André Castro é um nome umbilicalmente ligado ao FC Porto. O médio chegou aos dragões com 12 anos, fez tudo o percurso de formação no clube e estreou-se na equipa principal com 19 anos, pela mão de Jesualdo Ferreira. No entanto, apesar de ter integrado plantéis às ordens de Villas-Boas e Vítor Pereira, Castro foi sempre uma opção secundária. Na 2.ª parte de uma entrevista exclusiva ao Visão de Mercado, o médio não esconde a mágoa por não se ter conseguido fixar no emblema do qual é sócio desde que nasceu e de onde saiu por querer jogar com regularidade, não duvidando em dizer que, se fosse hoje, teria gozado das oportunidades que Rúben Neves, André André ou Sérgio Oliveira – outros médios “da casa” – tiveram, muito pela concorrência ser bem diferente da formada por Fernando, João Moutinho, Fredy Guarín ou Lucho González que teve de enfrentar nos anos do último tricampeonato do FC Porto.
Olhando ao seu percurso na equipa principal do FC Porto, em termos globais fez 34 jogos na equipa principal do FC Porto: 3 ainda em 2007-2008 com Jesualdo Ferreira (antes de ser emprestado ao Olhanense), 6 em 2010-2011 com Villas-Boas e 25 em 2012-2013 com Vítor Pereira. Tem alguma mágoa por nunca ter tido muito espaço no clube?
Alguma mágoa fica sempre, embora também sinta agradecimento. Por exemplo, no ano do Vítor Pereira era uma espécie de 12.º jogador, que entrava muitas vezes e ia jogando, mas nunca fui titular. Eu nunca fui titular num único jogo da I Liga pelo FC Porto. Houve encontros em que entrava bem, as coisas corriam-me bem, mas depois, por hipótese, o Fernando estava castigado e não era eu que entrava. Fica alguma mágoa mas também agradecimento por tantos jogos em que fui entrando. No ano seguinte saíram vários jogadores, como o João Moutinho ou o James, e quando pensei que seria o meu ano de afirmação no FC Porto veio o Paulo Fonseca, trouxe jogadores para o meio-campo como o Josué, Carlos Eduardo ou Herrera e na pré-época tive uma conversa com ele para saber se contava comigo para titular, porque era esse o meu objectivo. Eu tinha a proposta da Turquia e sentia que não seria titular porque tinham chegado vários jogadores e havia a vontade em apostar neles. E aí, sim, fica a minha maior mágoa por sentir que tinha mais qualidade do que muitos dos que foram jogando mas saí porque senti que não me queriam mesmo. Mas foi a melhor coisa que acabou por me acontecer.
Então a saída do FC Porto está relacionada com uma insatisfação pessoal, com a ambição de não querer só estar no clube mas querer ser importante?
Exactamente. Por eles eu continuava sempre. Cumpria quando jogava, treinava bem, era da casa…Mas não era aquilo que eu queria, eu queria jogar e não estar no banco. Mesmo nessa pré-época com o Paulo Fonseca fiz bons jogos, a Emirates Cup correu-me super bem mas senti que, uma vez mais, não seria aposta e que aquele era o momento para sair, até porque tinha uma aposta financeiramente 10 vezes melhor do que no FC Porto. Mas se eles contassem comigo para titular preferia ficar no FC Porto ganhando 10 vezes menos do que vir para a Turquia, ainda que se tenha revelado excelente vir para cá.
Sente que se fosse hoje teria mais oportunidades? O FC Porto tem apostado em alguns médios “da casa”, como Rúben Neves, André André ou Sérgio Oliveira…
Sem dúvida, não tenho mesmo dúvidas. Não é para ser convencido mas ia ter mais oportunidades. Na altura, as equipas que o FC Porto tinha quando eu estava no plantel eram diferentes do que se vê agora. Se olharmos à equipa quando eu estava no clube, era uma equipa de classe mundial, todos os jogadores foram vendidos para equipas de classe mundial e mesmo assim eu fui jogando. E agora não é a mesma coisa. Não digo que os actuais jogadores do FC Porto não são muito bons – porque são muito bons – mas eu acredito que se eu tivesse aparecido neste contexto também teria mais oportunidades.
Acha que teria lugar nesta equipa do FC Porto?
Sinto que poderia ser útil, isso sinto.
Quando saiu do FC Porto, o clube tinha acabado de se sagrar tricampeão mas depois deixou de ganhar. Vendo de fora, o que acha que mudou?
Para começar, vendeu a equipa quase toda e nunca mais conseguiu encontrar jogadores com a mesma qualidade que na altura o FC Porto tinha, quando saiam um ou dois e entravam um ou dois com a mesma qualidade. Acredito que essa tenha sido a maior diferença
Como analisa a época do FC Porto? Continua a acompanhar o clube?
Sim, acompanho sempre e tem sido uma época espectacular. O Sérgio Conceição tem criado uma dinâmica incrível e uma equipa “à Porto”, todos os portistas estão orgulhosos do que o Sérgio Conceição tem feito. E, claro, também há muitos jogadores a fazer grandes épocas, como o Ricardo Pereira ou o Brahimi.
Continua a sentir-se portista então?
Sinto, sou sócio desde que nasci e portista acho que vou ser sempre.
Acredita que vão ser campeões?
Acredito, e então depois da vitória na Luz ainda acredito mais. Já sentia que era a melhor equipa do campeonato mas agora acho mesmo que vão ser campeões.
Entrevista realizada por Pedro Barata


5 Comentários
Kacal
Concordo. Antes tínhamos um trio de meio-campo formado por Fernando, Lucho e Moutinho que jogava quase sempre . Depois ainda havia um Defour que era da confiança do treinador, era complicado entrar no 11 e ter oportunidades. Hoje em dia, jogadores como Sérgio Oliveira e André André vão jogando e portanto acredito que o Castro também tivesse oportunidades. Eu acho-o bom jogador e tinha a raça e atitude “à Porto”!
José S.
Não me queixo naturalmente, mas não deixa de ser estranho comparar agora os meios campos, é “alguma” diferença…
Qualquer das formas eu sempre gostei do Castro e realmente era impossível para ele com tal concorrência. Hoje tinha tantas ou mais hipóteses que André André ou Sérgio Oliveira.
Cumprimentos
Kacal
Sem duvida. Prefiro Danilo a Fernando e entre Moutinho e o melhor Herrera também não é por aí, embora prefira o Moutinho. Mas depois de Lucho para todos os outros é uma grande diferença. E o Defour também para os nossos suplentes actuais. Mas eram os três como trio que funcionavam tão bem. Mas a concorrência do Castro hoje seria bem menor e inferior. Concordo que teria tantas ou mais hipoteses que André André ou Sérgio Oliveira e até acrescento que iria ser da confiança do Sérgio Conceição, mas pronto, às vezes o timing não é o melhor e as coisas acontecem de forma diferente, faz parte. Eu também sempre gostei do Castro por acaso e acho que podia ter dado mais.
Cumprimentos
AngeloGJ
Sem duvida, sempre foi um jogador que gostei de ver jogar no FCP e acho que poderia ter tido outro protagonismo o grande problema é que no seu tempo sempre houve uma forte concorrencia, mas se fosse hoje em dia nao duvido que fosse opcao regular, acho que é bem melhor do que o André André por exemplo.
Tiago Peixoto
É muito superior ao André André, mas não sei se mesmo nesta altura seria titular. Com o Danilo a jogar era certo que seria suplente. Sem Danilo, talvez conseguisse lutar pelo lugar com o Sérgio Oliveira. Mesmo o Óliver é bastante superior ao Castro. Mas nunca se sabe.