
Se ninguém pode esperar que algum jogador faça 9 dribles, 9 cruzamentos ou 9 remates num jogo, também não devia ser possível, nem admissível, que sofra 9 faltas ríspidas em 79 minutos, como aconteceu a Neymar no jogo de estreia do Mundial, perseguido pelas gárgulas da Sérvia.
Da dureza de uma “falta necessária” – como a justificou o novo inimigo público n.º 1 dos brasileiros, Nemanja Gudelj – resultou uma entorse grave nos ligamentos do tornozelo que o afasta das próximas duas partidas do Mundial e um prejuízo inestimável para o Brasil e para o próprio campeonato.
Isto é cruel: Mundial sem lesão grave de Neymar é como Carnaval do Rio sem violência.
Pela terceira vez, sofre grave trauma impeditivo em campeonatos do Mundo, bem como na Copa América de 2019, e é impossível dissociar estes azares crónicos de uma grande quota de responsabilidade pelos insucessos do “escrete” na perseguição ao “hexa”, a começar pelos 7-1 da meia-final do Brasil-2014, que teve de ver da bancada, impotente, por causa de uma joelhada assassina do colombiano Zuñiga, que ainda hoje tem a cabeça a prémio em Fortaleza.
Em estado de choque, a torcida esconjura a fatalidade com a desconfiança de quem se sente perseguido e injustiçado: ao Messi e ao Cristiano, dizem numa tv, os adversários não fazem batidas como ao Neymar!
Percebe-se a revolta, a denúncia de conspiração, apesar de a razão mais plausível ser a forma de jogar do brasileiro, viciado no drible, na firula e na “provocação”, em contraste com o sentido prático, linear e de menor exposição ao perigo do argentino ou com a fortaleza atlética do português.
Neymar aposta no “chega mais” brasileiro, na vertigem do risco, como moleque que se recusa a crescer. Messi e Cristiano são de outro coturno, sabidos e calculistas, aprenderam a antecipar as ameaças e a escapar à maioria dos contactos. Messi e Cristiano são caçadores, Neymar é presa.
No Mundial da Rússia, tornou-se Ney-même, pelo número absurdo de quedas, mergulhos e trambolhões que forçou ou a que foi forçado, gerando dúvidas metódicas, retratadas em inúmeras “insónias em carvão” sobre a verdade e os truques dos seus desequilíbrios. Dúvidas que foram plantadas no cerebelo de juízes e algozes, germinaram e dão “fruta” à discrição até hoje, o que explica, parcialmente, a indulgência de uns e a impunidade dos outros.
O Neymar caiu? Ah, está bem, levante-se, siga, siga. Com a Sérvia, foram nove faltas (num total de 12) e mais três ou quatro escaparam no crivo. Convenhamos, uma falta sofrida a cada dez minutos não é jogo, é martírio.
Este número é superior aos de Maradona, que detém o recorde das três maiores médias de faltas sofridas em Mundiais (em 1982, 1986 e 1990), sempre acima das 7 por jogo: no primeiro acabou expulso quando se fartou da marcação impiedosa e se vingou no brasileiro Baptista, no segundo sobreviveu à perseguição de ingleses, belgas e alemães e no terceiro acabou a disputar a final ao pé coxinho, com uma lesão igual a esta última de Neymar, o que custou o terceiro título à Argentina.
Neymar podia ser o melhor jogador brasileiro depois de Pelé e Zico, talvez acima de Ronaldo Fenómeno, e teria tido uma carreira inolvidável se lhe fosse possível conjugar o talento com a integridade dos membros inferiores, mas desde que chegou a Barcelona em 2013, sofreu 24 lesões, dez das quais traumáticas em ambos os pés. Só nas últimas cinco temporadas esteve de baixa 598 dias: impedido de jogar em um de cada três dias e, mesmo assim, chegou a este Mundial ainda como membro emérito do triunvirato de honra.
É muito azar, há que desconfiar de tanto azar!
Se à FIFA interessasse tanto a saúde e a aptidão física dos atletas como interessa a segurança das contas financeiras, já teria promovido um Fair Play Verdadeiro, uma regulação sob o pungente mote “Deixem jogar o Neymar”, pelo rigor do jogo, pelo castigo exemplar, por exemplo suspendendo o agressor enquanto a vitima estivesse impedida, de modo a inibir a brutalidade dos açougueiros desta vida contra os tornozelos dos protagonistas.
Foi feito algo há 30 anos para proteger os tendões de Aquiles, agora esperemos que não seja preciso van Basten “morrer” de novo.
O mal está feito, resta aguardar o restabelecimento do garoto paulista, que promete voltar nos “oitavos”, quem sabe se frente a Portugal, pois “brasileiro, com alma de guerreiro, não cansa de lutar”, como diz Seu Jorge, o cantor: “tropeçando e levantando, sempre com você”.
Sérvia cometeu 12 faltas no jogo, 9 em cima do Neymar. Aí vem huns visualizadores de futebol de 4 em 4 anos chamando o cara de cai cai. pic.twitter.com/uSYOzx3kT2
— Daniel • Tráfego e Conteúdo (@daninufi) November 25, 2022


13 Comentários
Kafka
Neymar é o jogador da actualidade, q mais perto está da porrada q os melhores jogadores levavam até à lesão do Van Basten que mudou para sempre o futebol Mundial (Messi e Cristiano deviam ter uma estátua do Van Basten lá em casa, pois a longevidade da carreira q os 2 têm, não se deve só à ciência mas também à lesão do Van Basten )
Ainda assim Neymar sendo o q mais porrada leva, não chega perto da porrada q se levava na altura, para se ter noção, há uns dias antes do Mundial começar, vi uma estatística em que o Neymar, Messi e Cristiano JUNTOS tinham menos 2/3 faltas sofridas em Mundiais que o Maradona ?… Os 3 juntos tinham 50 e poucas faltas cada um e o Maradona sozinho tem 150 e tal ??
Isto para não falar q faltas q hoje é vermelho directo, antes as mesmas faltas nem amarelo era (efeito Van Basten) , e naquela altura para se dar um vermelho era preciso matar um jogador em campo
Rui Costa
É um erro continuar a fazer estas comparaçoes, na epoca de Maradona era passar a bola ao pequeno genio e esperar, quanto tempo passava Maradona com a bola nos pés?
Estas comparaçoes acabam sempre por ser injustas.
Kafka
Vai então ver a violência das faltas q o Maradona sofria na altura, comparado com os quase “beijinhos” que o Messi e Cristiano levam
Com as regras actuais, qualquer jogo da Argentina ou do Nápoles na década de 80, os adversários acabavam com 7 jogadores ou então o jogo nem acabava por terem 5 expulsos
Rui Costa
Como disse anteriormente, comparações sem sentido, regras diferentes, tudo diferente…
cards
O Brasil vai precisar do Neymar a partir das meias finais até lá os que estão chegam e sobram.
Por um lado é mau esta lesão porque tira do mundial um craque genial, mas por outro lado a seleção brasileira vai apostar num jogo mais coletivo vai ganhar os seus jogos e com isso vai aumentar a sua confiança, depois nas meias finais com o gênio de Neymar e um coletivo mais entrosado o Brasil ficará muito mais forte e mais candidato a vencer o Hexa. Espero que a minha teoria esteja certa
Kafka
Isso não faz mt sentido, porque o Brasil nos 4os final até provavelmente vai enfrentar um adversário mais difícil (eventualmente Espanha) do que enfrentará nas meias finais (q poderá ser Holanda, Argentina ou Polónia), todas estas 3 inferiores à Espanha
cards
Não sei se é a Espanha ou não nos quartos mas se for acho que não mete medo ao Brasil, aposto numa vitória do Brasil
Kafka
Mas o ponto aqui é q tu dizes q Neymar só faz falta a partir das meias, só q em teoria nas meias finais o Brasil vai enfrentar uma equipa mais fraca do que enfrentará nos 4os final
Logo se segundo tu o Brasil precisa de Neymar para ganhar à Holanda/Argentina/Polónia, muito mais vai precisar do Neymar para ganhar à Eapanha
Sporting1906
Se calhar o Cards considera que ganhar à Argentina vai ser mais difícil do que à Espanha
Af2711
O mundo do futebol acaba por não ser feito de adversários anjinhos. Os marcadores naturalmente sabem que o Neymar é um jogador bastante propenso às lesões e que qualquer toque mais ríspido pode deixá-lo com mazelas.
Não há como não admirar a técnica dele, mas para o seu jogo na seleção ser potenciado falta soltar a bola mais rapidamente (beneficia não só a ele como a equipa). Contra a Sérvia e adversários mais fechados, centralizar o jogo em si segurando mais a bola não permite mais verticalidade que é o que se pede nestas fases do jogo entre ataque vs defesa.
Antonio Clismo
Tudo o que o Neymar faz é para humilhar os adversários, desde o momento em que sai dos balneários até ao momento em que entra.
No jogo contra a Sérvia, chega deliberadamente atrasado para a segunda parte como se não fosse nada com ele, entra em campo ainda sem a camisola vestida e só aperta as chuteiras já o jogo estava a decorrer, como se fosse algum deus do futebol que joga quando quer.
Acho que só parou de apertar as chuteiras ao minuto 47 deixando os seus companheiros a correr mais para cobrir a sua posição e os adversários sem perceber porque raio um jogador faz isso num jogo de futebol. Mal a bola lhe chega aos pés tenta logo fazer um cabrito e um túnel inconsequentes que lhe saem mal, para tentar humilhar um jogador sérvio.
90 minutos com atitudes destas e não sei como ainda ninguém o encostou a uma parede (colega ou adversário).
Maradona sofria faltas porque era bom demais.
Neymar é apenas conflituoso, arrogante, altivo e anti-desportista. E depois usa o manto do ”futebol bonito” para se desculpar. Ele que desaparece sempre como um ratinho nos momentos importantes…
Raskolnikov
Se os jogadores consideram humilhante sofrer um túnel ou um cabrito, talvez seja melhor mudarem de profissão para não sofrerem tão indignas malfeitorias. Eu iria mais longe, acho de mau tom que se marquem golos porque é chato para os guarda-redes e os defesas. Também acaba por ser um bocado rude ultrapassar em velocidade adversários mais lentos que, coitados, não têm pedalada para acompanhar, ou fazer tabelinhas em sucessão que os façam sentir que estão a jogar à rabia. Pensando bem, talvez seja melhor banir tudo aquilo que traz espectacularidade, rasgo, irreverência, talento e magia ao futebol, assim ninguém se chateia!
Fantantonio
Se o Neymar é isso tudo, o Denilson nunca devia ter sido jogador de futebol.