento que isso foi o que o Diakhaby disse que o Cala lhe chamou, enquanto o atleta do Cádiz nega tal situação. A forma como o PedroLareira comenta, sem utilizar um advérbio como “supostamente” ou “alegadamente” dá a entender praticamente que se ouviu bem, com essas exatas palavras o que o atleta do Cadiz disse, algo que não sucedeu dessa maneira.
DYI
Pois não sei, por vezes é difícil saber ao certo o que se passou. E o racismo não desculpa tudo. São sempre casos bicudos, mas ainda que seja contra o racismo não acho que se deva punir da mesma forma um insulto gratuito a um insulto provocado ou por ofensas físicas ou por insultos prévios.
Joao Silvino
A única solução para o racismo é pôr fim à imigração. Quando se misturam povos da maneira como temos visto nas últimas décadas é inevitável: os locais, mais cedo ou mais tarde, vão reagir à sua substituição.
Joao_Santos
A única solução para as violações é pôr um fim às mini-saias
Joao Silvino
Realmente captaste bem a ideia.
Pipo
Acho que isto entra para a categoria do ” Não é assim que funciona”.
Daiuca
Hahahaha isso é uma piada. Mas sabes que os Europeus foram os primeiros a INVADIR outras terras? Deste história na escola?
Joao Silvino
Tenho uma ideia para resolver este problema: obrigar os jogadores a ajoelhar-se no início dos jogos. Acho que tem muito potencial para acabar com o racismo, que acham?
Kacal
Fico chocado como em pleno seculo XXI e ano 2021 ainda temos casos destes, há coisas que não vão mudar ou dificilmente, é pena.
Joao Silvino
Não percebo o choque, as populações autóctones sentem-se finalmente ameaçadas pela imigração de substituição das últimas décadas. Que reação esperavas?
Kacal
Confesso que não faço ideia do que acabaste de dizer, peço desculpa pela minha ignorância. Mas sobre a reacção, esperava já outro tipo de mentalidades, mas se calhar sou parvo e ingenuo.